sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Reflexão

  "Os Anjos são esses seres humanos com os quais interagimos e que nos fazem dobrar as esquinas da vida. Podem até ser coisas e não apenas pessoas, mas estas coisas devem ter algum significado existencial em nossa vida. Os Anjos nos orientam na mudança de rotas nas encruzilhadas, mudanças essas que, quando feitas de forma consciente, com nossa plena presença, nos levam a nós mesmos. Parece complicado, mas não é. O que faz toda a diferença é o fato de reconhecermos os Anjos e lhes delegarmos a possibilidade de nos mostrarem alternativas.
  Diferentemente de estarmos perdidos no plano externo quando não conhecemos o lugar onde nos encontramos, no plano interno podemos nos perder pelo mero fato de não sabermos como chegamos a um lugar. O lugar pode ser até conhecido, mas quando a trajetória não é reconhecida, quando não percebemos os Anjos que nos enviaram para aquele lugar, então o sofrimento humano pode ser intenso. Ir para si é acolher nosso destino, sabendo que ele não é o produto de nossas decisões, mas de nossa interação com a vida. Ir para si é mudar nossa caminhada tantas vezes quantas se fizerem necessárias, reconhecendo as alternativas que se apresentam em nossa vereda. Enfim, não se sentir perdido existencialmente vai depender de quanto vamos reconhecendo desse mundo invisível, de gente que se faz Anjo, de mundano que se faz sagrado."

Fonte: ["Tirando os sapatos" - Nilton Bonder - pg.: 47]

 
Recomendo a leitura!


Célia Rangel

sábado, 24 de janeiro de 2015

Audaciosos Caminhos

Há experiências que não passam de autoafirmação.


Há crianças que perderam o espaço do brincar,
e contaminaram-se pelo vírus do consumir.


Há mulheres que negam a beleza da sua feminilidade,
e robotizam-se buscando um ideal estereotipado.


Há homens que se afirmam pela insensibilidade,
perdendo toda a afetuosidade na agressividade do gesto.


Há humanos que deterioram a humanidade e o planeta,
vivenciando suas fúteis experiências sem temperança.


Bom seria se:
- deixássemos de ter razão em (quase) tudo;
- amássemos sem esperar retorno;
- vivêssemos como se fosse nosso último momento;
- deixássemos boas recordações com quem convivemos;
- abolíssemos regras opressoras;
- despíssemos das nossas hipocrisias;
- sonhássemos com a eternidade do bem-viver.


Tranquilos, e sempre em boa companhia,
Isentos de formas modeladoras,
Que desativam nossa imaginação,
Assim, teríamos em nosso 'dial' pessoal,
A frequência exata com o Universo.


Célia Rangel.




Nota: Poema autoral pós-leitura: "Tirando os sapatos" - Nilton Bonder.
Cito a contracapa: "Todo peregrino acaba por defrontar-se com seus próprios fundamentos, os sapatos com os quais caminha pela vida. Embora úteis, os sapatos são uma superfície artificial que nos isola do solo vivo. Esta relação tão ambígua entre o calçado e o caminhante, entre o fundamento e a essência, ou entre a sola e o solo é o território por onde se desloca esse livro. "Tirando os sapatos" é um convite a uma jornada pela topografia da identidade e das crenças pessoais diante do desafio de uma relação aberta e honesta com a vida".




quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Relacionar-se...


A importância da conversa

Paulo Coelho

 

Em toda relação humana, a coisa mais importante é a conversa,  mas as pessoas já não fazem mais isso – sentar para falar, e para escutar os outros. Vão ao teatro, cinema, veem televisão, escutam rádio, leem livros, mas quase não conversam. Se quisermos mudar o mundo, temos que voltar para a época em que os guerreiros sentavam-se em torno da fogueira, e contavam histórias.

As pessoas que contam suas histórias começam a mudar radicalmente. A tristeza vai desaparecendo de suas vidas, as aventuras recomeçam. O amor, que teoricamente seria ameaçado por tantas mudanças, fica mais sólido e maior.


 amor21.jpg

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

EXÓTICA




Exótica
Na simplicidade, se possível, uma alma exótica
Delicada nas ações, fulminante no ideal
Envolvente, mediadora, sabe ouvir
É exótica.
Flor única, pessoa exuberante
Ostenta em todo jardim
Exclusividade.
Deixa marcas no espaço habitado
Nesse mundo e aquém do mesmo
Não haverá distância
Pois, somos paralelas que se cruzarão
Derrubaremos conceitos e preconceitos
No estreitamento dos encontros
Fica no ar o aroma poético
Do que fomos e do que somos
Ainda há em nós alma e coração
Que pulsam regenerando amores.


Célia Rangel

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Wave - Tom Jobim HD


Dois Poetas... Nada mais!

 

Poética

Vinicius

Rio de Janeiro , 1954

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
— Meu tempo é quando.

Nova York, 1950
 
************

Wave

Tom Jobin

Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho

O resto é mar
É tudo que não sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho à brisa e me diz
É impossível ser feliz sozinho

Da primeira vez era a cidade
Da segunda, o cais e a eternidade

Agora eu já sei
Da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver

Da primeira vez era a cidade
Da segunda, o cais e a eternidade

Agora eu já sei
Da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver

Vou te contar...
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=FXKiY6DrZrg

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Dosagem Afetiva


Entre um sol que nasce

E uma lua que se despede

Amores de verão aquecem corações

Nas ruas asfaltadas de sonhos

Comprometem-se beijos e afagos

Faz-se de conta que tudo permanece

Na magia única do sobreviver

Antes do tempo – o momento feliz

Antes da flor - a saudade do perfume

Antes do vegetar – viver ardentemente

Antes do amor – amar simplesmente

Antes de mim – você.

 

Célia Rangel.

 


domingo, 11 de janeiro de 2015

É domingo... medito sobre "Emoções"

"Apesar das aparências, tudo é para melhor e Deus está no leme. Envolvidos pelas emoções, temos dificuldades para entender isso. Confiar e esperar será sempre uma atitude sábia."
Zíbia Gasparetto


"Preciso despir-me do que aprendi. Desencaixotar minhas emoções verdadeiras. Desembrulhar-me e ser eu! Uma aprendizagem de desaprendizagem..."
Alberto Caeiro


"Não dá para nutrir sentimentos como hostilidade, ciúme, medo, culpa, depressão. Essas são emoções tóxicas. Importante: onde há prazer, há a semente da dor, e vice-versa. O segredo é o movimento: não ficar preso na dor, nem no prazer (que então vira vício). Não se deve reprimir ou evitar a dor, mas tomar responsabilidade sobre ela."
Deepak Chopra


"Por tanto amor, por tanta emoção a vida me fez assim doce ou atroz, manso ou feroz, eu caçador de mim..."
Milton Nascimento


https://www.youtube.com/watch?v=Se9XYKHQi3Y 


Célia Rangel

sábado, 10 de janeiro de 2015

"O tamanho das pessoas"




 Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento.

 Uma pessoa é enorme para você, quando fala do que leu e viveu,

 quando trata você com carinho e respeito,

 quando olha nos olhos e sorri destravado.

 É pequena para você quando só pensa em si mesma,

 quando se comporta de uma maneira pouco gentil,

 quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar

 o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade, o carinho,

 o respeito, o zelo e, até mesmo, o amor.

 Uma pessoa é gigante para você quando se interessa pela sua vida,

 quando busca alternativas para o seu crescimento,

 quando sonha junto com você. E pequena quando desvia do assunto.

 Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende,

 quando se coloca no lugar do outro,

 quando age não de acordo com o que esperam dela,

 mas de acordo com o que espera de si mesma.

 Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por

 comportamentos clichês.

 Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.

 Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.

 Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.

 É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas que se agigantam nas críticas e se encolhem quando estão diante dos olhos que sabem "seus segredos íntimos e suas atitudes covardes fruto de sua própria insegurança".

 Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros,

 mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.

 Uma pessoa é única ao estender a mão; e ao recolhê-la inesperadamente,

 se torna mais uma.

 O egoísmo unifica os insignificantes.

 Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande... é a sua sensibilidade, sem tamanho...

 E ainda dizem que "interferência" é atrapalhar o caminhar do próximo. Na maioria das vezes é despertar a "coragem e a capacidade" nos covardes e incompetentes.

 A esperança está na certeza que estes se rendem diante da própria imagem diante do espelho que se olham a cada dia mais infelizes.
Martha Medeiros


Nota: Versão adaptada da crônica "A Fita Métrica do Amor", de Martha Medeiros: Link. Por vezes é erradamente atribuída a William Shakespeare.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Uma nova paisagem




Olhando a enfurecida nuvem de verão
desisti de contabilizar o tempo.


De que importa se, minha história no mundo,
já está contada em letras e números...


Se, de repente, um trovão
risca no céu o raio de uma vida!


Sequer necessito me deslocar fisicamente
para dar uma volta pelos acontecimentos.


Na mente o que vivo e desfruto,
descortina-se eventos não planejados
em alta velocidade!


Hoje, esquecer é meu objetivo.
Das enchentes pensantes quero me livrar.


Há muito armazenado em felicidade ou nem tanto,
mas não quero indigestão moral ou emocional.


Quero renunciar ao acumular e despojar-me lascivamente,
sem retrospectivas...


Quero apenas a poesia da vida!


Célia Rangel.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Olhômetro...



Instalei-me em meu observatório

de onde verei as grandes mudanças

do mundo – da vida,

independente das nossas vontades

acontecerão!

 

Não me basta observar.

Quero estar fazer parte.

Havia luzes espocando no céu,

gritos de boas energias

invadindo espaços

alegria!

 

Olhares pedem isso

em socorro

de uma vida fútil,

sem fé, sem esperanças.

Sentimentos contidos

agora revelados.

 

Outrora, paralisia de ternura

era o diagnóstico.

Restabelecidos?

Vamos à luta!

Há um amanhã a nos esperar sempre!

 

Célia Rangel.

 

sábado, 3 de janeiro de 2015

Eram rosas


Apaixonaram-se. Aquele era o momento mais sublime. Momento de olhar e arquivar na memória afetiva uma troca singular. Ainda desconfiança. Ainda esperança. Em outro momento, talvez. Afinal, a vida é feita de momentos. Abriu a porta. Eram amarelas. Sempre foram. Cultivavam um elo enorme de sabor romântico. Marca registrada desse contato. Às vezes intercalavam-se as vermelhas. Mas logo o retorno das amarelas.

Timbrava um encontro de outros tempos. Já havia conhecimento total entre ambos. Nada mais a ser averiguado. Apenas prosseguir vivências. Cumplicidade e sintonia totais. Caminhar de mãos dadas e pensamentos nutridos sempre. Tudo prossegue com tranquilidade quando se ama com total dedicação e desprendimento.

Fluía doces e ternos gestos e delicadezas. Até que entre Sissi e Jones interpõe-se Beth. Com sua inveja queria tais momentos para ela. Detonava a amiga, com perguntas para saber como fazer para conseguir o mesmo. Destilou uma fofoca de que Jones não era bom partido de jeito algum. Não convivia com a família, sequer visitava-a e tinha hábitos estranhos de isolamento e de quietude. Não era social.

Apimentava com seus diálogos a mente de Sissi tentando nublar seus sentimentos. Em vão. Sissi era muito fiel. Logo colocou Jones a par da situação. Riram. E curtiram muito o dissabor da estratégia furada da Beth. O que ela conseguiu foi aproximar ainda mais o casal. Enamoravam-se mais e mais. A atitude tomada de comum acordo foi afastarem-se da mesma. E, prosseguiram suas vidas.

Em pouco tempo estavam casados. Felizes. Realizados porque a cada dia buscavam reconquistarem-se. A chave desse grande amor foi nunca deixar de se olharem com olhos da primeira vez. Alimentavam-se de carinho. De compreensão. De perdão. De bom humor. Nos momentos de tensão do dia a dia sabiam manter o necessário espaço da individualidade. Respeitavam-se.

Momento tão sólido e duradouro que, ainda hoje, amam-se e, na troca de delicadezas e ternuras solidificam a eternidade amorosa de muitos momentos eternos.

Célia Rangel