terça-feira, 30 de julho de 2013

Aqueça-me







Na minha intimidade,
Falo tanto com você.
Rezo... Canto...
Medito em nós.
Sonho...
Quando junto a você,
Emudeço...
Percorro o dicionário,
Não preciso de palavras.
Falam os olhos...
De terna fascinação,
Crepitando...
Na chama da vela.
Paixão total...
Contida...
Vela apagada.
Acenda-me!
Célia Rangel
 
 
 

domingo, 28 de julho de 2013

Entre várias artes...


A arte de perder
 
A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia.
Aceite, austero, A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subsequente da viagem não feita.
Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe.
Ah! E nem quero lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas.
E um império que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles.
Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça
Escreve! Muito sério
 
Elisabeth Bishop

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Aos avós - feliz dia!



Só quem atravessou esse olhar,
no presente máximo divino...
e, sentiu o diálogo,
chegou ao estágio de avó...
Obrigada, Senhor!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 




I luminado anjinho

S obrevoou nossa família

A bençoando a todos

B eleza divina

E ncantamento e magia

L evou-nos a louvar

E ternamente agradecer

 

Célia Rangel, autora e vovó.

 


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Dia do (a) Escritor (a)






VOAI
Os pássaros cantam
E suas repetidas canções não cansam.
Voai, pássaros, para bem longe...
Voai alto,
Buscai o campo
Onde a terra floresce
E o tempo não aborrece,
Onde os canhões não vos depenam
E os sistemas não vos envenenam.
Voai para bem longe
Dos museus e dos laboratórios
Dos números e das letras.
Voai para o mundo dos poetas...

 Ir. Lauro Daros, marista.
(um dos meus autores preferidos)
 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

DO ESCRITOR...




Vivendo-se a terceira década dos “entas”... Trágico é o momento... Prova de vida em banco é sinal de atrevimento à morte nas famosas saidinhas do mesmo. A certa altura da vida é provar o pouco do que ainda se é capaz de fazer: andar, só apoiada; trepar escadas e outros nem pensar; voar só em pensamento pois, os labirintos entram em curto-circuito;  flutuar na piscina ou no mar é afogamento na certa... excesso de peso e juntas travadas. Agilidade já era, meu caro! Ainda há quem se arvore em botox e lipos da vida para rejuvenescimento! Eta caveira ambulante. Perde-se a identidade de uva passa... Isso tudo sem falar na manivela mental que necessário se faz para tentar manter um diálogo... é um tal de: ahn... ahn... ahn... para ganhar-se tempo agitando o tico e o teco na lembrança de nomes e de fatos!

Amores? Em fuga definitiva. Ainda se houver herança a ser dilapidada pode ser que... caso contrário impera a solidão.

Uns entulham-se perturbando filhos (as), noras, genros, netos (as)... Outros declaram independência ainda que  aos trancos e barrancos vivem a fase da envelhescência conscientes de que o melhor já era, mas que ainda podem (e devem) fazer contornos suaves da vida. 

Então, finge-se. Tá tudo bem... Sorrisos amarelos e paga-se para viver: da internet, aos livros, à boa música; aos filmes e teatros tecem-se maravilhosas telas de uma preciosidade ímpar. Atropela-se a poesia da vida, e poemas diversos surgem na imortalidade de quem um dia deixará sua riqueza maior – o brincar com as palavras – meigas e fiéis companheiras de todas as horas. Que nada cobram, e tudo oferecem: lembranças, saudades, afetos, paisagens de anos vividos.

Esse (a) é o (a) escritor (a). Personagem estranho que desempenha mil papéis e nem sempre encanta, se encanta, convence ou é convencido. Mas de uma coisa tenha certeza, seu maior vício é extravasar memória apontando romantismo ou realidade, deixará de alguma forma sua marca registrada.

Célia Rangel, autora. 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Aos meus Amigos!



Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro há de se lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

 
Com carinho, Célia Rangel.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

A geografia do amor

 
 

Como pode um amor tão grande assim?
 
 
Um amor tão grande assim, não cabe em mim.
Despejou-se mundo a fora à procura de outros corações.
Quer um abrigo, um aconchego, um ficar
Na calma de um conforto amoroso,
Que só outro coração poderá abrigar.
 
Corre feito um rio caudaloso em busca do seu oceano,
E por onde passa, deixa terra fértil preparada.
Segue na busca incessante de uma chegada,
De ser um só – na mistura com outros,
Na sobrevivência com seus afluentes.
 
Percebe que hoje o mundo não é mais o mesmo,
Descrente de tudo e de todos,
Sua oferta não é aceita.
Vê secando suas águas – suas lágrimas,
Deixa assim, de regar os benefícios da paixão.
 
Segue só – seu oceano é de outros rios,
Mergulha nas intempéries de sua mente,
Onde encontra ressacas de um grande amor,
E deixa-se embalar por um despedir-se,
Do sol – das águas – dos rios – do mar.
 
Por um estreito caminho debate-se,
Arranha-se. Machuca-se. Entrega-se.
Secou, na busca e na entrega de um grande amor.
Como pode um amor tão grande assim...
Não caber em mim?
 
Célia Rangel
 

 

 

 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Agora sei





 


Exponho meus amores sem medo

Mesmo quando acham ridículos!

Sensibilidade e fantasias

Descortinam-se em meu ser

Significando maturidade no sentir e no expressar.

 

Cultivo uma nova terra na muralha do meu silêncio

Em pensamentos de futuro, sem descartar a mulher de agora,

Lapidada, com nova interiorização - que aprovo.

Da mente, do coração para o teclado, em poemas,

Dedilho angústias, libertação, e coerência com o que vivo.

 

Simplifico, não mais complico: ouço e amo somente.

Adormeço oniricamente em paisagens e passagens já vividas...   
 
Retorno sempre e com serenidade,

Somo perdas e noto a grande relíquia que ganhei

Pela subtração de entulhos em minha vida!

 

Sentimento de leveza, e autenticidade é o meu lema...

Afinal, minha bagagem ficará por aqui.

Levarei pouco, muito pouco ou nada mesmo.

Ainda que fragmentada, posso esperar.

O amor não tem pressa...

 Célia Rangel

terça-feira, 9 de julho de 2013

Fique bem



 

Fizeram as malas
Projetaram-se em sonhos
Inseriram-se em projetos
E caminharam longamente
Tempo de inclusão e aprendizado.
 
De repente, como um vulcão
Expeliram-se em larvas
Amedrontaram os próximos
Minaram ilusões, excluíram-se
Cambalearam em seus egos.
 
Desapegaram-se de tudo e de todos
Amores, afetos adquiridos e doados
Reduziram-se a um virar as costas
Sem malas, apenas uma bolsa a tiracolo
E uma bagagem infinda de saudade.
 
Célia Rangel
 

 

 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

SOS... ou... SÓS...




Não importa

Não existe amor igual

Deus fechou os olhos

E deixou- me enlevar em você

Criado em minha mente

Alimentado em meu coração

Nada mais me importa

A não ser essa química

Que em alma nos uniu

Na divindade eterna

De um adormecer.


Célia Rangel

 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Declaração dos direitos do homem e da mulher ao amor

(amor perfeito - imagem Google)
 
 
Amar-te
sem te invadir
 
Multiplicar-te
sem te perder
 
Falar-te
sem me trair
 
Guardar-te
sem te possuir
 
E ser, assim, eu próprio
no mais secreto de ti.
 
(Jacques Salomé)
 


terça-feira, 2 de julho de 2013

Podemos...

 

"Declaração dos direitos do homem e da mulher à Existência" 

Todo ser vivo, sem distinção de idade, sexo, raça, nacionalidade ou religião, tem o direito de:

* experimentar o que se está experimentando

* sentir profundamente o que se está sentindo

* desejar o que está desejando

* imaginar o que está imaginando

* sonhar o que está sonhando

* pensar o que está pensando

* esperar o que está esperando

* encontrar quem encontra

* se exprimir com suas próprias palavras

* e caminhar em seu caminho conforme o seu ritmo.

Por consequência, todo ser vivo tem o direito de ser reconhecido, respeitado e confirmado naquilo que experimenta, sente profundamente, deseja, imagina, sonha, pensa e  espera, em seu próprio caminho e conforme seu ritmo.

(Jacques Salomé - Cativando a Ternura - pág.:105)

Célia Rangel