sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Aninha vai para a Escola...



Responsabilidades começaram a chegar à vida da Aninha. Completara sete anos e o Grupo Escolar seu primeiro desafio. Que medo. Que insegurança. O novo a sua frente. Uma professora que a carregava no colo diante de seu choro e seus medos. Dia de chuva, então, era um horror. Não chamava sua mãe, pois sabia que a mesma bateria na menina. Então, pacientemente, dona Abigail contornava a situação. Sua missão futura – ser professora!

Em casa, “o momento tarefa” era terrível. Sentada em uma mesa, em um cantinho da despensa da casa, solitária, tinha que saber fazer ou, era a cinta que cantava em suas pernas.  Soletrava tudo o que via pela frente. Certa vez, na rua, com sua mãe, passando em frente a uma oficina mecânica soletrou alto e bom som um senhor palavrão. Sequer sabia o significado.  Os mecânicos sentados na calçada, hora do almoço, caíram na gargalhada. Pobre Aninha levou um beliscão da sua “meiga mãe” que a inibiu de outras soletrações!

Líder desde pequena, no 4º ano primário arregimentava colegas. Chamavam-na no portão na hora da escola. Todas entravam na cozinha, e assistiam a uma cena no mínimo constrangedora: - Aninha tinha que ficar com a cabeça erguida e engolir de uma só vez uma gema crua antes de sair. Ai que enjoo!  Detalhe, a mãe gritando, engole... engole... quanta agressão! Verdadeiro bullying gastronômico!

Sempre a melhor aluna da classe – notas impecáveis em aplicação e comportamento – ai se não fosse – apanhava e ficava de castigo... Final do 4º ano primário, por meio pontinho a professora, dona Didi, abaixou sua nota, premiando outra aluna que sempre lhe trazia presentes do sítio... Fez sua primeira manifestação de muitas que ainda viriam! Como líder, e muito revoltada, disse diante de todos: - o que a senhora fez não foi justo. Tirou meio ponto meu, e passou para ela, porque lhe dá presentes. Tudo bem fica ai de esmola, como presente, com muita revolta!

Desde então, despertou em Aninha, a coragem de lutar pelos seus direitos. Prosseguiu em seus estudos, sempre com muita consciência crítica, contaminando seus colegas, seus educandos e seus educadores.

Célia Rangel





2 comentários:

  1. Olá, Célia.

    Muito bom. Toda Escola poderia e deveria ser um laboratório vivo da cidadania. Com muitas Aninhas escrevendo educação de verdade.

    Um abração, bom final de semana e feliz começo de fim de ano.

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  2. Hei, Célia! Por acaso seu nome é Ana Célia Rangel? Se não é, parece. :) Gostei dessa Aninha. É das minhas. Beijos!

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