quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Um bom tema ...


ANSIEDADE BÁSICA

Karen Horney


A teórica psicanalista, Karen Horney, desenvolveu uma teoria da neurose. Ela acreditava que a neurose resultava de uma ansiedade básica causada por relações interpessoais. De acordo com Horney, ansiedade básica (e, portanto, neurose) poderia resultar de uma variedade de coisas, incluindo, "...direta ou dominação indireta, a indiferença, o comportamento errático, falta de respeito para as necessidades individuais da criança, falta de orientação real, atitudes depreciativas, admiração em demasia ou ausência dela, falta confiança, pouca responsabilidade, a injustiça, discriminação, promessas não cumpridas, atmosfera hostil, e assim por diante (Horney, 1945).

 
Estas necessidades neuróticas podem ser classificadas em três grandes categorias:

I. Necessidades que o movem para os outros

Estas necessidades neuróticas causam nos indivíduos a busca de afirmação e aceitação dos outros e são frequentemente descritos como carentes ou pegajosos, pois eles procuram aprovação e amor.

II. Necessidades que o movem para longe dos outros

Estas necessidades neuróticas criam hostilidade e comportamento antissocial. Estes indivíduos são frequentemente descritos como frios indiferentes e distantes.

III. Necessidades que o movem contra os outros

Estas necessidades são em hostilidade e é uma necessidade de controlar outras pessoas. Estes indivíduos são frequentemente descritos como difícil, dominadores e cruéis.

Bem ajustados, os indivíduos utilizam todos os três tipos de estratégias, mudando o foco dependendo de fatores internos e externos. De acordo com Horney, é o uso excessivo de um ou mais destes estilos interpessoais de enfrentamento que acabam criando conflito, tumulto e confusão. No livro acima citado, Horney delineou as 10 necessidades neuróticas que ela havia identificado:

1. A necessidade neurótica de afeto e aprovação

Aqui inclui os desejos de ser amado, de agradar os outros, e atender às expectativas dos outros. Pessoas com este tipo de necessidade são, extremamente, sensíveis à crítica e a rejeição e temem a raiva ou hostilidade dos outros.

2. A necessidade neurótica de um parceiro que vai assumir a própria vida

Estas envolvem a necessidade de ser centrado em um parceiro. Pessoas com essa necessidade sofrem medo extremo de serem abandonadas por seu parceiro. Muitas vezes, essas pessoas colocam uma importância exagerada no amor e acreditam que ter um parceiro irá resolver todos os problemas da vida.

3. A necessidade neurótica de restringir a vida a limites estreitos

Os indivíduos com esta necessidade preferem permanecer discretos e despercebidos. Não são exigentes, contentam-se com pouco, preferem permanecer na obscuridade e valorizam a modéstia acima de tudo. Evitam ter desejos para as coisas materiais, muitas vezes tornando suas próprias necessidades secundárias, assim como, desvalorizando seus próprios talentos e habilidades.

4. A necessidade neurótica de poder

Indivíduos com essa necessidade buscam o poder para seu próprio bem. Eles costumam elogiar a força, desprezam a fraqueza, e exploram ou dominam outras pessoas. Estas pessoas temem limitações pessoais, desamparo e situações incontroláveis. Acham que podem realizar qualquer ação, simplesmente exercendo o poder de sua vontade.

5. A necessidade neurótica de explorar os outros

Estes indivíduos veem os outros sobre a ótica do que podem ganhar através da associação com eles. As pessoas com esta necessidade, geralmente, se orgulham de sua capacidade de explorar outras pessoas e, frequentemente, focadas em manipular os outros para obter os objetivos desejados, incluindo coisas como ideias, poder, dinheiro ou sexo.

6. A necessidade neurótica de prestígio

Indivíduos com a necessidade de prestígio valorizam a si mesmos e precisam de reconhecimento público e elogios. Bens materiais, características de personalidade, realizações profissionais, e entes queridos são avaliados com base no valor de prestígio. Essas pessoas muitas vezes temem constrangimento público e perda de status social.

7. A necessidade neurótica de admiração pessoal

Os indivíduos com uma necessidade neurótica de admiração pessoal são narcisistas e têm uma exagerada auto percepção. Eles querem ser admirados com base no que acham que são e não como eles realmente são.

8. A ambição neurótica de realização pessoal

Tais pessoas querem ser melhores e obrigam-se a realizações cada vez maiores como resultado da insegurança básica. Essas pessoas têm medo do fracasso e sentem uma necessidade constante de realizar mais do que as outras pessoas.

9. As necessidades neuróticas de autossuficiência e independência

Tendo-se desapontado nas tentativas de encontrara relacionamentos carinhosos e satisfatórios com os outros, a pessoa se fasta e não quer se vincular a nada e a ninguém. Tais indivíduos se tornam ‘solitários’.

10. A necessidade neurótica de perfeição e não vulnerabilidade

Temerosas de cometer erros e serem criticadas, as pessoas com essa necessidade tentam tornar-se inexpugnáveis e infalíveis. Estão constantemente buscando falhas pessoais, para poder corrigi-las antes que se tornem obvias para os outros.

Essas 10 necessidades são as origens dos conflitos internos. A necessidade de amor neurótico, por exemplo, é insaciável; quanto mais recebe, mais quer. Consequentemente, os neuróticos nunca estão satisfeitos. Da mesma forma, sua necessidade de independência nunca pode ser inteiramente satisfeita porque a outra parte de sua personalidade quer ser amada e admirada. A busca da perfeição é causa perdida desde o inicio. Todas as necessidades recém-citadas são irrealistas. Em outras palavras, todo mundo tem esses conflitos, mas algumas pessoas, principalmente devido a experiências iniciais com rejeição, negligência, superproteção e outros tipos de tratamento parental infeliz, têm-nos em uma forma agravada.

Enquanto a pessoa normal consegue resolver os conflitos, integrando as três orientações acima (I – II – III), a pessoa neurótica, devido à maior ansiedade básica, precisa utilizar soluções irracionais e artificiais. Conscientemente reconhece apenas uma das tendências e nega ou reprime as demais. Horney concordava com Adler que o neurótico não é flexível. Ainda assim, descreveu uma  série de abordagens auxiliares ao conflito neurótico. Em geral, eles desenvolvem ‘pontos cegos’ ou ‘compartimentos’, uma vez que escolhem não enxergar discrepâncias entre seu comportamento e seu self idealizado. Ou podem empenhar-se em ‘racionalização’, ‘cinismo’, ou ‘autocontrole excessivo’. Todos esses artifícios inconscientes servem como pseudo-soluções para o conflito básico do neurótico. Como estratégia final, o neurótico pode tentar lidar com conflitos internos, externalizando-os. Todos esses conflitos são evitáveis ou solucionáveis se a criança for criada em um lar em que existe segurança, confiança, amor, respeito, tolerância e carinho. O conflito decorre das condições sociais: “A pessoa que tende a se tornar neurótica é aquela que experiência de forma acentuada as dificuldades culturalmente determinadas, principalmente por meio de experiências da infância.”

(Fonte: Teorias da Personalidade/ Calvin/Gardner/Campbell – pg.:136-137-138)
 
 
Célia Rangel.
 
 
 

 

12 comentários:

  1. Olá! E o mundo todo anda meio neurótico, não é? abração

    ResponderExcluir
  2. BOM DIA MINHA AMIGA DAS LETRAS!
    SEMPRE TRAZENDO O BOM CAMINHO PARA NOS MOSTRAR...BJSSSSSSSS

    ResponderExcluir
  3. Quem diria, Célia? A canalhice dos políticos tem uma explicação psicológica: necessidade neurótica de explorar os outros. :) Beijos!

    ResponderExcluir
  4. OI FLOR
    Passando para retribuir sua visita.Muito grata pelo carinho da sua amizade.Muito bom seu texto. As pessoas estão neuroticas rsrsrs, Um feliz fim de semana.
    Um beijinho.
    Ana

    ResponderExcluir
  5. Olá Célia, que interessante o texto, impressionante como o ser humanos tem dentro de si um verdadeiro labirinto de neuroses, muitas dessas podem ser encontradas em uma só pessoa, afff o ser humano anda muito louco! Bjosss

    ResponderExcluir
  6. Celia,deve ser um livro bem interessante! Eu adoro psicologia! Gostei do tema e do enfoque. Somos todos um pouco neuróticos no final!...rss...bjs,

    ResponderExcluir
  7. Hoje quero agradecer por todas as vezes que você me fazer sorrir com tua linda visita em meu blog, por me fazer acreditar que existem pessoas e pessoas…
    Obrigada…
    Simplesmente obrigada…
    Que Deus te abençoe sempre…
    Um lindo final de semana.

    Beijos
    Ani

    ResponderExcluir
  8. Que tratado, Célia! Sou ansiosa de mais para sequer ouvir falar de ansiedade - básica ou não...

    Beijinhos

    ResponderExcluir
  9. Célia,.. que boa indicação!
    Bom final de semana...
    Abraços!

    ResponderExcluir
  10. Olá!Bom dia, Célia!
    Muito bom tema...um tema que eu gosto muito de ler... não conhecia o livro, vou ler, obrigado pela indicação...e "bate"muito com o que eu li sobre, lendo Freud ... dizia que o nosso "eu" foge da ansiedade executando as ordens, precauções e penitências, aprendidas desde a infância. Entretanto, se formos impedidos de assim agir, somos imediatamente dominado por um sentimento de extrema ansiedade,mesmo sabendo que "a perfeição é um caso perdido", Freud tem duas hipóteses, uma é a de que a ansiedade é um sintoma de neurose ou considera a existência de uma relação na qual os sintomas só se formam a fim de evitar a ansiedade. Exemplificando, se um neurótico obsessivo for impedido, ele se tornará preso de uma ansiedade quase insuportável.
    “Nesse sentido, toda inibição que o eu impõe a si próprio pode ser denominada de sintoma” (Freud).
    Agradeço pelo carinho, muito obrigado,belo domingo, beijos!

    ResponderExcluir
  11. Bem interessante. Será que sou neurótico?
    Cadinho RoCo

    ResponderExcluir
  12. Oi amiga, bem interessante o post, adorei!
    Tenha uma ótima semana, beijos e bom domingo!

    ResponderExcluir

Seu comentário evidencia o seu 'pensar'.
Saiba que aprendo muito com você.
Obrigada, meu abraço,
Célia Rangel,
Autora responsável pelo blog.
Obs.: NÃO POSTAREI COMENTÁRIOS ANÔNIMOS.