sábado, 5 de abril de 2014

COISIFICADA


Femeamente
Entregue e submissa
Em seus desejos
Do amanhecer ao anoitecer
Farta-se reduzindo ao outro
Depreciada vende
De sabonetes a carros top de linha
Vulgaridade pelo consumo
Resta pouco do que foi
Conveniente ou conivente
De vida fácil verdadeira serva
Esquecida por Deus e de Deus
Pulsa sempre em seu combustível
Alimentando e  sendo alimentada
Remete-se a olhares
Ditos pecaminosos
Que pecado ela faz
Se em sua genitália
Desenha-se o coração da vida
Que em sua penetração
Seria amor, doação e reprodução
Hoje poderia ser seu filho,
Seu companheiro
Seu pai
Seu irmão
Mas, restaura-se no que resta.


Célia Rangel

16 comentários:

  1. Querida amiga,Celia Rangel!
    Como sempre, nos presenteando com seus poemas maravilhosos.

    Saudades tuas...
    Abraços
    Sinval

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  2. Amiga Célia, mais um lindo poema, me fez lembrar dos livros que li de Jorge Amado, ele era tão carinhoso com as mulheres que ainda hoje são rotuladas de "vida fácil".
    Abraços amiga querida, bom domingo!

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  3. Oi querida Célia, lindo como sempre!
    Você transforma simples coisas em obras de arte!
    Beijos e tenha um ótimo final de semana!!

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  4. Muito duro, Célia! Vida dura de mulher! Violenta até, muitas vezes.
    (Diferente do habitual, mas cheio de força, tenaz!)

    Beijinho

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  5. Olá,boa noite, Célia...
    a expressão “coisificação” deixa clara a realidade a que se refere. Coisificar significa
    transformar em coisa, em objeto... a mulher, e situações em que é tratada como objeto pelo sexo oposto e por si mesma. A mulher vira algo decorativo, sem vontade própria. Inanimada... e , por vezes, algumas,na conveniente e conivente, restaura no que lhe resta , na agilidade, na fuga, na malícia, para assim imaginar compensar as angústias, as perdas emocionais, as frustrações e as decepções que nem sempre foram bem trabalhadas e resolvidas...
    Obrigado pelo carinho, belo final de semana,beijos!

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  6. Oi Célia,

    um lindo poema sobre essa mulher que vende o corpo e paga com a alma.
    Abraços

    Leila

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  7. É a diversificação que torna a partilha muito interessante e atraente, pelo que nos acrescenta. Isto para dizer que gostei muito de ler o poema. Sempre o faço porque gosto mas este senti excecional.
    Beijos

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  8. Infelizmente algumas mulheres se deixam tratar assim porque querem; outras são levadas à força pelas condições em que vivem; outras pela brutalidade que são submetidas, humilhadas, espancadas para servir alguém. De qualquer maneira não é é vida duríssima! Na verdade, o que haverá por detrás desse comportamento, só elas sabem, ou talvez não saibam. Acredito mais na segunda hipótese. . Pobres criaturas.
    Abraços, Célia!

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    1. Corrigindo: " de qualquer maneira é vida duríssima!"
      A palavra NÃO, entrou por erro.
      Abraço!

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  9. Um poema forte, que infelizmente retrata a maioria das mulheres, infelizmente não se valorizam, tem valores invertidos, se entregam às ciladas da vida, tenho muita dó, mas sei que se elas se esqueceram de Deus, Ele delas jamais esqueceu, apenas aguarda o momento certo, parabéns amiga excelente como sempre, beijos Luconi

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  10. Infelizmente, há pessoas que para alguns são coisas.
    Grata pelo poema.
    Beijinhos

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  11. Um texto que fala sobre mulheres forçadamente coisificadas e sobre as que se fazem "coisas", voluntariamente. Tristes, ambos os casos. Abraços, Célia.

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  12. Belo poema, Célia! Ando farta da televisão que vende como "liberdade" o "direito" de ser consumível. Beijos!

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  13. Celia, vc não existe,menina! Está sempre passos á frente de nosso tempo! Uma poesia para refletir sobre a mulher e seu papel na sociedade. Ficou forte,muito bom! bjs,

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  14. Não podemos deixar nunca que esta vida de consumo nos coisifique, mas infelizmente, muitas deixam que pensem isto de nós mulheres! Beijão

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Célia Rangel,
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