sábado, 30 de novembro de 2013

Pneu de Caminhão
















Roda, roda, minha emoção
feito pneu que rodava
na rua, comigo dentro.

Brincadeira radical
que da face ruborizada
brotava a arte anunciada.

Sem pensar no castigo
ou nas cintadas,
feitas de câmera de ar
do fatídico caminhão.

Papai era o artesão,
e mamãe a disciplinadora!
Tudo bem, isso era um vicio
Brincar e apanhar e recomeçar.

Hoje rodam emoções
que se enroscam e rolam,
sem ternuras, ou bravuras,
apenas afagam o coração.


Célia Rangel




sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Aninha vai para a Escola...



Responsabilidades começaram a chegar à vida da Aninha. Completara sete anos e o Grupo Escolar seu primeiro desafio. Que medo. Que insegurança. O novo a sua frente. Uma professora que a carregava no colo diante de seu choro e seus medos. Dia de chuva, então, era um horror. Não chamava sua mãe, pois sabia que a mesma bateria na menina. Então, pacientemente, dona Abigail contornava a situação. Sua missão futura – ser professora!

Em casa, “o momento tarefa” era terrível. Sentada em uma mesa, em um cantinho da despensa da casa, solitária, tinha que saber fazer ou, era a cinta que cantava em suas pernas.  Soletrava tudo o que via pela frente. Certa vez, na rua, com sua mãe, passando em frente a uma oficina mecânica soletrou alto e bom som um senhor palavrão. Sequer sabia o significado.  Os mecânicos sentados na calçada, hora do almoço, caíram na gargalhada. Pobre Aninha levou um beliscão da sua “meiga mãe” que a inibiu de outras soletrações!

Líder desde pequena, no 4º ano primário arregimentava colegas. Chamavam-na no portão na hora da escola. Todas entravam na cozinha, e assistiam a uma cena no mínimo constrangedora: - Aninha tinha que ficar com a cabeça erguida e engolir de uma só vez uma gema crua antes de sair. Ai que enjoo!  Detalhe, a mãe gritando, engole... engole... quanta agressão! Verdadeiro bullying gastronômico!

Sempre a melhor aluna da classe – notas impecáveis em aplicação e comportamento – ai se não fosse – apanhava e ficava de castigo... Final do 4º ano primário, por meio pontinho a professora, dona Didi, abaixou sua nota, premiando outra aluna que sempre lhe trazia presentes do sítio... Fez sua primeira manifestação de muitas que ainda viriam! Como líder, e muito revoltada, disse diante de todos: - o que a senhora fez não foi justo. Tirou meio ponto meu, e passou para ela, porque lhe dá presentes. Tudo bem fica ai de esmola, como presente, com muita revolta!

Desde então, despertou em Aninha, a coragem de lutar pelos seus direitos. Prosseguiu em seus estudos, sempre com muita consciência crítica, contaminando seus colegas, seus educandos e seus educadores.

Célia Rangel





terça-feira, 26 de novembro de 2013

CARTA QUE NÃO SERÁ LIDA...




Em, 25 de novembro de 2013, 73 anos reverenciados...

Meu querido...

Interiorano, saiu de sua terra natal e rumou para a capital. Fazer a vida. Ser gente.

De família humilde, numerosa, passou a vender de tudo nas lojas que o admitia. Especializou-se em tecidos de alta categoria. À noite estudava, pois sabia que tinha que fazer por onde...

Morou de favor: com irmãs, depois em pensões deprimentes. Sofreu exclusão por ser tímido, falar pouco. Observador ao extremo. Aprendia com os olhos. Leitor inveterado. Atirou-se em concursos e, assim, se fez... Trouxe os pais e os irmãos que haviam ficado no interior. Assumiu-os. Acomodou a todos. Anulou sua própria vida.

No emocional, seus amores, também muitos obstáculos. Pensando em alicerçar vida e casamento, não foi aceito preconceito de raça – ele brasileiro, ela judia... Jamais obteve o consentimento. Ostracionou-se.

Mais alguns anos e conhece a sua companheira para a vida toda... Total mudança... Tornou-se social, atuante, um romântico que levava flores. Na profissão deslanchou – cargo máximo- compensação pelo esforço.

Casou-se. Filhos. Família constituída. A corrupção, a injustiça atingiu-o por atitude de seus irmãos, denegrindo sua imagem de homem integro, em seu local de trabalho. Entrou em depressão. Desfez todo o seu alicerce na capital, e buscou fuga no interior. 

Mas, a mente não se esconde. A tristeza o acompanhou.  Emocional esfacelado! 

Ainda assim, lutou para recomeçar, plantar, criar novas raízes, frutificar... Uma fase muito difícil. Mais uma vez, o amor supera tudo, e constrói. Sua companheira, seu grande amor, em silenciosa generosidade, ombro a ombro o acompanhou até o fechar dos olhos...

Em julho iniciamos...

Em julho interrompemos...

Outros julhos virão...

Com amor, Célia.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Invasão de Sentimentos





















... de repente uma névoa escura

encobre alegrias

perdura assim o amargo

sabor da saudade

que jamais será adoçada

com o abraço meigo do olhar

pelo vazio em que se foi

nunca mais o preencheu...



Célia Rangel

domingo, 24 de novembro de 2013

De “Brincar” eu entendo...






Aninha, estrategista desde pequena, adorava brincar de tudo e, com todos. Não havia distinção. Prazer era o nome dela. Vigiada por sua mãe, vivia sob uma coleção de “não pode...”

Burlava e fazia acontecer. Apanhava. Ficava de castigo, Não tinha importância alguma. O prazer de brincar a tudo compensava.

Logo cedo, tinha de ficar só de calcinha para não brincar na rua. Tinha uma equipe que a protegia, e sempre arrumava um complemento a mais para se mandar junto com a gang rumo à rua. Aqui nunca houve sobrepeso algum! Agito era o nosso nome. Jamais parasitas virtuais!

Linda era a mangueira no quintal de casa. Escalar seus galhos, colher a fruta, era uma prática esportiva de competição excessiva. Adorava. Até que um dia toda de vestidinho, bem fêmea mesmo, assistia aos meninos que subiam na mesma. Resolveu desafiá-los para ver quem ia mais alto! 

Subiu. Ficou enroscada com seus babados nos galhos da mangueira. Chega sua matrona. Vê a cena. Aos berros exige que desça. Lá vem a Aninha temerosa, e já pressentindo dores na bunda, e nas pernas... Não consegue. 

A molecada embaixo da árvore a tudo assistia. Grande era a torcida pela Aninha. Surge uma sugestão: - solte os braços que você desenrosca-se. Tibum... o vestido ficou entre os galhos e a coitada da Aninha aos pés da mãe pedia por “não mãe, não mãe... “ Doeu. Ficaram vergões.  De nada adiantou. 

Sempre que podia Aninha voltava para sua árvore favorita, depois da jabuticabeira... Era com lágrimas que as regava... Hoje é com uma saudade boa, lúcida, coerente da necessidade do brincar de toda criança e, não ser tratada como adulto em miniatura, ou escravizada sob o jugo maternal. 
Nada a ver.  

Célia Rangel


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Meu Horizonte















Só enxerguei em você o que queria ver

A magia me foi permitida

Por mãos e mentes libertas

Esculpimos cada momento

Em nosso jardim completamo-nos

Nossas sementes brotaram

Com o frescor da chuva de primavera

Ouvindo o eco das folhas caindo

Sussurramos amor com nosso toque

Amando-nos só com as rosas

Silenciosamente, na maciez das pétalas

Desistimos dos espinhos do ontem

Vivemos tão somente o agora

Que em vida enjaulamos em amor eterno


Célia Rangel





terça-feira, 19 de novembro de 2013

Ato Moral e Cívico














Era um dia calmo.
Feriado.
Afinal, celebrava-se a Proclamação da República!
1889 – no trotar de cavalos.
Era Deodoro.
E tinha um Barbosa, o Rui.
2013 – uma nova história...
E tem um Barbosa – o Joaquim.
Brasileiros escapando para um doce far niente.
Grande é o congestionamento!
Estradas lotadas!
Tempo suficiente para
Admirarmos um lindo céu azul,
Onde desfila imponente cavalo aéreo,
Transportando uma tropa...
Ainda, meio “São Tomé”, ver para crer...
Desvendo no lindo sol que a tudo revela,
E, nos mostra com siglas, nomes e fotos,
Aqueles que, assustados e ainda revoltados,
Insurgem-se contra as leis...
Oras as leis – eles sempre as burlaram!?

Célia Rangel

“Liberdade! Liberdade!/Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade/Dá que ouçamos tua voz!”
(estribilho – Hino da Proclamação da República)

*************

“Salve lindo pendão da esperança!/Salve símbolo augusto da paz!/Tua nobre presença à lembrança/A grandeza da Pátria nos traz. /Recebe o afeto que se encerra/em nosso peito juvenil,/Querido símbolo da terra,/Da amada terra do Brasil!”
(1ª estrofe Hino à Bandeira)



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

sábado, 16 de novembro de 2013

Perdas e Ganhos


















Perdi pessoas queridas,
mas não a capacidade de amar.

Perdi títulos, postos, emprego,
mas não a capacidade de trabalhar.

Perdi ricos momentos emocionais,
mas não a capacidade de armazenar outros tantos.

Perdi tempo na ociosidade sabática,
mas aprimorei minha capacidade de reflexão.

Nas perdas todas, ganhei a enorme capacidade
de viver com menos, e assim, adquiri muito mais.

O maior tesouro humano que comigo carrego
é a sensibilidade dos meus sentidos,
que em cada célula reproduzo diariamente.


Célia Rangel

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

DE GRATIDÃO


















ü  "A gratidão é a memória do coração." Autor - Antístenes.
ü  "A gratidão da maioria dos homens não passa de um desejo secreto de receber maiores favores." Autor - La Rochefoucauld , François
ü  "Se recolhes um cachorro faminto e lhe deres conforto ele não te morderá. Eis a diferença entre o cachorro e o homem." Autor – Twain, Mark.
ü  "A gratidão é um fruto de grande cultura; não se encontra entre gente vulgar." Autor - Johnson, Samuel.
ü  "Quem acolhe um benefício com gratidão, paga a primeira prestação da sua dívida." Fonte - De BeneficiisAutor – Séneca
ü  "Interrogado sobre o que envelhece logo, disse: 'A gratidão'." Autor – Aristóteles.
ü  "Vale a pena experimentar também a ingratidão para encontrar um homem grato." Fonte - Cartas a Lucílio Autor – Séneca.
ü  "Feliz de quem recebeu do céu um pedaço de pão e não precisa agradecer a ninguém, além do próprio céu." Fonte - Dom Quixote Autor - Cervantes, Miguel.
ü  "A gratidão é a virtude das almas nobres." Autor – Esopo.
ü  "A gratidão é uma dívida que os filhos nem sempre aceitam no inventário." Fonte – Gobseck Autor - Balzac, Honoré de
ü  "A gratidão perfuma as grandes almas e azeda as almas pequenas." Autor - Balzac , Honoré de
ü  "A gratidão é o próprio paraíso." Autor - Blake, William.
ü  "Enquanto os rios correrem para o mar, os montes fizerem sombra aos vales e as estrelas fulgirem no firmamento, deve durar a recordação do benefício recebido na mente do homem reconhecido." Autor – Virgílio.
ü  "O melhor modo de pedir é agradecer." Fonte – Sermões Autor - Vieira, António.
Célia Rangel

terça-feira, 12 de novembro de 2013

TRANSFORME-SE

(Google)


No viver.
No fazer.
No sentir.
No permanecer.

No gostar.
No amar.
No ter.
No ser.

Na maturidade,
percorrida as idades,
deixam-se os sonhos,
recorrem-se às realidades.

O ontem, o hoje, e o amanhã,
perdem o valor.
Deles só as boas lembranças...
‘Alzheimeia-se’ as demais.  

Gratidão, dádiva maior no existir,
no agora,
já que o amanhã,
poderá não mais fluir...

Célia Rangel 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

IMPACTANTE

O menino Joaquim Ponte Marques, 3, que estava desaparecido desde a última terça-feira (5) em Ribeirão Preto (SP)
 
 
 
O QUE FAZEM COM NOSSAS CRIANÇAS?
 
REVOLTANTE!
 
* Observe a alegria estampada nesse rostinho ao brincar com uma joaninha em sua mão!
 
Célia Rangel


Meu Caminho

















É sinalizado por placas de esperança

em dias sonhados e realizados.



Não desisto

meu coração me impulsiona

ao caminho a percorrer.

 

Ouso sempre, construo,

detono e reconstruo quando necessário

emerjo da emoção à razão.

 

Investigar, descobrir, planejar

é minha concretização,

força muito além do meu cansaço.

 

Refaço não quero olhar para trás e dizer:

- devia ter feito... isso não existe comigo.

Sei que tudo tem a hora certa para realizar.

 

Deixar acontecer, saber esperar é arte.

Lá está a semente. A terra é boa.

Adubada com bons exemplos. Há de vingar.

 

Sendo dócil e receptiva

acolho as amarguras

diluindo- as em doce olhar esperançoso.

 

Minha missão é germinar a semente

plantada por Deus e dela cuidar

com total responsabilidade para saborear os frutos.

 

Ficar parado? Como? Se a cada amanhecer tudo recomeça.

A natureza se apronta pra me receber

Acredito. Ouso. Sou capaz.

 

Ouvir e dialogar, aromas na batalha do viver.

 

 Célia Rangel

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Um bom tema ...


ANSIEDADE BÁSICA

Karen Horney


A teórica psicanalista, Karen Horney, desenvolveu uma teoria da neurose. Ela acreditava que a neurose resultava de uma ansiedade básica causada por relações interpessoais. De acordo com Horney, ansiedade básica (e, portanto, neurose) poderia resultar de uma variedade de coisas, incluindo, "...direta ou dominação indireta, a indiferença, o comportamento errático, falta de respeito para as necessidades individuais da criança, falta de orientação real, atitudes depreciativas, admiração em demasia ou ausência dela, falta confiança, pouca responsabilidade, a injustiça, discriminação, promessas não cumpridas, atmosfera hostil, e assim por diante (Horney, 1945).

 
Estas necessidades neuróticas podem ser classificadas em três grandes categorias:

I. Necessidades que o movem para os outros

Estas necessidades neuróticas causam nos indivíduos a busca de afirmação e aceitação dos outros e são frequentemente descritos como carentes ou pegajosos, pois eles procuram aprovação e amor.

II. Necessidades que o movem para longe dos outros

Estas necessidades neuróticas criam hostilidade e comportamento antissocial. Estes indivíduos são frequentemente descritos como frios indiferentes e distantes.

III. Necessidades que o movem contra os outros

Estas necessidades são em hostilidade e é uma necessidade de controlar outras pessoas. Estes indivíduos são frequentemente descritos como difícil, dominadores e cruéis.

Bem ajustados, os indivíduos utilizam todos os três tipos de estratégias, mudando o foco dependendo de fatores internos e externos. De acordo com Horney, é o uso excessivo de um ou mais destes estilos interpessoais de enfrentamento que acabam criando conflito, tumulto e confusão. No livro acima citado, Horney delineou as 10 necessidades neuróticas que ela havia identificado:

1. A necessidade neurótica de afeto e aprovação

Aqui inclui os desejos de ser amado, de agradar os outros, e atender às expectativas dos outros. Pessoas com este tipo de necessidade são, extremamente, sensíveis à crítica e a rejeição e temem a raiva ou hostilidade dos outros.

2. A necessidade neurótica de um parceiro que vai assumir a própria vida

Estas envolvem a necessidade de ser centrado em um parceiro. Pessoas com essa necessidade sofrem medo extremo de serem abandonadas por seu parceiro. Muitas vezes, essas pessoas colocam uma importância exagerada no amor e acreditam que ter um parceiro irá resolver todos os problemas da vida.

3. A necessidade neurótica de restringir a vida a limites estreitos

Os indivíduos com esta necessidade preferem permanecer discretos e despercebidos. Não são exigentes, contentam-se com pouco, preferem permanecer na obscuridade e valorizam a modéstia acima de tudo. Evitam ter desejos para as coisas materiais, muitas vezes tornando suas próprias necessidades secundárias, assim como, desvalorizando seus próprios talentos e habilidades.

4. A necessidade neurótica de poder

Indivíduos com essa necessidade buscam o poder para seu próprio bem. Eles costumam elogiar a força, desprezam a fraqueza, e exploram ou dominam outras pessoas. Estas pessoas temem limitações pessoais, desamparo e situações incontroláveis. Acham que podem realizar qualquer ação, simplesmente exercendo o poder de sua vontade.

5. A necessidade neurótica de explorar os outros

Estes indivíduos veem os outros sobre a ótica do que podem ganhar através da associação com eles. As pessoas com esta necessidade, geralmente, se orgulham de sua capacidade de explorar outras pessoas e, frequentemente, focadas em manipular os outros para obter os objetivos desejados, incluindo coisas como ideias, poder, dinheiro ou sexo.

6. A necessidade neurótica de prestígio

Indivíduos com a necessidade de prestígio valorizam a si mesmos e precisam de reconhecimento público e elogios. Bens materiais, características de personalidade, realizações profissionais, e entes queridos são avaliados com base no valor de prestígio. Essas pessoas muitas vezes temem constrangimento público e perda de status social.

7. A necessidade neurótica de admiração pessoal

Os indivíduos com uma necessidade neurótica de admiração pessoal são narcisistas e têm uma exagerada auto percepção. Eles querem ser admirados com base no que acham que são e não como eles realmente são.

8. A ambição neurótica de realização pessoal

Tais pessoas querem ser melhores e obrigam-se a realizações cada vez maiores como resultado da insegurança básica. Essas pessoas têm medo do fracasso e sentem uma necessidade constante de realizar mais do que as outras pessoas.

9. As necessidades neuróticas de autossuficiência e independência

Tendo-se desapontado nas tentativas de encontrara relacionamentos carinhosos e satisfatórios com os outros, a pessoa se fasta e não quer se vincular a nada e a ninguém. Tais indivíduos se tornam ‘solitários’.

10. A necessidade neurótica de perfeição e não vulnerabilidade

Temerosas de cometer erros e serem criticadas, as pessoas com essa necessidade tentam tornar-se inexpugnáveis e infalíveis. Estão constantemente buscando falhas pessoais, para poder corrigi-las antes que se tornem obvias para os outros.

Essas 10 necessidades são as origens dos conflitos internos. A necessidade de amor neurótico, por exemplo, é insaciável; quanto mais recebe, mais quer. Consequentemente, os neuróticos nunca estão satisfeitos. Da mesma forma, sua necessidade de independência nunca pode ser inteiramente satisfeita porque a outra parte de sua personalidade quer ser amada e admirada. A busca da perfeição é causa perdida desde o inicio. Todas as necessidades recém-citadas são irrealistas. Em outras palavras, todo mundo tem esses conflitos, mas algumas pessoas, principalmente devido a experiências iniciais com rejeição, negligência, superproteção e outros tipos de tratamento parental infeliz, têm-nos em uma forma agravada.

Enquanto a pessoa normal consegue resolver os conflitos, integrando as três orientações acima (I – II – III), a pessoa neurótica, devido à maior ansiedade básica, precisa utilizar soluções irracionais e artificiais. Conscientemente reconhece apenas uma das tendências e nega ou reprime as demais. Horney concordava com Adler que o neurótico não é flexível. Ainda assim, descreveu uma  série de abordagens auxiliares ao conflito neurótico. Em geral, eles desenvolvem ‘pontos cegos’ ou ‘compartimentos’, uma vez que escolhem não enxergar discrepâncias entre seu comportamento e seu self idealizado. Ou podem empenhar-se em ‘racionalização’, ‘cinismo’, ou ‘autocontrole excessivo’. Todos esses artifícios inconscientes servem como pseudo-soluções para o conflito básico do neurótico. Como estratégia final, o neurótico pode tentar lidar com conflitos internos, externalizando-os. Todos esses conflitos são evitáveis ou solucionáveis se a criança for criada em um lar em que existe segurança, confiança, amor, respeito, tolerância e carinho. O conflito decorre das condições sociais: “A pessoa que tende a se tornar neurótica é aquela que experiência de forma acentuada as dificuldades culturalmente determinadas, principalmente por meio de experiências da infância.”

(Fonte: Teorias da Personalidade/ Calvin/Gardner/Campbell – pg.:136-137-138)
 
 
Célia Rangel.
 
 
 

 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Mário Quintana... imortal...




Canção do dia de sempre
 
Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
 
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
 
Mario Quintana



segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Expectante












 

 

 


 

Chegou o tempo de argumentar,

cansei.

 

Calada, fico zombando,

sei esquecer.

 

Varro as folhas no meu coração,

com ventos primaveris.

 

Liberto mágoas e tristezas,

sei ficar comigo.

 

Respondo “Não” ao que aprisiona,

desperto minhas paixões.

 

A inveja do tempo sobre mim

mostra o que ainda tenho a aprender.

 

Minha criança brinca de esconde-esconde,

não amadurece.

 

Ainda bem que você chegou

e, brincamos de ser gente.

 

Minhas noites ganharam um lindo sol

com raios luzes ternurizantes.

 

E, o vento, traz as folhas de amor-verão,

sinônimo do meu coração.

 

 

 
Célia Rangel