quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Lei Seca?

 
 

Lei Seca?

Chegou tarde a lei seca para esse cara.

Bebia todas. Bebia de um tudo.  Motivos não lhe faltavam para ‘bebemorar’. Aniversários, nascimentos, casamentos, desilusões e até mortes tudo terminava em copos, em goles.  Na cidadezinha interiorana era respeitado por suas desmoralizações... Prostíbulos e botecos eram pontos de parada obrigatórios.

Irreverente e irresponsável, a cidade tornou-se pequena para seus desvarios. Então, saiu desbravando outros horizontes. Trânsito de mão dupla, com cachaça na cabeça era inobservável... Seguia na contramão mesmo. Barrado pelos guardas rodoviários contava tanta milonga, matava sempre um familiar, condoendo a autoridade, que o liberava.

Inusitado mesmo foi quando em uma manhãzinha, sua mãe, já bem idosa, acorda com um chamamento no portão: - Verdureiro... Verdureiro... Ainda deitada responde: - Obrigada, hoje não quero nada! Qual não foi seu espanto ao ouvir: - ‘Ah! Vai querer sim! Precisa tirar fusca da plantação minha de alface’! Atordoada, levanta, abre a janela, e ouve o complemento do verdureiro japonês: - senhora, filho trombou fusca e tá lá na minha horta, carro capotado, dormindo, e horta meu toda destruída... Senhora tem que pagar! Ô dó... o que faria dona Maria com tanta alface amassada! Tudo bem que era alface orgânica, mas uma horta toda?

Não teve outra saída. Cheque assinado. Prejuízo pago e filho resgatado, feliz, pois o sono na horta de alface fora restaurador e pela propriedade da verdura, calmante!

Moral da história: de lei da horta para lei seca – verdura alguma resistirá!

 

Célia Rangel, autora.

11 comentários:

  1. Alguma lei sempre se impõe e alguém bate o martelo!! Bravo!

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  2. As leis costumam não pegar, nesse país.
    Coitada da mãe, e as alfaces, poderiam alimentar algumas pessoas. Uma boa história, com moral e bom humor. Valeu, Célia!
    Beijos!

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  3. Célia, bom dia, obrigada pelo carinho e seu amável cumprimento!
    Pois é minha amiga, amei o post e é mesmo assim, lei seca? Que lei? O bêbado não tem jeito, aqui foi bem escrito e com uma pitada de humor, a alface é calmante, dormiu e tudo ficou bem(para o "bebum"),rsrs!!!
    Abraços minha amiga querida!

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  4. "Muito bom, Célia! Bebida, volante e alface não combinam. Abraço grande."
    Eduardo Resende http://pretextoselr.blogspot.com.br

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  5. Oi Célia
    Além de escrever crônicas, vc escreve contos muito bem! E com uma ótima moral! Graças a Deus meu marido não bebe, só uma taça de vinho e olha lá! Fico horrorizada quando vou a festas do trabalho e vejo o pessoa "enchendo a cara", depois todos vão voltar de carro para casa!
    Bjos. Fique com Deus!
    http://ashistoriasdeumabipolar.blogspot.com.br

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  6. kkkkkkkkkkkk Eu vou pro inferno e a culpa é sua, Célia, por escrever bem assim. Em vez de ficar com pena da pobre mãe, caí na gargalhada com "o que faria dona Maria com tanta alface amassada". Daí pra frente, não parei mais de rir. Sou péssima. :) Beijos!

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  7. kkkk não é de rir ,por que se analisarmos bem, o próximo a gritar na porta dela será o dono da funerária da cidadezinha rsr Bjoooss

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  8. Coitado deste homem, kkkkkk. Como será que está fazendo agora? Ou melhor, coitada da mãe!!!!!! Beijos

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  9. Oi Célia,

    Tudo bem? Percebo grande sabedoria no texto e analogia. Gostaria de acreditar na Lei Seca, mas há muito da cultura da ausência da justiça nos crimes de transito. Mas, vamos manter a esperança.

    Beijos.

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  10. Célia, adorei a sua história! Bebia e álcool não combinam. Agora descobri que alface também não!

    Meu carinho! :)

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  11. KKK...Me desculpe a mãe do rapaz mas tive que rir desse conto tão divertido!Dormir entre as alfaces só pode mesmo dar prejuizo!bjs e boa semana!

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