domingo, 31 de março de 2013

CONSUMIÇÃO



 

Sentia-se infeliz, mas sabia que em mundos paralelos viveria momentos felizes. Era só captar tal energia. De sua janela observava o céu ora de um azul dourado de sol, ora cinzento de nuvens que se dissipavam caminhando seu olhar por estradas celestes.

Assim deveria ser sua vida. Trilhar por caminhos diversos. Apenas um único pensamento – o de ser feliz. Sua aquarela seria por ela escolhida. Ninguém faria melhor. Seria o seu melhor autorretrato em uma tela multicolorida.

Sonhava... E, deslizava em suas práticas a elaboração de seus planos. Amorosos todos. Mesmo os profissionais. Pessoa talhada na forma das emoções e edificada na dignidade do agir. Estagnar nunca. Seguir sempre ainda que detivesse a marcha de alguns passos para preciosos momentos de reflexão.

Eis que um dia acorda de castelos de areia e sente um peso enorme em suas costas. Pensamentos obscuros. Ombros arqueados. Coluna mestra envergada. Era tempo de bastar-se. Sentia-se só e entulhada de quinquilharias de porões alheios.

   Enterra todos.     

Percorre seus espaços preenchendo-os de felicidade e autossatisfação. Já não se contenta com a dominação do ser. Doa-se em plenitude. Refaz-se e parte para momentos de êxtases. Sente-se viva. Distribui serenidade e sabedoria – sua nova razão de viver.
Liberta-se.

Converge-se para seu vazio fertilizando-o de tal forma que lhe propicie um novo caminhar sólido onde habite apenas o amor. Em sua reengenharia emocional crê, apenas e tão somente, em tudo o que interioriza e externa, harmonizando sempre.

Tem olhar expectante. Investiga sua caixa preta existencial, revê suas raízes e com toda ternura possível deixa-se consumir sabendo que sua transmissão continuará presente. Bebe da água da vida – o amor.

Não é mito. É real.

 

Célia Rangel.

 

 

 


quinta-feira, 28 de março de 2013

Ler é viver melhor!


 
 
 
 
 
Uma leitura instigante em nossos conceitos de vida e nossas ações com suas causas e efeitos é “A BIOLOGIA DA CRENÇA” – de Bruce H. Lipton – Ciência e Espiritualismo – Ed.Butterfly.
Alguns fragmentos:
 
Emoções: a linguagem das células
... “Em formas mais evoluídas e conscientes de vida, o cérebro desenvolveu um nível de especialização, que permite a toda a comunidade refinar seus sinais reguladores. A evolução do sistema límbico estabeleceu um mecanismo único que converteu os sinais de comunicação química em sensações acessíveis a todas as células da comunidade. Nossa mente consciente interpreta esses sinais como emoções. A mente consciente não só é capaz de ‘ler’ o fluxo de sinais de coordenação celular que compõem toda a ‘mente’ do corpo, como também de gerar as emoções, que se manifestam por meio da emissão controlada de sinais pelo sistema nervoso. [...] Experiências que levaram à conclusão de que ‘a mente’ não se concentra apenas na cabeça, mas sim que está distribuída em moléculas sinalizadoras presentes no corpo todo... As emoções não se originam apenas de respostas do corpo ao ambiente. Por meio da autoconsciência, a mente pode usar o cérebro para gerar ‘moléculas de emoção’ e agir sobre todo o sistema.”

Há todo um conceito dos efeitos da escolha de ‘viver com amor’ ou com medo sobre o corpo e a mente... Não há problema algum em viver com uma lente cor de rosa nos olhos. Na verdade, usar um filtro assim é necessário para que nossas células se desenvolvam e sobrevivam com mais facilidade. Pensamentos positivos são a base de uma vida feliz e saudável.

Citando Mahatma Gandhi:
“Suas crenças se tornam seus pensamentos.
Seus pensamentos se tornam suas palavras.
Suas palavras se tornam suas ações.
Suas ações se tornam seus hábitos.
Seus hábitos se tornam seus valores.
Seus valores se tornam o seu destino.”

 
Célia Rangel


sábado, 23 de março de 2013

Domingo de Ramos



Nos ramos em família
Expresso meu amor peregrino
Que busca na doação, apenas ser
Vejo angústias e angustiados
Que se crucificam em misérias humanas
Há um caminho onde partilho minha cruz
Mas, há também a esperança do perdão e da ternura
Que sigo aliviando dores e sofrimentos
Meditando o amor do Criador para com suas criaturas
Na alegria da paz e da serenidade
De um olhar bondoso
Nada temo.
 
Célia Rangel


sexta-feira, 22 de março de 2013

ÁGUA







Amo o líquido que me gerou na bolsa das águas maternais

Guardo comigo as bênçãos da água do meu batismo

Utilizo a mesma lembrando aqueles que dela são privados

Até quando seremos insensíveis poluindo-a?


Célia Rangel

 

terça-feira, 19 de março de 2013

Finda-se um tempo... chega outro...



Cerro o olhar apenas ouço
O sibilar do vento que percorre as janelas
O leve farfalhar das árvores nas folhas que caem
A cigarra e a formiga, humanas, previnem-se
Um frescor pós banho de verão trazem arrepios vindouros
É o outono que prepara o berço do inverno
Com suas mantas aconchegantes de amores
Que um dia agasalhamos e fomos agasalhados
Enregelam-se saudade de lágrimas que já não caem
Brotam esperanças de uma poda para renovação
Um novo olhar, novas paixões
Uma nova energia de um morno sol
Um novo sorriso, novos sonhos e fantasias
Simbolizam o buquê de flores outonais
A enfeitar de amores uma vida real
De uma colheita fértil poderosa
Que em harmonia de ideais agradece verdades vividas
Aconchega-se e espera... sabe esperar
 
Célia Rangel


sábado, 16 de março de 2013

Sensibilidades



Relações passadas
concretadas todas na saudade,
eternizadas ainda em vida.
Na busca de prazeres mundanos
reconhece-se agora sua finitude
e o desperdício de tempo
com banalidades.
Ah! As vaidades! O status e o poder!
Faz-se entulho dos mesmos...
Total inutilidade.
Pensando em dimensões infinitas,
no que pode atravessar o tempo e os obstáculos,
as tristezas e saudades, só encontra-se como resposta,
o amor, despretensioso, sem dominantes ou dominados,
apenas no ‘pluriamar drumondiano’ ...
Célia Rangel


quinta-feira, 14 de março de 2013

Dia da Poesia

 
 
O poeta
Um ser especial
De uma sensibilidade à flor da pele
Oposto a tudo o que fere, machuca, entristece
Adepto aos amores, alegrias, aos sentimentos nobres.
Cético, às vezes pela crueldade e ignorância visíveis.
Incisivo, ao perceber o grau de letargia da humanidade.
Choca com palavras buscando uma reação equilibrada.
Agride, apenas com o olhar a incompreensão do outro.
Sente com o coração, expressando em sua alma, amores.  
Silencioso, quando se percebe destoante do ambiente.
Esse é o poeta que a tudo transforma:
Decadência...  em beleza natural,
Ruídos...  em sonatas românticas,
Dores...  em alegrias e crescimento,
Odores...  em reflexos condicionados de lembranças,
Sabores especiais...  em duradouras paixões...
Magicamente tudo aconchega em seu coração.
E, com seu olhar sensível e inteligente,
Deixa-nos uma profunda herança:
A palavra envolvida em sentimentos.
Célia


segunda-feira, 11 de março de 2013

Construir pontes


 
(Google Images)

 



Na incrível engenharia da vida,

Como é difícil construir.

Destruir é muito mais fácil.

Implodir. Exterminar.

 

Nutrir almas e corações,

Unir pessoas e ilusões,

Nobre arte!

De execução nada fácil.

 

Almas de mãos dadas caminhando,

Em uma mesma direção,

Implica na sábia cumplicidade,

Da vida e suas paixões.

 

Um olhar ou um gesto aquece e

Prioriza todo um desejo que

Aconchegado no amor,

Revela-se com nuances da paixão. 

 


Assim, ergue-se a ponte,

Destrói-se a solidão humana,

Busca-se a união dos desejos,

De um e outro, em um só!

 

Célia Rangel

domingo, 10 de março de 2013

Um poema que diz muito...

La Cathédrale (Auguste Rodin)
by
Donal Mountain
 
 
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa,
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.


Drummond, novamente em Claro Enigma

quinta-feira, 7 de março de 2013

Em vida



Entrou ligeiro derrubando tudo
 
Batendo portas e janelas
Sibilante era sua voz
Que tremulava nas cortinas
Deixando cheiro de terra molhada
Pés descalços descarregando eletricidade
Amenizava o clima e a sensação de tê-lo comigo
Suavemente passeava em meu colo
Na ternura imensa do amor acontecer
Você vento – eu tempestade -
 
Célia Rangel


segunda-feira, 4 de março de 2013

DESCASO

 
 
 
De incensada à crucificada, eis a questão:
Liga-se o automático e derruba-se o que vier pela frente...
Puxam-se tapetes, descartam-se no lixo velhas forrações,
Que um dia foram alicerces, sustentáculos...
Se não você, há outros em seu lugar...
Faz-se por fazer, mandaram-me,
Afinal, no final do mês salário garantido.
Mas, há uma cota para a felicidade,
Que se paga aqui e agora – a consciência!
Então, se desmorona conquistas, alegrias e valores humanos,
Em nome de uma modernidade,
Onde descartáveis somos todos,
Que um dia empunhamos armas educacionais,
Acreditando na virtuosidade humano-filosófico-cristã.
Dinamitados todos os pilares da aprendizagem e do respeito mútuo!
Fraternalmente apenas, sem modéstia alguma, o ‘salve-se quem puder’.
Ainda assim, não mudaria uma vírgula do que fomos e fizemos...
Havia acima de tudo, arte e autenticidade poética na educação.
Hoje impera o status da grife educacional, do poder e títulos.
Sem igualdade alguma, apenas cotas.
Bah! Nem todos digerem a poesia da alma na vida...
Utopias!
Já não há mais a rosa sobre a mesa...
Então, é um caminho que prefiro trilhá-lo só,
Apenas com o Mestre dos Mestres.
 
Célia Rangel, educadora.


domingo, 3 de março de 2013

Sempre Mulher Maiúscula!


 
MULHER
Um arco-íris de energia...
Ao nascer, menina - moça, mulher,
Contraditória... Culta...  Indomável...
Dócil... Enamorada... Dedicada... Lutadora...
Temperamental em seus outonos...
Com sua originalidade, muitas vezes desconcertante,
Arrisca-se a viver exercitando corpo e alma,
Num eterno “decifra-me ou te devoro”.
Chega a ser emoldurada,
Nem sempre se harmoniza com a realidade.
Busca todo amor do mundo, esquecendo-se do grande segredo:
Ele habita em você!
As mais delicadas esperas... A de gestar uma vida!
Acontecem num aprendizado divino e íntimo.
A alegria e a responsabilidade por estar viva,
E ser fonte de vida...
Pontuam o coração mesmo que silencioso,
Amando... Amando... e, amando...
Com seu elástico cordão umbilical,
Até que tenha nascido e pulsado por alguém.
Ser complemento e completada,
No espasmo da felicidade do amor e de amar!
Sabe que a vida lhe cobrará
O que fez dela e,
O que deixou que fizessem
Na omissão do desespero
Simplesmente... por ser mulher.
 
Célia Rangel