domingo, 24 de abril de 2011

Ressuscitando a fantasia

Não tenho recordações felizes de Páscoa!
Celebrava-se  Morte e Sofrimento de Jesus. Tudo era impositivo.

Lembro-me de meu pai vestido com seu terno de “velórios” na madrugada saindo de casa para a vigília do Senhor Morto. E a culpa de sua morte éramos nós – sem mais explicações. Tínhamos de acompanhar a procissão do Senhor Morto. Nada era explicado. Apenas a visão do sofrimento...
Na Páscoa profusão de bacalhau e peixes que nos acompanhava durante dias que não sabíamos como e por quê? Mas era o alimento da ocasião... ou ovo de galinha – mais acessível e retirado do galinheiro no fundo do quintal. Carne? Nem pensar! Engolíamos o cardápio sem contestar.

Não me lembro de ovos de chocolate... muito menos de coelhinhos... ou de comentários de ressurreição...
Celebrava-se Morte e Sofrimento tão somente... nada mais.

Não se podia cantar. Ouvir rádio ou brincar. Era muito sem graça esse período. Quando víamos os santos na igreja cobertos por panos roxos já sabíamos que seria um período de silêncio...
Como tudo mudou! E, para melhor! Hoje, logo ao amanhecer minha vizinha de 5 para 6 aninhos toca a campainha e mostra-me o hall do meu andar com marcas de patinhas de coelhinhos e que havia deixado para cada apartamento dois ovinhos! Olhinhos brilhantes ela fantasiava e eu viajava com ela em sua fantasia! Momento mágico! Olhar para aquela criança que representa o Cristo Ressuscitado e voltar no mínimo seis décadas... Maravilhoso presente em minha porta quando pude comparar e resgatar o momento mágico da ressurreição – o ontem e o hoje na presença da meiguice e pureza de uma criança!

Obrigada, meu Deus pela magia fantástica e orante do renascer batendo em minha porta!
Felizes outras tantas páscoas a todos!

Célia.


2 comentários:

  1. Se Páscoa é passagem, sempre é tempo de renovar a vida que se leva. E fazer dela um motivo de alegria, não de expiação. Singelo texto, Célia. Parabéns.

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Célia Rangel,
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