sábado, 31 de maio de 2014

Contornos



Volto meu olhar para você
e acolho o sentimento que nos une.

No aconchego de uma oração
refaço-me da crueza vivida.

No descaso humano
aprendo a me cuidar mais e mais.

Unto o meu coração de delicadezas
para que ele desfrute
do gesto concreto de amar.

No teatro da vida nossa peça já está escrita.

Curto é o espaço de tempo que temos
para transbordarmos toda essa felicidade.

Há um Deus que é ponte
a percorrer do meu interior para o seu
sem enigmas para entender
apenas o caminho que delimita
o tempo necessário para a solidão morrer.

Célia Rangel




quarta-feira, 28 de maio de 2014

ROCHA
















Pode até ser um mistério
E não ser divino.
Ele é divino e mistério.
Pulso firme e coração flácido,
Já não vê poesia no horizonte,
Pois, o poema reflete o desgastado.
Já foi rocha rolou em pedras...
De estonteante paixão,
Acordou esfolado em cicatrizes,
Em seu interior de ser ausente,
Andarilho na própria morada...
Culpa-se pela nudez de pensamentos,
Fechando-lhes a porta do céu da boca.
Gotejam em dores de um cerne quente,
Onde ainda lhe aprazem, o divino e o mistério,
A magia e o real, a dúvida e o encantamento,  
Magnetismos de uma vida que já foi rocha...

Célia Rangel 


segunda-feira, 26 de maio de 2014

SILÊNCIO


É fácil trocar as palavras,

Difícil é interpretar os silêncios!

É fácil caminhar lado a lado,

Difícil é saber como se encontrar!

É fácil beijar o rosto,

Difícil é chegar ao coração!

É fácil apertar as mãos,

Difícil é reter o calor!

É fácil sentir o amor,

Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?

Quem é que o saberá sonhar?

A alma de outrem é outro universo

Com que não há comunicação possível,

Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma

Senão da nossa;

As dos outros são olhares,

São gestos, são palavras,

Com a suposição

De qualquer semelhança no fundo.



Fernando Pessoa

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Era Vento?























Desfigurado seu rosto em nossos lençóis
  
Pousa em mim um semblante vazio

Sem nenhuma palavra verdadeira

Interrogo nossa versão derradeira

Que se desfez em redemoinhos

Invento nova fórmula

Alicerçando sobre pedras meu viver

De onde brota calor e gelo

Amenizadores da saudade

Que ficou nos lábios o seu nome

Testando sentimentos e emoções

Da insensatez do amar...


Célia Rangel




Obrigada!



Célia Rangel

RECANTO DOS AUTORES


Amigos!

Hoje, fui surpreendida por um destaque no blog da Anne Lieri - "RECANTO

DOS AUTORES" com meu poema "FEMININA" a quem muito agradeço! 

http://recantodosautores.blogspot.com.br/2014/05/feminina.html 

Meigamente derrama sobre mim o amor divino,
Em enorme profusão como se ainda fosse possível,
Amar sem medidas humanas.
Amando você, você e você.
Sob várias formas, sentidos e sentimentos,
Sensações exuberantes do físico para a alma...
Uma paz, um enlevo, uma nostalgia,
Que, se delega de um a outro, sem resistência alguma.
Amar o ausente, o presente, o feliz, o infeliz, o carente...
Na magia do existir, saber partilhar a maior doação de todas,
O amor puro, envolvente, ternurizante,
Que se acopla em nosso ser,
Sem pressa, sem tempo, sem cobranças...
Apenas na espera de ser em si mesmo,
A herança amorosa que transcende ao infinito,
Em extensão de almas que se aconchegam...
Sublimando a serenidade de amar.


Célia Rangel

segunda-feira, 19 de maio de 2014

A arte de saber esperar...

















Uma generosa dose de boa vontade,

de compreensão, e de sabedoria.

Acreditar e esperar no tempo certo,

que tudo aconteça.

Fugir do pessimismo.

Não abrir a porta a medos interiores,

deixando-te engolir pela escuridão da desilusão.

Ao contrário, faças dias de sol e

noites de luas e estrelas!

Celebres com doçura e carinho a espera.

Tranquilizes teu coração com intensa luz,

e esperes o que for melhor para ti.

Tens uma existência sagrada.

Portanto, vivas o que te é oferecido.

E assim, com serenidade,

ouvir no silêncio a voz de tua mente

dialogando com tua alma.

Espere!



Célia Rangel
  

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Das Utopias





"Não desças os degraus do sonho

Para não despertar os monstros.

Não subas aos sótãos - onde

Os deuses, por trás das suas máscaras,

Ocultam o próprio enigma.

Não desças, não subas, fica.

O mistério está é na tua vida!

E é um sonho louco este nosso mundo..."

Mario Quintana

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Gestos Sublimes
















Fiquei sem mim para estar com você

Não valeu pelas angústias e ansiedades

Estabeleci laços em um novo caminho

Conectei hoje o impossível do ontem

Quão valioso era esse nosso momento

Relacionamento único sem complicação alguma

Fortaleceu-me tão somente a simplicidade

O entusiasmo trouxe-me a energia necessária

Inovei novas perspectivas nos amores

O inesperado é bem-vindo

Aprendi aconchegá-lo intimamente

O fundamental é não perder o carinho de vista

Gerador primordial da magia do existir

Gestei você.


Célia Rangel



domingo, 11 de maio de 2014

MERGULHOS

















Há um silêncio fértil pedindo para entrar

Quer simplesmente ficar

Sem fazer perguntas

Apenas me olhar

Trazer-me a paz do amar

Só não tem coragem

Para invadir meu refúgio

Ousando poluir meu momento

É na magia da sensibilidade

Que a tudo faço calar

Permitindo apenas à voz interior falar

Aconchego em mim muito de ti

Supro o meu nada com o seu tudo

Em um profundo mergulho de almas

Que ecoam no mais profundo silêncio

Da ausência...


Célia Rangel








sábado, 10 de maio de 2014

Mãe, ontem e hoje...





















Mãe

Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.

Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.

Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.

Cora Coralina

sexta-feira, 9 de maio de 2014

MÃE...


MÃE...

São três letras apenas,

As desse nome bendito:

Três letrinhas, nada mais...

E nelas cabe o infinito

E palavra tão pequena-confessam mesmo os ateus-

És do tamanho do céu

E apenas menor do que Deus!


Mario Quintana

terça-feira, 6 de maio de 2014

Mãe...







MÃE,

Que da sua gestação diária

De um amor tatuado nas entranhas

Nasça maternalmente

O benquerer da fé, da ternura, da amizade,

No encantamento por outro ser

E por ele devotar-se, amar e ser amada,

Ao sabor e saber da vida.

Amém!



Carinhoso beijo ,

 Célia.

sábado, 3 de maio de 2014

ROTEIRO REJEITADO
















 (Flor de maio - Google Imagens)





Assim foi pensado...

Dividir os bons momentos para multiplicar
É o grande milagre da regeneração
Gerado com muito amor
Pai e mãe dividiram-se
Em entrega total
De cuidados e de ternuras

Na execução foi assim...

Depois somaram as interrogações
Os “por quês” de certas escolhas
Muito diversos do ensinado e praticado
Do seio familiar subtraído pela sociedade
Escolher vida plena
É uma equação de difícil solução
Quanta turbulência poderia ser fracionada

Na conclusão, assim...

Aos pés da sua devoção – a Mãe
Na milésima potência perdoa
E, aconchega em seu elástico coração
Um teorema nem sempre demonstrado
As dores e decepções vividas – do Filho –
Que no olhar traz a cicatriz da incompreensão
E, confessa a porcentagem dos erros do percurso traçado e desviado.

Célia Rangel