sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Em outra esfera


Chega e me afaga
Olhamo-nos
Com a embriaguez dos amantes.

Finjo estar bem
Assim ele me quer
Feliz.

Aconchego-o, mas não o sinto
Etéreo, esvai-se.

Na penumbra das paredes
Desliza suavemente.

Sorri, não mais o vejo
Espere-me.
Vou.

Célia






quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Ideologia

Ela era pequena e seus sonhos grandes.
Hoje ela é grande e seus sonhos pequenos.
Apagou-se.
Anulou-se.
Não digeriu.
Nem expeliu.
Apenas impregnou-se.
Com detritos que a vida lhe depositou.
Na poluição mental se debate.
Luta já sem armas.
Cansou.
Cremou objetivos...
Na magia do não viver
Apenas vegetar.







Célia

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Concessões...











Na cor do meu tom de voz
Rubro como meu coração
Ultrapasso limites
Envolvo-me com a vida
Jogando-me de corpo e alma
No desconhecido
Faço e recebo concessões
Afinando com o aprendizado poético
O ambiente da mente e do coração
Transformo em oferendas
Minha integridade e transparência
Transgredindo normas
Sendo apenas eu tão somente
Na sobrevida de sempre amar

Célia

sábado, 24 de setembro de 2011

Venda












(Imagem: Google)

De repente uma viseira.
Total cegueira íntima...
Não querer se confrontar!
Fingir e viver na aceitação
é prostituir-se por inteiro.
Prometer vida,
ao nascer do sol
e, morrer ao crepúsculo,
é entregar-se à letargia da submissão.

Um ser onipresente
é princípio da divindade.
Determinando sua jornada
mesmo com alteração do script,
enfrente com sua inteligência.
A solução é seguir.
Mesmo sem escolhas,
a altivez e a persistência
nortearão o sentido da nova direção.

Célia

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Retentiva












Plantei sonhos,
colhi realidade.

Iludi-me com promessas,
decepcionei-me com pessoas.

Colecionei encantos,
perdi-os todos.

Místicos ensinamentos
abriram-me olhos.

Nos desvios existenciais,
sentido de que amadureço.

Destitui-se a morte
impõe-se vida.

Novo olhar.
Nova dimensão.

Transcendo na cruz,
o sabor de saber seguir.

Célia.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Veraz











Como uma fúria
passou ventando,
varrendo e limpando tudo.
Fecundou em terra boa
férteis sementes.
Descartou no esgoto
o que não merecia vida.
O furor inicial
deu lugar a simples elegância
de esperas anunciadas...
Inseminar ética na natureza!

Célia.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Primavera




Plantei minha primavera.
Hoje, apenas colho lindas flores
e, podo as ervas daninhas.


Enfeito-me toda na simplicidade
do fazer nunca negado,
sempre regado de mais e mais.


Diversidade em meu jardim,
existência florida de amor intenso
guardo o perfume de muitas primaveras...


Desligo meu dvd e, continuo o filme...
Na realidade de uma mulher amada
que a vida me deu o script pronto,
apenas desempenho papéis...
Divinamente!


Nova primavera colherei.
Novas fragâncias extraídas
do humano em que me transformei,
cortando podres raízes no cultivo diário
da minha persona.

Célia

domingo, 18 de setembro de 2011

É possível...



Viver-se a plenitude da vida
com respeito ao limite do outro.
O meu espaço não lhe pertence.
A minha liberdade.
O meu pensar e o meu agir.
A minha autosuperação.

Observe apenas meu crescimento.
E, se puder, com humildade, aponte-me caminhos...
Mas saiba que a escolha é minha!
Pode lhe parecer que estou perdido,
ressequido do amor que tive.
Perdoo-o com a sabedoria e a serenidade da vida.

Vivo a idade da reflexão.
Pondero a tudo e a todos.
Avalio a maldade e a má fé para comigo.
Acrescento em júbilo, o bem viver,
amando e esperando pacientemente...

Obstáculos advindos da nossa relação,
as qualidades, e os defeitos acumulados,
lapido-os no compasso da humanidade.
Na existência do hoje, para o gozo eterno, do amanhã.
Peço-lhe apenas, Paz para o meu viver!

Célia.


sábado, 17 de setembro de 2011

Reflexão


NADA TROUXEMOS PARA O MUNDO E NADA LEVAREMOS DELE

I Timóteo 6:3-10 I Timóteo 6:7

Esta filosofia apresentada por Paulo a Timóteo é a mesma defendida pelo patriarca Job, que viveu mais de 2000 anos antes de Cristo. Ele disse: - "... nu saí do ventre de minha mãe, nu me tornarei para lá; o Senhor o deu, o Senhor o tomou".
A Palavra de Deus é eterna. Nunca muda, as Suas verdades permanecem para sempre.
Andamos aí numa "lufa, lufa", correndo de um lado para o outro, para amontoarmos umas riquezas; para quê? Para nada! Aqui os ladrões minam e roubam, as traças destroem, a ferrugem consome e... para a vida do além nenhum desses tesouros podemos levar...

Neste mundo egoísta e avarento, corremos, gastamo-nos, cansamo-nos terrivelmente, para ajuntar tesouros que, no final, não servem para nada. Às vezes servem para deixar os nossos descendentes em lutas fratricidas, em que, na maior parte dos casos, destroem o que lhes deixámos em herança.
O conselho de Jesus para os Seus discípulos é: - ajuntai tesouros no céu (tesouros de amor, justiça, compreensão, ajuda aos que precisam, etc.), onde os ladrões não minam, nem roubam e onde a traça e a ferrugem não exercem seu trabalho destrutivo. Jesus disse ainda "trabalhai não pela comida que perece, mas pela que permanece para a vida eterna".

Lembrem-se da exortação de Paulo - "o amor ao dinheiro é a raíz de toda a espécie de males e, nessa cobiça, muitos se desviaram da fé e se trespassaram a si mesmos..."
Como vês os bens que tens? Como dono deles ou como administrador da parte de Deus?

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Marca Registrada












Sou empreendedora da autonomia.
Invisto em mudanças positivas.
Assumo riscos de... até não dar certo!
Guio-me pela exuberância da força espiritual:
refletir, criar, executar, recuar, prosseguir.
No rico espaço do silêncio da solidão,
uso de conhecimento intuitivo
e, busco aprender sempre mais e, mais.
Leio pessoas... leio olhares... leio corações
o mais naturalmente possível.
Entrego meus segredos, sem medo ou censura,
aos que merecem, realmente.
Desgastar-me com raiva? Jamais!
Utilizo-a como força para meus talentos.
Medito, ouso, compartilho, analiso resultados,
excluo o que já não tem valor.
Quero deixar marcas profundas
atualizando velhas ideias em novas propostas de vida...
Na ternura e magia do viver plenamente!

Célia

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Limites







Não se tem o direito
De roubar sentimentos
Deixe ficar bem
Quem não espera mais nada.

Dourar mentiras
Romancear verdades
Puro jogo de interesses
Na trilha obscura de uma vida.

Remexer profundezas
Almas dilaceradas
Encontro perdido
Qual a saída?

Habitar os limites
Que a vida propôs
Sem poder contestar
Por quê?

Curva-se diante do inusitado
Aceita-se.
Agasalha-se com os retalhos
Corrói-se.

Célia.

sábado, 10 de setembro de 2011

Passatempo














Hoje eu quero brincar
"Parque de diversões"
é a minha vida.

Na roda gigante flutuo
ora por cima, ora por baixo
como na vida.

No carrossel da minha imaginação
galopo cavalinhos
pura magia.

Na montanha russa
de cabeça pra baixo
avalio minha insanidade.

Na área radical
salto de paraquedas
minhas dificuldades.

No toboágua
purifico
minhas desilusões.

As delícias da alegria
deslizo
no tobogã.

Na piscina de ondas
embalo
meus amores.

Entro no castelo
cinderela
nem príncipe, nem sapo!

Sigo na mini pista
em meu carrinho
e projeto novos caminhos.

Quer brincar comigo?

Célia.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Ainda...














Tempestade em minha alma
Correm pensamentos
Você.

Busco a calmaria
Consulto coração
Calado.

Deixo ser levada
Esvoaçante olhar
Saudade.

Em águas revoltas
entrego-me
Náufrago.

Célia.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Dia Internacional da Alfabetização



Meu caderno? Eram folhas que embrulhavam o pão comprado na padaria... reunidos e costurados, tornavam-se um caderno brochura.

Livros? Eram folhas de jornal que chegavam com as mais diversas compras... naquele tempo, não havia sacolinhas plásticas; muito menos poluição!

Método de ensino? À noite, enquanto mamãe (minha primeira professora) remendava nossas roupas, na cozinha, eu sentadinha perto dela recebia as primeiras letrinhas: a – e – i – o – u ... Tinha que desenhá-las igualzinho ao que ela fizera.

Em outra noite, surgiam mais letrinhas: b – c – d – f – g – h – j – l – m – n- p – q – r – s – t – v – x– z ... w – y – k ... ela me dizia que eram letras estrangeiras e que pouco eu usaria.

E, assim seguia o meu aprendizado! Depois, aprendi a ajuntar as letrinhas e formar palavras... Lembro-me foi uma delícia! Disparei a ler tudo! Até o que não devia nos muros e paredes de oficinas mecânicas... e levava tabefe na boca!

Ah! Chegou a vez dos números! Também assim apresentados: 0 – 1 – 2 – 3 – 4 – 5 – 6 – 7 – 8 – 9 ... e a mesma orientação das letrinhas... juntá-los para formar grandes quantias!

Mas, na hora da tabuada! Quanto safanão! Decoreba! E, quando não sabia... o psicotapa entrava em ação! O ensino-aprendizagem não me foi “ilha da fantasia” como vemos hoje; mas me trouxe raízes sólidas.  A Cartilha Sodré... o Questionário de Geografia, História, Ciências, Educação Moral Social e Cívica decorados a tal ponto que ao responder em dias de provas e chamadas orais se não repetíssemos as mesmas palavras estava errado! Um belo X vermelho ou E de errado e nota zero!  Atividade extra... era decorar o Catecismo para a bendita Primeira Comunhão! Exigentes eram o padre e a catequista! Fui tão certinha que desde meus oito aninhos fiquei como auxiliar de catequista tomando “os pontos” dos catequizandos... Missão que continuei pela vida afora!

Mas, nesse pequeno videotape da minha infância e aprendizado chego a conclusão que, guardada as devidas proporções, (poderia ser mais suave...) o resultado foi positivo!

Célia.


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Água e Fogo











Você, água.
Eu, fogo.
Você apaga.
Eu acendo.

Você limpa, germina.
Eu queimo, mato.
Você colhe, acolhe.
Eu destruo, afugento.

Contrapontos diversos,
Difusos, confusos,
No amor e no ódio,
Completam-se.

Busco seu exemplo.
Olho em seu espelho,
Reflete-me você
Puro, nobre.

Na tranquilidade de uma pessoa
A existência de duas!
Na consagração de duas pessoas,
A existência de uma terceira.

Célia

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Relendo Rubem Alves

Adoro escolher entre meus livros, aquele que me marcou e relê-lo! Transcrevo hoje do livro: "Ostra feliz não faz pérola" - Rubem Alves, um texto muito marcante para mim:

UM AMIGO
"Um amigo é uma pessoa com quem se tem prazer em compartilhar ideias de forma tranquila e mansa. Não é preciso estar de acordo. O rosto do meu amigo não é igual ao meu rosto. E essa diferença me dá alegria. Se convivemos bem com nossos rostos diferentes, por que haveríamos de querer que nossas ideias fossem iguais? Experimentar a diferença de ideias mansamente é uma das evidências da amizade. Assim, se você deseja saber se uma pessoa é sua amiga, pergunte-se: Temos prazer e gastamos tempo compartilhando ideias? Acho que os casais - namorados ou casados de papel passado - deveriam se propor esse teste. Não existe amor que sobreviva só de sentimentos, sem a conversa mansa."

sábado, 3 de setembro de 2011

Delirantemente humana

Sempre apaixonada pelos meus projetos,
Invado-me em  espiritual delírio,
E assim, consumo-os um a um
Mas, se não me sentir bem
Engaveto-os intimamente,
Na expectativa de um sol germinador.

A vida sem paixão não vale a pena!

Com essa sensação e foco no essencial
Vivo pelo que faço e faço porque vivo.
Transformo energia em combustível,
Que alimenta o desejo  da execução
Simplificando a ansiedade  do fazer,
Prossigo os objetivos com olhos de lince.

A engrenagem da paixão move a vida!

Metamorfoseando sentimentos e amores,
Em dar e receber e, enlevar-se
Na intensidade do coração e da razão,
Harmonia perfeita de um bem - querer
Fortalecidos na cumplicidade perfeita
Da magia intrigante do nosso olhar...

Apaixonante é viver!

Amor podado no inverno,
Floresce suavemente na primavera,
Dourado tempo do meu viver!
Que timidamente se enraiza
Em verso e prosa registrado,
Nos sabores das estações da minha vida.

O perfume da paixão é envolvente!

Reverencio a terra, o ar, a água, o vento e o fogo
Testemunhas oculares da minha existência.
Colho flores, tiro espinhos, ouço pássaros
Danço e profetizo minhas únicas visões.
E, na minha solidão restauro-me
Amo delirantemente... sinto-me viva!

Renasci!




 
 
Célia

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Pensando em setembro...


Um lindo mês!

Alguns aniversários de pessoas queridas a quem reverencio gratidão; inclusive o da Pátria que despojada está da ética, dos valores morais, do que aprendi na simplicidade da minha infância que brigar, roubar, matar, falar mal dos outros, desrespeitar pai,  mãe e professores era muito feio.

E a "Natividade de Nossa Senhora, com certeza para cobrir-nos com suas bênçãos!

Desbancando isso tudo, vem a primavera com seus encantos, talvez seja proposital... Ela revestirá de flores, cores, aromas e amores tanta merdança solta pelo meu querido país!

Rui Barbosa antevia este século quando declarou: "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."

Já não consigo assistir a jornal televisado. Prefiro lê-lo para não emporcalhar com comentários tendenciosos, minha audição... A visão reveste-se de esperança de um dia ler justiça, benignidade, honra ao patrimônio pessoal e de toda uma nação! Ser realmente um profissional digno de colocar a cabeça no travesseiro e dormir o sono merecido, em toda e qualquer área de sua atividade.

Sonho com a igualdade entre nós o mais possível próxima à realidade. Não à teorização, aos discursos de palanque, à corrupção desenfreada, aos preconceitos e exclusões sociais.

O ano se finda. Brotarão flores para o desfilar dos próximos e derradeiros meses ornando o belo tapete da natureza - essa também muito maltratada por nós! Incoerentes que somos para com nosso próprio "habitat".

Duas canções, insistentemente, agitam-se em minha trilha sonora mental:
Uma, cantava-se muito no grupo escolar, em festas cívicas... que já não se ouve mais: "Já podeis da Pátria filhos / Ver contente a mãe gentil / Já raiou a liberdade / No horizonte do Brasil / Brava gente brasileira / Longe vá temor servil / Ou ficar a pátria livre / Ou morrer pelo Brasil"... (Evaristo da Veiga & D.PedroI)

A outra... dispensa comentários: "Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos / Quero ver brotar o perdão onde a gente plantou juntos outra vez / Já sonhamos juntos semeando as canções no vento / Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar / Já choramos muito, muitos se perderam no caminho / Mesmo assim não custa inventar uma nova canção que nos venha trazer / Sol de primavera abre as janelas do meu peito / A lição sabemos de cor / Só nos resta aprender"... (Sol de Primavera - Beto Guedes)

Feliz setembro! A natureza engravida-se de tamanha beleza!

Célia