sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Interiorizando...


PRIMAVERA E TERNURA

Encontrei uma flor

Na fenda do rochedo.

Desenho vivo em meio às pedras.

Singular.


Pássaros, abelhas, borboletas

afastaram-lhe a solidão.


Se de uma simples fresta

uma cor brotou

e o tédio se dissipou,

quão florido

e quão divertido

seria o mundo

se as rochas em pó se transformassem!


Lauro Daros


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Tempos Bicudos...


ÁRVORES

JOYCE KILMER

Sei que nunca verei
poema mais belo e ardente,
do que uma árvore;
uma árvore que encerra
uma boca faminta
aberta eternamente
ao hálito sutil e flutuante da Terra.

Voltada para Deus todo dia,
ela esquece os braços
a pender de folhas,
numa prece.

(...)

A chuva vive na mais doce
intimidade do tronco,
a se embalar nos galhos seus.



- Fico observando notícias do Planeta, e pensando... quando o homem perceberá que não deve, não pode interferir na Natureza? A resposta está nos furacões, nos terremotos, nas estiagens prolongadas, na poluição causando um ar irrespirável e incêndios por toda parte... Árvores são os pulmões naturais! Não adianta um dia para comemorar - 21 de setembro - se nos demais não nos importamos...

Célia Rangel. 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ES-PE-RAN-ÇA...


Esperança
Mário Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 118.



terça-feira, 12 de setembro de 2017

Extrato poético

* [...] Diz o Tao Te Ching que o segredo do sábio - a razão por que todos olham para ele e o escutam - é que "ele se comporta como uma criança pequena". O sábio é um adulto com olhos de criança. Os olhos, diferentemente do resto do corpo, preservam para sempre a propriedade mágica de rejuvenescimento.

No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
e, no canteiro, uma violeta,
e sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de uma borboleta.

"Um homem, ao nascer, é macio e frágil. Ao morrer, ele é duro e rígido."
O que o sábio chinês disse ao corpo inteiro, o poeta espanhol Antônio Machado disse aos olhos:

Olhos que para a luz se abriram
um dia para, depois,
cegos retornar a terra,
fartos de olhar sem ver!

* Na morada das palavras - Crônicas - Rubem Alves.


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Existir.


É muito mais que viver.
É muito mais que pulsar. 
É muito mais que caminhar.
É muito mais que olhar.
É muito mais que ouvir.

É contaminar com seu amor.
É deixar pegadas nos corações.
É deixar sua marca humana.
É respirar dos bons momentos.
É acalentar o chegar e o partir.

É a sua estrada...
Sua bagagem?
Seu conhecimento
Libertador! 
Existir... é ser você apenas.


Célia Rangel


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Pensando em setembro


Um lindo mês!

Alguns aniversários de pessoas queridas a quem reverencio gratidão; inclusive o da Pátria que despojada está da ética, dos valores morais, do que aprendi na simplicidade da minha infância que brigar, roubar, matar, falar mal dos outros, desrespeitar pai, mãe e professores era muito feio.

E a “Natividade de Nossa Senhora", com certeza para cobrir-nos com suas bênçãos!

Desbancando isso tudo, vem a primavera com seus encantos, talvez seja proposital... Ela revestirá de flores, cores, aromas e amores tanta ‘merdança’ solta pelo meu querido país!

Rui Barbosa antevia este século quando declarou: "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."

Já não consigo assistir a jornal televisado. Prefiro lê-lo para não emporcalhar com comentários tendenciosos, minha audição... A visão reveste-se de esperança de um dia ler justiça, benignidade, honra ao patrimônio pessoal e de toda uma nação! Ser realmente um profissional digno de colocar a cabeça no travesseiro e dormir o sono merecido, em toda e qualquer área de sua atividade.

Sonho com a igualdade entre nós o mais possível próxima à realidade. Não à teorização, aos discursos de palanque, à corrupção desenfreada, aos preconceitos e exclusões sociais.

O ano se finda. Brotarão flores para o desfilar dos próximos e derradeiros meses ornando o belo tapete da natureza - essa também muito maltratada por nós! Incoerentes que somos para com nosso próprio "habitat".

Duas canções, insistentemente, agitam-se em minha trilha sonora mental:

Uma, cantava-se muito no grupo escolar, em festas cívicas... que já não se ouve mais: "Já podeis da Pátria filhos / Ver contente a mãe gentil / Já raiou a liberdade / No horizonte do Brasil / Brava gente brasileira / Longe vá temor servil / Ou ficar a pátria livre / Ou morrer pelo Brasil"... (Evaristo da Veiga & D. Pedro I)

A outra... dispensa comentários: "Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos / Quero ver brotar o perdão onde a gente plantou juntos outra vez / Já sonhamos juntos semeando as canções no vento / Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar / Já choramos muito, muitos se perderam no caminho / Mesmo assim não custa inventar uma nova canção que nos venha trazer / Sol de primavera abre as janelas do meu peito / A lição sabemos de cor / Só nos resta aprender"... (Sol de Primavera - Beto Guedes)

Feliz setembro! A natureza engravida-se de tamanha beleza!

Célia Rangel