terça-feira, 29 de março de 2016

Superpoderes?

Como não ir além do seu limite?
por Roberto Shinyashiki

"Temos de ser bons naquilo para o qual temos talento, o que não significa nos exigir sermos maravilhosos o tempo todo"...
O mundo está uma loucura, mas todos só acertam na vida. Não é esquisito isso? Será que só eu e você temos inquietações e erramos?
Será que só eu e você temos a sensação de correr o dia inteiro e ainda estar em falta com alguma coisa no fim do dia? Todo mundo tem dúvidas, mas faz pose de gênio! Os super-heróis atacam por todos os lados. E os seres humanos deixam de viver as ordens do coração para viver num mundo de aparência.

Fico impressionado com o número de pessoas que se enche de dívidas só para desfilar o carro novo para o vizinho, ou para fazer inveja à amiga com a bolsa de marca famosa, ou para deslumbrar a mulher desejada com um jantar além da sua condição financeira. Pessoas que se cercam de bens materiais e conceitos supérfluos para serem admiradas. Pessoas que não sabem como é bom amar alguém. Não conhecem a essência de um relacionamento. Querem apenas impressionar. Aparentar aquilo que não são.

E os pais super-heróis? Esses querem que os filhos também sejam super-heróis. Lotam a agenda das crianças com aulas e mais aulas. Elas não têm tempo livre sequer para brincar. A ideia dos superpais é preparar os filhos para o futuro. Mas assim as crianças acabam perdendo a infância. Ou seja, não fazem a única coisa realmente importante para se tornar um adulto pleno.

Gostaria de convidar você a refletir um pouco sobre seus heróis. Pense por alguns segundos nas pessoas que você admira. Quando proponho essa reflexão em meus seminários, em geral ouço descrições que lembram os super-heróis das histórias em quadrinhos ou do cinema. Heróis com superpoderes que nada têm a ver com o mundo real. 

Apesar de ter plena consciência de que essa imagem não passa de pura fantasia, a maioria das pessoas embarca nela de cabeça. E se ilude querendo mostrar que são superexecutivos, superempresários, supermães, superprofessores, superamantes.

Não estou dizendo que a pessoa que procura dar sempre o melhor de si em cada ação está errada. Ao contrário. É altamente positivo buscar a excelência em cada coisa que fazemos. Isso não quer dizer, no entanto, que sempre sairemos vitoriosos de nossas batalhas. Ninguém consegue ganhar todas as disputas da vida. 

Quem exige de si vencer o tempo todo está se candidatando a viver crises de depressão ou, pior ainda, agir sem ética para vencer a qualquer preço. Quem precisa se sentir importante o tempo todo está criando um grande vazio em sua vida... É preciso estar muito consciente para não embarcar nesse jogo de aparências e não se deixar envolver em atividades sem sentido para sua vida. 

Acredite: é possível ser feliz com o que você tem e é. Eu digo, com todo carinho do meu coração: da mesma maneira que é importante tirar das suas costas o peso de ser algo que você não é, também é importante tirar esse peso dos ombros de quem está a seu lado. Aliás, nem precisamos ser o que não somos nem precisamos ser perfeitos no que queremos ser. Ser muito bom já é suficiente. Temos de ser bons naquilo para o qual temos talento, o que não significa nos exigir sermos maravilhosos o tempo todo. 


7 comentários:

  1. Que lindo e reflexivo texto! Adoro o Roberto Shinyashiki! Valeu! Lindo dia! bjs, chica

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  2. A vida anda perturbada mesmo, as vezes queremos fazer o melhor e tanto que acabamos fazendo tudo errado...

    bjokas =)

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  3. Boa Tarde, queria Célia!
    Fui uma cobaia também como filha mais velha e ganhei uma desidrose por isso... desde 7 aninhos... foi horrível! Não tem fim os efeitos disso pela vida toda...
    Bjm muito fraterno e pascal

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  4. Amiga Célia, amei a sua escolha de texto por aqui, é bem assim, acho que nos aceitarmos como somos é muito bom, eu não sei bem se sou boa no que faço, mas amo o que faço e isso me dá alegria.
    Não sou melhor em muitas coisas, mas sou melhor comigo mesma, o que amo escrever é o que sinto que sou, nem digo muito que "sou", mas como estou!
    Acho que fiz tudo e faço tudo da melhor forma que posso, não me preocupando muito se vou ou não agradar as pessoas, pois a coisa mais difícil do mundo é isso, agradar "ozotros" né mesmo?
    Amiga sempre querida, tens boas inspirações e aqui se lê e se aprende!
    Abraços bem apertados!

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  5. Gostei do texto, Célia! De facto, super-homens e super-mulheres só mesmo no cinema.

    Beijinhos

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  6. Muito bom texto, esse autor é ótimo!
    Abraços Célia!
    Mariangela

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  7. Gosto muito do Roberto Shinyashiki. Pois é, sermos o que não somos já dá uma mão de obra, imagine querer que o outro seja o que queremos! Sabe, Célia, você vê muito isso que o Roberto fala, nas redes sociais. É algo extremamente exibicionista: mostram o carro, a casa da praia, todas as viagens possíveis, roupas e outras tantas coisas. Fazem para mostrar, esse é um dos objetivos. Há anos eu era um pouco iludida com o ser humano, com o evento das redes veio muita decepção.
    Por que mostrar tanto? Subir no conceito de quem? Não costumo falar nas redes, não gosto de ofender ninguém, mas esse pessoal está mergulhando num lamaçal perigoso. Basta ouvirem um pouco os entendidos no assunto.
    Nada mais rico do que sermos nós, sem afetações. Acho que o mundo está carente disso.
    Beijos.

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Célia Rangel,
Autora responsável pelo blog.
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