terça-feira, 26 de novembro de 2013

CARTA QUE NÃO SERÁ LIDA...




Em, 25 de novembro de 2013, 73 anos reverenciados...

Meu querido...

Interiorano, saiu de sua terra natal e rumou para a capital. Fazer a vida. Ser gente.

De família humilde, numerosa, passou a vender de tudo nas lojas que o admitia. Especializou-se em tecidos de alta categoria. À noite estudava, pois sabia que tinha que fazer por onde...

Morou de favor: com irmãs, depois em pensões deprimentes. Sofreu exclusão por ser tímido, falar pouco. Observador ao extremo. Aprendia com os olhos. Leitor inveterado. Atirou-se em concursos e, assim, se fez... Trouxe os pais e os irmãos que haviam ficado no interior. Assumiu-os. Acomodou a todos. Anulou sua própria vida.

No emocional, seus amores, também muitos obstáculos. Pensando em alicerçar vida e casamento, não foi aceito preconceito de raça – ele brasileiro, ela judia... Jamais obteve o consentimento. Ostracionou-se.

Mais alguns anos e conhece a sua companheira para a vida toda... Total mudança... Tornou-se social, atuante, um romântico que levava flores. Na profissão deslanchou – cargo máximo- compensação pelo esforço.

Casou-se. Filhos. Família constituída. A corrupção, a injustiça atingiu-o por atitude de seus irmãos, denegrindo sua imagem de homem integro, em seu local de trabalho. Entrou em depressão. Desfez todo o seu alicerce na capital, e buscou fuga no interior. 

Mas, a mente não se esconde. A tristeza o acompanhou.  Emocional esfacelado! 

Ainda assim, lutou para recomeçar, plantar, criar novas raízes, frutificar... Uma fase muito difícil. Mais uma vez, o amor supera tudo, e constrói. Sua companheira, seu grande amor, em silenciosa generosidade, ombro a ombro o acompanhou até o fechar dos olhos...

Em julho iniciamos...

Em julho interrompemos...

Outros julhos virão...

Com amor, Célia.

14 comentários:

  1. Que lindo, embora triste Célia, tocou profundamente meu coração.
    Um abraço querida amiga.

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  2. Linda carta, momentos de vidas que separadas estão fisicamente...beijos,chica

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  3. Bom dia, Célia. Fiquei totalmente entregue à leitura e me emocionei sinceramente.
    Nada como o companheirismo para ajudar a pessoa amada a se levantar e enfrentar os seus problemas.
    Algo que me chamou a atenção e que concordo plenamente foi a frase: "Mas a mente não se esconde".
    Perfeito!
    Amei o texto, uma carta rica em detalhes, superação e emoção.
    Parabéns!
    Linda semana de paz!

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  4. Outros julhos virão com flores cada vez mais belas! abraços

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  5. Também me emocionei, Célia. A história se parece com a do meu marido às voltas com a família ingrata. É triste perceber que, muitas vezes, trabalhamos para dar boa vida a serpentes. Beijos!

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  6. Olá Célia, as pessoas escorregam e se levantam todos nós cometemos erros, a persistência neles é que diferencia o caráter! Lindo texto! Outros Julhos virão! Bjoosss

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  7. Voltei pra agradecer o carinho por lá! beijos,chica

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  8. Célia, que bonita carta!
    Que venha outros julhos!
    Grande abraço!

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  9. O tempo flui de maneira sempre imprevisível independente de qual julho seja.
    Cadinho RoCo

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  10. Muito emocionante esta história, do começo ao fim. Desde o título, a imagem, as palavras.

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  11. Ante toda a tragédia familiar que gerou a grande tristeza, um lindo amor ficou pra sempre.
    Não deixou de ter sido triste para ambos. Pena.
    bj.

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  12. Ai Celia,quanta emoção nessa bela carta! Uma vida dificil,mas digna de ser homenageada! bjs,

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  13. OI CÉLIA!
    DE CHORAR!
    LINDO DEMAIS, UMA CARTA QUE NA CERTA O DEIXARIA MUITO FELIZ AO LÊ-LA. UMA HOMENAGEM PERFEITA, ONDE O QUE SOBRESSAI E INTERESSA É O AMOR QUE UNIU ESTAS DUAS PESSOAS E QUE AS ADVERSIDADES NÃO DESTRUIU.

    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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  14. Com certeza ele recebeu esta linda homenagem e prova de amor sem igual! Parabéns a ele e a você! Beijos

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Obrigada, meu abraço,
Célia Rangel,
Autora responsável pelo blog.
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