sábado, 14 de setembro de 2013

SOLO MOVEDIÇO


 

Estaciono-me diante dos usos e costumes atuais que transformam a pedagogia familiar em um laboratório de ensaio onde o humano é colocado à prova ainda que se destrua.

Leio, entre tantos, absurdos tais como:

-pilotar ultraleve o tornará responsável?

- manejar uma pistola 380 é símbolo de defesa pessoal?

- direção aos 13 anos é viável, é responsável?

Enquanto cobrimos nossos adolescentes com bens materiais, ficamos em débito com o diálogo, o olho no olho, o toque, a sensibilidade. Distanciamo-nos do amor família, do amor amigo, do respeito às individualidades, da disciplina e limites (palavras em desuso).

Sem saudosismo algum, mas solidamente constituída,  apanhava, ficava de castigo sabendo a razão do mesmo... Diálogo era pouco. Apenas o olhar do pai e os ‘berros destemperados’ da mãe mostravam que era hora de sossegar.

Bullying? Claro era baixinha e ainda por cima usava botas ortopédicas... e quando ia à escola um enorme laço de fita branca de organdi ornamentava meu cabelo! Que mico!

Presentes?  Apenas no Natal, em aniversário e olhe lá, pois conforme o comportamento... NADA!

Conversas à mesa da cozinha, à noite com papai fazendo contas, e mostrando para a família a necessidade de economizar... Pedíamos bênção rezávamos o Santo Anjo... Fazíamos guerra de travesseiros, uns tapas na bunda que quentinhos dormíamos feito anjos-diabinhos...

Traumas? Nenhum.

Aprendíamos assim a lutar para vencer obstáculos normais na vida de todos nós. Sem covardia. Apenas no enfrentamento dos mesmos.

Hoje, não há esse tipo de vivência, de convivência. As informações chegam-nos via telinha do computador, redes sociais, iPhone, ou da TV. Tudo é muito insensível.

Se hoje escureceu... Amanhã é um novo dia com claridade suficiente para novos rumos em nosso caminho. Assim espero! Vou afinar as cordas do meu violino, em “dó”, para a trilha sonora da hora da saudade!

Célia Rangel

24 comentários:

  1. Que lembrança boa! Se tínhamos algum trauma, era tratado com uma boa chinelada, não sei se era o mais certo, mas como me lembro da frase: Quer dormir quente hoje? Hahaha, como me lembro.... e uma lembrança com muita saudade, apesar dos beliscões e das chineladas. Beijão

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  2. Olá!Boa noite
    Célia
    O assunto é largo e complexo. Embora corra o risco de errar, fui seduzido por seu inegável belo texto
    ...Desde muito cedo as crianças precisam aprender a conviver, a respeitar as regras sociais, principalmente no que diz respeito ao próximo.Essas aprendizagens são de fundamental importância para as pessoas, pois a partir das descobertas feitas na infância é que vamos caminhando para os lados que mais nos agradam, vamos fazendo nossas escolhas para a vida.
    Mas,temos que reconhecer que fatos têm ocorrido a mostrar que alguma coisa mudou, mas o mais grave, a meu juízo, além da tecnologia que diminuiu a distância, mas afasta os próximos, é a sociedade moderna que exige
    dos indivíduos que participam dela um comportamento social pautado pela competição e
    não mais pela solidariedade, cada um está condicionado a afirmar seus interesses individuais, vistos como antagônicos aos dos outros, em que todos competem com
    todos.
    E se alguém pensa que é uma ilusão pensar que corrigir é besteira, tem q ver q o que não se aprende em casa se aprende em outros grupos sociais, muitas vezes de forma dolorosa, sofrida, e vulgarizada a prática, assiste-se à composição de litígio que chega ao um nível sem controle,e por fim, vejo duelos jurídicos para ver o que se pode fazer ou não dentro de uma responsabilidade que antes somente cabia á familiares, amigos, pessoas às quais estão ligadas por laços de afetividade e confiança. E tudo isso só nós dá uma certeza, a falta de perspectiva futura,mesmo!Mas, tenho fé que tudo dará certo, também!Amanhã é um novo dia!
    Agradeço pelo carinho
    Belo domingo
    Beijos

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  3. Tudo mudou.
    Para melhor e para pior...
    Mas tens razão no que dizes.
    Bom domingo.
    Beijo.

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  4. Tudo mudou.
    Para melhor e para pior.
    Mas tu tens razão.
    Bom domingo.
    Beijo.

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  5. Que lindo te ler e ver tantas verdades aqui. Não temos traumas mesmo e era tudo tão diferente na nossa época...beijos,linda semana! chica

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  6. Bom dia, Célia. Concordo com você. Acho que existe uma certa - desculpem-me os que são pais, mas é isto que venho observando - negligência da parte dos pais em relação a educação de seus filhos. Acho um absurdo que precisem existir programas como o Supernanny, onde uma estranha precisa entrar em uma casa para ensinar os pais inseguros e temerosos a educar os filhos. Acho triste tudo isso. Acho mais triste ainda, que a tecnologia - TV, computadores, smartphones, etc - estejam sendo usados como babás. As crianças crescem em um mundo de inseguranças, sem ter quem as responda, a não ser os amigos (tão desorientados quanto eles) e a internet.

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  7. Poxa Célia que lindo ,me senti ai dentro dessas
    palavras, muitas vezes passei por algum item que vc falou
    obedecer era uma honra aos pais hj, td mudou mesmo apanhei
    sim e aprendi muito com ele, ser firme e ter sabedoria pra levar adiante
    o que passar......gostei valeu a pena ler
    Deixo um abraço carinhoso

    Bjuss de um dia feliz

    └──●► ¸.·*´¨) ¸.·*Rita!!

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  8. Traumas só quando o castigo era injusto e era acusada de coisas que nem praticava ou me passavam pela cabeça.De resto, creio que o castigo merecido só me fez senão bem...

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  9. Tens razão, querida! Mas... nada de saudosismos! Nada de moralismos!... Ontem foi ontem (o meu ontem também foi assim como o teu)E hoje é hoje...

    Beijos

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  10. Você toca violino, que legal! Parabéns. Um abraço, Yayá.

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  11. Oi Célia,

    que triste realidade essa não é? Éramos felizes e sabíamos!!! Hoje resta-nos a saudade e um desejo de que, neste emaranhado de informações, o ser humano sinta falta do amor da família e volte para as coisas que realmente valem a pena!!!

    Boa semana pra você! Bjs

    Leila

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  12. Há de se ter consciência de que dentro do muito que está liberado, há muita coisa que não presta. É um teste em que muitas crianças e adolescentes estão sujeitos a ver e não experimentar como forma de resistência. MAs muitos de nós, adultos, nos entregamos à tentação, por fraqueza, não tivemos como resistir. Como eu serei exemplo? Como aquele pai será? Como voltar atrás com uma criança que já provou o gosto do que não pode? Como eu vou dizer "não" se ao marketing compete dizer 'sim' insistentemente? De fato: "tudo é muito insensível"

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  13. SAUDADESSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS MINHA GRANDE PROFESSORA DAS LETRAS,DA QUAL JÁ FOI AMIGA...MAIS UM DIA...
    ESTOU CHEGANDO DE VEZ PARA ME DELICIAR DE SUAS LINDAS POSTAGENS ...
    VOCÊ SEMPRE DEIXA ESCAPAR SUA INTELIGÊNCIA ...
    GRATA PELO CARINHO QUE VC SEMPRE DEIXOU LÁ NO MEU CANTINHO.SEU CARINHO É A ESPRESSÃO DO QUANTO TENS QUARDADO NA ESCRITA ...BJSSSSSSSSSSSSS

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  14. Excelente sua crônica, Célia. Uma necessária reflexão sobre as novas - e assustadoras - relações humanas em tempos de bytes e pixels. Grande abraço.

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  15. Texto muito importante esse, Célia. Devido ao excesso de trabalho, os pais têm cada vez menos contato com os filhos e não conseguem perceber quando um problema emocional grave se instala. Além disso, as pessoas recebem poucas informações sobre esse tipo de mal. Beijos!

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  16. Oi Célia, que triste realidade não é mesmo?
    Belíssima reflexão, abraços!

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  17. Oi Celia, alguns dizem que o mundo está sempre evoluindo, mas de minha parte essas evoluçoes nem sempre sao para o bem.
    bjks e otima semana

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  18. Célia querida, sabe aquela história de alma gêmea? Sinto que as nossas são xifópagas, acabei de ler seu texto, juro, era tudo o que eu queria dizer! Não entendo quando um filho ameaça de denunciar os pais no conselho tutelar, por duas ou três chineladas (que hoje é espancamento), não entendo ausências substituídas por presentes, não entendo a refeição cada um na hora que lhe apraz... minha Tainá não dorme sem me tomar a benção, e receber na testa o sinal da cruz, com o pedido sincero da mãe, de que Deus a guarde, ilumine e proteja. Se nos tirarem os blogs, o que vamos fazer? De minha parte vou rir muito, pois se não me calaram aos 20, imagina agora com 60 e lá vai upa rs... Bom ser tua amiga, bom saber que você existe!
    Beijos Tania.

    Sensibilíssimo o teu texto, uma reflexão muito necessária nos dias de hoje, como jovem, me assusto ao ver a educação da minha geração e dos vindouros, quando vejo a dificuldade de criar um filho, ainda mais nos dias de hoje, não tenho vontade de ser mãe... mas quando vejo educadores como você, me instiga buscar uma educação melhor para o nosso mundo. Obrigada!
    Beijos, Tatá.

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  19. é Célia, os tempos são outros e de fato não estão melhores, eu era a magrela da escola, ia com duas calças jeans p disfarçar a magreza, me chamavam de Siriema, e nem por isso tenho traumas, hj em dia isto seria o famoso Bullyng, deram nome p tudo, as crianças tem de tudo hoje, os bens materiais tomaram lugar da boa educação, eu tbém obedecia minha mãe apenas com o olhar dela! Não sei onde iremos parar viu! Bjoooosss

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  20. Eu amei,Celia!Quantas verdades nesse post!Não tínhamos mordomias e ninguem ficava traumatizado...rss..Sobrevivemos!Bjs,

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  21. Oi Célia querida


    Que postagem mais tocante...
    Adorei.

    Beijos
    Ani

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  22. Olá, querida Célia
    Que bonita foi a sua infância!!!
    O Santo Anjo ainda rezo com os netinhos depois de tê-los feito com a filhota...
    Gostei muito de tudo que foi listando e mais ainda quando nos diz: sem traumas!!!
    Bjm de paz e bem

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  23. Texto muito bonito! Um texto que me lança algumas interrogações que talvez seja melhor partilhá-las: E como será que a criança de hoje aprende? E como será hoje o Mundo criado por muitos daqueles que viveram essa infância? E, sobretudo, como será que hoje esse menino olha para o seu filho, trata os seus pais e lida com o seu amigo? Confesso que hoje, a julgar pelos exemplos de maus tratos, quer nas crianças, quer nos idosos não me sinto entusiasmado em definir esse como o padrão ideal de educação. Na verdade o Mundo mudou e podemos dizer que não é este o Mundo que nós vivemos na nossa infância, mas podemos dizer também que este é o mundo construído por nós que vivemos essa infância. Como diria José Régio, não sei por onde vou, nem para onde vou...!

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