segunda-feira, 22 de julho de 2013

DO ESCRITOR...




Vivendo-se a terceira década dos “entas”... Trágico é o momento... Prova de vida em banco é sinal de atrevimento à morte nas famosas saidinhas do mesmo. A certa altura da vida é provar o pouco do que ainda se é capaz de fazer: andar, só apoiada; trepar escadas e outros nem pensar; voar só em pensamento pois, os labirintos entram em curto-circuito;  flutuar na piscina ou no mar é afogamento na certa... excesso de peso e juntas travadas. Agilidade já era, meu caro! Ainda há quem se arvore em botox e lipos da vida para rejuvenescimento! Eta caveira ambulante. Perde-se a identidade de uva passa... Isso tudo sem falar na manivela mental que necessário se faz para tentar manter um diálogo... é um tal de: ahn... ahn... ahn... para ganhar-se tempo agitando o tico e o teco na lembrança de nomes e de fatos!

Amores? Em fuga definitiva. Ainda se houver herança a ser dilapidada pode ser que... caso contrário impera a solidão.

Uns entulham-se perturbando filhos (as), noras, genros, netos (as)... Outros declaram independência ainda que  aos trancos e barrancos vivem a fase da envelhescência conscientes de que o melhor já era, mas que ainda podem (e devem) fazer contornos suaves da vida. 

Então, finge-se. Tá tudo bem... Sorrisos amarelos e paga-se para viver: da internet, aos livros, à boa música; aos filmes e teatros tecem-se maravilhosas telas de uma preciosidade ímpar. Atropela-se a poesia da vida, e poemas diversos surgem na imortalidade de quem um dia deixará sua riqueza maior – o brincar com as palavras – meigas e fiéis companheiras de todas as horas. Que nada cobram, e tudo oferecem: lembranças, saudades, afetos, paisagens de anos vividos.

Esse (a) é o (a) escritor (a). Personagem estranho que desempenha mil papéis e nem sempre encanta, se encanta, convence ou é convencido. Mas de uma coisa tenha certeza, seu maior vício é extravasar memória apontando romantismo ou realidade, deixará de alguma forma sua marca registrada.

Célia Rangel, autora. 

26 comentários:

  1. O escritor é um ser solitário, sobre quem as palavras exercem ainda um fascínio sedutor - elas, como ele próprio, fingindo uma importância cada vez mais relativa. Abraço grande.

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  2. Oi, Célia! Algo que você não tem é problema com Tico e Teco. Ambos estão ótimos e em companhia de uma legião de neurônios talentosos e bem humorados. Escritores vivem em outro mundo. Normalmente mal se lembram de quem é Zizinha, irmã de Fifinha, que brigou com Quitéria por qualquer quirera. Coisas sem importância recebem o que lhes cabe: esquecimento e muitos "ahn... ahn..." :) Beijos!

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  3. Prezada Célia Rangel, primeiramente já adicionei o seu blog nos meus favoritos, prática que executo quando identifico um blog/site de valor literário relevante. Gostei muito de sua sensibilidade em relação as coisas da vida e de nós, escritores, literatos, poetas e gêneros afins. Escrever por escrever todos nós escrevemos porque nos é ensinado. Mas escrever como você, com sensibilidade, enaltecendo valores esquecidos e menos prezados (em relação aos que envelhecem)é muito grandioso. Vejo que a cada dia aprendo mais com os mais velhos (escritores). Jamais serão antiquados. Um escritor não é obsoleto. Ele simplesmente transcende o tempo e suas pluralidades. Parabéns pela postagem. Se desejar visitar-me, meu blog é http://www.nossoslivrosfree.com.br/ se gostar se torne uma seguidora. Será um prazer tê-la como mais uma integrante da família NossosLivrosFree. Voltarei aqui.

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  4. E você, Célia, sem dúvida, registra-se nas páginas das escrituras literárias. Feliz daquele que consegue trabalhar as palavras, mesclando-as entre as dores e as alegrias, ressuscitando-as a todos instante quando elas desaparecem do nosso uso. Feliz dia do escritor de todos os dias para você! Com carinho: Rita Lavoyer

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  5. Parabéns a todos os que amam e respeitam as letras. A todos quantos indiferentes ao tempo e aos anos se dedicam à cultura das palavras na escrita que nos encantam.

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  6. Célia, belo texto, esse! O escritor é o criador de seres abstratos que habitam nossas mentes e fantasias. Mas, sobretudo, é o canal que nos conduz ao conhecimento real pela via dos inspiradores sentimentos e dos grandes valores. Minha querida, um beijo no seu coração.

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  7. Brincar com as palavras é escrever livremente, e deixar a poesia entrar pelos dedos e simplesmente receber da natureza, tanto prazer! abraços

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  8. Para escrever é preciso gostar de imaginar histórias , poemas, etc. Parabéns aos escritores! Um abraço, Yayá.

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  9. Célia o escritor é um ser que o corpo torna-se pequeno para a sua alma e então a alma extravasa e pinta com os seus pincéis lindos quadros através da escrita. Não importa se gostem ou não, o que importa é que ali está todo o seu sentimento, suas emoções e somente assim o ser consegue se acalmar e a alma retornar para a sua prisão em paz, linda a tua crônica, gostei muito, beijos Luconi

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  10. Célia, minha querida, cheia de verdade suas palavras, mas não atropelamos a vida ela segue seu curso normal: nascemos, crescemos, vivemos e declinamos , nesta lógica natural. O que dizer de toda esta beleza que flui através deste seu lindo e simples poetar? É vida, e em abundância, podemos até sermos solitários, mas entendo como fascinante neste universo de riqueza poética que trafega livremente, você escritora ! Parabéns pelo corajoso texto.

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  11. Bom dia, Célia. Escritor para mim, é o que deixa a alma fluir, não necessariamente precisa fixar-se em um assunto só, mas pode variar, viajar em mundos diferentes, seja romântico, crítico, social, o que a inspiração soprar em seus ouvidos, que sempre terão que estar atentos.
    A liberdade é o seu combustível, com amarras, a mão não consegue escrever, e nem o pensamento voar.
    Não importa a década em que ele viva, e sim a sua consciência, que a maturidade traz muitos benefícios, e cada qual tem vida própria, logo, interferir na vida dos outros, não é legal.
    Amores, podem não ficar apenas no passado, pois para amar não tem idade!
    Ainda que o vigor físico não seja o mesmo, podemos e devemos fazer de acordo com o que conseguimos no momento.
    Que o escritor não apenas crie personagens, mas viva a sua vida de modo que lhe agrade!
    O encanto nem sempre aparece para quem lê, uma vez que uma obra é muito pessoal e particular, cada um a vê de um modo, mas pode sim, e muito,espalhar encanto em suas letras, basta a identificação ocorrer!
    Beijo grande, e parabéns, grande escritora!
    Tudo de bom!

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  12. Olá, Célia.

    Escrever qualquer coisa, é para qualquer um minimamente alfabetizado. Ser Escritor(a) é para quem aprendeu a tratar bem as palavras, dando-lhes significado além do óbvio, emprestando-lhes transcendência, atemporalidade, substancia... Como nos escritos que costumamos encontrar aqui no seu Blog.

    Um abração.

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  13. Célia, Querida

    Que bela explanação sobre a "sorte" de ser Escritor. Contudo, entrados por inúmeros entas, eles ficam como as uvas "encolhidas", as mais doces ou como o Porto Vintage. Dali só brotam belas palavras plenas de sabedoria e experiência.
    Aos sopetões? Que interessa? Bastam os conteúdos.
    Parabéns.


    Beijos


    SOL

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  14. O peso dos anos enriquece quem ama brincar com as palavras. Os escritores se enriquecem cada vez mais. As fragilidades provocadas pela idade não alteram a mente. Muito belo seu texto. Bjs.

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  15. Celia,vc é mesmo genial! Sou sua fã!Muito bem retratrada a figura de um escritor,esse ser solitário e cada vez melhor.bjs,

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  16. Resolvi assumir que tempo é ilusão.
    Cadinho RoCo

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  17. Resolvi assumir que tempo é ilusão.
    Cadinho RoCo

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  18. Olá!Bom dia
    Célia
    Que bela crônica homenagem ao Dia do Escritor.
    Com a idade, mais belas palavras plenas de sabedoria e experiência.
    Quão bela é a arte de escrever. Aquele que se dedica a esse ofício na verdade o faz por amor, e de onde extraímos as lições mais belas da vida, o conhecimento da nossa história do passado, do nosso cotidiano e de tantas belezas , decantados em versos, poemas, poesias e crônicas...
    Parabéns pela crônica...
    Obrigado pelo carinho
    Bela quinta feira
    Beijos

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  19. Bom dia linda e querida escritora sensível!
    Amei ler aqui, sei do que diz da solidão que porventura venhamos a sentir com a perspectiva de uma longa vida.
    Perceber o tempo passando e o corpo não mais obedecendo a alma que é imortal e nunca envelhece.
    A escrita é a saída para que não nos entreguemos à depressão, assim como você, ainda estou bem, você é de uma sensibilidade que no pega de forma completa, seus escritos é para se ler e reler, sentir e perceber que apesar de tudo vale muito a pena viver, sim, vale, é um dom, como sempre costumo escrever, viver é um lindo dom e eu quero viver muito nem que seja para assistir a vida com toda a sua energia vibrando a minha volta!
    Abraço apertado minha amiga escritora e lhe desejo longa e satisfatória Vida com "V" maiúsculo como eu pretendo pra mim e pra ti!

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  20. Deixa sua marca dentro de cada um....
    Beijo Lisette.

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  21. Olá, Célia.
    Admiramos muito quem tem o dom da escrita.
    Abraços e ótimo dia!

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  22. Célia,
    a Bárbara Oliveira é a mesma Bárbara do blog; http://arteculturaespiritualidade.blogspot.com.br/
    Beijos.

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  23. Oi Célia
    Lindo texto! O Escritor é tudo isso e um pouco mais que vc escreveu, e vc com certeza é uma escritora que admiro muito e tenho o prazer de ler!
    Bjos.

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  24. A d o r e i :



    Esse (a) é o (a) escritor (a). Personagem estranho que desempenha mil papéis e nem sempre encanta, se encanta, convence ou é convencido. Mas de uma coisa tenha certeza, seu maior vício é extravasar memória apontando romantismo ou realidade, deixará de alguma forma sua marca registrada.

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  25. Penso que com os anos do exercício da escrita o escritor leva vantagem sobre outras pessoas. Comparando com um esportista, é até covardia, pois esse não passa dos 30 num ritmo bom. Aproveitável. Na verdade, nosso envelhecimento deve ser revisto, ganhamos mais liberdade e menos preocupações com os outros. Quem tem o hábito da escrita, tem o bastante para fazer e deixar cada um viver sua vida, que aliás não é tão longa... Tem o que dizer, uma vida para contar.

    Um beijo, Célia!

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  26. Uma excelente crónica que gostei muito de ler !
    Bom Fim de Semana

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Obrigada, meu abraço,
Célia Rangel,
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