domingo, 22 de abril de 2018

Há semelhança?

[...] "Santo Agostinho, descrevendo a forma como os estados surgem, disse o seguinte:
- no princípio é um grupinho de malfeitores. Crime aqui, crime ali, perseguidos, fugindo sempre.
Com o tempo o grupo aumenta, fica mais forte, apossa-se de um território, estabelece um governo, transforma-se num exército.
Quando isso acontece, ele diz, o grupinho de malfeitores se transformou num estado, não porque tenha, repentinamente, ficado justo, mas porque a impunidade foi acrescentada aos seus crimes. Que é, precisamente, o nosso caso. Há um estado operando dentro e contra o estado."[...]

Fonte: Concerto para corpo e alma - Rubem Alves.

Concerto Para Corpo e Alma
         (excelente leitura)

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Permissão para viver


Há um pensamento que pode doer,

Ainda assim, entendo esse grande amor,

Veio ligado a existências outras,

Em seu movimento ainda nebuloso...

Entendo agora, o porquê da nossa sintonia,

Onde nada é desligado, mas é fortemente atado...

Há um despertar de versos fluídos,

Que, das suas mãos penetrantes, leem meu ser...

Deixe-me inteira para entender o que jamais entendi,

Ter sua voz, seu olhar, seu pensar comigo...

Ah! Como queria permanecer íntegra,

Sem nenhum arrebatamento,

Peço tão pouco...

Permita-me!


Célia Rangel


(amor perfeito)

terça-feira, 17 de abril de 2018

Meu Caleidoscópio


Ah! Meus cacos coloridos...
Às vezes de vidro, outras de papel,

Às vezes barulhentos, outras silenciosos...

Sempre posicionados à espera humana,

Que vira e se revira conforme o momento.

Formam figuras diversas mediante mudanças:

-  exteriores ou interiores...

Nem sempre cacos belos, suaves,

Muitas vezes machucam e agridem,

Mas sempre com uma perspectiva

De colorir a imaginação do mundo ao redor.

Primavam pela simetria,

Hoje, deixo rolar... por me amar!



Célia Rangel


sábado, 14 de abril de 2018

Pretensões...

Todo um ser preso em uma caixa de pensamentos...
Povoado de lembranças... ternuras...amor...
Se pudesse, abriria essa caixa!
O que veria dentro dela?
A alma.

A loucura que envolve esses pensamentos...
Interna-me no sanatório de seu olhar,
E no silêncio de um profundo azul
Busco o elixir restaurador da solidão.
Fujo, logo que percebo o encontro de nossas almas...

Fecho a caixa que tentei abri-la, mas...
Assusta-me...
Violenta-me...
ver minha  alma desnuda
diante da sua...

Volto para minha solidão,
com meus pensamentos...
com minha caixa...
vazia!

E a alma?
Louca presa nos pensamentos.

Célia Rangel



quinta-feira, 12 de abril de 2018

O Proibido


Tudo o que é proibido tem um sabor de loucura, aventura, prazer, sabor de quero mais!
Inúmeras vezes, depois de obtermos o desejado, mudamos nosso foco.
Passamos a buscar mais e mais. Fazemos pessoas de marionetes, e vamos manipulando-as conforme nosso desejo!
A modelagem disso tudo nem sempre é agradável para quem que processa, e muito menos a quem é processado… Muitas vezes, com resultados desastrosos…
Observem as leis existentes. Em geral, são proibitivas, coercitivas mesmo. Isso nos gera um estado de pavor às mesmas. A rebeldia. Contrário da serenidade. Uma visão distorcida das regras de uma boa convivência social. 
Falta o bom senso, palavra que substitui com muita propriedade as regras de uma disciplina rígida de outrora! Em tudo é o bom senso, o equilíbrio que deve prevalecer.
Resquícios de uma adolescente da década de 60, período áureo do confisco da liberdade… Burlar leis & ordens era um ponto de honra. Criticidade hiper aguçada, pós revolução das normas sociais, movia-nos a paixão por provar numa equação de vida, que o “instituído” jamais seria “norma vigente” em nossa esfera de vida. Nascia assim o consenso? Ou não...
Carregando esse perfil para a idade adulta, vemos hoje que, nem sempre, o comum, o mais simples é o pior ou ineficiente. Ao contrário, voltamos às origens desde a alimentação (o império dos orgânicos… e a horta que tínhamos na porta de nossas casas…), até aos nossos relacionamentos diários. O simples é o saudável, sem sombra de dúvida!
Nessa fase de nossa vida, a maturidade, nos leva a uma complacência generalizada de tudo e de todos. Sabemos ouvir mais, analisar, ponderar e só depois, opinar. Simples assim... Autenticidade.
generosidade! Flui abundante, esparrama-se pelos caminhos que ainda percorremos na busca incessante do querer bem.
Ah! O amor… chega de mansinho… e fixa-se por um longo tempo (ou não…) sendo muitas vezes, para sempre!
Generosidade de almas!
Pense nisto, e permita-se rever normas, regras, conceitos que o limitam tanto!
Célia Rangel
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terça-feira, 10 de abril de 2018

O que quer dizer...


O que quer dizer
O que quer dizer diz.
Não fica fazendo
o que, um dia, eu sempre fiz.
Não fica só querendo, querendo,
coisa que eu nunca quis.
O que quer dizer, diz.
Só se dizendo num outro
o que, um dia, se disse,
um dia, vai ser feliz.