sexta-feira, 31 de julho de 2015

Sensorial














Silêncio que apraz memórias felizes,
Preenche lacunas, fortalece palavras a serem ditas.
Há uma sede que se sacia ‘goticulamente’ na busca do saber.
A dura realidade das exigências afasta o 'devanear',
Mas há vozes interiores que cobram:
um bem-viver, um bem-amar,
um bem-isolar, um bem-olhar,
um bem-colorir... um bem-ser.
Das vozes há um temor e uma carícia de fuga,
De proteção para intensa introspecção.
Poucos têm a chave,
Poucos abrem essa porta,
Poucos falam,
Poucos ouvem,
Poucos tocam,
Poucos e loucos...

Célia Rangel

terça-feira, 28 de julho de 2015

Demasiadamente Humana.

Memoria selvagem aprisionou-nos

Assim, o nosso amor ficou nas entrelinhas do tempo,

Amando-nos sem reservas em pensamento,

Bonito de se amar,

Improvável de se reviver.

Anjos transportam nossos sentimentos...

Assim escrevo, e sei que eles leem,

Desdobro-me em ser quem sou,

Sem reservas, sem nenhum artifício,

Canto minha liberdade em verso e prosa.

Mudei as lentes, vejo cores onde era cinza apenas,

Vivo e deixo que vivam sem mentiras ou vergonhas,

Que nublem a mais rica das paisagens:

- a humana!


Célia Rangel





sábado, 25 de julho de 2015

Dia dos Avós

Cíclico

Há uma esfuziante primavera - os netos -

Há um aconchegante outono – os avós -

Onde colo e sorrisos se mesclam,

Sabores e aromas perpetuam-se,

Brincadeiras e sonhos,

Energias e devaneios,

Risos.

Vidas que chegam,

Outras que se despedem,

Lágrimas.

Multiplicação amorosa da espécie,

Árvore genealógica regada com muito amor,

Seiva inebriante reprodutora do prazer em viver.

Faz-se vida em réplicas!



Célia Rangel, avó desfrutando seus ciclos...



sexta-feira, 24 de julho de 2015

Aos que ousam... educar e romantizar...

Dia do Escritor - 25 de julho - 

Suas asas nem sempre são mágicas,
Autênticas no endeusamento do seu voo,
Atingem corações e perpetuam-se.
Percorrem estradas longínquas,
Que com matizes diversos,
Colorem sublimes ilusões.
Quando tudo parece extinto,
Recorre a sentimentos nobres,
Envolventes, apaixonantes, loucos...
Ressurge nas garras de sua angústia,
Sublimando e inebriando-se com a vida,
Reabastece-se com palavras que transcendem,
Em longo caminho até outras mentes.
Nem sempre compreendido sabe
Que o escrito não lhe pertence...
Sonhador faz das palavras, sua arma
Projetadas em devaneios extasiantes,
Que interceptaram o embrião do paraíso...
Incubador do gene de escritor!

Célia Rangel


quarta-feira, 22 de julho de 2015

Um poema... Que reflexão!

"De noite quando dormia"
Antônio Machado

De noite quando dormia
sonhei, bendita ilusão!,
que uma nascente fluía
dentro do meu coração.
Por que ribeira escondida,
água, vens tu até mim,
manancial de nova vida
onde jamais eu bebi?

De noite quando dormia
sonhei, bendita ilusão!,
que uma colmeia vivia
dentro do meu coração;
e as douradas abelhas
iam fabricando nele,
com as amarguras velhas,
branca cera e doce mel.

De noite quando dormia
sonhei, bendita ilusão!,
que um ardente sol luzia
dentro do meu coração.
Era ardente porque dava
o calor de um rubro lar,
e sol porque alumiava,
porque fazia chorar.

De noite quando dormia
sonhei, bendita ilusão!,
que era Deus o que eu trazia
dentro do meu coração.

Extraído de: ANTOLOGIA DA POESIA ESPANHOLA CONTEMPORÂNEA, seleção e tradução de José Bento, Lisboa, Assírio & Alvim. 



segunda-feira, 20 de julho de 2015

Dia Internacional da Amizade

AMIZADE
Sorrir ao lado de um amigo me parece já ensaio do paraíso. Há serenidade quando estão em cena tão só o encontro e o convívio.
A natureza celeste inicia-se neste vibrante Planeta. Há céu sempre que relações puras se fazem do nada e se prolongam sem exigências. Há céu quando as coisas mais simples ganham beleza de celebração. Celebrar na recordação é dar-se o direito de alegrias contínuas. Pois o encanto da amizade está em trazer à lembrança imagens reais de quem está aconchegado no coração.
Há conforto na amizade suave, e a transparência sem medo é o mais nobre presente. A graça em sentir-se tranquilo é saber que a tranquilidade perdura na verdade. Revelar-se é prazer, e confiar escolha fácil.
Gratidão é um estado de magia pela leveza de saber que existe um amigo. A vida é um celeiro de belezas, e a mais sagrada é a amizade. Conservá-la e nutri-la é sublime, e sutilezas não a abalam. A indiferença pode feri-la, no entanto o olhar a fortalece.
O poeta sabe que, na amizade, o silêncio é confortável, e a palavra música. Tudo é arte, e o amigo é artista que confere sentido aos mais singelos sinais.
Amigo é um grão de ouro que se desprende de Deus e se torna tesouro. Quem o encontra faz a experiência da imensidão do amor divino.
E nunca mais será o mesmo. 
Lauro Daros.



terça-feira, 14 de julho de 2015

Sobrevivendo ao Amor
















Adormeço com o sentimento de finitude...
Menos um dia, e amanhã, tudo renascerá?
Busco você na minha mente e no meu espaço.
No céu convido a estrela que é você,
E, que pisca incandescente a dançar...
Me solto em seus braços em roda-viva!
Há um laço em sonhos que nos envolve,
Contrasto a minha com a sua loucura...
Em beijos e abraços insanos.
Há paraísos celestiais em torno de nós,
Na penumbra da vida, sem hesitação alguma,
Fecho os olhos e aguardo as bênçãos angelicais.
Palpáveis nossas lembranças desfocadas,
Ainda que amareladas pelo tempo,
Dão vida às nossas imagens.
Talvez, não devesse amá-lo tanto,
Mas, sim, preservado minha mente,
De uma esclerose amorosa.
Felizmente, sobrevivo aos bons momentos,
Os demais, aniquilo-os.

Célia Rangel


quarta-feira, 8 de julho de 2015

Adaptar-se
















Maravilhosos momentos requerem tão pouco...
Certo magnetismo... sensibilidade... amor...
Pronto! Ingredientes perfeitos para
Encontros eternos...

Memória afetiva que se energiza,
Luzes que se acendem eternamente,
Fogo que arde na paixão duradoura
De olhares trocados ternamente.

Vidas que ainda se surpreendem
No eclipse de suas luminosidades
Irradiam amores encontrados
Eclodem no espaço sideral...

O eterno existe e,
aloja-se nas entranhas
de almas possuídas
por uma única aura!

Célia Rangel


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Personas














Somos em muitas, entre paredes, teto e chão,
Esbarramo-nos em nossos artifícios,
Teimosias, alegrias, tristezas, amores e dissabores.
Fomos completadas com razão e emoção.
Dois ícones que não se compactuam
Quando um se sobrepõe,
O outro se desconecta e some.
A casa fica povoada, cheia de pertences aleatórios.
Há um trânsito interminável,
Que nada e ninguém conseguem disciplinar!
Enquanto uma dorme, a outra sonha,
Outra faz, e acorda cansada...
Ritmo alucinante de vida que ferve em emoções.
Surpresas, entendimentos, averiguações, e muitas divagações...
Muitas vezes fogem do controle,
Simplesmente se entregam e vivem...
Umas, no palco celebrando,
Outras, na plateia aplaudindo,
Jogamos muito entre nós...
Todas sabem a que vieram.


Célia Rangel