sábado, 29 de junho de 2013

RECORTES

 
Chega mais um sábado noturno. Debruço-me sobre Nietzsche e suas divagações em “Ecce Homo”. Gosto de divagar. Sempre quero mais alguma coisa. Não me canso dessa ‘mansidão giroflexada’ que me aporta. Fico muito confortável vivendo assim. Tenho meus desejos. Minhas prioridades. Minhas fantasias. Isso me faz viver melhor. Penso muito. Aborreço-me pouco, quando me permitem. Misturo o querer com o ter e o ser. Foi assim que fui à luta. E vou ainda. Não me configuro com excrementos humanos. A alma se corrói só em pensar. Meus fantasmas quando me invadem os expulsos. Busco entender as limitações da virtude, dos maus-tratos, da verdade, do caráter, da morte e vida eterna, da natureza humana, e da divina, da politica, da religião... Meu cérebro vira um caldeirão fervente com poções ameaçadoras ao meu bem viver. Ambiguamente detono isso tudo e na ignorância revejo minha adolescência beatlemaníaca da paz e do amor. Da luta pela democracia, pela dignidade. Da tropicália e da bossa nova. Um período trancado. Sem manifestações. Liberdade de expressão? Onde? Castrada desde a infância. Libertária na juventude que se estende até hoje, que, no acumulo da mesma, pude então, por fim ao que haviam me impingido – idealismos rançosos de sentimentos femininos de maternidade, forno e fogão sem nenhuma consciência critica, pois tudo era pecado! E, moça direita, de família jamais se insurgiria contra essas regras.  Ah! Como é bom ler! Meditar! Como é maravilhoso darmos asas a imaginação. Como é bom exercer a qualidade humana em todos os sentidos. Como é bom o investimento pessoal – ser meu capital humano; não deteriorado, mas atualizado, amplificado em HD e 3D. Viver envolvida pela música, pela arte, pela poesia. Isso é magia. Encantamento. Delicadeza para corpo e alma. Que amam e agradecem!
Diante de você...
 
Estar diante de você é tudo o que quero.
Mas, de repente fico encabulada,
Fujo!
 
Na fuga vejo quanto fui tola...
Pois, fico pensando em você.
 
Agora sei: minha vontade é
Ficar com você.
Sem fuga!
 
Buscar nos sentimentos a razão
Da existência de um coração,
Adormecido que pulsa diante de você.
 
Nos olhos, a serena imagem,
Na alma, um amor de verdade,
Diante de você...
Sem fuga.
 
Célia Rangel.


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Bem me quer

 

É supremo

Supremamente excelso

Na mais alta dignidade de vidas

Que se encontram

E se doam

Terna e eternamente

Gratuitamente assim

É o amor

Amado

Reverenciado

Vivido em toques, sorrisos e lágrimas

Essas irrigaram as sementes

Para novos amores brotarem

Que seguem outros caminhos

Mas, amores todos.
 

Célia Rangel

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Em Ribeirão Preto...

A prefeita (no centro de blazer bege) senta-se ao chão, junto aos manifestantes acampados frente à prefeitura, pelo menos, para ouvi-los... Nunca antes nesse país... nessa cidade, então... 
 

Nada Será Como Antes
Milton Nascimento
 
Eu já estou com o pé nessa estrada
Qualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes, amanhã
Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Alvoroço em meu coração
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
Num domingo qualquer, qualquer hora
Ventania em qualquer direção
Sei que nada será como antes amanhã
Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Sei que nada será como está
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
 
 
 
Célia Rangel

terça-feira, 25 de junho de 2013

Esperas...

 

 

 
A arte de saber esperar...
 
 
Uma generosa dose de boa vontade,
 
 
de compreensão, e de sabedoria.
 
 
Acreditar e esperar no tempo certo,
 
 
que tudo aconteça.
 
 
Fugir do pessimismo.
 
 
Não abrir a porta a medos interiores,
 
 
deixando-te engolir pela escuridão da desilusão.
 
 
Ao contrário, faças dias de sol e
 
 
noites de luas e estrelas!
 
 
Celebres com doçura e carinho a espera.
 
 
Tranquilizes teu coração com intensa luz,
 
 
e esperes o que for melhor para ti.
 
 
Tens uma existência sagrada.
 
 
Portanto, vivas o que te é oferecido.
 
 
E assim, com serenidade,
 
 
ouvir no silêncio a voz de tua mente
 
 
dialogando com tua alma.
 
 
Esperes!
 
Célia Rangel

 

sábado, 22 de junho de 2013

Que Visita!




 

Depois de uma semana de muito trabalho, insatisfações, decepções em altos brados e fumaças congestionando a tudo e a todos... já bem tarde da noite em casa, recebo o aviso de que mamãe iria chegar.

Nossa como ela se produziu toda! Trocou velho hábito da cor vermelha. Postou um tom mais ameno. Finas joias. Penteada e maquiada com esmero, tudo tão elegante, que quase não a reconheço...

Adentrou em minha sala. Seriamente falou... falou... Fez seu sermão completo. Senti-me sua ‘menininha’...  Prometeu-me que se ficasse boazinha, se recebesse bem as visitas,  fizesse minhas lições direitinho, se não me sujasse na rua com meus ‘amiguinhos’... Ganharia prêmios!  Só não sei se em docinhos, balinhas, um ‘brinquedinho’ (conforme a loja iria adorar...) ou condecorada como boa filha...

Ah! Mamãe perdeu o seu tempo... Já não a ouço mais. Mude o seu discurso, por favor. Seja simples e humilde. Faça o que há muito prometeu e não cumpriu... Eu cresci... Estudei... Alfabetizei-me... Investi em mim e, abri minha mente para o que é bom para mim, e para os meus. Se você quiser vir comigo, conosco, partilhar e unir forças... VEM... que teremos um lugar para você. Por favor, me entenda (nos entenda) não se faça de desentendida... Não configura com sua nova formatação de imagem ‘marquetinetada’.

Célia Rangel, autora.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

DE AFETO


 
“O afeto conduz a alma como os pés conduzem o corpo”
(Santa Catarina de Siena)



Ainda que por um dia,
Platonicamente consciente e lúcida,
Seria invadida pelo seu amor
Desde sempre eu sabia...  
Sem indiferença, total alquimia,
Fundiu-se a simplicidade com a cumplicidade
Ternamente unimos nossas emoções
O resultado só poderia ser esse
Nas alegrias e tristezas da vida
Acarinhados em pensamento e sonhos
Era assim...
 
Hoje, perambulo por entre paredes
Feito aranha que não sabe mais tecer morada
Acoita-se no cantinho bem longe de tudo e de todos
Ouve... ouve-se... houve um silêncio precioso demais
Invade-me a delicadeza de um gesto
Holisticamente, teço abrigo para solidão de sentimentos
Se me falta o chão,
Apoio fantasias em meus sonhos
Creio e sei que
Vida, vidente, viver, viverei
AMOR, recuso definir.
Apenas, sentir e doar.
 
Célia Rangel

quarta-feira, 19 de junho de 2013

terça-feira, 18 de junho de 2013

A Gota que transborda o Balde


 
O Gigante acordou
 
foi às ruas
 
e
 
mostrou sua cara
 
e agora José?
 
sem partido
 
sem violência
 
sem cabresto
 
mostraremos a que viemos!
 
Sou brasileira
 
Não desisto nunca!
 
Célia Rangel
 


quinta-feira, 13 de junho de 2013

O POETA!

FERNANDO ANTÓNIO NOGUEIRA PESSOA (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta, filósofo e escritor português.
É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou a sua obra um "legado da língua portuguesa ao mundo".
Por ter sido educado na África do Sul, para onde foi aos seis anos em virtude do casamento de sua mãe, Pessoa aprendeu perfeitamente o inglês, língua em que escreveu poesia e prosa desde a adolescência. Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Fernando Pessoa traduziu várias obras inglesas para português e obras portuguesas (nomeadamente de António Botto e Almada Negreiros) para inglês.
Ao longo da vida trabalhou em várias firmas comerciais de Lisboa como correspondente de língua inglesa e francesa. Foi também empresário, editor, crítico literário, jornalista, comentador político, tradutor, inventor, astrólogo e publicitário, ao mesmo tempo em que produzia a sua obra literária em verso e em prosa. Como poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades conhecidas como heterónimos, objeto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra. Centro irradiador da heteronímia autodenominou-se um "drama em gente".
ALGUNS FRAGMENTOS:
*Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?
 
*As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.
*Para viajar basta existir.
*Quero para mim o espírito desta frase,
transformada a forma para a casar com o que eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
 
*Tenho em mim todos os sonhos do mundo.
*O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.
*Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e, portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.
 
Fonte:

quarta-feira, 12 de junho de 2013

AMOR


AMOR

O big bang – a explosão primordial – princípio da aventura do universo, a teoria da ciência para a criação, fascina pela beleza da criatividade do amor divino. Criar: uma das essências do amor. O amor de Deus pairava entre o pó da explosão e, a partir da poeira cósmica, a energia criativa modelou a matéria. Mais que isso: a criatividade, inesgotável, fertilizou a Terra para despertar a vida. Mistério. Não somos capazes de perscrutar a mente de Deus, mas conhecemos seu coração: amor.

Deus não precisa dar-se uma segunda possibilidade de nos amar, porque seu amor é completo: infinito e gratuito. Por isso, o pó das estrelas de que somos feitos não se juntará novamente para nos recriar e o espírito divino não voltará a soprar nossas narinas. Para o amor criativo e perfeito, não há rotina. Como o ouro que necessita da ação do fogo para se depurar, o ser humano precisa de obstáculos e sofrimentos e da experiência do amor para conhecer a sabedoria. 

O amor divino perpassa toda a criação. Tudo está encharcado do amor. Theilhard de Chardin fala do “amor do ser pelo ser”. Energia que faz com que tudo esteja integrado em favor da vida. Quando interagimos com um ser, tocamos na integridade de toda a existência. De acordo com nossa ética e espiritualidade, essa interação pode ser destrutiva ou construtiva. Uma responsabilidade apenas humana, porque, ao contrário dos demais seres, recebemos o dom de refletir sobre nossos atos, fonte da ética.

Para Moliére, gênio da literatura francesa, “o amor é um mestre admirável que nos ensina a ser o que nunca fomos; e, muitas vezes, com as suas lições, muda completamente, num instante, os nossos costumes” É um ato de amor para conosco e para com o outro a mudança criativa de nossos costumes. Se temos o costume da guerra e da violência, que agridem a vida; se temos o costume da amargura, de falar mal do outro, de ver apenas os defeitos da vida, da família, da escola; se...  talvez seja tempo de cultivar o amor, que areja nosso coração e purifica nosso olhar. Entretanto, acostumamo-nos demais conosco, não percebemos nossas fraquezas, achamos que as pessoas têm obrigação de nos suportar. Segundo a Marquesa de Lambert, “vivemos com nossos defeitos como com os cheiros que carregamos: já não os sentimos; eles só incomodam aos demais.”

Não nos damos apenas o direito de desfigurar a beleza da criação, explorando-a e destruindo-a. Temos também a audácia de enfear a imagem genuína do Criador. A promoção de guerras em nome de Deus e o uso da religião para alienar e dominar dão-nos a imagem de um Deus apenas normativo, em vez de amoroso, e podem deturpar para sempre a espiritualidade, deixando-nos cegos para ver o encanto e a magia da Terra e para um contato mais profundo com a tristeza do coração humano e do coração da natureza.                

Energia vital, o amor imita o big bang, que espoca e se expande, e o movimento amoroso é condição para que se desenhe a vida. Não seria amor, se permanecesse imóvel, fechado em redoma. Como energia irradiante, o amor lança flechas benignas que, em vez de ferir, abrem passagem para mudanças de costumes e para novas ações. Quem cultiva o amor cria as mais sutis formas de tornar belos seus atos.

Um grão de ouro tem as mesmas propriedades básicas de uma gigantesca pepita. Como grãos divinos, herdamos as principais características de Deus: a capacidade de amar e a possibilidade de criar.                        

Ir. Lauro Daros

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Velando Amores

 
 
Namorando minha vida

Agora converso com você

Que me criou como a uma estrela

E toda noite com magia

Tatua-me com a ilusão da plenitude

Seus anjos trouxeram-me a mensagem

 Na divagação dos sonhos eternizados

Que em qualquer futuro ou, no agora

Um amor maior encrustado na cratera lunar

Seria minha sublime inspiração, não revelada

Apenas, sentida no desvelo das carências

E, na necessidade do cuidar

Com sensível generosidade

Perpetuaria amizades e amores

Em um ‘te amo plural’ repleto de vida

 

Célia Rangel

 

 

 


terça-feira, 4 de junho de 2013

Meditando com Lenine



Paciência

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo
Pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não...

Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo
Pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não...

A vida não para...


domingo, 2 de junho de 2013

Meu meio ambiente


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pezinho no chão corria pelo quintal.

Horta para semear,

legumes e verduras para colher.

Galinhas para cuidar.

Plantinhas para regar,

de um belo jardim a enfeitar.

Das árvores, deliciosas frutas, para saborear.

Agrotóxico? Que palavrão...

Água abundante,

de uma bica cristalina, pureza a me hidratar.

De poluição não ouvia falar...

Corria livre, solta:

trepava em árvores, brincava no balanço,

jogava bola e peteca,

pique - esconde, estilingue,

passa anel, pipas, e, cirandinhas...

Final do dia estava marronzinha de terra!

Asfalto não tinha...

E muito menos enchentes...

Natureza e humano – genuinamente puros!

 

Célia Rangel

 

sábado, 1 de junho de 2013

Metade


 

Encerramos o mês de maio com total devoção à Maria e às Mães. Orações. Amorosidade. Família. Doação. Um Anjo anunciando a grandiosidade versada por Quintana:

IF

E até hoje não me esqueci

Do Anjo da Anunciação no quadro de Botticelli:

Como pode alguém

Apresentar-se ao mesmo tempo tão humilde e cheio de tamanha dignidade?

Oh! Tão soberanamente inclinado...

Se pudéssemos ser como ele!

Os Anjos dão tudo de si

Sem jamais se despirem de nada.

 

 

Iniciamos o mês de junho em que celebramos três santos ilustres e devotamente reverenciados: Santo Antônio, o homem dos pobres e apaixonado por Jesus Cristo, popularmente, o santo casamenteiro; São João, que preparou com determinação e coragem os caminhos do Pai; e São Pedro, seguidor exemplar de Cristo simbolizou a pedra sobre a qual o Senhor edificou sua Igreja.
Assim, já percorremos metade de 2013... Que tenhamos fé, sabedoria e ações concretas em nosso caminhar!

 

Célia Rangel.