sábado, 19 de fevereiro de 2011

Depois de seis décadas...

Os olhos não mais lacrimejam Secaram-se as lágrimas. O rosto, em sua moldura grisalha, apresenta sulcos Que se perdem na estrada da vida. Os braços, cansados, pouco carregam Falta-lhes o conteúdo do abraço. As mãos, não mais se desdobram em afagos Cansaram-se de tantos gestos. As pernas, trôpegas, perderam a agilidade. Não precisam mais correr ao encontro de nada ou ninguém.
A boca, que sorria e cantava seus amores em beijos frenéticos Hoje, cala-se cerrando verdades, ocultando desejos... O estereótipo que hoje vejo, em nada se parece com aquele... Sei apenas que, num generoso músculo oco – o coração – Há espaço para a tatuagem dos nossos sentimentos. Célia ©Direitos Reservados

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