quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Há um clima diferente


 
Já é tarde e o olhar se move lento,

Busca no horizonte o uivo do vento,

Que se esconde na paisagem rubra do pó.

Arde, queima, enrubesce a face,

Ao olhar o que longe ficou.

Então, resta o silêncio que encanta,

Que sibila na voz do vento,

As notas de uma audição enamorada.

Lentamente tudo se esvai...

É o justo, providencial e sábio repouso,

Do olhar que se fecha,

E retém imagens únicas sombreadas,

De um tempo majestoso, íntimo

Desenhado na tela erótica,

Sem repressão, mas com liberdade

Da expressão básica do fluir de toda uma vida.

 
Célia Rangel   
 


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Orgulho

Impede-nos o orgulho
inferioriza-nos
na possibilidade
de uma entrega.


Há medo em demostrarmos
nossa realidade
manchar a autoimagem
sedimentada em nós.


Idealizamos o ser-entidade
mascaramos dores e verdades
numa imagem final frágil
ridícula em sua concepção.


O que importa agora
é a luz do espelho refletor
que faz a autêntica revelação
do que somos.


Sem máscaras ou artifícios
íntegros na revelação amorosa
tendo como concreto
a nossa entrega.


Célia Rangel

sábado, 22 de agosto de 2015

Razões









Já que o amor muda a cada momento,
Plastifico sentimentos.
Em meu interior deposito esperanças.
Não busco razões para amar,
Tropeço nas falas, não na sensibilidade.
Sinto a solidão cultivada em precioso silêncio,
Ah! O quanto ele me ensina!
Desfaço-me de entulhos mentais,
Em nada me acrescentam.
Contabilizo sonhos de gratidão em atos amorosos.
Sei a distância saudável dos nossos espaços,
Sigo um caminho, ainda que entre pedras,
Onde penetram sementes que hoje cultivo,
E que amanhã ainda colherei.
A cada encontro um encantamento,
Que só a magia de amar propicia,
Uma alquimia regada à ternura, 
No estágio transcendente em que estamos.
Assim, concebemos nossa unidade amorosa,
Sem dominantes ou dominados,
Somos.

Célia Rangel

domingo, 16 de agosto de 2015

16 de agosto


O que desfila diante nossos olhos,

É triste.

Um país rico em belezas naturais,

Rico em pessoas honestas, e batalhadoras,

E pobre em dignidade!

Corruptos deterioram nossa economia, nossa vida.

Mentiras deslavadas asseguraram os votos.

Urna desacreditada pelas promessas vãs,

Criaram uma ala de ladrões e vagabundos,

Que corroem nossa saúde, nossa educação, nossa segurança...

Vamos deixar que continuem nos estuprando e escravizando mentalmente?

Até quando?

Dignidade já!


Célia Rangel

 

sábado, 15 de agosto de 2015

O Nome onde os Mundos começam...

QUANDO O SILÊNCIO COBRE O NOME

Havia um homem que dizia o nome de Deus.
Quando o coração lhe doía por uma criança que chorava,
ou um pobre que mendigava,
ele andava até a floresta,
acendia o fogo,
entoava canções
e dizia as palavras.
E Deus ouvia...

O tempo passou.
Voltou à mesma floresta.
Mas não carregava fogo nas mãos.
Só lhe restou cantar as canções
e dizer as palavras.
E Deus o atendeu ainda assim.

Um tempo mais longo se foi.
Sem fogo nas mãos,
sem força nas pernas,
não alcançou a floresta.
Mas do seu quarto
saíram as mesmas canções
e as mesmas palavras.
E Deus lhe disse que sim...

Chegou a velhice.
Nem floresta nem fogo ou canções...
Restaram as palavras.
E o mesmo milagre, ocorreu.

Por fim
sem fogo ou floresta,
sem canções ou palavras.
Só mesmo o infinito desejo
e o silêncio:
E Deus tudo entendeu...

Rubem Alves, "Pai Nosso: Meditações"

sexta-feira, 14 de agosto de 2015



"Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive."

Fernando Pessoa

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Agradecimento!

 TEU NOME É UM ACRÓSTICO DE AMIZADE

C ontigo traduzo o significado da amizade
É através dela que desnudo tua alma
L eio que almas afins tocam o mesmo sentimento
I nspiram-se na poesia que dentro habita
A mar é nosso comprometimento com o outro.

R ecebo tua energia motivadora na proporção do
A mor que teu coração extravasa
N ele eu me revigoro feito
G otas de orvalho molhando
E m mim lugares ressequidos de solidão...
L eio em ti palavras lenitivas entre almas afinadas!

Regilene Rodrigues Neves
Em 11/08/2015

http://oquetragonaalma.blogspot.com.br/2015/08/teu-nome-e-um-acrostico-de-amizade-c.html

Indico esse Blog: "o que trago na alma" - da Regilene que transborda poemas e amores! Lisonjeada pelo acróstico!
Beijo da Célia.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Uma segunda pele...


Afinados

Sempre que nos predispomos a aprender, significa que transformações virão. Aprendizagem não só de diversos conhecimentos, mas também e principalmente ‘aprender e apreender’ a rica experiência com o outro.

Aprender a aceitar. Aceitar para gostar. Gostar para amar. Reconhecer que o amor que cresce em mim e contagia o outro é fonte essencial para uma convivência feliz, em total sintonia de afeto, respeito e benquerer. É sustentar o olhar que dignifica!

Ele é o meu próximo!

Eu sou o próximo dele!

Assim e, só assim, nos completamos.

Conhecer a realidade interior de ambos, pluralizar as relações: imenso desafio.

Ser digna dessa fidelidade, dessa abertura, expressar emoções e acolhê-las torna-se imensa a perspectiva de expansão de vidas. Atinge-se um alto grau de maturidade!

Estar afinados numa relação, numa comunicação é entoarmos o mesmo som, o mesmo ritmo, a mesma música sem titubear. Sem privilégios. Autênticos. Sabemos o que queremos. Atingimos o ideal de felicidade e cumplicidade com o outro.

Como diz John Powell... “o verdadeiro encontro pessoal, deve basear-se na comunicação honesta, aberta, visceral”.

Em suma, é o respeito a si próprio e ao outro. Isso é possível  e, muito tranquilo, quando vejo no outro e sou para ele... uma segunda pele.

Célia Rangel

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Minha Terra é um rosto

Minha terra é um rosto
onde pousam trêmulas
gotas de luz
como um breve enigma
nas dunas de meus dias.

Minha terra é um odor
que jaz nas folhagens
e nos leitos de erva
ao sol do verão
quando o regato arrulha.

Minha terra é uma voz
repleta de lembranças
e expectativas obstinadas
quando minha mão e meu corpo
vibram de nostalgia.

Minha terra é um poema
engendrado pela ausência
e o tormento de amar
à beira do tempo que vem
nas palavras do silêncio.

Minha terra é um amor
semeado de alegria
e solidez
onde os destinos velados
se abrem para a emoção.

Minha terra tem apenas a alma
para explicar os sentidos
das carícias e do céu
da vida e da morte
e das crianças sorridentes.

Minha terra tem meu rosto
marcado pelo tempo
pela dor e esperança
e pelo fulgor dos sonhos
nos espelhos da manhã.

(Paul Jubin)