quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Dualidade


A elegância no ser e no agir anônimo
Traz uma única reação – a da sabedoria
Na diversidade experiente da vida
Selecionam-se amores contrastantes
Alguns se diluem e desaparecem
Outros se exacerbam enraizando.

Fazendo a leitura de mundo das pessoas
Isso tudo é mágico e só percebe quem é divino
Aquele que faz do corpo e da alma altares de luz
Onde conflitos do bem e do mal contundentes
Transcendem ao instinto da moral mofada e deteriorada.

Tempestades varrem de nossas faces sonhos
Perpetua-se a realidade!

No sonho do amor equilibramos fé e esperança
Na realidade da matéria – o corpo busca o prazer – o gozo
Se essa imagem: corpo e alma não se fundirem
Seremos apenas sopro de vida – não vida!


Célia Rangel


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Setembro Primaveril



É chegado o tempo de se renovar

A poda já deveria ser feita

Agora é embelezar jardins e vidas

Dar caminho florido com ar saudável

Aos pássaros e às pessoas

Multiplicar alegrias para novas ilusões

O vento carregou as sementes

Fez sua parte com a ajuda do sol e da chuva

Nada a colher, passemos tranquilamente

Um novo tempo a gestar nos guiará

Outros ceifarão e colherão

Tudo se renova, se ilumina em tons marcantes

Há um perfume seu e meu no ar dessa primavera

A natureza se ama e se doa

Encantamento e magia como trilha sonora

Sigamos o exemplo natural dos acontecimentos.


Célia Rangel


domingo, 18 de setembro de 2016

Distraidamente, vive-se melhor...


Há momentos em que é preciso se adaptar...

Nem sempre conseguimos,

Pode ser a grande virada da vida.

Normal a dúvida, não aceitar pode ser fatal.

Estranho seria ficar buscando abrigo,

Em almas exiladas que buscam afinidade

Estacione e repense...

Ir à busca do que nos faz bem, sempre!

Ser patinho feio nada acrescenta.

Prepare-se para um tempo de despreocupação,

Desorientar-se é dimensão perigosa dos inconscientes.

Que o Universo perdoe, não sabem o que fazem...

Querer a tudo dominar e ser o dono – pura ilusão!

Isolar-se em meditações pode não ser divertido,

Mas recebemos dádivas em nossos anseios

Que misteriosamente, um dia, a nós chegarão...

Basta aceitarmos as condições dos mesmos

Chegar / Estacionar / Observar / Mudar / Partir...

São ações singulares em nossas vidas.



Célia Rangel




sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Beleza & Belezas... Reflexão de Vida!


Beleza e belezas

Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs – Roma, 14 de setembro de 2016



Dois homens e duas mulheres: Dom Elder Câmara, Madre Teresa de Calcutá, Nelson Mandela e Cora Coralina (e quantas outras figuras poderiam aumentar a lista). Quatro figuras que desmentem categoricamente a ditadura da belezza imposta sobretudo nos países do ocidente, revestida pela tirania da eterna juventude. Nesta tirania prevalecem a idade, a altura, o peso, e outros atributos externos e estéticos, mais ou menos padronizados, além de todas as pomadas, cosméticos e sacrifícios para se manter no brilho da onda. Onda é a palavra justa, pois agora tais belezas (plural) estão na “crista da onda”, porém logo mais poderão afundar-se no insucesso.


Entretanto, os dois homens e duas mulheres acima elencados, entre dezenas e centenas de outras pessoas, exibem um outro tipo de beleza: uma beleza anciã (singular), de cabelos brancos, pele encarquilhada, dorso às vezes encurvado, pés e mãos trêmulas. Beleza que vem do íntimo do próprio espírito, construída através de longos e faticosos anos, destacada pelo respeito e a gratidão, a dignidade e a reverência. Beleza que ilumina não com o espetáculo tetral ou cinematográfico de holofotes, câmaras e refletores, mas através de um olhar fundo, doce e sábio; de rugas cavadas por muitas primaveras e inversos, que misturam e fundem pranto e canto, dores e esperanças, sonhos e lutas; de sorrisos cuja ternura e carinho confortam, animam e revigoram.


Evidentemente, não se trata de uma beleza que se adapta facilmente aos padrões dos meios de comunicação social, da opinião pública e da moda. Antes, é uma beleza caseira, não rado escondida, acostumada ao dia-a-dia. Não busca plateia, desfiles e aplausos – busca rostos, corações e almas. Não se empolga com a aparência imediata, regada profusamente de cores, luzes e sons – mas a um árduo e longo percurso onde as sementes, antes de bucar o céu, o ar livre e o sol, mergulham as raízes no solo úmido e escuro da terra.


A respeito da ditadura da beleza, poderíamos repetir o que diz o salmo sobre a erva que se renova: “ de manhã ela germina e brota, de tarde a cortam e ela seca” (Sl 90,6). “O homem é como um sopro, e seus dias são como sombra que passa” – lembra outro slamo (Sl 144,4). Beleza da moda, efêmera, passageira, momentânea, como as pétalas de uma flor: hoje, na planta, viceja e encanta o passante que a contempla; amanhã, no chão, será pisoteada e esmagada pelo mesmo transeunte.


Não ocorre o mesmo com a beleza anciã. Há nesta qualquer coisa de frágil e eterno ao mesmo tempo. Algo que parece não suster-se sobre as pernas ou o corpo debilitado, mas que haverá de durar para sempre. Um segredo que dificilmente pode ser passado de pessoa a pessoa, e menos ainda de geração a geração. Permanece, porém, impresso com caracteres de fogo no coração de quem foi capaz de desvendá-lo na pequenez e fraqueza mesmas de determinadas pessoas. Se é verdade que a vida é uma escola, aqui encontramos os melhores alunos e alunas. Diferentemente das pessoas acima nomeadas, alguns serão analfabetos, muitos sequer carregam títulos, outros vivem completamente no anonimato, outros ainda jamais terão um calendário na parede.


Mas a todos e todas é comum um mistério que escapa às categorias da compreensão humana. A razão é pobre demais para abarcar semelhante riqueza ao mesmo tempo escondida e aberta aos olhos do coração. Talvez esse mistério seja forjado na solidão consigo mesmo, no diálogo aberto com outras pessoas, na contemplação da beleza que revela todo o universo, na observação atenta do quotidiano ou na intimidade com Deus. Ou será o “tesouro oculto no campo”, descoberto e guardado como a “pérola mais preciosa” (Mt 13,44-46). O maior valor que a vida possa nos oferecer. O fato é que no comportamento de tais pessoas podemos “ver” um véu invisível, límpido e transparente, que inspira confiança e que nos faz afirmar com fé e esperança que, sem dúvida, “a vida vale a pena ser vivida”.

http://www.crbnacional.org.br/site2015/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=60&Itemid=135

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Há dois anos...


Ele escrevia para melhorar a vida', diz filha sobre obra de Rubem Alves

Escritor completaria 83 anos nesta quinta-feira (15); ele morreu há 2 anos.

Ele foi um dos maiores intelectuais do país e deixou textos em várias áreas.

Escritor e teólogo Rubem Alves completaria 83 anos em 2016 (Foto: Instituto Rubem Alves)

"Houve um tempo em que fui criança como vocês. Mas o tempo passa e aquilo que era deixa de ser. O tempo é isto: o poder que faz com que coisas que existem deixem de existir para que outras, que não existiam, venham a existir", escreveu o poeta, cronista, teólogo, filósofo, psicanalista e educador Rubem Alves em um de seus livros. Veja Galeria de Fotos.

Há dois anos, o escritor, que é considerado um dos maiores intelectuais do país, morreu em Campinas (SP), onde viveu por muitas décadas. Nesta quinta-feira (15), Alves completaria 83 anos.

Para relembrar momentos da vida e da carreira do educador, o G1 conversou com a filha caçula dele, Raquel Alves, que deixou a arquitetura para manter viva a memória do pai no Instituto Rubem Alves, em Campinas. "Ele escrevia para melhorar a vida que incomodava e machucava. Não havia um plano para isso”, explica.

Ele percebeu que tudo o que ele produzia era muito duro e ligado ao academicismo. Então, ali, ele decidiu que escreveria apenas o que o coração pedisse".(Raquel Alves, filha)


Escrever com coração


E foi de forma não programada que os textos do escritor que falavam sobre a vida surgiram em sua trajetória.

Eles vieram apenas após o nascimento de Raquel. Antes, Alves tinha uma carreira totalmente voltada para o mundo científico. Ele se dividia entre as aulas na Unicamp e na Universidade de Rio Claro.Mas, tudo mudou após a chegada da filha caçula. Segundo Raquel, já na sala da maternidade, ele começou a repensar seu trabalho. “Ele percebeu que tudo o que ele produzia era muito duro e ligado ao academicismo. Então, ali, ele decidiu que escreveria apenas o que o coração pedisse”, explica.

Raquel ressalta ainda que quando ela tinha 5 anos, o pai defendeu sua livre docência em filosofia política na Unicamp e que, a partir disso, se sentiu mais livre para tratar de diferentes assuntos. “Isso deu a segurança de que ele não seria demitido. Ele tinha mais liberdade para falar o que quisesse”, destaca.

Por isso, em 1982, ele produziu suas sete primeiras histórias infantis, e a partir disso, iniciou uma vasta produção de livros. "Eu vejo que ele estava entalado e começou a produzir e resultou em um estouro. Essa foi uma época de produção constante [...] nessa época ele já estava livre, então ele se dedicou à escrita e dava muitas palestras”, conta.

E mesmo se dedicando fielmente à carreira ao longo de sua vida, Raquel ressalta que o pai nunca deixou que ela e os dois irmãos se sentissem sozinhos. “Ele era um pai muito ocupado, viaja e trabalhava muito. Mas, no momento em que ele estava com a gente, ele estava inteiramente. Por mais que ele viajasse e a gente sentisse saudade, nunca teve uma sensação de vazio, porque ele preenchia muito a gente”, lembra.

Paixão por ipês amarelos


A filha conta também que durante a vida o pai sempre demonstrou uma paixão especial por ipês amarelos.

"As outras árvores fazem o que é normal – abrem-se para o amor na primavera, quando o clima é ameno e o verão está pra chegar, com seu calor e chuvas. O ipê faz amor justo quando o inverno chega, e a sua copa florida é uma despudorada e triunfante exaltação do cio", escreveu Alves em um de seus textos.
Para o escritor, os ipês ensinavam lições para pessoas, que deviam se abrir para o amor, também, durante o inverno. Além disso, ele afirmava que a árvore ressaltava a exuberância da vida.
A paixão por essa árvore era tão forte, que antes de morrer, o escritou entregou uma carta de 10 páginas aos filhos dizendo que gostaria de ser cremado e que suas cinzas deveriam ser jogadas embaixo da sombra de um ipê amarelo enquanto seriam lidos textos de seus poetas preferidos, como Cecília Meireles e Fernando Pessoa. Segundo a filha, o pedido foi atendido integralmente.
Legado
De acordo com Raquel, durante toda sua vida, Alves sempre teve uma preocupação grande com suas obras, que ele considerava como filhos. “Ele tinha consciência de que tinha muito livro, muito material e que alguém teria que cuidar. [...] Ele sempre falava para mim, alguém tem que cuidar da minha obra", lembra.
A filha afirma ainda que o escritor só morreu depois que teve certeza que suas obras estavam em segurança. "O sonho dele era que a obra dele fosse cuidada. Era que tudo que ele plantou não morresse junto com ele e o instituto foi o formato encontrado. Tanto foi isso que quando ele recebeu o instituto [...] ele partiu 51 dias depois", contou a filha.
Saiba mais:
Mineiro
Rubem Alves nasceu no dia 15 de setembro de 1933 em Boa Esperança, no Sul de Minas Gerais, mas morou boa parte de sua vida em Campinas.
Ele foi educado em família protestante e estudou teologia no seminário Presbiteriano do Sul. Virou pastor de uma comunidade presbiteriana no interior de Minas e casou com Lídia Nopper, com quem teve os filhos Sérgio, Marcos e Raquel.
"A vida dele em Lavras como pastor era cuidar dos pobres e das pessoas que procuravam ele, sem querer catequizá-los, simplesmente dar cuidado e amor", conta a filha.
O autor afirmava que descobriu que podia escrever para crianças ao inventar histórias após o nascimento da caçula.
Rubem Alves com apenas três meses de idade
(Foto: Instituto Rubem Alves)
Em 1963, viajou para Nova York para fazer uma pós-graduação. Retornou à paróquia em Lavras (MG), no período da ditadura militar, e foi listado entre pastores procurados pelos militares.
“As listas de acusações eram absurdas, coisas do tipo que ele obrigava meus irmãos a escreverem em rótulos de Nescau blasfêmias contra Deus, sendo que meus irmãos nem eram alfabetizados naquela época”, conta.
Depois disso, saiu com a família do Brasil e foi estudar em Princeton, também nos Estados Unidos, onde escreveu a tese de doutorado, que foi publicada em 1969 por uma editora católica com o título de 'A Theology of Human Hope' (Teologia da Esperança Humana).
Retornou ao Brasil em 1968 e saiu da Igreja Presbiteriana. No ano seguinte foi indicado para uma vaga de professor de filosofia na atual Unesp, onde permaneceu até 1974. No mesmo ano, entrou no Instituto de Filosofia da Unicamp, onde fez uma longa sua carreira acadêmica até se aposentar na década de 1990. Em 1984 iniciou o curso para formação em psicanálise e teve uma clínica em Campinas até 2004.
Sarau
Nesta quinta-feira, para homenagear o poeta, o Instituto Rubem Alves, que fica no Jardim Chapadão, irá promover um sarau gratuito com música, sopa, vinho e poesia, como o escritor gostava, a partir das 20h. Interessados em participar devem fazer inscrição antecipadamente pelo telefone 3386-0704.

sábado, 10 de setembro de 2016

Poema sobre o Tempo


 “Contei meus anos e descobri

Que terei menos tempo para viver do que já tive até agora...

Tenho muito mais passado do que futuro...

Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de jabuticabas...

As primeiras, ele chupou displicentemente...

Mas, percebendo que faltam poucas, rói o caroço...

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades...

Inquieto-me com os invejosos tentando destruir quem eles admiram.

Cobiçando seus lugares, talento e sorte...

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas

As pessoas não debatem conteúdo, apenas rótulos...

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos...

Quero a essência... Minha alma tem pressa...

Sem muitas jabuticabas na bacia

Quero viver ao lado de gente humana... muito humana...

Que não foge de sua mortalidade.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade”...


Rubem Alves

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A Poética do Devaneio

A Realidade do Amor

Que sempre existam almas para as quais o amor seja também o contato de duas poesias, a convergência de dois devaneios.

O amor, enquanto amor, nunca termina de se exprimir e exprime-se tanto melhor quanto mais poeticamente é sonhado.

Os devaneios de duas almas solitárias preparam a magia de amar.

Um realista da paixão verá aí apenas fórmulas evanescentes.

Mas não é menos verdade que as grandes paixões se preparam em grandes devaneios.

Mutilamos a realidade do amor quando a separamos de toda a sua irrealidade.


Gaston Bachelard, in ' A Poética do Devaneio'



Excelente leitura!