domingo, 10 de março de 2013

Um poema que diz muito...

La Cathédrale (Auguste Rodin)
by
Donal Mountain
 
 
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa,
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.


Drummond, novamente em Claro Enigma

5 comentários:

  1. Amor em toda parte, sempre, de todas as maneiras...

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  2. De tudo ele falou bonito, imagine do amor...

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  3. Bela escolha o amor não tem limites, beijo Lisette.

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  4. É um doar-de espontâneo, de mãos que se levantam e acariciam, que buscam água e que abraça e louva a vida! abraços

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  5. Drummond, um dos meus preferidos, e esse poema é uma pérola!

    bjs, amiga.

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Célia Rangel,
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