quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Sou à moda antiga...

Do tempo em que se pedia bênção aos pais e avós... Com licença, por favor, obrigada, eram palavras registradas em nós. Quando os adultos falavam, nós as crianças, calávamos. E, muitas vezes tínhamos que sair do ambiente, pois não era conversa de criança... Na escola, professora chegava, levantávamos e a cumprimentávamos... A cada pessoa que chegasse à sala de aula, repetia-se o procedimento. Cantávamos todos os hinos pátrios. Havia “Canto Orfeônico... Economia Doméstica... Educação Moral e Cívica” na grade curricular. Éramos preparados para a vida, realmente. Inconcebível as agressões que vemos hoje nas escolas! Às refeições, após agradecermos a Deus pelo alimento, esperávamos papai e mamãe servirem-se e, depois, nós os filhos. Tínhamos que experimentar de tudo o que havia sobre a mesa. Além das tarefas escolares havia também as do lar: cuidar do seu quarto, das suas roupas... Lembro-me bem pequenina uma bacia de alumínio no chão perto do tanque onde minha mãe lavava a nossa roupa eu era “obrigada” a desencardir as minhas. Rico aprendizado, pois hoje não me atrapalho nas tarefas domésticas... E, claro no respeito ao outro... Quesito educação para mim é hiperimportante! Identidade de uma pessoa. Tudo bem que os tempos são outros. Afinal, sou uma jovem senhora! Adotei muito do século XXI para minha vida com as tecnologias, as invenções, o lazer, o conhecimento, o conforto, o prazer, mas não me esqueço do meu berço forjado no século XX. Dá-me até hoje o suporte necessário para viver bem comigo e com o próximo. Assistindo ao filme "Luz Silenciosa" extrai do mesmo essa visão da cumplicidade familiar... Rica viagem ao meu passado infantil. A história do mesmo difere no radicalismo e rejeição ao progresso. Minha família não usufruía da modernidade, pela ausência de recursos financeiros. Mas, a obediência, o saber ouvir e respeitar daquelas crianças “menonitas” reportaram-me à minha vivência familiar. É um excelente filme. Fotografias do amanhecer e do crepúsculo na velocidade dos fatos naturais! Belíssimo! A busca do amor. A entrega. O desapegar-se do que se ama. A doação pelo outro, do outro e para o outro... Outro esse, que muitas vezes, somos nós mesmos duplicados... Assim como no enredo do filme, Joahn desvencilha-se das leis, dogmas, costumes de seu povo e religião, eu também busquei minha liberdade, autonomia e responsabilidade. Atualizei-me em uma série de itens. Mantenho sempre o berço que me criou. É uma história imprópria para o senso comum... Célia

Um comentário:

  1. Não vi este filme, mas em se falando em educação, que saudade! Professores para nós eram ídolos, hoje, saco de pancada, que horror! Não dá para acreditar. Será que ainda podemos fazer alguma coisa? Tomara, senão........Meu Deus!

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Célia Rangel,
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