quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Boa Vontade

Entre as coisas pequenas mas, infinitamente abundantes e portanto, muito eficazes a que a ciência deveria prestar mais atenção que às coisas grandes e raras, está a boa vontade.

Refiro-me a essas expressões de estado de ânimo amistoso nas interações, àquele sorriso no olhar, aos apertos de mão, à tranquilidade que geralmente envolve quase todos os atos humanos. Cada professor, cada funcionário inclui esse ingrediente entre os seus deveres. É a contínua manifestação da nossa humanidade, seus raios de luz, por assim dizer, da qual tudo emana. Especialmente no círculo mais estreito, na família, a vida brota e floresce exclusivamente, por essa boa vontade.

A boa índole, a amizade e a cordialidade são tributárias perenes do impulso altruísta e fizeram contribuições muito mais importantes à cultura que as expressões muito mais conhecidas desse impulso chamadas devoção, caridade e autossacrifício. Mas tendemos a subestimá-las, e na verdade não há muito de altruísmo nelas. Mas a soma dessas pequenas doses é poderosa; sua força cumulativa está entre as maiores forças.

Da mesma forma, muito mais felicidade pode ser encontrada no mundo do que são capazes de enxergar olhos turvos, se calcularmos corretamente e não esquecermos todos os momentos da tranquilidade que de tal maneira abundam a cada dia de cada vida humana, mesmo a mais oprimida.

(Humano, demasiado humano - Nietzsche) 

3 comentários:

  1. Boa noite querida Célia!
    Um belo texto reflexivo!
    Nossos dias deveriam ser contados pelos momentos de alta e intermediários... as desolações são parte do ofício... não mais!
    Bjm muito fraterno

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  2. Lindo texto e a boa vontade pode ser percebida de longe em cada tarefa nossa ou que vemos perto de nós ser cumprida! bjs, chica

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  3. Excelente escolha para meditação, Célia!
    Não encontrei nada duvidoso nas afirmações de Nietzsche...
    Abraço, desejando uma excelente tarde.
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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Célia Rangel,
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