domingo, 20 de maio de 2018

Quase Divino


Penetro em meu útero celeste
E com muita ternura
Gero o meu céu
Renasço, redescubro-me
Simples assim.

Basta muito pouco para ser feliz
A paz interior que me invade
Na simplicidade
Torna sereno o meu viver.

Descarto o supérfluo
Carga inútil peso morto
Em minha estrada
Bebo na taça do prazer
Do meu viver!

Selando assim a pureza
De um amor divino
Que se enraíza intimamente
Em um ser que busca
Gratidão por Ser somente
Isso me completa.

Célia Rangel



quarta-feira, 16 de maio de 2018

REAL CORAGEM


Para Sempre?
Não existe.
Usufrua do momento.
Derrube seus muros.
Invista mais em suas pontes.
De afeto, de carinho, de amor simples.
Use mais o ponto final e menos as reticências.
Assim, nas encruzilhadas da vida,
Escolher a estrada fica mais suave.
Fuja da gaiola da submissão,
Ela escraviza e mata nossos sonhos.
Tenha coragem de amar a sua realidade,
Pois em cada papel que você interpreta,
Há uma trilha sonora gestada no encantamento,
De um olhar, de um beijo, de um abraço,
Vivido em um dado momento,
De amor, de paixão, de renovar-se.
Celebre- o.

Célia Rangel



segunda-feira, 14 de maio de 2018

Sagrado


Eu e você, sagrados,
Nós.
Tecemos em finas teias
Eles.
Que depois se vão...
Soltam-se das amarras...
Voam longe!
Mas sempre há o retorno
Deles.
Desorganizam tudo
Em nós.
Perdeu-se espaço do amor
Sagrado.
Houve mancha e cicatriz,
Eterna marca.
Das paixões e submissões.
Dos medos do oculto,
liberto-me,
busco a chave desse enigma,
encontro-a...
E na tocaia observo-te...
Frágil em sua alcova...
Sedento de aconchego...
Perdeu-se!

Célia Rangel



sexta-feira, 11 de maio de 2018

Mãe, acima de tudo, pessoa...


Não queremos que nos vejam como heroínas...
Não somos.
Não queremos que nos vejam como as salvadoras da pátria...
Não somos.
Não queremos que nos vejam como santas, endeusadas, veneradas...
Não somos.
Não queremos que nos vejam como babás, governantas, cuidadoras de pessoas...
Não somos.
Não queremos que nos vejam como eterno útero fértil, procriador e acolhedor...
Não somos.
Não queremos que nos vejam como um grande banco avalista de seus débitos...
Não somos.
Não queremos que nos vejam como “chef” de cozinha preparando seus quitutes...
Não somos.
Não queremos que nos vejam como “rainha do lar”... o lar é responsabilidade de todos...
Não queremos ser tratadas como objeto de luxo... de estimação... no banco de reserva sempre...
Não queremos ser descartadas na ignorância, na velhice ou na doença...

Queremos muito pouco!
Queremos apenas o nosso lugar de “pessoa” que recebeu do Criador a magnífica incumbência de gerar, criar, amparar em seus primeiros passos e abrir-lhe as portas do universo.

Queremos ser respeitadas em nossos sentimentos, em nossos amores, em nossas realizações e gostos pessoais.

Queremos apenas que respeitem o nosso espaço, a nossa individualidade. Antes de ser mãe, sou humana que sente, sofre, se alegra, se realiza, ama, faz suas projeções e tem seu ideal de vida.

Sonho! Não mate meus sonhos como pessoa que sou!

Célia Rangel.




quinta-feira, 10 de maio de 2018

DEMAIS



Chega de mistério
No momento quero
Divagar o olhar pelo mundo
Presente
Nem passado muito menos o futuro
Mudei a paisagem
Enxergo o que me faz bem
Quero estar cercada de positividades
Ganhos. Perdas. Não me interessam.
É o aqui e agora. Basta.
Pode ter longa duração
Ou apenas instantes
Mas que sejam bem vividos
Amados e eternizados
No tempo silencioso de uma saudade
A planta que brota – o amor
Que energiza o meu ser
Como um vento acariciante
Que fez morada em meu silêncio
Acalma minha pressa em viver
Entrego-me ao sussurrar dessa brisa
Acalentadora
É a marca de um novo tempo
Que desembarca no meu universo
E faz morada na paz da solidão
Do agora e do infinito
É o que me faz bem
Minha intuição – meu amor.

Célia Rangel



sexta-feira, 4 de maio de 2018

Livre Arbítrio


Meu livre arbítrio de construir
Chega a ser misterioso.
A balança do certo e do errado,
Confunde o mais correto pensar.
Tornar-me digno e honesto,
Na prática, está obsoleto.
Revelar-se ainda que a nós mesmos,
Pode ser imprudente e incompreendido.
Pureza, dignidade valores da nossa reputação,
Alijaram-se na sarjeta da vida.
Não há consciência relevante,
Que se forme da noite para o dia.
Há todo um processo a construir...
E em longo prazo, com boas projeções,
Alcançaremos a retidão do pensar e do agir.
O porto seguro? O terreno fértil?
É o do Amor que gera frutos cobiçados...
Mãe, depositária da fé em gerar, criar e ser presente sempre,
Nos bons e mais ainda, nos piores momentos.
Maria frutifique e abençoe nossa missão maternal.
Amém!

Célia Rangel



terça-feira, 1 de maio de 2018

Ritual de Vida


Ame-se para que, com serenidade, ame ao outro.

Sentimentalize-se para poder receber e doar.

Sinta seu rosto... Sua pele... Seu corpo... Sua alma.

E, que a ternura se abrigue em seu coração.

Liberte sua imagem com olhos translúcidos,

Assim, encontrará seu perfil transcendente,

Sem sonho ou idealização, real tão somente.

Desconstrua, caso não lhe satisfaça a imagem...

Crie novamente, você é capaz... Refaça...

E, prossiga enquanto é tempo e o caminho livre.

Vá! Minha mão será a sua, nossos passos ritmados,

Na simetria de uma mesma estrada da vida.


Célia Rangel