sexta-feira, 14 de setembro de 2012

De “noviça rebelde à mudança de hábitos” – Um salto!







A realização...

E era a procissão das virgens. As mães ornamentavam suas filhas com roupas acamisoladas, anos 50, em cetim rosa bebê, azul anjo, ou branco da candura de santidade. Eram os anjos de procissão! Lânguidas e de mãos postas desfilavam com ar angelical. A mente em turbilhão profanava-se em fantasias amorosas. Seus flertes a cada esquina observavam suas donzelas, com piscadelas maliciosas.

Um mico autêntico para demonstrar à sociedade a pureza das virgens de família. Santidade à parte, não viam a hora de saírem dessa ridícula exposição pública. Seria também exposto o lençol da castidade da noite de núpcias?

Nada afeita a tais manifestações, certa ovelha desgarrada desertava-se do bando e, em rua deserta, sobre uma macia grama lambuzava-se em jaculatórias... mais... mais... ai... amém... Um oratório bem diferente!

No final de semana, missa obrigatória e terços rezados à noite em voz alta para sua genitora ouvir... Fora a decoreba de todo um catecismo castrador. Total lavagem cerebral.  E, debaixo do travesseiro, os romances proibidos de fazer gemer em delícias... Isso era o máximo da perversão. Droga naquela época era aturar a ditadura doméstica. Ou no máximo, uma cuba libre!

A prodigalidade dessas virgens ficava por conta das camisolas que logo se abaulavam determinando casamento com policiais por testemunhas. As que investiam em seus sonhos libertavam-se desse vil regimento e, como “noviças rebeldes”, partiam para realizá-los. A “Mudança de hábito” causava estranheza na rotina familiar. Detalhe: a maioria obteve sucesso nessa proeza. Já, as submissas, envelheceram perdidas nas contas não a pagar, mas a rezar e, esclerosadas, com neurônios comprometidos, perturbavam aos que não aderiam às suas rezorréias.

Foram passos e saltos arriscados, mas a rede de segurança, santa ou devassadamente, sustentaram tantas aventuras...

 Célia Rangel, autora.

26 comentários:

  1. Célia, amei esse texto, pois é amiga, as beatas da vida, as que viviam a rezar ficaram assim até ao fim, ainda há pessoas assim, por incrível que possa parecer, ainda há!!!
    Viva as que souberam sair do controle hipócrita "das aparências", viva as "noviças rebeldes", viver tem que ser sim com responsabilidade, mas nunca com cabresto rígido da sociedade hipócrita, escondida atrás da "fé religiosa"!
    Abraços minha amiga linda e inteligentíssima!

    ResponderExcluir
  2. Oi, Célia! O vídeo é ótimo, mas nem precisava, porque o texto é um show por si mesmo. Ainda bem que quase ninguém mais sabe o que são jaculatórias. Eu tinha que saber porque minha mãe estudou num internato dirigido por freiras e me colocou em externatos religiosos, até a adolescência. Gostei das "rezorreias". :) Parabéns!

    ResponderExcluir
  3. Olá, Célia
    Muito obrigada pelas suas palavras, tão sensíveis e compreensivas... Vou-me esforçando dia a dia, até que conseguirei atingir a Paz.

    O filme a que se refere este vídeo, é uma maravilha! Por acaso revi-o há muito pouco tempo, e é sempre um prazer vê-lo.

    Gostei muito do seu texto. Vc "mete o dedo na ferida" - beatas, p'ra mim, não! A religião com fé é outra coisa...

    Um fim de semana luminoso. Beijinhos

    ResponderExcluir
  4. Seu texto, cheio de lembranças, me trouxe a saudade da grama macia, senti até o frescor e outras "cositas"mais...belo, adorei. bj

    ResponderExcluir
  5. Mais um texto de pura criatividade, sensatez. A rigor. Várias religiosas de fervor, são vistas por Deus, pelos seus pensamento 'sórdidos', como menos que uma pessoa "normal"! Parabéns e obrigada pelas visitas, sua presença é muito importante! :)



    Te desejo uma ótima noite de sexta-feira, um ótimo final de semana.
    Forte abraço.
    Tati.

    http://tatian-esalles.blogspot.com.br/

    Att.

    ResponderExcluir
  6. Celia,os tempos mudaram,graças a Deus!...rss...Eu adorei rever esse video,linda essa cançào!bjs e bom final de semana!

    ResponderExcluir
  7. Benditas ovelhas desgarradas que fizeram histórias,mas com muito sofrimento! Benditas cubas libres, ai que saudade!!!!
    Sou sua fã de carteirinha, conta mais, mais e mais!!!
    Bjs

    ResponderExcluir
  8. Ainda bem que os tempos mudaram! Mas as ovelhas desgarradas, certamente foram muito mais felizes! Eu fui uma delas kkkkkkkkk.

    Beijos e bom findis!

    ResponderExcluir
  9. Olá!Boa noite!
    Célia!
    Que texto inteligente e sensato acompanhado de um vídeo que completou seu pertinente raciocínio!.
    Nada poderia acrescentar , a não ser dar meus "pitacos"
    é .. do tempo em que eram qualificadas de “conservadoras” ou “reacionárias” pela vida religiosa estrita que levavam e sacrificavam suas vidas na clausura, mas que muito devemos pela educação das crianças, pela saúde dos doentes e dos anciões mais necessitados...que permanecem assim pela fé... sou contrário sim à aquelas que se travestem copiando modelos de fé com o intuito de evitar que suas fobias sejam descobertas , assumem modelos e formas, mas, mesmo assim, o vazio e incompleto se faz presente. Isso porque a fé não foi assumida ou descoberta, apenas se instalou um molde, ou aquelas que são fervorosas por um bom tempo, até o momento em que sua ‘bênção’ chega, quando isso acontece, da mesma velocidade que se aproximou consegue se afastar ...
    Obrigado pelo carinho de sempre!
    Bomfinal de semana!
    beijos

    ResponderExcluir
  10. Célia, que interessante sua postagem, Parabéns!
    Grande abraço!

    ResponderExcluir
  11. Boa noite


    Estou passando pra desejar um final de semana maravilhoso, cheio de amor, alegria e felicidade.
    Desculpe o recadinho colado, mas esse final de semana vai ser super corrido e não gostaria de ficar sem te visitar aqui no blog.


    Beijos
    Ani

    ResponderExcluir
  12. Bendita evolução! Obrigada ás desbravadoras comportamentais pelas inúmeras conquistas! Adorei o post! Desculpe pela demora em responder!....
    Um abençoado e feliz final de semana!
    Abraço carinhoso!
    Elaine Averbuch Neves
    http://elaine-dedentroprafora.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  13. A Paz de Cristo,

    Visitar seu blog alegrou meu coração as suas palavras contagiam.
    Te espero no meu cantinho, vc é especial para o Blog Fruto do Espírito.

    Te seguindo com todo afeto, e esperando sua visitinha... e também sua presença!

    http://frutodoespirito9.blogspot.com/

    ***Lucy***


    P.S. Visite também:

    http://discipulodecristo7.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  14. Oi Célia,

    Tudo bem? Adorei o texto e muito mais lembrar esse vídeo. Penso que as épocas possuem uma natureza que é especifica da cultura e região. Mas penso também que algo não muda que é a motivação, inocência e esperança. Foi assim que me senti com o vídeo.


    Bom final de semana e beijos.

    ResponderExcluir
  15. Célia, um grande beijo no seu coração. E com o tempo, mudam também as pessoas. Seu texto, usando de toda riqueza poética que possui, foi maravilhoso na abordagem. Um beijo no seu coração.

    ResponderExcluir
  16. Olá, Célia.

    Tempos de imposições tolas, que manietaram almas e torturaram a real pureza da liberdade. Pequenos e grandes crimes, ditos em nome de Deus.

    Um abração e bom fim de semana.

    ResponderExcluir
  17. OI Célia!
    Que texto lindo e este vídeo com esta música combinaram bem.
    Adoro esta música. Me transmite esperança.
    Te desejo um ótimo domingo em família
    Beijos
    Ü

    ResponderExcluir
  18. Olá!Boa noite!
    Célia!
    Passando por aqui primeiramente para agradecer o carinho da visita ...
    E lhe desejar um maravilhoso domingo com bençãos infinitas.
    Beijos

    ResponderExcluir
  19. Célia eu adorei isto, quanta verdade, naquela época quanta hipocrisia, parabéns suas crônicas são excelentes tanto em conteúdo como na forma que você tem de redigir o texto, um estilo que nos prende do inicio ao fim, beijos Luconi

    ResponderExcluir
  20. Oi Célia, adorei o texto! Uma gande verdade.
    Tenha um ótimo domingo e uma linda semana, bjs!

    ResponderExcluir
  21. Olá, Célia. Parabéns pelo texto! Ainda bém que os tempos mudaram. Adorei o vídeo! Uma boa tarde de domingo e feliz semana. Beijos!

    ResponderExcluir

  22. Olá Célia,

    Adorei este filme "Mudança de Hábito".
    Ainda bem que os tempos e as mentalidades mudam. Louve-se a ousadia daquelas que se insurgiram contra este castrador véu de aparências. Graças a elas muitas outras também ousaram levantar a bandeira. Lamenta-se por aquelas que se conformaram e restaram frustradas e infelizes.

    Adorei o texto e a arte de sua abordagem.

    Obrigada pelo carinho.

    Grande abraço.

    ResponderExcluir
  23. Oi Célia,

    Que maravilha de crônica! Dá gosto ler um texto tão bem escrito assim. Prende-nos do começo ao fim.
    Fiquei imaginando as moças com aqueles véus que usavam dentro das igrejas, com os livrinhos de orações nas mãos e a cabeça cheinha de segundas e terceiras intenções.
    Anos dourados! LIndo!

    Grande abraço para você Célia, uma semana de luz e paz!

    Leila

    ResponderExcluir
  24. Célia, obrigado por sua mensagem e também por seu carinho sempre presente em meu blog, saiba que sua visita é uma grande honra para mim!
    Um grande abraço e uma ótima semana!

    ResponderExcluir
  25. Minha querida

    Hoje passando para agradecer o carinho imenso que me deixas sempre...Bem hajas.

    Um beijinho com carinho
    Sonhadora

    ResponderExcluir
  26. Bom dia Célia querida! Como está? Passando pra
    desejar um início de semana iluminado!
    Abraço fraterno e carinhoso!
    Elaine Averbuch Neves
    http://elaine-dedentroprafora.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

Seu comentário evidencia o seu 'pensar'.
Saiba que aprendo muito com você.
Obrigada, meu abraço,
Célia Rangel,
Autora responsável pelo blog.
Obs.: NÃO POSTAREI COMENTÁRIOS ANÔNIMOS.