segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Professora, sim!




 

“Da folha de zinco ao computador: os voos pedagógicos no caminhar de uma  educadora.”

Desde minha infância, brincava com uma lousa feita pelo meu adorado pai, de folha de zinco pintada de piche. Minhas bonecas de espiga de milho, ou de bom bril, eram minhas alunas, e eu dava aula durante o dia todo. Chegava do grupo escolar e repetia tudo o que havia acontecido na escola. Desde 1952, como aluna, até 2006, enquanto professora quantas peripécias educacionais vivi! De uma folha de zinco ao computador... alcei voos não só pedagógicos, mas voos ao longo de toda minha vida. E não paro, não desisto não me contento com pouco... Ainda me lembro do medo que tinha de enfrentar um computador! Meus alunos, hábeis de dar inveja, fizeram-me calçar a cara e ir procurar um professor de informática! Hoje já não vivo sem ele! Quanto aprendi em termos de tecnologia... e ainda tenho muito a aprender! Um mundo de imensas possibilidades!

“Sonhar... mas um sonho possível...” (versão: Chico Buarque e Ruy Guerra)... Menina- moça, normalista, vinda de uma cidadezinha, bem interiorana, década de 60, cheia de incertezas, tímida, mas com muitos sonhos e muita coragem para realizá-los. Uma trajetória pessoal, cheia de obstáculos sociais e financeiros, mas nunca mental. Sempre tive mente sonhadora e realizadora.

Ler, estudar, observar, analisando a tudo e a todos, era o que eu mais fazia. Por não ter condições financeiras para adquirir livros, convertia-me em “rato de biblioteca”. Nas escolas que frequentava, vivia emprestando livros de mestres generosos, alcançando sabedoria e aprendizado.

Hoje, compro meus livros, ou em livrarias e editoras, ou sebos ou faço meus downloads. Mas, ler é meu combustível. Não frequento boutiques, shoppings, joalherias, cabelereiros... Fujo dos supérfluos. Invisto em livros.

Toda minha experiência profissional sempre foi calcada no amor vocacional e na troca de aprendizado. Muito aprendi com meus alunos, com as famílias, com meus colegas e superiores. E, a nossa troca dava-se na tranquilidade da sabedoria adquirida. Preparava minhas aulas como se fosse um espetáculo a ser apresentado. Sempre busquei renovar-me, atualizar-me com as novas visões educacionais. Por várias vezes retornei aos bancos escolares como aprendiz da educação. Precisava abastecer-me sempre.

Atualmente, no recesso do meu lar, vejo meus ex-alunos em altos postos, encontro-os como profissionais na área da saúde, da mídia e da educação, entre outros. Traz uma sensação de efetiva contribuição para o encaminhamento pessoal e profissional de um ser a nós confiado.

 

Realizei-me profissionalmente. Tudo o que sou e certa tranquilidade de vida que tenho, devo sim à minha profissão de educar (e aprender) acima de tudo... Sobrevivi aos exíguos salários, às condições estruturais, ao puxar de tapete, às mesquinharias e comentários maldosos... Sempre soube enfrentar situações quando necessário, aprender com meus erros e sublimar, pois, revanchismo, não se harmoniza com a nobre missão de uma educadora, assumida em sua totalidade.

 

“Aos mestres, meu carinho”.

(Adaptação da monografia publicada no Caderno de Pedagogia “Multiculturalismo e Currículo – Tendências e Perspectivas – por Célia Rangel – pág.:90)

9 comentários:

  1. Os professores merecem nosso carinho e nossa atenção.
    Eu fiz magistério, mas hj não exerço a função.

    bjokas =)

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  2. ~
    ~ ~ ~ Emocionante, Célia!

    ~ ~ ~ Nem todos nos reconhecem como pilares da sociedade.

    ~ ~ ~ ~ ~ Grande abraço, colega. ~ ~ ~ ~ ~

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  3. Emocionante mesmo Célia!
    E deixo aqui a minha indignação pelo tratamento e falta de respeito para esse sublime dom daqueles que, pra mim, exercem o papel mais importante na sociedade!
    Beijos!
    Mariangela

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  4. Amiga Célia, amei ler e conhecer um pouquinho mais de você!
    Nem imaginas o quanto me identifiquei em uma parte do relato, pois eu também adorava brincar de professora, até prestei vestibular para Pedagogia, mas acabei não fazendo, precisei estudar Contabilidade para administrar uma micro empresa em sociedade com meu irmão e marido, mas não me arrependi, trabalhei com números durante vinte anos, mas hoje o que amo mesmo fazer é escrever, mesmo assim em blogues, não ganho dinheiro com isso, mas ganho muito mais, conhecimentos e amigos, amigos assim como você, podes nem acreditar, mas tenho carinho por você sem nem mesmo te conhecer pessoalmente!
    Como já disse aqui, amei ler e quero te desejar um lindo dia dos professores, pois professores assim como você, pelos que eu conheço são muitos e são meus amigos, tanto virtuais quanto presenciais,ainda bem, amo minha vida por ter tido sempre pessoas lindas em meu caminho!
    Abraços minha amiga sempre querida!

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  5. Texto maravilhoso, Célia! Tô morrendo de orgulho de ser sua amiga. Você é o máximo. Beijos!

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  6. Parabéns, Célia!
    Uma trajetória louvável, de quem nasceu direcionada para exercer essa nobre, linda e, até certo ponto, desgastante profissão. Os mestres e educadores merecem toda a gratidão daqueles que com eles aprenderam a caminhar em direção ao sucesso. Ver os ex-alunos realizados profissionalmente é uma das maiores recompensas para quem abraçou esse dignificante mister.
    Já fui professora e sei bem as dores e delícias da profissão.

    Ótimo texto, digno de sua subscritora.

    Feliz semana.

    Beijo.

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  7. Oi Célia, eu lecionei 35 anos e trabalhe em outra atividade durante 4 anos.
    O mais difícil na vida da pessoa é a decepção.Você verá....
    Obrigada pelo carinho na minha poesia no blog do Viviani, a fiz num momento de muita saudade.
    Beijos
    Lua Singular

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  8. E eu só posso aplaudir a você, grande mestra, e a todos os professores que se dedicam a fazer um país melhor, levando com carinho e dedicação o conhecimento a todos.
    Parabéns, querida Célia, você sim é o que eu chamo de 'celebridade'!
    Também dei aulas de português, mas por pouco tempo, não aguentei o rojão e embrenhei-me por outros caminhos, por isso admiro muito os que se mantém nesta profissão por amor e convicção.
    um grande abraço carioca


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  9. Oi Célia,

    Para professores e educadores como você tiro o chapéu, nem todos nascem com esse dom, e nao foi o seu caso...

    Emocionante seu texto..

    Bjs

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Obrigada, meu abraço,
Célia Rangel,
Autora responsável pelo blog.
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