quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Personal Prece







 

 

 
 
 
 


No encontro dos nossos olhares,

Percebo que você não está bem...

Semblante de alguém em apuros

Desconversa... Desolha... Farol baixo...

Fala-se de futuro... Que futuro?  Que vida?

Controvérsias...  O que fazer?

Quem ficará sozinho um do outro?

Quem cuidará um do outro?

Ó Deus, me dê força e luz para esse enfrentamento da vida!

Sou forte, mas estou fraca... Minhas rédeas estão frouxas!

Contemporizo... Espero... Creio em Ti.

Venha em meu socorro.

Perdão, pois sei que está comigo.

Por que essa dúvida?

E a minha Fé? Onde a coloquei?

Me salva dos meus castelos de horrores!

Dos labirintos por onde em sonhos, trafego...

Das minhas insanidades dessa ausência...

Clamo por humildade e aceitação,

Nada mais.

 

Célia Rangel
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores

terça-feira, 28 de agosto de 2012

"Candidato, o Cândido"...


Meu amigo Elba me deu uma surpreendente informação etimológica: a palavra “candidato”, nas suas origens, vem de “cândido”. O candidato tinha de ser cândido, puro. Há um produto de limpeza chamado “cândida”. Sei dos seus poderes para limpar as coisas de cozinha. Não sei se, ingerido, teria o poder de tornar “cândidos” os candidatos. Desconfio. Parece que existe um projeto no sentido de proibir a candidatura dos candidatos de mãos sujas. Sou cético sobre os seus resultados. Candidatos de mãos sujas não aprovam leis que proíbam “mãos sujas”.

Dirão que estou padecendo do pessimismo dos velhos. Mas Albert Camus era muito jovem, tinha apenas 33 anos de idade, quando escreveu o seguinte: “Cada vez que ouço um discurso político ou que leio os que nos dirigem, há anos que me sinto apavorado por não ouvir nada que emita um som humano. São sempre as mesmas palavras que dizem as mesmas mentiras. E visto que os homens se conformam, que a cólera do povo ainda não destruiu os fantoches, vejo nisso a prova de que os homens não dão a menor importância ao próprio governo e que jogam, essa é que é a verdade, que jogam com toda uma parte da sua vida e dos seus interesses chamados vitais.”

Guimarães Rosa sentia também o que sinto. Numa entrevista a Günter W. Lorenz ele disse o seguinte: “Eu não sou um homem político, justamente porque amo o homem. Os políticos estão sempre falando de lógica, razão, realidade e outras coisas no gênero e ao mesmo tempo vão praticando os atos mais irracionais que se possa imaginar. Talvez eu seja um político, mas desses que só jogam xadrez quando podem fazê-lo a favor do homem. Ao contrário dos “legítimos” políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. Sou um escritor e penso em eternidades. O político pensa apenas em minutos. Eu penso na ressurreição do homem.”

Não é por acidente que Guimarães Rosa tenha comparado a política ao jogo do xadrez. No xadrez pouco importa o estilo do jogador. Qualquer que seja o estilo, a lógica do jogo é sempre a mesma. Quem se dispõe a jogar o jogo tem de se submeter à sua lógica. O Lula estava certo: se Jesus estivesse na política ele teria de fazer pactos com Judas. A lógica do jogo da política é a lógica do jogo do poder. Enganam-se aqueles que pensam que o fim da política é a produção do bem comum. O objetivo da política é o poder - e os atos políticos dirigidos à produção do bem comum são apenas meios para se atingir esse fim que é ou a tomada do poder ou a manutenção dos poderosos no poder. “Os fins justificam os meios”, disse o mestre da política Maquiavel. Um ato que levasse ao bem comum mas que, ao mesmo tempo, diminuísse o poder dos que estão no poder, ou aumentasse o poder dos adversários políticos seria, do ponto de vista político, um ato suicida: não deveria, jamais, ser executado. Na hierarquia dos valores políticos o bem do povo é inferior ao exercício do poder. Essa é a razão porque, com freqüência, políticos tratam de eliminar as coisas boas que seus antecessores, adversários, realizaram. É a forma aceitável de assassinato: matar pelo esquecimento.

O ideal de ética na política não pode ser realizado. Somente os fracos invocam os argumentos éticos. Porque eles são a única arma de que dispõem.

Já se disse que a guerra é a continuação da política por meio da violência. Isso é verdade. Política e guerra é o mesmo jogo. A diferença está em que enquanto na política o poder aparece disfarçado pela aparência de paz, na guerra o poder perde os seus pudores e se apresenta na sua nudez: a violência.

Da mesma forma como é inútil trocar os jogadores, porque o xadrez continuará a ser jogado com as mesmas regras, a troca de políticos e de partidos tem apenas o efeito de mudar o estilo do jogo, sem alterar a sua essência. Se eu estivesse no lugar do presidente as regras do jogo do poder me obrigariam a abraçar os mesmos políticos que, em tempos passados, execrou. Naqueles tempos eles eram inimigos a serem destruídos; mas agora eles são possíveis aliados que devem ser abraçados.

A razão filosófica para a existência dos três poderes independentes nas democracias não se deriva de necessidades funcionais. Deriva-se da necessidade de espionagem constante: é preciso que os que estão no poder se vigiem uns aos outros. Na política o comportamento ético é um resultado do medo de ser apanhado com a boca na botija. (mesmo apanhados com a boca na botija os políticos não se enrubescem...)

Mas — eu me pergunto — e se os três poderes forem, todos eles, compostos por raposas? Raposa não vigia raposa. Raposa se alia a raposa...

[Fonte: Rubem Alves, pg.:140-142 - lv.: Pimentas]

sábado, 25 de agosto de 2012

IMPREVISTOS





 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
De repente, uma música
Lembranças...
De repente, uma foto
Saudades...
De repente, um sonho
Alucinação...
De repente, um olhar
Amores nascendo...
De repente, uma criança
Bênção divina...
De repente, uma chegada
Felicidades...
De repente, uma partida
Despedida doida...

 

Como diz Vinicius de Moraes...”Soneto da Separação”... “Fez-se da vida uma aventura errante/
De repente, não mais que de repente”.

 

Célia Rangel, autora.
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

AMOR DE VELHICE







 

 
 
 
 
 
... Se você ainda não leu... não sabe o que está perdendo... “PIMENTAS – Para provocar um incêndio não é preciso fogo” – Rubem Alves

[...]

Eles moravam numa pequena cidade do interior do estado do Rio. Ele era muito querido por todos apesar da sua juventude, pouco mais de trinta anos de idade.
Ela era professora e tinha quase vinte anos quando se apaixonou por ele.
Ele era simpático, bonitão, estudioso e tímido. Ela era bela, delicada e discreta. Na década de 1930, as mulheres deviam saber esperar. Se a mulher desse o primeiro passo na direção do homem, ela seria mal falada.
Passaram-se dez anos sem que se tornassem amigos. Só se viam de longe e só trocavam as palavras essenciais. Ele não se casou. E nem ela.
Um dia, repentinamente, ela precisou partir para São Paulo. Sua irmã mais velha havia falecido e deixado três filhos ainda pequenos para criar.
Seu cunhado era um homem atraente, de olhos profundos e poucas palavras. Desnorteado, não sabia o que fazer da vida. Cuidado vai, cuidado vem, ela se afeiçoou pelas crianças e por aquele homem endurecido, que sorria pouco e lindo. Aconteceu o inevitável. Ele perguntou se ela queria casar-se com ele... Ela contou a verdade: que sentia um amor sem futuro por outro homem, mas que, se ele a aceitasse mesmo assim, ela se casaria com ele.
Ele aceitou. Casaram-se, tiveram outros filhos e viveram relativamente bem.
Depois de muitos anos e alguns netos, um dia ela recebeu um telefonema surpreendente. Era a irmã do então jovem médico que a estava avisando que ele tinha se mudado para São Paulo. Velho e doente, queria vê-la. Com as  mãos trêmulas, anotou  o endereço e com o coração agitado procurou seu marido e contou o que estava acontecendo.
Para sua surpresa, o marido imediatamente se levantou, vestiu o paletó e disse: Vamos!
Seguiram para o hospital. O marido a deixou na porta do quarto, avisando-a que a esperava no saguão.
Tiveram então, os dois, a primeira longa conversa de suas vidas. Ele confessou que a havia amado a vida inteira e que só a proximidade da morte lhe dera a coragem de se aproximar.
Não se sabe o que se passou nem o que sentiram quando se viram velhos e amados um pelo outro – certamente seguraram-se as mãos – a vida inteira. Os apaixonados de vida inteira voltaram a se ver e foram se vendo até que o médico morreu, algumas semanas mais tarde, sorrindo por se sentir amado.
A beleza das flores que florescem no inverno está no seu perfume e na sua delicadeza. Mas é uma beleza triste que floresce e perfuma durante a noite e está morta pela manhã.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

VIDA PULSANTE







 



 
 
 
 
 
 
 
 
Ao meu lado senti-o
como em nossos momentos.

Seu corpo aquecendo-me
de encantamento e paz.

Saudade reavivada
no ofegante do nosso calor.

Iluminando de candura
nosso depósito de ternura.

Estacionados ficamos na sensibilidade.
Difícil foi acordar e ver que
ainda que tocante, e quente,  era sonho.

Você, presença viva,
levou um tempo a “etereorizar-se”.

As fases de nossa vida plena
estão registradas nas carícias do olhar.

Entre nós, o silêncio diz mais que as palavras e os gestos.

 

 

Célia Rangel, autora.
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores

 (imagem by Google)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sugestão de ótima leitura

PARTIDA
Rita Lavoyer



















“...ao tempo que para senti-lo não precisa tempo...”

Quem inicia assim seu livro, dispensa todo e qualquer comentário...

Recebi. Li. Estudei. Pesquisei. Internalizei e agora, ouso testemunhar o belo arquivo poético feito por Rita!

Éter / Alucinação / Devaneios / Euforia / Volátil ... São subtítulos dos poemas. Ideia fantástica! ... e segue eterizada, no destaque do timbre de seus pés... no entendimento da vida... ao que eu sugeriria: eternizada! Foi para mim uma leitura filosófica que retornarei...

Destaco entre belos e significativos poemas,

“O OLHO DO LOBO”

O olho do lobo
é olho vermelho
o lobo do olho
é o seu espelho.

O vermelho do olho
é o lobo inteiro
quem julgou o seu fardo
foi você primeiro.

Viva o seu lobo,
deixe o rebanho,
largue o cajado.
Veja com o seu olho
todo o vermelho
que escorre,
que escorre,
que escorre em seu peito
feito um não sei  o quê.
Feito um não sei o quê.

O lóbulo do lobo
é um olho ouvido
o pelo do olho
é um som comprimido.

Mate o seu cordeiro
pra poder viver.
Viva o seu lobo,
abra o seu olho,
vê se vê você.
Sinta-se inteiro
nesse seu espelho.
Abra o olho agora!

Não fuja do lobo
se ele o apavora.
O lobo é você mesmo
viva com ele
nesse mundo afora.

O espelho do lobo
é o seu reflexo
seja verdadeiro
deixe os complexos.






















sexta-feira, 17 de agosto de 2012

"Cinderela ou Velharela"...















E, a Cinderela envelheceu...

O tempo passou e ela envelheceu. Botou todas as suas fichas no elemento príncipe. Deitou e sonhou que um dia ele viria salvá-la. Doce ilusão! Da escola fugiu, e das lições de matemática, de pesos e medidas, pouco se lembra. Isso é fato. Da revolta da “queima dos sutiãs”, pela liberação sexual nos anos 60, e o uso da minissaia, nem de longe a atingiu.
Hoje, sem a fada madrinha, a abóbora não mais vira carruagem, apenas um doce e olhe lá, se não queimar... E, o sapatinho perdido não é de cristal. É chinelinho de borracha mesmo, dos mais baratinhos, sem príncipe procurando pelo pezinho, pois é um “baita” 38 ou 39, que na corrida diária perde-o em capachos alheios.
Vive as experiências culinárias, errando receitas e queimando arroz e feijão. Querendo ainda ser útil, sem pedir ajuda a seus senhores, passa a viver a vida alheia. Lamenta-se pela herança perdida. Pelo tempo que passou e não viveu, apenas vegetou.  Pelo que faz sem reconhecimento. Na carência afetiva tasca beijo em quem  esbarra.

 Assim, a Cinderela ficou amarga, perdeu a magia e o encanto e, transformou-se em bruxa.  O esqueleto transformado pela artrite e artrose, já não mais brilha o chão. Em sua nova experiência de “cinderela à velharela”, tentou domesticar uma anãzinha, vizinha, que revoltada, assumiu o perfil do “Zangado” e pulou fora, escafedeu-se rapidinho e, de soslaio diverte-se dando sonoras gargalhadas das burradas alheias, feito uma feiticeira má... muito má!
E, assim, a “linda rosa juvenil” que vivia tranquila em seu lar, hoje tem muito a se divertir. Soube fazer sua vida, não acreditou em príncipe e, hoje, por merecimento, tem seus momentos de hobby!

Divirtam-se com: Os Pequerruchos - "A Linda Rosa Juvenil"

Célia Rangel, autora.
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Turning point











era pra ser um grande amor
e foi
era para ser grande missão
e foi
era pra ser um simples encontro
fortaleceu-se
e então a grande virada na vida
obrigações desativadas
excesso de tempo
vida à largas
agendas e relógios
descartados
compromissos
só com a felicidade
nuvens negras
transformam-se em chuva
de bênçãos e alegrias
em ser hoje a consequência do ontem
e o projeto do amanhã
a “grande virada na vida”.



Célia Rangel, autora.
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Espargindo ternuras...













"Amar-te

sem te invadir

 Multiplicar-te

 sem te perder

 Falar-te

 sem me trair

 Guardar-te

 sem te possuir

 E ser, assim, eu próprio

 no mais secreto de ti."

 [do lv: Cativando a ternura- Jacques Salomé- "Declaração dos direitos do homem e da mulher ao amor"]

domingo, 12 de agosto de 2012

É possível...














Cor- de- rosa era a vida sonhada.

Ponto a ponto construída.

Largas passadas para chegar logo.

Tropeços, claro, aconteceram. 

A meta era o sucesso. Em vários estágios.

Primeiro estudar para ser alguém na vida.

Protótipo de antigamente.

Devorou livros, conhecimentos adquiridos.

Partiu para a guerra do trabalho.

Degrau por degrau atingiu a meta.

Faltava o emocional. Foi em busca.

Refez caminhos para ver onde estacionara o coração.

Situou-o maltratado e tristonho, pois até então servira para ilusões materiais.

Restabeleceu diálogo e, intuiu a aproximação de um toque amoroso.

Incendiou-se em carícias por um longo tempo...

O tempo que dura o amor.

Eternizou-se.

Célia Rangel, autora
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Um PAI - meu PAI




















 
Amada e desejada desde o espermatozoide,

Isto foi fantástico!

Pois, meu embrião foi cravejadinho de muito amor paternal.



Sei que o fiz feliz na retribuição de muito amor,

De pai para filha uma herança benigna,

Que adornou vidas consolidou amores.



Ele viveu alegrias, sofrimentos e dores,

Mas todos celebrados, curados e cicatrizados,

Pelo dom divino do existir.



Tive um PAI que, em outro não encontro igual,

Simples, verdadeiro, companheiro sempre,

Um olhar azul céu transpôs comigo as nuvens do crescimento.



Deu-me força, exemplo e dignidade de vida para ser quem sou hoje,

Uma filha feliz que agradece ao PAI o PAI concedido,

Relações que transcenderam muros celestiais.



E, agora, José...

A festa acabou...

E, você nos deixou...

“Drumondiando” na vida...



Célia Rangel, autora.
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores


domingo, 5 de agosto de 2012

Entre sonhos e realidades

















Havia sonhos e expectativas

Mas, sombras turvaram-os,

Nada se realizou...

Anos se passaram,

Hoje, abro a porta do coração,

E recebo um ser

Risonho, feliz, receptivo,

A tudo sorri, a vida lhe é premio,

Seduz, encanta, preenche vazios

Outrora de penumbra

Hoje, com um novo amanhecer

Obrigada, Senhor

Somos abençoados!

Isabele, feliz entre nós,

Na total simplicidade,

Irradia alegria e bênçãos!

Dobrados os joelhos, agradecemos,

Amém!



Célia Rangel, autora.
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores






quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Habito-me

















Habito-me

E aprendo com minhas manias e meus vícios

Despojo-me de valores incrustados impiedosamente

Avalio a dignidade de ser o que quero e em que me transformaram

Acuso-me de omissa e até certo ponto permissiva

Dancei música que não era meu ritmo preferido

Andei por caminhos obscuros e tenebrosos

Pondero a riqueza de viver todas as fases

E saber fazer escolhas para mudança de cenário

Enceno agora o meu ato – autêntico

Sendo... Tendo... Fazendo... o que mais gosto

Embrionando-me na aventura do renascer.



Célia Rangel, autora.
*Cia dos Blogueiros
*Clube de Autores