terça-feira, 31 de julho de 2012

Sacos de pão a serviço da literatura














Em tempos onde se discute e-books, audiobooks, livros impressos sob demanda e uma infinidade de “meios de transporte literários” embasados na tecnologia, é comum que muitos acabem ignorando que o mais importante nunca foi e nem nunca será a plataforma em si, mas sim o conteúdo.
Afinal, um bom texto acaba encontrando leitores onde quer que estes estejam – seja em livrarias, na Internet ou em qualquer canto.

Na semana passada, recebemos um e-mail curioso do autor do Clube Pedro Gonçalves Dias, que está com suas poesias sendo impressas em sacos de pão (em parceria com o projeto euAMOpão). Isso nos faz pensar em algo que chega a ser óbvio: não é a literatura que precisa de novos meios ou plataformas de publicação – são os meios, velhos e novos, que precisam da literatura para se tornarem mais relevantes perante o imenso público leitor brasileiro. Afinal, o que importa mesmo não é ler em formato impresso, e-book ou qualquer outro – é apenas ler. Certo?

Fonte: Editorial Clube de Autores
 clubedeautores@clubedeautores.com.br    

domingo, 29 de julho de 2012

Abster-se




Às vezes instalo-me e te espero...
Pensamento viaja e te busca,
No passeio do tempo
Conduzo-te em meu olhar.

Orgulho e eficiência distanciaram-nos...
Agora, concebemos tamanha frieza.
Contato de pele mórbida
Que, na insensibilidade, nos afasta.

No laboratório da química existencial
Transformo nos tubos de ensaio
Sentimentos, outrora frívolos,
Hoje, paixões eternas.

Guardo a fórmula
Que será revelada
No retorno dessa viagem
De curto percurso.


Célia Rangel, autora.
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores





 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

É a vó...





Idosa, é a vó...
Anciã, é a vó...
Terceira idade é a vó...
Melhor idade já tive...
As juntas doem...
A memória falha
Os hormônios desregulam-se todos.

A insônia ou o cochilo pegam-me a qualquer hora
Os cabelos rareiam e embranquecem
As rugas caminham a passos largos
Curvas agora só as da coluna
Deformidades mil.

É a era do despenca...
Nada de silicones
Tudo ao natural
Essa era a minha avó...
Legado herdado
Hoje... sou eu.

Traço e retraço isso tudo
Lapidando o meu ser intelectual
Não só nos bolos e tricôs
Mas e, principalmente, em leituras.
Alimento-me espiritualmente
Coloco em palavras sentimentos
De sabedoria, de serenidade, de sensualidade.
Sou avó à distância
Com mente século XXI e matéria século XX...



Célia Rangel, autora.
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores

terça-feira, 24 de julho de 2012

Escritora ou Escrevinhadora, eis a questão...



Na onda das palavras
Atrevo-me a escrever
Sem muitas regras, mas com a alma
Tudo o que brota em meu ser
Admiro e me espelho
Em grandes nomes
Do ontem, do hoje e do amanhã
Que fomentam mudanças
Na escrita e na leitura
Já que o predomínio hoje
Vai além muito além
Dos bancos escolares
Há um internetês dominante
E sites de busca que se tornam mestres
E os mestres verdadeiros
Em extinção.
Em PESSOA, com seu MACHADO
Lenho em RUBEM e QUINTANA
Na esperança LISPECTORIANA
De leituras prazerosas
Já que outrora engatinhei em FREIRE E PIAGET
Minha pedagogia
Hoje no ceticismo NIETZSCHIANO
Filosofo a vida e a razão do viver
LAUREANDO em DAROS a poesia da vida.

Célia Rangel, autora.
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores

domingo, 22 de julho de 2012

O preço da liberdade




Menino ainda sonhava com suas bolinhas de gude, pião e pipa em uma cidadezinha interiorana. Tudo  envolvido em tranquilidade.  Nada afetava esta infância. Mãe devotíssima.  Viúva. Filho único. Possibilidades financeiras mínimas. Recurso era o terço. De joelhos rotos pedia à santa que desse ao filho uma boa vida. Sorrateiramente a oportunidade clerical. Levaram-no. Toda a formação educacional filosófica e teológica administrada. Sonhos adolescentes enclausurados. Aos olhos ávidos tudo era deslumbrante. Novos horizontes se abriam. Material e espiritualmente provido. Mãe fora alicerçada como premio por doar o filho à religião.

Status. Poder. Carro. Viagens. Cursos a escolher. Moradia, alimentação e inserção no mundo intelectual. Isso tudo teve um preço. Alto. Muito alto. Sonhos adolescentes, agora acrescidos pelos da juventude enclausurados.

Vagou mente e coração. Divagou. Comparou. Concluiu que a imposição materna tolhera-lhe sentimentos de liberdade. Travou imensa batalha interior. Pagava juros sem conseguir zerar o débito.

Lia e relia ensinamentos cristãos e fixava: crescei e multiplicai-vos. Debatia-se. Não podia falhar. Decepção familiar seria imensa. Era tido santo homem. Dilacerou-se, pois, desde quando amar é pecar? Indisciplinou-se rasgando véus de uma credulidade mórbida.

Amou e foi amado. Gerou. Constituiu família. No olhar de hoje paira a dúvida no ontem que ainda cobra juros não amortizados. Compara. E, agora são seus joelhos que dobram diante da santa rogando pela felicidade dos filhos.

A que preço? A que juros?
Ao de ser feliz, somente.

Célia Rangel, autora.
*Cia dos Blogueiros.
*Clube de Autores

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Um (a) amigo (a)




Acolho a um (a) amigo (a)

Como quem recebe um tesouro

Não o (a) confino a porões emocionais

Revelo-o (a) à humanidade

Para que desfrute tanto quanto eu

E, como todo tesouro, leva-se um tempo

Para encontrá-lo (la) na jazida da ternura

Preciosa é a lapidação a quatro mãos

Dois corações, duas mentes,

Muita serenidade e sensibilidade

Mágica construção na dualidade de vida

Com  origem e ideais diversos

Envolvente e diário é o processo

De um amor dosado, equilibrado, transferido

Prudente, desinteressado

Isto é amizade

Gratificante, apenas.

Célia Rangel, autora.
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores





terça-feira, 17 de julho de 2012

Lamentável!

No ensino superior, 38% dos alunos não sabem ler e escrever plenamente.

Entre os estudantes do ensino superior, 38% não dominam habilidades básicas de leitura e escrita, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgado pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM) e pela ONG Ação Educativa. O indicador reflete o expressivo crescimento de universidades de baixa qualidade.

Fonte:


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Homem, homens...















Homem, complemento ou cumplicidade (?)
Meu primeiro homem-afeto foi meu pai
Atencioso, carinhoso, íntegro, afetivo ao extremo.

Depois veio meu homem-diversão: meu irmão
Ensinou-me todas as possíveis brincadeiras
Juntos empreendemos grandes artes nas ruas
Apanhamos, fomos castigados, banhados sempre unidos.

Na escola vieram homens- professores: sociologia e ciências contábeis
Feras, apaixonantes...
Porque transmitiam seus conhecimentos com amor
Contagiaram-me a ser ávida leitora.

Na adolescência vieram homens-paqueras
Muito meninos para meu gosto
Projetei essa fase para mais tarde...

E no postergar o projeto veio o homem-amor
Que perdura até hoje
Puro entendimento no olhar
Almas que se encontraram e não se separaram
Ainda que a absurda morte tentasse...

Hoje, poucos amigos-homens, mas ternos e eternos
Ai inserido um filho muito amado
Todos de alto quilate lacrados em meu coração
São os homens que enfeitam minha vida e me fazem mulher
Não penso minha vida sem eles!


Célia Rangel, autora.
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Missão





No improviso cheguei
Assumi meu espaço
Com limites, regras, mandos

Difícil superação
Castração de planos, ideais
Libertação, susto

Indefinição
No improviso partirei

A cada segundo um novo momento
A cada momento uma nova emoção

Magias contemporizadas
Na ternura do afagar

A mim e ao outro
Inevitável é te amar

Sempre.

Célia Rangel, autora.
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Onde?











Pela rua sigo à procura
Da sua voz, do seu olhar.
Observo, nada me atrai.
Há passos sonoros,
Sorrisos contagiantes,
Envolvimento nem tanto...
Há liberdade em cada esquina,
No destino a seguir,
Sem desvios, ou retornos possíveis,
Apenas, uma reta sem obstáculos.
Preservo e persisto,
Há um tesouro a desvendar!

Célia Rangel, autora.
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores


domingo, 8 de julho de 2012

Momento Saudade...

Eu Sei Que Vou te Amar

Tom Jobim

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida...

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Se até os ratos...

Livro - Tocar


Veja uma pequena sinopse do capítulo “Crescimento e Desenvolvimento” – do livro: “TOCAR- O Significado humano da pele”- Ashley Montagu

“O homem é um animal que cresce e seu direito inato é desenvolver-se”

- ratos mimados aprenderam mais depressa e cresceram mais rápido;

- o organismo vivo depende, em grande medida, da estimulação do mundo externo para seu crescimento e desenvolvimento. Estes estímulos precisam, em sua maioria, ser de natureza agradável, como também devem sê-lo na aprendizagem;

- os ratos acariciados mostram mais vitalidade, curiosidade e capacidade de resolução de problemas que os ratos não acariciados. Tendem também a ser mais dominadores que os nãos acariciados;

- os ratos intensamente acariciados, que receberam mais do que a dose habitual de manipulação, eram melhores nas situações de aprendizagem e retenção que os ratos manipulados normalmente e que os não manipulados;

- a condição autista é um desequilíbrio emocional onde predomina a ansiedade, causadora do afastamento social e, como decorrência disto, incapacidade de aprender com as interações sociais e com condutas de exploração do ambiente;

- a satisfação das necessidades táteis não tem sido considerada necessidades básicas; define-se como necessidade básica aquela que deve ser satisfeita para que o organismo sobreviva. Mas o fato é que a necessidade de tatilidade é uma necessidade básica, já que deve ser satisfeita para que o organismo sobreviva. Se ocorrer uma cessação completa da estimulação cutânea, o organismo morre. O organismo privado de sua pele não consegue sobreviver...

Indico esta leitura, como estudo, análise, pesquisa e reflexão sobre nossa vida e as que geramos! 

Célia Rangel.
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores 

terça-feira, 3 de julho de 2012

Refletindo...



















Tesouros e relíquias
se, espirituais,
acumuladas em vida,
transcendem para a eternidade.

No despertar de uma divindade,
humilde, por excelência,
é o que permanece.

Bem maior dos tesouros
que enriquecem nossa existência.
O mais é pura ilusão,
que se deteriora
na guerra da sobrevivência.

Célia Rangel, autora.
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores


domingo, 1 de julho de 2012

Ouso...

Foi um tempo enorme
Até entender que era você
Chegou ternamente
Sem cobrança ou exigência alguma
Ficou esquecido em um canto meu
Até que chamou minha atenção
Desembrulhei-o da sua timidez
Meu presente em vida
Expressei-o ao meu coração
Que o adotou por toda sua existência
Sem medo de ousar.

Célia Rangel, autora.
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores