quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Dia Internacional da Alfabetização



Meu caderno? Eram folhas que embrulhavam o pão comprado na padaria... reunidos e costurados, tornavam-se um caderno brochura.

Livros? Eram folhas de jornal que chegavam com as mais diversas compras... naquele tempo, não havia sacolinhas plásticas; muito menos poluição!

Método de ensino? À noite, enquanto mamãe (minha primeira professora) remendava nossas roupas, na cozinha, eu sentadinha perto dela recebia as primeiras letrinhas: a – e – i – o – u ... Tinha que desenhá-las igualzinho ao que ela fizera.

Em outra noite, surgiam mais letrinhas: b – c – d – f – g – h – j – l – m – n- p – q – r – s – t – v – x– z ... w – y – k ... ela me dizia que eram letras estrangeiras e que pouco eu usaria.

E, assim seguia o meu aprendizado! Depois, aprendi a ajuntar as letrinhas e formar palavras... Lembro-me foi uma delícia! Disparei a ler tudo! Até o que não devia nos muros e paredes de oficinas mecânicas... e levava tabefe na boca!

Ah! Chegou a vez dos números! Também assim apresentados: 0 – 1 – 2 – 3 – 4 – 5 – 6 – 7 – 8 – 9 ... e a mesma orientação das letrinhas... juntá-los para formar grandes quantias!

Mas, na hora da tabuada! Quanto safanão! Decoreba! E, quando não sabia... o psicotapa entrava em ação! O ensino-aprendizagem não me foi “ilha da fantasia” como vemos hoje; mas me trouxe raízes sólidas.  A Cartilha Sodré... o Questionário de Geografia, História, Ciências, Educação Moral Social e Cívica decorados a tal ponto que ao responder em dias de provas e chamadas orais se não repetíssemos as mesmas palavras estava errado! Um belo X vermelho ou E de errado e nota zero!  Atividade extra... era decorar o Catecismo para a bendita Primeira Comunhão! Exigentes eram o padre e a catequista! Fui tão certinha que desde meus oito aninhos fiquei como auxiliar de catequista tomando “os pontos” dos catequizandos... Missão que continuei pela vida afora!

Mas, nesse pequeno videotape da minha infância e aprendizado chego a conclusão que, guardada as devidas proporções, (poderia ser mais suave...) o resultado foi positivo!

Célia.


9 comentários:

  1. Eu não sou desse tempo, mas vejo o que minha mãe conta da época dela, era bem isso mesmo, gostaria muito de ter nascido antes, ter uma infância de ouro como vocês.

    Saudade de quando minhas notas eram A, B, C... e não haviam zeros nem 1,5, nem 3,0, e tomar um C era motivo pra minha mãe me tirar a televisão e o que quer que não fosse estudar, UHAUAHUAHU

    Gostei do teu blog, to seguindo. Se der, dá uma olhadinha aqui: http://veoboro.blogspot.com/

    ;D

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  2. A Cartilha Suave foi a minha, mas no mais (decorar a tabuada, catecismo, etc.) igual e igual. Um abraço, Yayá.

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  3. Olá, amiga!
    Eu também sou desse tempo...rs
    Meus cadernos eram simples, de capa mole mesmo. Minha mãe então,encapava todos com papel de presente, fazia desenhos nas folhas e colava imagens de Santinhos para enfeitar. Eu ficava encantada com o talento dela.
    Minha avó fez uma bolsa de crochê para usar como mochila. Ainda hoje a guardo com muito carinho.
    Hoje existem tantas opções que quando vou comprar materiais escolares com meus filhos, sinto até vontade de voltar a estudar...rs
    Um imenso abraço!
    Que Deus a abençoe sempre!
    Angela

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  4. Célia,
    tão bom voltar a ser criança, eu que também fui alfabetizado da forma que descreveste.
    Doce viagem no tempo. Recordei-me até da primeira professora, ou melhor primeira 'tia' como chamávamos à época, Maria Helena, Uma Senhora de olhos profundos, às vezes com um olhar ela dizia mais que mil palavras. Eu a achava tão linda.
    Parabéns a todas alfabetizadoras.

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  5. Catequizar é muito bom né amiga, só que hoje se apresenta às crianças um Deus de Amor e Bondade, não o que apresentavam para nós, tudo era pecado, ai, me lembro das freiras Ursulinas. Beijos

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  6. Olá Célia!!

    Gostei muito do texto, gostei mesmo muito obrigado por isso!

    Deixo meu beijo e desejo a vc uma ótima noite!

    Estou esperando por vc no Alma!

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  7. Olá Célia

    Muito bom seu texto

    isso sim era aprender, e ter uma infância que muitos o queriam

    Parabéns

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  8. (rosa) Célia,
    Quanto mais te encontro, mas saudades e falta sinto, por isso quero sempre um novo reencontro!
    Me fez viajar longe. Meus cadernos eram os "apagados' do ano anterior de alguns vizinhos, às vezes me faltava o lápis e muitas vezes, fiz dever de casa com um pedaço de carvão vegetal feito a ponta, e o que era escrito, durante a ida pra escola o atrito borrava tudo, além do leite do alveloz que servia de cola para trabalhos! Isso me fazia, chorar, entristecer, mas nunca vergonha, além de só ter contribuído na agregação dos meus valores!
    Lhe tenho respeito, admiração e carinho, tudo muito!
    beijo na alma!

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  9. Boa noite minha linda amiga das letras!
    fantástico quando leio o que se diz;retroceder no tempo...vc foi divina nas lembranças,eu do outro lado,tão distante de vc,vivenciei coisas parecidas.Hoje é muito bom rir ao recordar essa vivência...e quando vc falou na palavra tabefe,kkkkkkkkk,há quanto tempo não via e nem ouvia.encerro com a palavra "TA-BE-FE".
    Bjs de boa noite !

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Célia Rangel,
Autora responsável pelo blog.
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