terça-feira, 28 de junho de 2016

Humildade

Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.

Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.

Cora Coralina


domingo, 26 de junho de 2016

Humanização 
Lauro Daros
      
Na obra O FENÔMENO HUMANO, Theilhard de Chardin, padre, geólogo e paleontólogo francês, explicita os termos antropização, hominização e humanização. Refere-se à antropização como a fase em que fomos adquirindo os traços do corpo (formato do crânio, redução da face, liberação das mãos, feição corporal). Sobre a hominização diz que é a fase em que passamos da vida animal não reflexiva à vida humana reflexiva. É o salto do instinto para o pensamento. Não deixamos de ser biosfera, mas passamos a compor a noosfera, a camada pensante da vida. E trata a humanização como o processo evolutivo em que passamos a adquirir os valores humanos, vistos na cultura geral, quando estudamos a história das civilizações.

A humanização, sendo cultural, é permanente. Seres em evolução, vamos sempre nos renovando, adquirindo novos valores e lançando novos olhares sobre valores cristalizados. Às vezes, a mudança é cumulativa, como, por exemplo, os processos pedagógicos, que geralmente mantêm características da fase anterior; outras vezes, a mudança faz saltos, é paradigmática, como, por exemplo, a teoria evolutiva de Darwin, que abalou a teoria criacionista da Bíblia.

As evoluções cumulativas geram menos protestos, pois são suaves e as pessoas têm tempo de se adaptar; as evoluções paradigmáticas provocam grandes revoltas, pois rompem com uma série de conceitos e práticas sociais. Basta verificar a crise que gerou na Igreja e na sociedade a teoria da evolução de Darwin, ou a teoria heliocêntrica de Copérnico. As mudanças cumulativas ocupam-se apenas com reformas; as paradigmáticas são transformadoras.

Estamos passando por uma mudança importante: do racionalismo, promotor de tantos problemas sociais e ambientais, incluindo a dicotomia ser humano/biosfera, para o equilíbrio razão/emoção, promotor de uma cultura ética, espiritual e solidária, incluindo a integração ser humano/biosfera.

As sociedades ou as pessoas que promovem guerras, que fabricam injustiças sociais, que depredam a biosfera precisam dar um salto transformador, precisam humanizar-se, precisam evoluir. Não basta terem a forma humana (a antropização) e pertencerem à noosfera, à camada pensante da biosfera (a hominização). Precisam rever seus valores e envolver-se, urgentemente, no processo de humanização. Retomando Theilhard de Chardin, "O homem não é apenas o animal racional, como queria Aristóteles, mas é o animal reflexivo. O homem não é apenas 'um ser que sabe', mas 'um ser que sabe que sabe'. Essa característica possibilita a ética, alimenta a espiritualidade, chama à solidariedade.

Ao receber a capacidade da reflexão, fomos chamados à permanente humanização. Porém, o atrofiamento destes valores (ética, espiritualidade, solidariedade, entre outros) brutaliza a nossa mente e o nosso coração, tornando-nos promotores de um mundo injusto e inóspito, como escreve Edson Ferreira de Carvalho: "Enquanto a porção rica do globo viver na abundância e a miséria e o atraso campearem nos países do terceiro mundo (os mesmos que foram vítimas do colonialismo), existe pouca esperança de se alcançar um futuro comum e justo no pequeno planeta Terra. Se a economia continuar a se expandir na direção de um mundo mais rico, porém excludente, cada vez menos pessoas poderão participar das vantagens de uma sociedade tecnologicamente moderna em um ambiente ecologicamente equilibrado. Se, por um lado, existe íntima relação negativa de causa e efeito entre superconsumo e degradação ambiental, por outro, existe também entre pobreza e meio ambiente. A pobreza, geralmente, empurra os pobres para ambientes cada vez mais marginalizados. O aumento da população pobre do mundo resulta em maior pressão sobre ambientes fragilizados, fazendo com que se reduza a probabilidade de efetivação dos direitos humanos e a proteção do meio ambiente".

A humanização faz-se na convivência amável com o outro. Humberto Maturana e Francisco Varela expressam que "sem amor, sem a aceitação do outro ao nosso lado, não há socialização, e sem socialização não há humanidade".

http://crbnacional.org.br/site2015/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=64&Itemid=202

sábado, 25 de junho de 2016

Quadrilhas tomam conta de plenário da Câmara

Na ausência de deputados em Brasília por causa dos festejos de São João, quadrilhas -juninas- tomaram conta do plenário da Câmara na tarde desta sexta-feira, 24.

A proposta de sessão solene em homenagem aos quadrilheiros juninos é do deputado Izalci (PSDB-DF). O Dia Nacional do Quadrilheiro Junino é comemorado no dia 27 de junho.

As apresentações são intercaladas por discursos dos representantes das quadrilhas juninas.

“Espero que a mídia saiba separar o quadrilheiro junino do quadrilheiro corrupto”, disse um dos representantes das quadrilhas juninas.


http://politica.estadao.com.br/blogs/coluna-do-estadao/quadrilhas-tomam-conta-de-plenario-da-camara/

terça-feira, 21 de junho de 2016

Acordando para a Vida



Uma afinidade tão grande que gera desconforto...

Um olhar tão penetrante que invade a aura...

Um semblante tão amigo que prende e inebria desejos...

Uma aventura perfeita em sonhos delicia sentimentos.

Uma ausência sofrida, um vazio que não se preenche.

Uma busca eterna no caminhar: encontro, desencontro.

Interrogações existenciais: busca de grandes verdades.

Um corpo, invólucro de alegrias e dissabores vividos.

O que fizemos de nós no tempo concedido?

Medo da incoerência, freio do impulso.

Incerteza da aceitação, refúgio da timidez.

Eternizando sentimentos, abrigo íntimo.

Segredando toda uma sensualidade, jamais exteriorizada.

Homem & Mulher criados à imagem e semelhança do Criador,

Para a felicidade, simples e suave... tão somente.

Juntos – sempre!


Célia Rangel

terça-feira, 14 de junho de 2016

INTIMISTA



Do espaço onde estou
Não quero mais figuras inertes
Abnegadas sem reação alguma,
Impotentes diante de mandos e desmandos...
Sem caráter. Sem moral. Sem crença.

Quero respirar... Voar... Sentir...
A pureza e a simplicidade de um novo tempo
Da minha alma, dos meus sentidos,
Sem crises existenciais que me sufocam!
É monótono.

Quero poder manter a paz da solidão.
Quero ser somente eu íntegra e serena...
Basta.

Afinal, hoje, sei quem sou.
Um ser que vive e não vegeta,
Que abomina incoerências e fingimentos...
Tenho atitude.

Quero um espaço no infinito onde caiba somente o coração...
Nele está minha alma!
Onde possa espreguiçar toda minha vida abolindo a razão.
Sou responsável por aquilo que escolho.
Faço um inventário das minhas emoções.

Íntimo espaço, para poucos, muito poucos.

Célia Rangel


sexta-feira, 10 de junho de 2016

Um poema eterno


Amor é síntese.



''Por favor, não me analise

Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu...

Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.

Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços

E eu serei o perfeito amor''.

                           
(Mário Quintana)



domingo, 5 de junho de 2016

Dia Mundial do Meio Ambiente




“Solte a fera pela vida”. Este é o tema do Dia Mundial do Meio Ambiente de 2016, celebrado globalmente no dia 05 de junho sob a coordenação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

O tema traz à tona o tráfico de animais silvestres e a necessidade de combater esse comércio ilegal que destrói a biodiversidade, ameaça os ecossistemas, gera custos para a economia e coloca em risco a vida de seres humanos.

Crimes ambientais como o comércio ilegal de animais silvestres, a destruição ilegal de florestas por empresas, a exploração e comércio ilegal de ouro e outros minerais, a pesca ilegal, o tráfico de resíduos perigosos e a fraude de créditos de carbono, estão crescendo duas a três vezes mais rapidamente que o PIB global.

O Brasil é o país com a maior diversidade de espécies no mundo, possuindo mais de 103.870 espécies animais conhecidas no país. A perda e fragmentação de habitats naturais e captura, comércio e guarda ilegal de animais silvestres são algumas das maiores ameaças para a fauna nativa.

Um número elevado de espécimes vem sendo extraído da natureza sem levar em consideração a capacidade de reposição natural das espécies. A ONG Renctas estima que, no Brasil, cerca de 38 milhões de exemplares sejam retirados anualmente da natureza e que aproximadamente 4 milhões deles sejam vendidos, pois para cada produto animal comercializado são mortos pelo menos três; e para o comércio de animais vivos, a cada dez traficados apenas um sobrevive.

 Leia mais em:

sexta-feira, 3 de junho de 2016


Delirantemente humana



Sempre apaixonada pelos meus projetos,

Deixo-me invadir por um delírio espiritual,

E assim, vou consumando-os, uma a um...

Mas, se por acaso, não me sentir bem,

Tranco-os em minha gaveta intima,

Armazeno-os, na esperança do sol interior...



A vida sem paixão não vale a pena.



Com essa sensação, e foco no essencial,

Por estar viva e de viver pelo que faço,

Transformo a energia interna, em ansiedade,

Que transborda no desejo ardente da execução.

Um sentimento feraz que simplifica o fazer,

Impulsiona-me a seguir viva, com olhos de lince.



A engrenagem da paixão move a vida.



Sentimentos, emoções, metamorfoses, ingredientes vitais,

Vindos de você, amigo/a no momento exato,

Moderados, na intensidade da razão e do bom senso,

Produzem um efeito harmonioso em mim.

Fortalecendo-me voz e coração quando na fragilidade.

Momento enternecedor em nosso cúmplice olhar.



Apaixonante é viver!



A poda a que me submeto no inverno,

Floresce linda com o encanto da primavera,

Período dourado em minha existência!

Cultivando com magia, uma alienante paixão,

Credito sabores, nas estações da minha vida.

Subtraio dissabores, fluindo em bons pensamentos!



O perfume da paixão é envolvente... Contagia!



Na minha estrada, ouço os pássaros, colho as flores

Agradeço a terra, o mar, o sol, o céu azul e as estrelas

Coleção testemunhal da mãe natureza em minha vida.

Contorno os espinhos, respiro ar puro... É primavera!

Nasci!

Amo e sou amada. Na solidão, me restauro. Estou viva!



Célia Rangel, 2009