segunda-feira, 24 de setembro de 2012

GLAMOUR


 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

Em frente ao espelho que projetara várias gerações, ela se preparava com um olhar inquiridor. Hoje viveria qual máscara? A de santinha ou, a de depravada? Estava exausta de agradar e receber falsos agrados.

Descortinou o véu que encobria suas várias vidas. Aprimorou seus cachos loiros, tascou um batom vermelho carmim nos lábios, um justo vestido onde não cabia nem pensamento, ajeitando a fenda no lado mais bonito de sua perna.

Claro, estava pronta para seduzir. Amar ainda que fosse pagando.  Apoderara-se dela a misteriosa gana pela caça. Uma loba no cio.

Parou no primeiro “saloon” e tragou de uma só vez um cowboy duplo sem gelo. Um elegante cavalheiro compareceu para acender sua cigarrilha. Já conseguira seu objetivo. Chamar a atenção de que estava ali e viva, carente, sedenta de possuir e ser possuída.

Altiva e observadora jogava olhares para outros também. Não queria estar presa. Cansara-se de jaulas. Caçar era muito melhor que ser caçada. Ouviu som de violão e juntou-se ao grupo que cantarolava Lennon. Divertiu-se muito. Relembrou momentos de love. 

A noite apenas começara. Insaciável, saiu para outras buscas. Rodou esquinas. Ruas e avenidas. Saciou-se de prazer.

Amanheceu o dia para outros. Não para ela. Achada morta em quarto de motel onde topara com seu próprio marido saindo com outra. 

Se isso for “glamour”... prefiro a “simplicity”...

Célia Rangel
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores

 

19 comentários:

  1. hummm interessante e de prender a atenção! abraços

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  2. Oi Célia, também prendeu-me a atenção, que triste fim!!!
    Abraços minha amiga!

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  3. Que triste, coitada, uma vida regada a dissabores e um fim trágico como tantos que acontecem por ai! Gostei muito Célia! Bjooosss

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  4. Nossa! Também dispenso este glamour trágico! Beijos

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  5. Oi, Célia. Bacana esse seu lado ficcional em prosa. Tenho certeza de que vem mais coisa boa por aí. Abraços pra você.

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  6. E quantas mulheres se apoderam de máscaras, pensando que assim poderão ser felizes.
    Enfim o glamour acaba e de sua vida, nada restou.

    Também eu prefiro o "simplicity".

    Ficou ótimo teu texto, visualizei cada detalhe.
    Parabéns Célia!

    Beijos.

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  7. Oi Célia achei triste... Mas é bom para diversificar um pouco né?
    Amiga que lindas palavras vc me deixou no blog, obrigada mesmo...
    Beijos e abraços
    Canela
    Ü

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  8. Minha querida

    Que fim tão trágico para quem apenas queria um pouco de amor...Linda e triste esta história.

    Um beijinho com carinho
    Sonhadora

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  9. Olá, grande amiga Célia!
    O texto é bem narrado, romântico, mas também trágico, como a realidade, como a vida.
    É uma alegoria ao que ocorre diariamente não só em nosso país, mas em todo mundo.
    É, outrossim, um poema em prosa.

    Abraços.

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  10. A simplicidade é que gera o maior dos prazeres: o viver sem máscaras!

    À simplicidade, sempre, sempre! Eu prefiro.

    Excelente o teu escrito! Faz refletir...

    Beijos,

    Nel

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  11. Seu jeito de narrar é cinematográfico, Célia. Aposto que você visualizava as cenas enquanto escrevia. Gostei muito. Beijos!

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  12. Celia,um conto super interessante com um final inusitado!Parabens pela originalidade!Que coisa,não? Uma grande história!bjs,

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  13. Uma pérola de conto.Saída para trair e acabar por morrer traída.
    Prende e percebe-se a angústia.


    Beijos


    SOL

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  14. Oi Célia, me surpreendi com mais esta bela postagem!
    Grande abraço!

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  15. Minha querida Célia, bom: depois de um tempinho ausente, poder ler as maravilhas que escreve por aqui, é uma grande alegria. Um grande motivo de sorriso aos lábios e ao coração também. Um grande beijo no seu coração.

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  16. Nelson Rodrigues, passaria por autor,
    dessa estonteante crônica da vida diária.
    O "glamour", nem sempre é benfazejo. Fantástico!

    Beijos, Célia"

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  17. Olá, Célia.

    Adorei o texto. Surpreendente e triste desfecho. Tragédias da vida, script de desatinos, drama traçado pela inconsequência.

    Um abração.

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  18. Olá Célia,

    Um conto interessantíssimo, adorei o desfecho!

    Gosto de quem escreve com inteligência, e esse é o seu caso...

    Bjos

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  19. Muito interessante, também prefiro a Simplicidade :)

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Célia Rangel,
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