terça-feira, 29 de setembro de 2015

A Difícil Arte de Ser Feliz

Coisas do Amor

[...] A alma é o lugar onde o que não existe, existe. Nossa imaginação perturbada enche o futuro de coisas terríveis que assombram o presente. Pode ser até que essas coisas terríveis venham a acontecer. Por isso eu também tenho medo. Mas o certo é viver a sua dor no momento em que ela vier, e não agora, quando ela não existe.

Jesus diz que sabedoria é viver apenas o dia presente. "Por que andais ansiosos pelo dia do amanhã? Olhai os lírios do campo... Olhai as aves dos céus... Qual de vós, com sua ansiedade, será capaz de alterar o curso da vida?" Os lírios do campo serão cortados e morrerão. Também as aves do céu: o momento da sua morte vai chegar. Mas os lírios e as aves não vivem no futuro; vivem no presente. O fato é que aves e lírios vão morrer, mas não sabem que vão morrer. Nós vamos morrer e sabemos que vamos morrer. Em nosso futuro mora um grande medo.

(Rubem Alves)


Viver o aqui e o agora em plenitude, com serenidade cultivando o melhor do nosso caráter é o que nos impulsiona a sermos cada vez mais gratos pela vida que temos - o melhor dos presentes!

Célia Rangel.



segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Ainda que só por hoje...

Dançando com a Vida
 
O ritmo pode não ser do meu agrado.

Mas tenho de acertar o passo no compasso.

De nada adianta o desencontro...

Estar bem primeiro comigo e depois com o outro...

Revitalizo assim minha alma,

Para enfrentamento dos dissabores.

Em meu interior me aconchego amando-me,

Querendo-me um bem enorme!

Revisto-me de coragem para me proteger,

Não deixar que me usem... Não sou descartável.

Objetividade naquilo que quero,

E, fé naquilo que sou e posso,

Transformam meu mundo aqui e agora.
 
Célia Rangel

nuvens.bmp

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Primavera, a Feminina das Estações


Ainda hoje, na memória, elas, as Árvores arquitetam um espaço uterino para animais e seus ninhos,
para a criatividade de brincadeiras infantis, de balanço e de pique-esconde, aconchego em sua sombra e, se há frutas, um deliciar de sabores!

Hoje, dificilmente são tão valorizadas, ao contrário, derrubam-nas para o lucro da construção!

Assim, tornam-se belas metáforas, em verso e prosa...

Ontem, brincávamos à sua sombra,
mágico mistério!
Hoje, sombreiam lápides,
sem mistério algum,
realidade apenas.

Sobrepõe-se a isso tudo, a feminilidade de Deus
ao embelezar sua criação com árvores, frutos e flores
exalando perfume e colorindo nosso mundo interior e exterior!

É o sagrado semeado no existencial de todos.

Primavera - a estação feminina que perfuma e embeleza!

Célia Rangel


sábado, 19 de setembro de 2015

21 de setembro: Dia da ÁRVORE!


Árvore

Sei que nunca verei um poema mais belo e ardente
do que uma árvore: uma árvore encerra uma boca faminta, aberta eternamente ao hálito sutil e flutuante da terra.
Voltada para Deus todo o dia,
ela esquece os braços a pender de folhas numa prece.
Uma árvore que, ao vir do estilo morno, esconde um ninho de sabiás nos cabelos da fronde.
A neve põe sobre ela o seu níveo diadema, e a chuva vive na mais doce intimidade do tronco a se embalar nos galhos seus.
Qualquer néscio como eu sabe fazer um poema.
Mas quem pode fazer uma árvore?
- Só Deus.
(Joyce Kilmer)

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Haicai

Árvore

A raiz profunda
desce ao calor da Terra
por amor ao Sol.

(Lauro Daros)



quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Nova Versão do Chapeuzinho...




Tarde preguiçosa de uma segunda-feira chega de mansinho, Isabele, poderosa em seus 3 anos.

Beija e abraça a vovó, e sai desbravando o apartamento em busca de novidade, de algo para fazer...

Yes, o computador da vovó! Apodera-se do mesmo e diz estar no escritório trabalhando muito: o Word e o Windows ficam malucos com os comandos da garota! 

Vovó dá uns pitacos... alguns aceitos... outros nem tanto: - pode deixar, eu sei!

Depois, vem a cena do lanche:

- o que você vai fazer para eu comer, vovó?

- o que você quer?

- picopa... picoca...

Treinam o correto... risos e desistem...

No papo na cozinha, dramatizam a historinha do chapeuzinho vermelho com cantos e tudo:

- o lobo bate na porta da casa da vovó, várias vezes, e ela não abre MEDO do LOBO!!!

Decisão da Isabele: - dou um pontapé nessa porta... pronto... o lobo entrou vovó...

- ai ele vai me comer?

- não... ele vai te fazer carinho...

E, juntas:-  pela estrada afora eu vou levar ‘picopa’ para a vovozinha...





Célia Rangel




 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Humana

O prazer nas pequenas coisas

Que me isola nos pensares

De arrumar o aconchego interior

De servir e ser servida em delícias

E ter vazio um sétimo dia para o carpe diem

Na calma da alegria por ter saboreado da vida

Em demasia exatamente como planejado

Sabores e aromas de um tempo servido

Em banquetes ávidos na obliquidade de sentimentos

Que na proximidade física, chega a solidificar-se no espiritual

Enigma total de uma cegueira mental incorporada

Nos passos trôpegos em busca do deserto divino - Deus -

Esse mesmo que me abraça e comigo partilha

Do pão e do vinho brindando as alegrias e dissabores da vida!




Célia Rangel


domingo, 13 de setembro de 2015

Espaço


Espaço

 

Um grande hiato em nossas vidas,

Um grande silêncio à nossa procura,

Todo um relógio para contar as horas,

Todo um calendário para sentir o tempo.

 

Tempo em que me tinhas,

Um só corpo.

Tempo em que me vias,

Um só olhar.

Tempo em que me sentias,

Um só coração.

 

As flores, os pássaros, o sol

Que nos encantavam e aqueciam,

Ficaram no tempo da saudade...

De um passado que é presente.

 

Espaço frio... Espaço dolorido,

Espaço amado e cuidado...

Aninhando o espaço da volta...

Da saudade?

Não.

Do amor eterno!


Célia Rangel

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

TEMORES




Há verdades que não fazem sentido e as tememos

Assistimos a isso tudo em décadas de vida com o temor de um recém-nascido

Uma insegurança que aterroriza os princípios apreendidos

Amores, realizações, sonhos, fantasias,

Que ainda invadem nosso ser em experiência de paraíso

Há talento e muita vocação para se viver por inteiro

Difícil é encontrar a integridade corpórea-mental

Anos prateados de perseverança, de fé

Iluminam não deixando nublar a claridade da beleza do amar

Na essência da vida e do amor sem moralismos baratos

Sonhamos com um alicerce de pleno reconhecimento ou de rejeição

Temos todo esse direito adquirido e sedimentado na íntima organização

Na louca ânsia de vivermos a cada amanhecer agora soltos no mundo

Transformamo-nos em alegres presenças ausentes

Só assim faremos sentido em estarmos amorosamente vivos.

 

Célia Rangel

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Pátria & Contrastes




Cantava-se ..."ou ficar a pátria livre... ou morrer pelo Brasil"...
Canta-se a liberdade do quê?


Poluímos a pátria
Biotas somos todos à espera de uma bioética,
para sobrevivência da biodiversidade.


Desgovernanças mil...
..."liberdade... liberdade"...
..."abre as asas sobre nós"...
Na mistura republicana de liberdade e subjugação,
postam-se imagens cínicas da corrupção e marginalidade.


Na esperança ..."que das lutas na tempestade... ouçamos a sua voz"...
Abaixo o cidadão indolente que espera algum milagre...
Mãos e neurônios a postos: ação inteligente é o que nos pede nosso querido Brasil.


Abaixo todo aquele que faz do poder, seu corrupto meio de vida,
assaltando bolsos honestos que lutam pela sobrevivência.


Façamos valer o conceito de bom cidadão!


Que, os bons ventos de um novo tempo, de um novo olhar, tragam sementes revitalizadoras no campo da ordem, da justiça, do progresso, e de uma renda mais justa e humana!


Célia Rangel

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Setembro...


Assim... um novo mês!

 

Ficam pelo caminho

Dores e flores

Sentimentos e momentos

Abnegação e paixão

Nobres amores

Que se diluem no espaço

Em corpos que se esvaem.

 

Ficam ingerências

Por não se saber aonde chegar

Por não sentir sem magoar

Por explorar situações menos felizes

Na autossatisfação ainda que mutilada

Em pessoas que dizemos queridas...

 

Ficam remorsos

Que já não conseguem recuperarem-se

Das insensatezes diárias de amores não consumados

Apenas explorados ao cair de mais uma vida

Que nos atropelou e atropelamos

Sem pedir nem dar o perdão dos apaixonados!

 

Assim, fica apenas a memória

Carregada por erros e acertos

De tentativas inúteis muitas vezes

Na ânsia de dominar e mostrar caminhos

Que agora se mostra impertinente

O que era para ser só suavidade...

 

Célia Rangel