terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Asas Mágicas

Atravessar a impotência até angustiante
De transferir, criar em um espaço gráfico
Ideias, magias de um pensar em prosa
Para fortalecer a poesia,
Isso é uma atração fatal.

A simbologia do silêncio e da ausência,
Fortalece o pensar.

Está nas entranhas, a serenidade do prazer de criar,
Mas há também a temerosa censura,
Que fortalece o calar.

Ah! Se existissem borboletas de palavras...
Em tudo espargiriam cor e leveza,
Que fortaleceriam o sonhar.

Ainda que escrava da criatividade,
Sublima-se tal submissão,
Resgatando-se o voo do talento.
Que decola e aterrissa
No imaginário da mente.
                                          
Feliz 2016 no hemisfério das emoções!

Célia Rangel.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Menino Jesus versus Papai Noel


















- Olá, Menino Jesus, tenho a impressão que preferes o silêncio ao clima dos festejos. E, no entanto, és tu a razão de todo esse vaivém! Afinal de contas, o que está acontecendo? As pessoas olham para ti com um ar de mistério, mas, ao mesmo tempo, não parecem muito interessadas em falar contigo.

- Por enquanto, Sr. Papai Noel, não podes entender. Mais tarde talvez te seja permitido penetrar o que chamas de mistério. Então verás que meu reino, embora comece neste mundo, não é deste mundo!

- Que queres dizer com isso? É neste mundo que nos movemos: não vês o fascínio das luzes, das cores, da música, do brilho nos olhos das pessoas frente aos atrativos que a loja oferece! Certo que és apenas um recém-nascido, mas tens de abrir os olhos aos apelos que nos cercam de todos os lados.

- Apesar de recém-nascido, bem sei o que pensas. Vês tudo com os olhos do mercado e das férreas leis de lucro e acúmulo de capital. O marketing, a propaganda e a publicidade te deixaram míope ou cego. Ofuscaram o sentido oculto por trás de tanto rumor e tanta correria.

- Mas que sentido oculto? A vida está aí para ser vivida. Olha a montanha de panetones, os vinhos, os produtos importados, os jogos eletrônicos... E tantas outras coisas próprias das festas de final de ano. Olha o riso largo, o peito aberto e a despreocupação no olhar e no rosto das crianças e jovens, dos adultos e idosos? As famílias se reencontram.

- Reencontro? Toda essa euforia, em grande parte, não passa de aparência enganosa. Para além do movimento e da luz, esconde-se um mistério. Desculpe se insisto nesta palavra, mas no interior mesmo dessa atividade vertiginosa existe, sim, um mistério ao mesmo tempo real e invisível.

- Mistério, mistério, mistério!... Enquanto te revestes com essa roupagem secreta e misteriosa, as crianças me procuram, me sorriem, me abraçam, registram tudo com fotos... E o mais importante, compram nossas mercadorias e brinquedos... E os pais se mostram felizes com a felicidade dos filhos. Não te dás conta disso! Tu, ao contrário, te escondes aí, como que de escanteio, meio envergonhado. Dir-se-ia que eu tomei teu lugar no presépio, como referência máxima das festividades natalícias!

- Para ser sincero, pergunto-me seriamente o que atrai as pessoas à sedução do brilho que tu representas. Olhando com maior atenção, vejo que muitos buscam dissimular algo, varrer o lixo para debaixo do tapete. A festa é ambígua: pode ser genuína, sem dúvida, mas pode também camuflar ou compensar uma crise, um desencanto profundo, uma falta de sentido consciente ou inconsciente. Não me é difícil surpreender olhares oblíquos, sorrisos forçados, palavras envenenadas.

- Acabas de nascer e já vens com a mania de filosofar. Deixa as pessoas se divertirem enquanto é tempo. Depois vem janeiro, dívidas, contas a pagar... Menos mal que o carnaval está às portas!

- Justamente isso me preocupa. A alegria que circula e se respira neste ambiente festivo parece ter um caráter superficial e passageiro, transitório e efêmero. Por trás de olhares e rostos aparentemente luminosos, é possível identificar pontos obscuros e obtusos, até mesmo desesperados. Há perguntas sobre a existência que brotam de corações feridos, de almas angustiadas. Perguntas sem remédio e sem resposta. Há medos e fugas, becos sem saída. É sobre essa realidade que me concentro.

- Perguntas, perguntas, perguntas! Deixa as perguntas para outro momento!

- Mas são elas – as dúvidas e perguntas, bem como os sonhos, buscas e esperanças – que movem o curso da história. Toda essa corrente frenética não faz mais que deslocar as interrogações de um lado para outro, protelando-as. Minha missão e meu foco é mostrar “o caminho, a verdade e a vida”.    

Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs

Roma, 7 de dezembro de 2015

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

ENTRISTECEU-SE


Ainda com meus 7 anos – muitos sonhos e fantasias
Hoje com meus 70 anos – sonhos decepcionantes, fantasias meu escudo
Uma questão de posicionar-se o número 7
Cabalístico, por sinal.

A cada novo amanhecer – não são gorjeios de pássaros
Mas sim, nuvens tenebrosas por sobre aqueles que elegemos...

Um país tão rico e maravilhoso
Entregue em mãos corruptas!

Não foi esse meu sonho
Não foi esse o mundo de brasilidade
Que deixaria a meus descendentes...

Minha árvore – não só a do Natal – mas a da Vida
Apequena-se – murcha- e não sobrevive
Às garras vampirescas que nos sobrepõem...

Assim, difícil será o “Feliz Natal”
Pois, desejo um “Feliz Caráter” de todos para todos!
Penso na fisionomia de Deus diante disso tudo...
Deve estar repensando o “Criador e suas Criaturas”...

Fortalecendo-nos, na possibilidade de cada um – sejamos felizes!
Pelo menos no enfrentamento das diversidades
Que nos corroem física e moralmente!


Célia Rangel,
Feliz final de 2015...
Ótimo 2016!


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Você pode!














Entregue nas mãos do Universo
tudo o que lhe afrontar...
A nossa impotência nas resoluções,
com um sopro divino, resolve-se.
O amparo espiritual da oração
envolve e reduz incapacidades.
A meditação e o relaxamento...
Deixe fluir bons pensamentos!
Nossa expectativa não é a divina.
Enquanto sonhamos, Ele age.
E, como Pai e Amigo nos ama.
Deixemo-nos levar por essa magia
que nos conduz à Paz interior...
Converse com você, internalize...
Acarinhe-se!
Procure o seu momento, suas asas...
E, ainda que mentalmente... Voe!
Sobrevoe... e com terna amplitude,
dê  rasantes solucionadoras.
Asas? Deus...


Célia Rangel

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Entre o “sim” e o “não”.


balança.gif

Vivemos pelo “sim” de toda uma vida:
O “sim” no altar.

Castramos nossas vontades pelo “sim”...
O “sim” à chefia.

Enclausuramos nossa existência, pelo “sim”...
Pelo medo de fazer “acontecer”.

Desobrigamo-nos muitas vezes pelo “sim”...
Na covardia de um gesto omisso.

Aceitamos a tudo e a todos com um “sim”...
Para não nos desinstalarmos,
Da nossa zona de conforto.

E numa batalha de pensamentos,
Trava-se a guerra entre o “sim” e o “não”.

É menos desgastante o “sim”.
Elabora-se mais para dizer-se o “não”.

O “sim” em geral, é conciliador,
Acolhe.
O “não” é intrigante,
Afasta.

Ambos: “sim e não”, educam,
Na medida certa de ações coerentes,
Com a vida que se traçou
Em nosso altar sagrado.

Atitudes profanas e sagradas,
Digladiam-se no humano,
Nas atitudes do “sim”,
Nas atitudes do “não”.


Célia Rangel

sábado, 5 de dezembro de 2015

Reflexão

Luzes e sombras do Natal
Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs
Nascer, renascer e crescer implicam, ao mesmo tempo, dor e esperança. A dor tempera o caráter e a personalidade, da mesma forma que o fogo tempera o aço. A esperança põe em marcha os pés, passo a passo, sem dúvida, mas com um horizonte a ser alcançado. Dor e esperança, entrelaçando-se num amplexo único e paradoxal, depuram e purificam as expectativas. Corrigem a rota da travessia humana sobre a face da terra, desviando-a de atalhos supérfluas e secundárias, para concentrá-la sobre o foco dos objetivos essenciais e inegociáveis. Quem muito caminha e quem passa pela tormenta, aprende a ater-se àquilo que lhe é absolutamente indispensável. E aprende, igualmente, que o peso do supérfluo retarda o caminheiro.
Eis uma das principais motivações dos grandes momentos e das grandes comemorações, como o Natal, o Ano Novo e a Páscoa, por exemplo. Com efeito, o contexto de tais celebrações comportam quase sempre um terreno marcado, simultaneamente, por sofrimento e libertação. Convém não esquecer que a ambiguidade é condição natural da existência humana. Todo sofrimento traz consigo a luta e a ansiedade pela libertação e esta, por sua vez, representa uma janela aberta diante dos momentos mais difíceis e opressivos, tanto da vida pessoal, familiar e comunitária quanto da trajetória socioeconômiva e político-cultural. Dor e esperança constituem, assim, dois aspectos inseparáveis da ambivalência própria de toda pessoa humana, duas faces da mesma moeda. Luz e sombra são irmãs siamesas, uma estritamente ligada à outra.
A dor encontra-se estampada no rosto de toda Família de Nazaré, particularmente em Maria, mulher grávida, às vésperas do parto. Em terra estrangeira, José e Maria logo se deparam com obstáculos. Dando à luz o seu filho primogênito, “ela o enfaixou e o colocou na manjedoura, pois não havia lugar para eles dentro de casa” (Lc 2,7). A passagem de Ano comporta uma dor menor, mais sutil e quase imperpectível, mas nem por isso inexistente. Dificilmente se deixa 2014 para entrar em 2015 sem uma ponta de saudade, a sensação de que algo ficou definitivamente para trás. É como se um tempo de nossa vida fosse sepultado de forma irremediável, um pedaço do corpo mutilado. Improvisamente apodera-se do coração, da alma e das entranhas um certo sentimento de tristeza, de nostalgia. Quanto à Páscoa, desnecessário sublinhar que se trata de uma festa precedida, de um lado, pela lembrança da escravidão, no Egito, e, de outro, pela morte atros numa cruz.
O importante é dar-se conta que a dor do parto, a sensação de perda com o final do ano e a ignomínia da crucifixão, em grau maior ou menor, carregam embutida uma luz de esperança. É uma nova criança que vem ao mundo, um novo ano que recomeça e a ressurreição que abre a porta para a vida sem ocaso. Embora nu, frágil e indefeso, como todo recém-nascido, o Menino que nasce em Belém vem assinalado por uma estrela que ilumina o caminho dos que o buscam: os pobres, os pastores, os reis magos, e tantas outras “multidões cansadas e abatidas” ao longo dos séculos... Pequena chama que jamais nos deixa órfãos, sós e perdidos na noite escura.
Eis a luz oculta, mas sempre presente, em toda dor. Mais que dor física, aqui enfatizamos as situações-limite de toda vida humana: doença incurável, separação, morte, fracasso, impotência, desilusão, sensação de inutilidade... São os momentos em que, no segredo do coração ou com dilacerantes gemidos, consciente ou inconscientemente, em palavras ou pensamentos, expressamos mais ou menos o seguinte: “Até aqui eu fui capaz de caminhar com as próprias pernas: às vezes cabaleando, titubeando, me arrastando, pedindo ajuda a um e outro; agora, porém, minhas forças se  esgotaram; não tenho energias para seguir adiante; frágil e inerme, entrego-me em tuas mãos, Senhor!” De uma forma ou de outra, quem não experimentou tais situações em que o desespero bate à porta? Situações em que um abismo parece abrir-se e o chão foge sob nossos pés.
É então que a estrela faz sentido! Em meio à noite escura, brilha uma esperança, por mais pequena e tênue que seja. Cabem as palavras de Paulo: “Sabemos que a criação toda geme e sofre dores de parto até agora. E não somente ela, mas também nós, que possuímos os primeiros frutos do Espírito, gememos no íntimo, esperando a adoção, a libertação para o nosso corpo. Na esperança, nós já fomos salvos. Ver o que se espera já não é esperar: como se pode esperar o que já se vê? Mas, se esperamos o que não vemos, é na perseverança que o aguardamos“ (Rm 8,22-25).
A criança que está para nascer é a luz que ilumina as dores de parto. A expectativa de melhores 365 dias é a luz que ilumina a despedida do ano velho. A liberdade é a luz que ilumina a dureza e a brutalidade da escravidão opressora. A vida eterna na casa do Pai é a luz que ilumina a morte e o aparente abandono por parte de Deus. A criação renovada é a luz que ilumina a imagem de Paulo, a Jerusalém Celeste, onde “Ele vai enxugar toda lágrima dos olhos deles, nunca mais haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor” (Ap 21, 4). De igual modo, ainda que frágeis e invisíveis, pequenas luzes se escondem em meio ao sofrimento das situações-limite. Tão pequenas que não raro necessitamos de alguém que nos ajude a abrir os olhos para ver seu brilho.
Para além da noite e das nuvens carregadas, o sol sempre nos haverá de trazer uma a aurora, fazendo renascer o novo dia; para além das tempestades que à primeira vista parecem intransponíveis à nossa minúscula embarcação, esperam-nos águas serenas e tranquilas, que nos levarão ao porto seguro; para além do deserto árido e onde o vento varreu todos os rastros, estimula-nos a expectativa de um oásis e de um encontro; para além da solidão e do desespero, aguardam-nos um olhar límpido, um sorriso largo, um toque amigo, um abraço forte que nos faz retornar ao caminho; para além do silêncio mudo e estéril, “o Verbo se faz carne e arma sua tenda entre nós” (Jo 1,14), apontando novas perspectivas para a história; para além dos tiranos e suas tiranias, acendem-se pequenas chamas que nos convidam à liberdade; para além da fome e da sede, a mesa farta, livre e aberta a todos nos convida ao banquete. “A lágrima e o riso são vizinhos” – diz o escritor português José Saramago.
Cada festividade é uma parada: parada e encruzilhada! O próprio calendário como que nos propõe tais paradas periódicas. Encruzilhada, não custa repetir, pressupõe um duplo aspecto: bifurcação de caminhos e a necessidade de tomar uma direção, de fazer uma escolha. Daí o vínculo indissociável entre tais festividades celebrativas – Natal, Ano Novo, Páscoa – e um processo de conversão. O horizonte se amplia e, diante das diferentes oportunidades, uma vez mais e sempre, somos convidados a parar, refletir e a fazer e/ou renovar a opção. Semelhante processo exige, por outro lado, uma focalização crescente sobre o objetivo a ser alcançado. O caminho só pode ser retomado após o estudo sério das distintas alternativas.
A vertiginosa velocidade das mudanças, os ruídos de um contexto cada vez mais urbano, a ânsia e os apelos frenéticos da vida contemporâneo, os atrativos mágicos do consumismo e a fragmentação dos ideais positivamente tradicionais – entre outros fatores – obrigam-nos poupar energias. Ao invés da dispersão atrás de novidades diárias e da tentativa de correr atrás do ritmo alucinado do cotidiano, a parada/encruzilhada consiste em um momento de concentração. Disso resulta uma atenção especial sobre o que é absoluto, desfazendo-nos progressivamente daquilo que é relativo. Faz-se necessário relativizar algumas coisas para focalizar-se no essencial. Relativizar aqui não quer dizer desprezar ou abandonar, e sim colocar no seu devido lugar. Saber distinguir entre as “muitas coisas” (plural) e “uma só coisa necessária” (singular) do relato evangélico (Lc 10,38-42). Em síntese, trata-se de um convite, sempre renovado, a não sobrecarregar o fardo de nossa existência.


Roma, 20 de dezembro de 2014

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Com licença... Hoje celebro time do coração!!









O amor é verde

branca a razão

eu plantei palmeiras

no coração!

(Moacyr Franco)
https://www.youtube.com/watch?v=-NQv5a80-eE 

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Destaque: "Um Simples Servo de Cristo"




Você encantar-se-á com leitura e ensinamentos nesse blog! Vale visitá-lo!



http://andersonribeiro18.blogspot.com.br/2015/11/tecendo-vidas.html?showComment=1448971716272#c8497486344453592953