domingo, 8 de setembro de 2013

Dia Mundial da Alfabetização


 
 
Volto na minha história de vida
E me vejo sentadinha na porta da cozinha
De um simples chalé interiorano
Carvão do fogão a lenha nas mãos
Rabiscava o chão de tijolos
Pauzinho da laranjeira
Rabiscava a terra
Eram meus primeiros ensaios alfabéticos
Mamãe foi minha primeira professora
As vogais desenhadas por ela e por mim copiadas
Depois veio a tecnologia da década de 50
Uma lousa de zinco e pedra branca de cal
Um luxo maior ainda quando ao entrar no primeiro ano primário
Caderno costurado com as folhas de embrulhar o pão e um lápis
Ah! Que alegria! Sentia-me importante! Gente!
Com muito pouco estudei... Debrucei sobre cartilhas e livros
Sempre a primeira da turma: exigência da minha primeira professora
Atrevida desde o primeiro dia de aula respondi a professora que sabia contar até 100
MENTIRA!
De um dia para o outro tive de aprender a contar...
Desde então vi que em nada me acrescentava mentir, muito ao contrário...
Ah! Como agradeço o difícil caminho escolar que tive!
Aprender? Até hoje. Estudo e me envolvo com livros e saberes.
Minha fonte de vida.
Alfabetizei a muitos. Aprendi com todos os meus alunos.
Espero ter-lhes deixado o meu incessante exemplo na busca do conhecimento.
 
Profª Célia Rangel, 67.
 

 

19 comentários:

  1. Conhecer é importante.
    Porém sem educar a sensibilidade... pode ser perigoso para o próprio e para outros.

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  2. Com certeza, você deve ter deixado em seus alunos boas lembranças que jamais esquecerão. Assim como deixa em seus amigos com seus lindos textos. Um beijão amiga. Uma semana de muita Luz! Fica na Paz!

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  3. Também acredito que deixou lindas lembranças.
    Mas hoje você me emocionou e até consegui ver teu
    caderno e teu desespero por aprender até 100 do
    dia pra noite....rs

    Lindo Professora. Muito mesmo.

    Abraço

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  4. Um belo registo!
    Identifico-me muito com esta narrativa, pois que também eu fui professora até há uns quatro anos atrás, altura em que me aposentei. Continuo a estudar, agora com mais afinco, pois tenho mais tempo, não só de vida (experiência) como na gestão do tempo, no dia a dia.

    Um beijo

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  5. Célia, veio-me na alma, agora, uma frustração enorme, há tempos esquecida. Agora sinto que não a esqueci, mas deixei-a guardada no meu cantinho sonhando que possivelmente poderia conta-la para alguém:

    Registro aqui o meu sonho até hoje, com meus 46 anos, não revelado a ninguém.

    Rita de Cássia Zuim, então com 7 anos de idade, aluna da primeira série, deitava-se todas as noites e contava até 100 antes de dormir, sonhando que um dia a professora a chamaria para contar até 100 na frente da classe.

    Eu sabia contar até 100. Mas ela nunca me chamou para contar até 100.
    Até hoje eu não me esqueço de como contar até 100.

    Célia, eu faço palestras sobre bullying. Se tiver contato com alguma escola da sua cidade, tenho palestras preparadas. Adoro esse assunto, faz parte das minhas pesquisas. Adoro falar sobre isso com os pequeninos.

    Por mais que eu acrescente saberes na minha vida, jamais me esquecerei de contar até 100.

    Obrigada

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  6. Ah,Celia!Que bela história de vida!Morri de rir da sua ideia de dizer a professora que sabia contar até 100!...rss...cada uma que criança faz!bjs e boa semana,

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  7. Que texto mais lindo, Célia! Podia ter sido eu a escrevê-lo que temos histórias paralelas... só que não teria a doçura que aqui deixaste, amiga do outro hemisfério.

    Beijinhos

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  8. É um verdadeiro milagre o aprendizado; a forma como reconhecemos as letras é divina! abraços

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  9. Certamente você deixou boas lembranças às crianças que ensinou, existe a sabedoria particular de cada mestra, parabéns para você! Um abraço, Yayá.

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  10. Todos tem este direito...
    Beijo Lisette.

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  11. Com certeza, você foi e ainda é inspiração, minha querida... que lindo ver este seu jeito cheio de sede de aprender.
    Boa semana amiga, beijos,
    Valéria

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  12. Pra mim, os alfabetizadores são os professores mais importantes, Célia. Parabéns!

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  13. Que linda missão, parabéns Celinha.. =)

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  14. Célia Rangel, um beijo no seu coração. Ser professor não é somente uma escolha profissional que se faz, é acima de tudo seguir uma vocação. Hoje, vendo como o professor e por consequência a educação é tratada em nosso país, bate uma tristeza enorme. Mas a humanidade jamais conseguirá progredir sem o professor e a educação que é transmitida por ele.

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  15. Querida Célia,

    Com certeza és única!

    Abçs

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  16. Pela sua paixão pelos livros nos presenteia hoje com seus lindos textos e poemas! Parabéns! Beijos

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  17. Olá Célia,

    Com certeza você teve participação importante na vida de seus alunos. Ensinar é tarefa das mais nobres, embora não gratificada à altura. Mas entendo que a maior gratificação é ver o resultado do trabalho e assistir ao crescimento e desenvolvimento dos alunos. Isto não tem preço. Também já fui professora e ajudei na alfabetização de muitos. Tive muitas alegrias, não obstante as dificuldades encontradas pelo caminho, como falta de recursos em algumas escolas que lecionei. Foi uma experiência importante.
    Apesar do difícil caminho escolar, você soube valorizá-lo e transformar a vida de muitos. Parabéns!

    Beijo.

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  18. Marcelo Sguassábia10 de setembro de 2013 09:54

    Parabéns, professora. Uma aula este seu texto.

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  19. Fui alfabetizada pela minha mãe, que sempre quis estudar e não contou com a aprovação familiar. No tempo dela, mulheres não precisavam ir à escola. Também lecionei, e passei pelas dificuldades que os professores enfrentam neste país. Os salários eram pagos com meses de atraso. Valorizemos os mestres, sempre. Bjs.

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Célia Rangel,
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