sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A ARTE DE SER CRIANÇA





Saint-Exupéry, em “O Pequeno Príncipe”, expressa que só as crianças são felizes, porque sabem o que procuram, e são capazes de se encantar com as coisas mais simples e torná-las mais belas.

            A criança integra-se à arte divina – a natureza. Ela sabe brincar de inseto e de pássaro; de planta e de vento; de riacho e de pedra. E sabe brincar de Deus. E Deus sabe brincar de criança.

Diz o poeta Mário Quintana: “Ah! Aquela confiança que tem uma criança rezando... Inocente confiança. Alegria. Quem é de nós que reza com alegria? Parece que só existe mesmo o Deus das crianças... Deus é impróprio para adultos”.

Jesus ensina que o Reino dos Céus – a verdadeira felicidade – pertence às crianças. Sem um coração de criança – simples, transparente, suave – difícil alcançar o Céu. O Céu é a metáfora da íntima relação com Deus.

A limpidez e a beleza do rosto de uma criança é o rosto de Deus. Um rosto de várias formas e de muitas cores. Um rosto de paz que acolhe a diversidade.

A criança tem alma de poeta. Vê o essencial, porque olha com o coração. Alberto Caeiro confessa: “A criança ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me para todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas... Ela dorme dentro da minha alma e às vezes acorda de noite e brinca com os meus sonhos”.

Os progressos intelectuais pouco valem se não tornam mais humanas e felizes as pessoas. A meta do saber é que nos tornemos simples e serenos e belos como as crianças e os poemas e as flores. Assim talvez então possamos chegar ao Gênesis: criados à imagem e semelhança de Deus.

Voltar a ser criança é um longo processo de sabedoria. É explorar todas as possibilidades humanas e descobrir, com espanto, que o ponto de chegada está no ponto de partida. O poeta Eliot aconselha: “Não devemos cessar a exploração; o fim de todo o nosso trabalho é chegar ao ponto de partida e conhecer o lugar pela primeira vez”. 

 Expressou Joyce Kilmer, no poema Árvore:

“Qualquer néscio como eu sabe fazer um poema.

Mas quem pode fazer uma árvore?

 – Só Deus”.

Parafraseando o poeta, pode-se também dizer que qualquer néscio poderia tecer este texto. Mas quem pode tecer no seio materno uma criança?

 – Só Deus.

 Lauro Daros

7 comentários:

  1. Bom dia Célia!
    Que maravilhoso texto...
    "A criança tem alma de poeta. Vê o essencial, porque olha com o coração."
    Grande verdade,quem dera,nó os adultos também olhássemos com o coração.
    Bom final de semana.
    Abraços
    Sinval

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  2. Oi Cé

    Descreveu maravilhosamente a criança em diferentes óticas.
    Criança é amor, pureza e inocência.

    pra vc um lindo dia das crianças, regado de alegrias.

    bjokas =)

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  3. Olá, Célia.

    Na verdade, vivemos de verdade quando somos crianças. Depois, vamos desaprendendo a viver, perdendo a essência do nosso melhor.

    Um abração e um bom final de semana.

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  4. Bonito, Célia! Pena que nem todas as crianças vivam esse ideal de felicidade. Beijos!

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  5. BOA NOITE !!!!!!!!!!
    A CRIANÇA QUE EXISTE EM MIM SAÚDA A CRIANÇA QUE EXISTE DENTRO DE VOCÊ...
    FELIZ DIA DAS CRIANÇAS !!!!!!!

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  6. A inocência. A ingenuidade. O olhar simples e natural de ver as coisas. Este é o retrato da criança ocidental, branca, de classe média, de bem com a vida. E as outras?

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