terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Excesso de peso




Não há regime que dê resultado

Ao peso da ignorância

Ao peso de ser a melhor

Ao peso da perfeição

Ao peso de querer agradar sempre

Ao peso de amar sem ser amada

Ao peso da infidelidade

Ao peso da infelicidade

Ao peso da autossuficiência

Ao peso de acumular nos ombros

Peso alheio...

Desvencilhe-se e emagreça

Na medida certa da sua identidade

Para ser você e mais ninguém.

Célia Rangel, autora
(Membro da Cia dos Blogueiros
Clube de Autores) 


sábado, 25 de fevereiro de 2012

Minhas mãos












Reconectar com minhas mãos
Ágeis ou preguiçosas
Que abençoaram
Que acolheram
Que afagaram
Que plantaram
Que aplaudiram
Que lágrimas enxugaram
Que apontaram caminhos
Que ensinaram
Que escreveram
Que tanto buscaram
Que ofertaram e negaram
Que se uniram na aliança do amor
Que agora postas oram
E agradecem:
Pelo que fizeram
Pelo que deixaram de fazer
Pelo que humilharam
Pelo que elevaram
E esperam na confiança do Pai
O perdão, a paz e novas chances
De fluir e transcender em paz!
Mãos, que assim, se eternizam.

Célia Rangel, autora.
Membro da Cia dos Blogueiros
e do Clube de Autores.



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O PATO COM MENTE HUMANA




Em O Poder do Agora, citei minha observação de que dois patos, depois de um confronto, que nunca demora muito, separam-se e afastam-se em direções opostas. Em seguida, cada um deles bate as asas vigorosamente algumas vezes, liberando assim o excesso de energia acumulada durante a luta.

Depois disso, eles nadam em paz, como se nada tivesse acontecido. Se o pato tivesse a mente de um ser humano, ele conservaria a luta viva no pensamento por meio de uma história. Provavelmente, ela seria assim:

"Não acredito no que ele acabou de fazer. Ele chegou a poucos centímetros de mim. Pensa que é o dono do lago. Não tem consideração pelo meu espaço privado. Nunca mais vou confiar nele. Da próxima vez, ele vai fazer a mesma coisa só para me aborrecer. Tenho certeza de que já está tramando alguma coisa. Mas não vou suportar isso de novo. Vou ensinar a ele uma lição de que não vai se esquecer."

Dessa forma, a mente cria suas histórias, uma atrás da outra, e continua pensando e falando sobre elas durante dias, meses ou anos. No que diz respeito ao corpo, a luta continua. E a energia que ela produz em resposta a todos esses pensamentos são as emoções, que, por sua vez, suscitam mais pensamentos. Isso se torna o pensamento emocional do ego. Podemos imaginar quanto a vida do pato se tornaria problemática se a mente dele fosse humana. Todavia, é assim que a maioria das pessoas vive na maior parte do tempo. Nenhuma situação, nenhum acontecimento, jamais termina de verdade. A mente e o "eu e minha história", criado pela própria mente, se encarregam de dar continuidade ao processo. Nós somos uma espécie que tomou o caminho errado. Tudo o que é natural, todas as flores e árvores, assim como todos os animais, teriam importantes lições a nos dar se parássemos, olhássemos e escutássemos. A lição do pato é a seguinte: bata suas asas - isto é, "deixe a história pra lá" – e retorne para o único lugar importante: o momento presente.

(Eckhart Tolle - "O Despertar de uma nova Consciência")

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Fortalecendo-me




Na mansuetude repenso
Nosso olhar naquela tarde
Onde vidas projetamos
Sonhos realizados, outros interrompidos
Tateio planos, ouso prosseguir
Em conflito, abandono-me.

Usufruo da inteligência intrapessoal
E, analiso o que me consome
Não me iludo com o que foi
Apenas busco outras luzes
Para novos passos... vida nova!

No lirismo das poesias, meditações e músicas
Refaço minha transfusão espiritual
Minha veia transfere amores,
Perfaz caminhos pedra sobre pedra
Reergue-se forte e vitoriosa
Na magia de um novo processo.

Célia Rangel, autora.
Membro da Cia dos Blogueiros
Clube dos Autores

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Restauração



Em mim o arcabouço de personagens

de sonhos, de magias, de vida e morte.

Restou pouco.
Nua.
Mas de uma consciência aflorada na pessoa
que restou.
Totaliza sentimentos afere encantamentos,
todos lacrados em uma mulher que amou e ama,
na quietude...
Do que restou.
Vive, sofre, nega, aceita, rebela-se...
No que restou.
Aquieta-se e espera na imaginação
onde pode tudo.
Reinventa-se, rearma-se, refaz-se...
E à meia luz rompe a meia vida,
que restou.

Célia Rangel, autora.
(Membro da Cia dos Blogueiros e Clube dos Autores)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Arquétipos
















Meu hospício,
teu olhar.

Meu asilo,
teu coração.

Meu templo,
teu corpo.

Minha fé,
teu pensar.

Minha sabedoria,
tua palavra.

Minha serenidade,
tua presença.

Minha morte,
tua indiferença.

Então, poetizo-me...



Célia Rangel, autora.
(Membro da Cia dos Blogueiros)


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Vida Bandida


Bandida ou amada
Cuidada ou destroçada
Cicatrizes imensas
Entre Deus e o Diabo
Dilui-se o dom
Desconsidera-se o talento
A droga
Mata-se ou morre
Descarta-se
Sem possibilidade de reciclo
Pois o ciclo vital desprezado
Bem maior desvalorizado
Entre “Joãos e Joanas”
“Marias e Josés”
O demo habita
E aumenta sua população
Fica em nós... a tristeza e a saudade
E a certeza de que poder, status, dinheiro
Não consagram a dignidade da vida.

Célia Rangel, autora.
(Membro da Cia dos Blogueiros)


sábado, 11 de fevereiro de 2012

Leitura, no mínimo, provocante!


A NECESSIDADE DO EGO DE SE SENTIR SUPERIOR

Existem muitas formas sutis de ego que, mesmo sendo tênues, podemos observar com facilidade nas pessoas e, mais importante, em nós. Lembre-se: no momento em que nos tornamos conscientes do nosso ego, essa consciência emergente é quem somos além do ego, o “eu” profundo. O reconhecimento do falso já é o surgimento do real.

Por exemplo, imagine que você está prestes a contar uma novidade a alguém. “Já sabe o que aconteceu? Não? Vou lhe dizer.” Se estiver alerta o suficiente, no pleno estado de presença, será capaz de detectar um rápido sentimento de satisfação dentro de si imediatamente antes de dar a notícia, até mesmo se ela for má. Isso ocorre porque, por um breve momento, existe, aos olhos do ego, um desequilíbrio a seu favor na relação entre você e a outra pessoa. Durante esse instante, você sabe mais do que ela. Essa satisfação provém do ego e ela surge porque sua percepção do eu é mais forte em comparação com a outra pessoa. Ainda que o interlocutor seja o presidente ou o papa, você se sente superior a ele naquele momento porque sabe mais. Esse é um dos motivos que fazem com que muita gente se vicie em fofoca. Além disso, a fofoca costuma carregar um elemento de crítica e julgamento malicioso dos outros. Dessa forma, também fortalece o ego por meio da superioridade moral imaginada, que fica implícita em toda apreciação negativa que fazemos de alguém.

Se uma pessoa tem mais, sabe mais ou pode fazer mais do que nós, o ego se sente ameaçado porque o sentimento de “menos” diminui sua percepção imaginada do eu em relação a ela. Assim, ele pode tentar se recuperar procurando, de algum modo, criticar, reduzir ou menosprezar o valor das capacidades, dos bens ou dos conhecimentos desse indivíduo. Ou pode mudar de estratégia: em vez de competir, vai se valorizar por meio da associação com essa pessoa, caso ela seja considerada importante aos olhos dos outros.

Fonte: Tolle, Eckhart – O despertar de uma nova consciência – pg.: 76

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Meu imaginário













Trancado a sete chaves
Coleciona imagens
Ternas e doces
Amargas e rancorosas
Finge acolher a todas
Em convivência pacífica
Mas altera-se em traumas
Na consciência exacerbada
Por fatos odiosos...

Perdoa, não esquece
Vê profundas lições
Tardiamente
Entende que felicidade
É o momento íntimo
É qualidade no ser
É o ego falando mais alto
É querer não querendo
É viver ainda que não vivendo...

Célia Rangel, autora.
(Membro da Cia dos Blogueiros)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Inevitável

















Que depois de uma vida
Outras surjam
Nada pode extinguir-se assim.

Que depois do seu olhar
Ainda te ame mais ainda
Selando com outro olhar.

Que depois de uma noite de amor
Queira muitas outras
De um bem-querer inesgotável.

Que respeite o seu espaço
Para que não se atormente
Querendo fugir de mim.

Que a minha íris grave sua imagem
Única identidade
De um eterno amor.

Célia Rangel
(Membro da Cia dos Blogueiros)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Tempo de Delicadezas





Chega o tempo de ser gentil,
sinônimo de bem viver.
É graça recebida que deve ser doada
enquanto aqui vivermos:
um afago, um olhar, um agradecer,
retribuir um carinho...
Gestos intrínsecos em meu ego,
é o meu perfume, minha elegância.
Sem isso, me sinto nua.
Quando não há espaço verbal,
prefiro silenciar-me e meditar...
Aos poucos, a dimensão humana
falará mais alto!
Na fé, na sabedoria, na serenidade,
o atalho fundamental para
a sensibilidade do meu ser.

 Célia Rangel.
Membro da Cia dos Blogueiros.