terça-feira, 23 de agosto de 2016

Viés

Se bem urdido, dá um bom acabamento
na vida de quem faz uso.

Se na obliquidade dos valores, destoa
em todas as situações.

Se colorido manifesta vivacidade
mas, se desbotado esvai-se.

Ponto a ponto na máquina humana
há tentativas inúmeras para imprescindível ser.

Fatores outros enviesaram olhares
inábil em sua fibra natural,
maculou-se em desvios vis – sua silhueta...

Célia Rangel  



segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Valores!


SER POBRE

Um dia, um pai de família muito rica levou o filho a uma viagem ao interior, com o firme propósito de mostrar ao menino quão pobres as pessoas podem ser.
Pai e filho passaram um dia e uma noite na fazenda de uma família pobre.
Quando retornaram da viagem, o pai perguntou ao filho:
- O que achou da viagem?
- Muito boa, papai!
-Viu que pobres as pessoas podem ser?
-Vi, sim.
- E o que você aprendeu com essa viagem?
O filho respondeu:
-Vi que nós temos um cachorro em casa, e eles têm quatro. Nós temos uma piscina que alcança o meio do jardim, e eles têm um riacho sem fim. Nós temos uma varanda coberta e iluminada por luz elétrica, e eles têm as estrelas e a lua. Nosso quintal vai até o portão de entrada, e eles têm uma floresta inteira.
O pai estava de boca aberta. Quando terminou de responder, o garoto acrescentou:
-Obrigado, papai, por ter me mostrado como nós somos pobres!

(Nunca deixe de sonhar)

domingo, 21 de agosto de 2016

Leveza no Gesto



Há um tempo para brincar
correr nos campos infinitos
experimentando, criando e usufruindo
oportunidades únicas.


Vive-se muito e despreza-se o cenário do essencial.
Um olhar que identifica uma ação, um ser,
identidades buscadas em objetos e seres
em nada contagiantes.


Mas, ai está a vida convidando a experimentações do ser.
Buscar profundidades, criar, digerir o fogo da paixão do viver,
através do outro em seu olhar libertar emoções,
ainda que sutilmente, o relacionamento com a ternura.


Abstraia-se do caminho em que nada acrescenta,
siga as águas do rio que se desvia das pedras,
e prossiga o seu curso independente...
Supere-se na busca da afetividade.


Célia Rangel







sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Reflexão

"Há um olhar que sabe discernir o certo
do errado e o errado do certo.

Há um olhar que enxerga quando a obediência
significa desrespeito e a desobediência
represente respeito.

Há um olhar que reconhece os curtos caminhos longos
e os longos caminhos curtos.

Há um olhar que desnuda, que não hesita
em afirmar que existem fidelidades perversas
e traições de grande lealdade.

Este olhar é o da alma."

[Nilton Bonder/A Alma Imoral]

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Pessoas que leem livros todos os dias vivem mais!



Leitura: ler livros tem impacto positivo maior do que ler jornais, devido ao engajamento cognitivo necessário.


Uma sessão diária de leitura com duração de 30 minutos. De acordo com um estudo da Universidade de Yale, dos Estados Unidos, é disso que você precisa para viver 23 meses a mais do que quem não tem o hábito de ler livros.

Os pesquisadores da escola de saúde pública da universidade concluíram que quanto mais as pessoas leem, mais chances elas têm de ter a vida prolongada – mas três horas e meia por semana foi o período considerado o suficiente para a medida tenha o impacto positivo prometido.

Os novos resultados corroboram com outros estudos que ligam a leitura de livros a ajudar a manter o cérebro ativo e saudável.

A leitura de romances "treina" as regiões de processamento de linguagem do cérebro, criando um efeito chamado "engajamento cognitivo". Pesquisas da Universidade de Harvard e da Universidade de Emory (Atlanta) suportam essa teoria.

O estudo da Universidade de Yale envolveu 3.635 pessoas com idades de 50 anos ou mais. A expectativa de vida maior registra entre as pessoas que liam ou não foi avaliada com base na probabilidade de morte constatada por métodos que não foram publicamente detalhados.

Pessoas que liam mais de três horas e meia por semana apresentaram 23% menos chances de morte, enquanto as que liam até três horas e meia por semana apresentaram 17% menos chances de falecer do que as pessoas que não praticavam a leitura com regularidade.

Agora, os pesquisadores irão analisar os efeitos de livros de fição e não-fição, bem como dos livros digitais e dos audiolivros na saúde humana.

Lucas Agrela, de EXAME.com

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Ao pai que também é pãe...


Mais que Pai, um Amigo!

Uma relação que começa pós relação
Um símbolo que nos acompanha sempre
Origens!

O pai fisiológico, não é o escolhido,
O filho, também não.
Encontram-se, e pela vida
Vão se conhecendo...
Há tropeços, dissabores, choros
Alegrias, sucessos, risos
Amizade!

Uma relação que para ser duradoura
Necessita de muito cuidar, de muito doar-se
Uma transfusão eterna de energias...
Se positivas, um arranque para a vida!
Se negativas, um encontro com a morte!
Inimizade!

Um sentimento de acolher e encaminhar,
Quebra o gélido olhar reprovador,
Da figura que, por imposição social,
Não pode “amaternar-se”- tem de ser “durão”
Provedor numerário, não do aleitamento
Quebra o encanto paternal!
É pai!

Pai!
Romper com a “instituição”: macho & fêmea,
Unir corações na emoção do encanto
Do gerar, alimentar e criar
Do aconchegar, participar e amar
Juntos: uma só alma – uma só interação...
O filho de hoje, será o pai de amanhã.
Que será o avô, e virá o neto,
A família!

Rica estrutura da Vida pela Vida!
Gerou! Torna-se responsável!
No amor, fonte de todo afeto,
No cromossomo, a parceria genética,
Doadores eternos:
Pai & Filho!

Célia Rangel, 2009

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Homenagem



MEU PAI

VINÍCIUS DE MORAES

Meu pai, dá-me os teus velhos sapatos manchados de terra
Dá-me o teu antigo paletó sujo de ventos e de chuvas
Dá-me o imemorial chapéu com que cobrias a tua paciência
E os misteriosos papéis em que teus versos inscreveste.

Meu pai, dá-me a tua pequena chave das grandes portas
Dá-me a tua lamparina de rolha, estranha bailarina das insônias
Meu pai, dá-me os teus velhos sapatos.




http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/meu-pai-da-me-os-teus-velhos-sapatos-manchados-de-terra