sexta-feira, 24 de maio de 2013

São Vidas



Chegara o momento

Ainda que obscuramente surgira

Homens e mulheres depositavam-se

Na esperança de um novo amanhecer

Longe das sutilezas inerentes aos amantes

Que fingem... Não se amam... Não são amados

No deposito humano escolhem-se e são descartados

Permitem-se aos desmandos indecentes

Violentam-se na maior das promiscuidades

Do lixo alimentam-se

No lixo adormecem

No lixo nascem

No lixo morrem

E a ninguém fazem falta

Em uma cama

Em uma mesa

Em um lar

Tudo inexistente

Em decúbito se esvaem

Grafites de pessoas apenas

Nada mais.

 
Célia Rangel

 



21 comentários:

  1. Boa noite,Célia!
    "
    No deposito humano escolhem-se e são descartados
    Permitem-se aos desmandos indecentes "

    Não como entender tamanho descaso...tanta dor.

    Um abraço
    Sinval

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  2. Crua realidade da vida, que choca e machuca aos de consciência. À cada dia, são mais intensos, os descalabros na sociedade humana. Dói, a impotência para a reversão do triste quadro crescente...
    Refletimos e fazemos o que está ao alcance, nada mais...Nada mais, parece possível...
    Um abraço, Célia

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  3. Célia,

    Tudo bem? Estou passando um período de muitas responsabilidades que não me permitem tempo para acompanhar semanalmente os blogs que proporcionam conhecimento como o seu. Todavia, espero retomar em breve a frequência de leitura.

    Quanto ao seu texto, fiquei sensibilizada com a foto, pois reflete a realidade diária de crianças e adultos no mundo. E, mesmo, com políticas inclusivas, não percebo que haverá mudanças que minimizem essa condição.

    Beijos e bom final de semana!

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  4. E pensar que são muitos que vivem neste submundo! Até quando? Precisamos fazer nossa parte. Beijos amiga

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  5. Por aqui, o serviço social recolhe as crianças e os leva para locais melhores que a rua. Um abraço, Yayá.

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  6. A foto transporta um grito angustiante e deprimente.
    O poema completa o olhar. Esta é a realidade do nosso tempo e da nossa sociedade...
    Que dirão os vindouros...???
    Como é possível permitirms estas situações...???

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  7. Bom dia minha amiga das letras !
    O tema é agravante pois as crianças abandonadas, incluídas neste contingente, ... que muitas crianças abandonadas nas ruas e estradas, e não assistidas a tempo, .... A história das políticas sociais, da legislação e da assistência à infância no Brasil.tudo isso rege a vida de uma criança ...
    bjs de final de semana !

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  8. Célia, a miséria humana, ainda tem muitas meninas que vão para o mundo das drogas e engravidam, isso aumenta ainda mais e a sociedade faz sim a sua parte, mas são tantos, que pena!!!
    Abraços minha amiga, muito sensível seu poema, com certeza toca e muito!

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  9. Poesia forte,que nos emociona!Ainda temos muito a aprender e a fazer em matéria de humanidade!bjs,

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  10. Doeu tão profundamente que nem sei o que dizer. O texto dispensa a imagem pois ele se sustenta, mas a imagem, escolhida a dedo, nos remete a tantas leituras do seu texto, que o transforma, pela autenticidade, em romance, novela... Como disse Machado de Assis:" A hipocrisia dói menos".

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  11. Oi Celia
    Muito comovente seu texto, triste, reflexivo!
    Bjos.

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  12. Violentam-se na promiscuidade! belíssimo, abraços

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  13. Um texto intenso, verdadeiro e comovente...

    Abçs

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  14. Seu poema é uma reflexão de extrema grandeza e sabedoria Célia, forte e verdadeiro como vemos e convivemos dia a dia... A esperança está em Deus visto que o homem se nega a reverter essa triste realidade... bjo

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  15. Olá amiga Célia, muito triste pensar que existem tantas pessoas crianças e idosos vivendo assim nas ruas, tendo o lixo como fonte de sobrevivência! Lindo poema! Amiga vou viajar e aproveitar p dar uma pausa no blog, volto por volta do dia 10 de junho, Bjoooosss

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  16. Célia,
    comovente poema!
    Uma realidade... Infelizmente.
    Abraços e boa semana.

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  17. Que cruel realidade Célia... Infelizmente
    Grande abraço!

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  18. Um excelente Poema , muito real, mas muito triste ! Tenhamos esperança e aguardemos por melhores dias , em que a realidade não seja tão dura 1

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  19. Poema forte sobre um tema gravíssimo, Célia. Ainda existem muitos sofrimentos evitáveis no mundo. A humanidade precisa se mobilizar. Beijos!

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  20. Sim, são vidas. O mundo as trata como coisas, mas são vidas e é preciso que não esqueçamos disso. Parabéns pelo poema-denúncia, Célia. Abraços.

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  21. Querida Célia

    É gritante a utilização indiferenciada do indivíduo pelos poderes instituídos. Cada migalha, conta como uma maior submissão/humilhação.
    O teu Poema grita tudo isso e deixa-nos a procura da Esperança que, também, já se vai esvaindo.
    Belo e aterrador, este teu texto.


    Beijos


    SOL

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Seu comentário evidencia o seu 'pensar'.
Saiba que aprendo muito com você.
Obrigada, meu abraço,
Célia Rangel,
Autora responsável pelo blog.
Obs.: NÃO POSTAREI COMENTÁRIOS ANÔNIMOS.