quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Minha boneca

Interessante a evolução de tudo! Transforma-se mesmo. Recicla-se. Novos pensamentos. Novas estratégias. Novos procedimentos. Ao abrir o baú da minha memória deparo-me com uma bonequinha de pano... feita em casa, artesanalmente com retalhos, enchimentos diversos, pinturas de batom e cabelinho de palha de milho. E, não era a Emília! Na minha imaginação via-a como uma criança... Cuidava muito bem dela. Tudo que faziam comigo e me magoava contava para ela e orientava-a para que não deixasse que fizessem o mesmo com ela... Cresci um pouco. E pedi uma boneca dessas de loja! Já havia descoberto há muito tempo que papai noel não existia. Mas meus pais pensavam que eu ainda acreditava no bom velhinho! Sabiamente alimentei neles a ideia. Afinal teria lucro! Hoje concluo que mais se satisfaziam eles que eu. Inclusive pude diagnosticar a presença da mentira na educação dos filhos. Se não ficássemos ‘bonitinhos’... ‘comportadinhos’... como queriam... o papai noel não viria!! Oras... Bem, a boneca chegou... Vi alegria estampada no rosto do meu pai ao colocar a enorme caixa com a boneca, atrás da porta da sala... pertinho do meu sapato... Esperavam que dormíssemos para transportarem os presentes. Meu irmão e eu... fingíamos sono profundo... e ao menor barulho... corríamos olhar na fresta da porta de nossos quartos... Difícil era segurar a ansiedade de sair correndo para ver o que ganhamos! Era necessário amanhecer... Afinal, estávamos dormindo!! Com essa boneca, quase não brinquei. Deixava-a no quarto. Era minha confidente. Mamãe não deixava tirá-la de lá pois custava muito caro! Tornei-me mulher. Junto com meu grande amor fiz minha boneca de carne e osso. Havia trazido a minha boneca para ser da minha filha. Ela faleceu ainda bebê. Não teve tempo de brincar! Certo dia, em meu apartamento em São Paulo, ouço do zelador que sua netinha havia pedido uma boneca de Natal. Estava muito aflito, pois não tinha como comprar. Pedi-lhe que retirasse do maleiro no armário uma enorme caixa... Era a boneca de loja! Doei-a! Indescritível até hoje o eufórico olhar daquela criança com a boneca no colo! Enfim...estavam livres: a boneca para poder brincar e a criança por satisfazer seu desejo! São passagens assim na vida de todos nós que nos fortalecem! Obrigada, meu Deus por mais essa chance na vida!
Célia.

Um comentário:

  1. Vc me ensina todos os dias a essência do “desapego”, que marcou tua vida em muitos momentos..uma riqueza para mim. beijos

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Célia Rangel,
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