domingo, 24 de novembro de 2013

De “Brincar” eu entendo...






Aninha, estrategista desde pequena, adorava brincar de tudo e, com todos. Não havia distinção. Prazer era o nome dela. Vigiada por sua mãe, vivia sob uma coleção de “não pode...”

Burlava e fazia acontecer. Apanhava. Ficava de castigo, Não tinha importância alguma. O prazer de brincar a tudo compensava.

Logo cedo, tinha de ficar só de calcinha para não brincar na rua. Tinha uma equipe que a protegia, e sempre arrumava um complemento a mais para se mandar junto com a gang rumo à rua. Aqui nunca houve sobrepeso algum! Agito era o nosso nome. Jamais parasitas virtuais!

Linda era a mangueira no quintal de casa. Escalar seus galhos, colher a fruta, era uma prática esportiva de competição excessiva. Adorava. Até que um dia toda de vestidinho, bem fêmea mesmo, assistia aos meninos que subiam na mesma. Resolveu desafiá-los para ver quem ia mais alto! 

Subiu. Ficou enroscada com seus babados nos galhos da mangueira. Chega sua matrona. Vê a cena. Aos berros exige que desça. Lá vem a Aninha temerosa, e já pressentindo dores na bunda, e nas pernas... Não consegue. 

A molecada embaixo da árvore a tudo assistia. Grande era a torcida pela Aninha. Surge uma sugestão: - solte os braços que você desenrosca-se. Tibum... o vestido ficou entre os galhos e a coitada da Aninha aos pés da mãe pedia por “não mãe, não mãe... “ Doeu. Ficaram vergões.  De nada adiantou. 

Sempre que podia Aninha voltava para sua árvore favorita, depois da jabuticabeira... Era com lágrimas que as regava... Hoje é com uma saudade boa, lúcida, coerente da necessidade do brincar de toda criança e, não ser tratada como adulto em miniatura, ou escravizada sob o jugo maternal. 
Nada a ver.  

Célia Rangel


6 comentários:

  1. Celia,uma história que me trouxe muitas recordações!...rss...lindo é ser criança! bjs,

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  2. Às vezes há que lhes pôr margens senão transbordam e causam inundação...

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  3. Célia, fez lembrar de minha infância... Grande abraço!

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  4. Essa Aninha era muito sapeca ;) beijossss

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  5. é tão gostoso brincar, temos que incentivar nossos pequenos a essas sapequices saudáveis.

    bjokas =)

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  6. Adorei, Célia. Também tive mangueira no quintal de casa e levei umas surras por subir nela, no telhado e no muro. Bem que os adultos podiam ter me deixado em paz. Alegavam que batiam porque não queriam que eu me machucasse. Sei. E apanhar não machuca, não? Bando de invejosos! :) Beijos!

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