sábado, 10 de outubro de 2015

Dia da Criança, não do Consumismo...


A ARTE DE SER CRIANÇA

 

Saint-Exupéry, em “O Pequeno Príncipe”, expressa que só as crianças são felizes, porque sabem o que procuram, e são capazes de se encantar com as coisas mais simples e torná-las mais belas.

            A criança integra-se à arte divina – a natureza. Ela sabe brincar de inseto e de pássaro; de planta e de vento; de riacho e de pedra. E sabe brincar de Deus. E Deus sabe brincar de criança.

Diz o poeta Mário Quintana: “Ah! Aquela confiança que tem uma criança rezando... Inocente confiança. Alegria. Quem é de nós que reza com alegria? Parece que só existe mesmo o Deus das crianças... Deus é impróprio para adultos”.

Jesus ensina que o Reino dos Céus – a verdadeira felicidade – pertence às crianças. Sem um coração de criança – simples, transparente, suave – difícil alcançar o Céu. O Céu é a metáfora da íntima relação com Deus.

A limpidez e a beleza do rosto de uma criança é o rosto de Deus. Um rosto de várias formas e de muitas cores. Um rosto de paz que acolhe a diversidade.

A criança tem alma de poeta. Vê o essencial, porque olha com o coração. Alberto Caeiro confessa: “A criança ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me para todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas... Ela dorme dentro da minha alma e às vezes acorda de noite e brinca com os meus sonhos”.

Os progressos intelectuais pouco valem se não tornam mais humanas e felizes as pessoas. A meta do saber é que nos tornemos simples e serenos e belos como as crianças e os poemas e as flores. Assim talvez então possamos chegar ao Gênesis: criados à imagem e semelhança de Deus.

Voltar a ser criança é um longo processo de sabedoria. É explorar todas as possibilidades humanas e descobrir, com espanto, que o ponto de chegada está no ponto de partida. O poeta Eliot aconselha: “Não devemos cessar a exploração; o fim de todo o nosso trabalho é chegar ao ponto de partida e conhecer o lugar pela primeira vez”. 

 Exprimiu Joyce Kilmer, no poema Árvore:

“Qualquer néscio como eu sabe fazer um poema.

Mas quem pode fazer uma árvore?

 – Só Deus”.

Parafraseando o poeta, pode-se também dizer que qualquer néscio poderia tecer este texto. Mas quem pode tecer no seio materno uma criança?

 – Só Deus.
 Lauro Daros










9 comentários:

  1. Muito lindo e faz bem pensar! Que o dia da criança seja festejado com simplicidade, ainda mais nessa crise que estamos! bjs, chica

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  2. Texto lindo, poético e gostei muito desse trecho:
    " A criança integra-se à arte divina – a natureza. Ela sabe brincar de inseto e de pássaro; de planta e de vento; de riacho e de pedra. E sabe brincar de Deus. E Deus sabe brincar de criança."
    Ser criança é ótimo, um período que podemos tudo.
    Bela homenagem à criança!
    Beijo, Célia! Um ótimo feriado. Feriadão!

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  3. Lindo texto. Feliz dia das crianças, para todos aqueles que continuam a ter a esperança e a simplicidade de uma criança. Boa semana e exccelente domingo!!

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  4. Que lindas escolhas das frases que sublimam as crianças, é nelas que há a fé, o amor, pois é nessa fase que se aprende a agradecer ou até odiar, aos adultos cabe a responsabilidade dos caminhos que elas irão traçar, amei ler aqui minha amiga Célia, sua sensibilidade é singular, amo isso nas pessoas!
    Além do mais, és professora, para mim não é profissão, é dom, dom divino de poder ensinar!
    Deixo aqui o meu abraço bem apertado!

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  5. Olá amiga!
    Passando para deixar o meu abraço desejar um feriadão feliz e de muita paz e rever suas postagens sempre maravilhosas. Mensagem muito significativa, realmente amiga, voltar a ser criança é um longo processo de sabedoria. É explorar todas as possibilidades humanas e descobrir, com espanto, que o ponto de chegada está no ponto de partida. Os seres humanos e o mundo seria bem diferente se conservessemos o coração de criança.
    Abraços, fica na paz de Deus.
    Lourdes Duarte
    http://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com.br/

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  6. Boa tarde, Célia. Muito bem escolhido o texto.
    Não tem como imitar uma criança, ser ingênuo como ela o é.
    Bom mesmo é sermos naturais e buscarmos a pureza em nosso sentir, algo este, que quando crianças experimentamos.
    Bela homenagem.
    Somente Deus em sua sabedoria criou o ser humano e esta fase tão linda que vivemos quando crianças.
    A infância passa, mas devemos guardar em nós a nossa criança interior, é ela quem faz com que sobrevivamos.
    Tenha um Outubro abençoado.
    Beijos na lama e paz.

    http://divasdapoesianaturalmente.blogspot.com.br/2015/10/o-habitante-by-patricia-pinna-zilda.html


    http://redescobrindoaalma.blogspot.com.br/2015/10/dialogo-com-chronos.html

    http://divasdapoesianaturalmente.blogspot.com.br/2015/10/o-habitante-by-patricia-pinna-zilda.html

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  7. Cabecinha boa de menino triste,
    de menino triste que sofre sozinho,
    que sozinho sofre, — e resiste,

    Cabecinha boa de menino ausente,
    que de sofrer tanto se fez pensativo,
    e não sabe mais o que sente...

    Cabecinha boa de menino mudo
    que não teve nada, que não pediu nada,
    pelo medo de perder tudo.

    Cabecinha boa de menino santo
    que do alto se inclina sobre a água do mundo
    para mirar seu desencanto.

    Para ver passar numa onda lenta e fria
    a estrela perdida da felicidade
    que soube que não possuiria.

    Cecília Meireles

    Beijinhos em todas as crianças!

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  8. Boa noite amiga Célia Rangel!
    Lindo e reflexivo o texto. Sempre digo, que crianças tem almas puras, entendem o inexplicável e aceitam todo e qualquer tipo de diferenças sem questionamentos. Vejo isso em meus filhos e nos meus alunos da educação infantil.
    O brilho no olhar, o carinho, a forma de se tratarem mutuamente e de tratarem os adultos...
    Sou grata a Deus, por trabalhar com os pequenos, pois me sinto feliz e realizada.
    Sempre falo, a "tia" Bia aprende muito com vocês!!!
    Amo tudo isso!!!
    E ser criança é bom demais!!!
    Tenha uma ótima e abençoada semana!!!
    Bjokas...da Bia!!!

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  9. Você nos brinda com uma bela crônica no Dia da Criança, Célia. Que bom seria se pudéssemos colocar um pouco da pureza delas, no coração de todo ser humano...
    Beijos, amiga!

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Saiba que aprendo muito com você.
Obrigada, meu abraço,
Célia Rangel,
Autora responsável pelo blog.
Obs.: NÃO POSTAREI COMENTÁRIOS ANÔNIMOS.