sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Máscaras e personagens

Quando nascemos temos que ser um lindo bebê... Já no útero materno há toda uma projeção do que seremos... Exames são feitos para detectar sexo... Indagações... A escolha do nome... Bem... isso se nascermos, pois muitos são abortados, jogados na lata de lixo, em banheiros, esquecidos (?) em portas alheias... Na infância temos que ser crianças boazinhas e obedientes... Na escola excelentes alunos... Somos taxados de tudo: hiperativos... disléxicos... transtornos de aprendizagem todos... Disgrafia... Discalculia... TDAH... Enfim se fugirmos do padrão... seremos excluídos! Na adolescência temos que ser jovens inteligentes... Destacar no colégio... Ser o mais belo (a) da turma... Andar na moda... Grifes do momento... Marcas e acessórios da atualidade... Estar plugado e atualizado portando toda a parafernália tecnológica... Frequentar lugares badalados... ter uma boa mesada... E, que o pai ou a mãe tenham um carro do ano para esnobar diante dos amigos! Na juventude temos que ser sedutores e apaixonantes... Ainda dependemos da estrutura de um lar, pois não formamos o nosso... De certa forma, acomodamo-nos... Pai e mãe têm que nos sustentar dando tudo de bom... A busca pela faculdade... Pela profissão... Pelo amor de nossas vidas... Quando isso tudo se definir, nos sentiremos felizes... Mesmo? Na maturidade temos que ser bem sucedidos, realizados e, de preferência, ricos... Aqui o quadro tem que estar completo de uma vida feliz... Precisamos saber cultivar e manter tudo o que conseguimos: amigos, amores, cultura, bom emprego, bens materiais... Tudo que nos dê destaque social, caso contrário seremos ignorados! Na velhice se tivermos bens para ‘herança’ seremos paparicados... Na situação inversa tornamo-nos empecilhos da família. Descartados. No rosto daqueles que geramos há o reflexo do peso que carregam, aturando-nos... sabe Deus até quando?! Agora, se anularmos isso tudo e, passarmos a ser nós mesmos com nossos picos de auto e baixa estima... somos taxados de revoltados, ranzinzas. Ou, na melhor das hipóteses de “envelhescentes insensíveis”... Emancipar-se na “melhor idade” é para a família uma afronta! Não aceitam essa nova fase, vendo-nos alçar voos com nossas próprias asas, deliciando-nos com esse momento sereno e completo de prazer e liberdade! A sociedade fornece-nos máscaras para desempenharmos papéis – personagens - que ela julga essenciais para nós. Regras. Regras e mais regras. Se não as cumprirmos somos rebeldes e isolados do convívio social. A tomada de consciência é de cada um. Deixar-se influenciar ou não por tais imposições. É uma questão de personalidade, caráter e ética conosco. Se nos deixarmos prostituir por razões alheias à nossa vontade, nunca seremos nós mesmos. Fica o questionamento: “O que eu quero: ser ou deixar que sejam por mim”? Célia

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Célia Rangel,
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