terça-feira, 30 de junho de 2015

Preliminares













Assim, num ínfimo espaço mental,

Deposito-me à espera de cura

Onde minha superficialidade

Esgote-se e eu suma.

Penso e escrevo o sentimento

Que, me eleva e transporta,

À vontade grafada na palavra.

Suprema arte, exercício de aptidão.

Há uma jornada longa ainda...

Falta em mim o sol se pondo,

E um luar para beijar nossas estrelas,

Velando por um sono magnífico,

Sonhado em nossos olhares totais e entregues.

Afagos e abraços povoam nossas mentes,

Há um todo partilhado em pedaços entre nós,

Poderia ou poderá – não conjugamos isso,

Pode, e assim, queremos.


Célia Rangel

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Se a moda é colorir... Mãos à obra














Protagonizar vida em seus diversos momentos:

Usar paleta multicor e vários pincéis.

A cada momento - uma cor:

O amor em azul,

A tristeza em cinza,

As paredes internas em vermelho,

O olhar em verde esperança,

O saber viver em amarelo ouro.

Na meditação um roxo contido,

Alicerce no marrom terra firme.

A vida, um arco-íris completo!

Consagração de bem-viver.

Purificar-se no branco para não ser devorada,

Por recorrentes imagens sanguessugas...

E assim, praticar a sagrada arte da despreocupação,

Destituir-se dos bens materiais e entulhos viventes.

Acrescentar o impensável do amor...

Amar - nada mais!


Célia Rangel

domingo, 21 de junho de 2015

Uma relíquia: A Vida!

Há um relógio traiçoeiro
Que não para
E há um ser ansioso
Por satisfazer-se.

Acelerada ou estagnada
A vida prossegue
Recusar de nada adianta
Tudo muda querendo ou não...

Raros são os momentos
Em que a desenfreada batalha
Cede espaço ao silêncio interior
Tão necessário às reflexões.

Pacifica-se quando a tudo se acolhe
Limitando ao seu espaço a impaciência
Depositando créditos à esperança
De que tudo mude para melhor.

Subjuga-se o acelerar dos ponteiros
Ouve-se o som ritmado do coração
Que aquece elementos sóbrios
Para a eterna busca da paz interior.

Célia Rangel


quinta-feira, 18 de junho de 2015

A Arte de Saber Esperar















Uma generosa dose de boa vontade,
de compreensão, e de sabedoria.

Acreditar e esperar no tempo certo,
que tudo aconteça.

Fugir do pessimismo.

Não abrir a porta a medos interiores,
deixando-te engolir pela escuridão da desilusão.

Ao contrário, faças dias de sol e
noites de luas e estrelas!

Celebres com doçura e carinho a espera.

Tranquilizes teu coração com intensa luz,
e esperes o que for melhor para ti.

Tens uma existência sagrada.

Portanto, vivas o que te é oferecido.

E assim, com serenidade,
ouvir no silêncio a voz de tua mente
dialogando com tua alma.

Espere!


Célia Rangel

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Basta de Momentos Desagradáveis...

PARA  OLHAR  POR  OUTRO   ÂNGULO

MÁRIO  QUINTANA – “PARA VIVER COM POESIA”

ü  A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer.
ü  O tempo é um ponto de vista dos relógios.
ü  A modéstia é a vaidade escondida atrás da porta.
ü  Se a casa é para morar, por que a porta da casa se chama porta da rua?
ü  A esperança é um urubu pintado de verde.
ü  O vento assovia o frio.
ü  Um discurso em homenagem nossa é uma verdadeira surra às avessas: fica-se naquele estado horrível e sem palavras com que revidar!
ü  A vida nutre-se da morte, e não a morte da vida, como julgam alguns pessimistas. A morte é o aperitivo da vida.
ü  ...a morte não faz esquecer, mas faz tudo lembrar.
ü  A curva é o caminho mais agradável entre dois pontos.
ü  O que tem de bom numa galinha assada é que ela não cacareja.
ü  Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi  nada à minha altura.
ü  Se eu acredito em Deus? Mas que valor poderia ter minha resposta, afirmativa ou não? O que importa é saber se Deus acredita em mim.
ü  Rezar é uma falta de fé: Nosso Senhor bem sabe o que está fazendo...
ü  O despertador é um acidente de tráfego do sono.
ü  Desconfio desses turistas que consideram exóticos os países visitados. Ficam de fora, vendo o pitoresco em tudo: nas casas, nas roupas, nos costumes, nas crenças... E nem desconfiam que a única nota exótica desses indefesos países são precisamente eles!
ü  O problema da solidão não consiste em saber como solucioná-la, mas saber como conservá-la.
ü  O bacteriologista é um astrônomo às avessas: espia pelo outro lado do canudo...
ü  A pantera é uma curva em movimento.
ü  Nem todos podem estar na flor da idade, é claro! Mas cada um está na flor da sua idade.
ü  Nós não perdemos os mortos, os mortos é que nos perdem.
ü  A morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos.
ü  Não sabias? As nossas mortes são noticiadas como nascimentos pela imprensa do Outro Mundo.
ü  Os lugares comuns são cômodos como sapatos velhos. Facilitam a vida, estreitam relações, evitam desconfianças e desentendimentos. Nunca me senti bem nas salas de estar. Salas de estar... Mas de estar o quê?
ü  Não, o provérbio não está bem certo. O raio é que enquanto há esperança, há vida. Jamais foi encontrado no bolso de um suicida um bilhete de loteria que estivesse para correr no dia seguinte.
ü  A rua é um rio de passos e vozes.
ü  Tenho uma enorme pena de homens famosos, que por isso mesmo perderam a sua vida íntima e são como esses animais do zoológico, que fazem tudo à vista do público.
ü  A Matemática é o pensamento sem dor.



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sábado, 13 de junho de 2015

INFÂNCIA CONTAGIANTE...





















Aprendendo com o imaginário infantil

Outro olhar para o que chamamos de vida,

Há todo um mundo de magia, de mentirinha, do faz de conta.

Uma briga do inconsciente com o consciente

Difícil entendimento entre essas linguagens.

A criança não pensa no amanhã, se vai viver ou não...

O “daqui a pouco” ou “o agora” se fundem,

Na inexistência de tempo e espaço sem nenhuma medida.

Isso não é o que dá sentido à sua vida.

Há uma imensa cumplicidade no brincar,

Fala e se escuta, como se fora várias ao mesmo tempo...

Não há limite entre o sonho e a realidade.

Enxerga o interior de um adulto,

E contesta-o com inúmeros ‘por quês’ (?

Sua metodologia é a da descoberta,

Incorpora o que gosta, dispensando o que não,

Pesquisa sua curiosidade sempre com objetividade.

Depois a adapta em rica história de vida...

Viver, brincar, aprender, errar e ensinar!

Esse ‘serzinho’ nasce sabendo,

Apenas desenvolve quando lhe damos espaço.


Célia Rangel




quarta-feira, 10 de junho de 2015

AMAR... SONHAR... CRIAR...














Amar é preciso... Sonhar é preciso... Criar belezas é preciso...
A beleza começa com um sonho de amor!
É preciso ter beleza por dentro
para semear belezas por fora.
E as belezas são fruto do amor,
as belezas são arte do amor divino.
Você é a beleza do Criador,
é sonho e poema de Deus.
Evoluem as ciências,
renovam-se os conceitos,
relativizam-se os bens materiais;
entretanto, o amor permanece,
porque é divino
e sempre se traduz na prática do bem.
O poeta Drummond criou os verbos
sempreamar e pluriamar,
razão de ser e de viver.
Quanta beleza há em amar! E como é fácil!
É tão natural que se desconfia de tamanha simplicidade.
Cora Coralina, poeta, aconselha:
recria tua vida, sempre, sempre,
faz de tua vida um poema de amor.
E o poeta Quintana convida a rezar os poemas,
os mais belos,
porque a poesia purifica a alma.
Transborda beleza do coração e da mente de Deus:
assim criou-se o universo,
mas não concluído, nem estático.
Você pode aperfeiçoá-lo com palavras e ações belas,
porque o Criador, na imensidão de sua generosidade,
partilhou com você o dom e a arte de criar belezas.
Por ter origem divina, você é essencialmente poeta,
é capaz de amar, de sonhar, de criar.
Não significa escrever poemas – pode até ser –
significa, sim, por meio do amor, do sonho e da criatividade,
devolver ao mundo a magia e o encanto,
a beleza e a harmonia, a justiça e a paz.
Ser poeta significa tornar o mundo um poema de amor.
Você dispõe, para isso,
da inteligência e da sensibilidade, da ciência e da tecnologia,
da economia e da política, da educação e da religião.
O que você é, é um presente amável de Deus para você;
o que você se tornar, é seu presente amável para Deus.
Amar é preciso... Sonhar é preciso... Criar belezas é preciso...

Ir. Lauro Daros


terça-feira, 9 de junho de 2015

Ama-te

Afaga-te com serenidade
Perceba como tu és
Sinta teu rosto... tua pele
Teu corpo... tua alma
Aqueça-te com ternura
Abriga em ti o coração
E liberta tua alma
Olha-te no espelho do olho
E trace teu perfil
Sonhaste assim?
Idealizaste isso que vês?
És feliz? Estás pronto?
Senão... reforma-te
E, prossigas
Enquanto é tempo
E o caminho está aberto
Coragem! Vai...
Minha mão será a tua
Meus olhos serão os teus
Meus passos serão os nossos
Em um só destino
Mágico e eterno.

Célia Rangel

sábado, 6 de junho de 2015

Flashes














Entre muitos desejos alheios
Sonhos não sonhados por mim
Fiz-me gente.

Muito precisei anular
Desaprender e buscar alternativas
Certamente bem opostas ao manual que quiseram me impor.

Subtrai desafetos multipliquei gentilezas
Abri mão de alguns adornos supérfluos em minha personalidade
Fui autêntica.

Quanto deixei ir por entre vãos dos dedos
Andei em direções inversas descobri outros caminhos
Vi, ouvi, falei, e calei-me.

Quando então fui transparente
Desvestindo alma nas emoções vividas
Mergulhei no alheio buscando-me.

Célia Rangel



terça-feira, 2 de junho de 2015

Poema que se come...












Na cozinha celebra-se a poesia:
- no olhar, no sentir, no cortar,
- no preparar aos queridos o que partilhar.

Cada folha/fruto, em seus diversos tons,
cada tempero que provoca o paladar e,
define o sabor,
Em cheiros, aguça o degustar,
para devorar o que o corpo pede.

A imagem do humano se define no desejo do comer,
ou só em ver e, abster-se, por não gostar ou não poder.

As uvas estão verdes!

Aquilo que um olhar projeta faz poesia na intimidade.

É nesse laboratório onde se reúnem pessoas e seres diversos:
- bocas sedentas,
- mãos que se tocam
- na busca do alimento
- para corpo e alma...

O servir e ser servido.
O doar e o receber.
No envolvimento da entrega em que ferve
no fogo das paixões enrustidas...
Surge o palco de grandes espetáculos.
Com pessoas, seres famintos de um querer bem
Frutos suculentos e marcantes de toda uma vida.


Célia Rangel