quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Tempos Bicudos...


ÁRVORES

JOYCE KILMER

Sei que nunca verei
poema mais belo e ardente,
do que uma árvore;
uma árvore que encerra
uma boca faminta
aberta eternamente
ao hálito sutil e flutuante da Terra.

Voltada para Deus todo dia,
ela esquece os braços
a pender de folhas,
numa prece.

(...)

A chuva vive na mais doce
intimidade do tronco,
a se embalar nos galhos seus.



- Fico observando notícias do Planeta, e pensando... quando o homem perceberá que não deve, não pode interferir na Natureza? A resposta está nos furacões, nos terremotos, nas estiagens prolongadas, na poluição causando um ar irrespirável e incêndios por toda parte... Árvores são os pulmões naturais! Não adianta um dia para comemorar - 21 de setembro - se nos demais não nos importamos...

Célia Rangel. 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ES-PE-RAN-ÇA...


Esperança
Mário Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 118.



terça-feira, 12 de setembro de 2017

Extrato poético

* [...] Diz o Tao Te Ching que o segredo do sábio - a razão por que todos olham para ele e o escutam - é que "ele se comporta como uma criança pequena". O sábio é um adulto com olhos de criança. Os olhos, diferentemente do resto do corpo, preservam para sempre a propriedade mágica de rejuvenescimento.

No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
e, no canteiro, uma violeta,
e sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de uma borboleta.

"Um homem, ao nascer, é macio e frágil. Ao morrer, ele é duro e rígido."
O que o sábio chinês disse ao corpo inteiro, o poeta espanhol Antônio Machado disse aos olhos:

Olhos que para a luz se abriram
um dia para, depois,
cegos retornar a terra,
fartos de olhar sem ver!

* Na morada das palavras - Crônicas - Rubem Alves.


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Existir.


É muito mais que viver.
É muito mais que pulsar. 
É muito mais que caminhar.
É muito mais que olhar.
É muito mais que ouvir.

É contaminar com seu amor.
É deixar pegadas nos corações.
É deixar sua marca humana.
É respirar dos bons momentos.
É acalentar o chegar e o partir.

É a sua estrada...
Sua bagagem?
Seu conhecimento
Libertador! 
Existir... é ser você apenas.


Célia Rangel


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Pensando em setembro


Um lindo mês!

Alguns aniversários de pessoas queridas a quem reverencio gratidão; inclusive o da Pátria que despojada está da ética, dos valores morais, do que aprendi na simplicidade da minha infância que brigar, roubar, matar, falar mal dos outros, desrespeitar pai, mãe e professores era muito feio.

E a “Natividade de Nossa Senhora", com certeza para cobrir-nos com suas bênçãos!

Desbancando isso tudo, vem a primavera com seus encantos, talvez seja proposital... Ela revestirá de flores, cores, aromas e amores tanta ‘merdança’ solta pelo meu querido país!

Rui Barbosa antevia este século quando declarou: "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."

Já não consigo assistir a jornal televisado. Prefiro lê-lo para não emporcalhar com comentários tendenciosos, minha audição... A visão reveste-se de esperança de um dia ler justiça, benignidade, honra ao patrimônio pessoal e de toda uma nação! Ser realmente um profissional digno de colocar a cabeça no travesseiro e dormir o sono merecido, em toda e qualquer área de sua atividade.

Sonho com a igualdade entre nós o mais possível próxima à realidade. Não à teorização, aos discursos de palanque, à corrupção desenfreada, aos preconceitos e exclusões sociais.

O ano se finda. Brotarão flores para o desfilar dos próximos e derradeiros meses ornando o belo tapete da natureza - essa também muito maltratada por nós! Incoerentes que somos para com nosso próprio "habitat".

Duas canções, insistentemente, agitam-se em minha trilha sonora mental:

Uma, cantava-se muito no grupo escolar, em festas cívicas... que já não se ouve mais: "Já podeis da Pátria filhos / Ver contente a mãe gentil / Já raiou a liberdade / No horizonte do Brasil / Brava gente brasileira / Longe vá temor servil / Ou ficar a pátria livre / Ou morrer pelo Brasil"... (Evaristo da Veiga & D. Pedro I)

A outra... dispensa comentários: "Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos / Quero ver brotar o perdão onde a gente plantou juntos outra vez / Já sonhamos juntos semeando as canções no vento / Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar / Já choramos muito, muitos se perderam no caminho / Mesmo assim não custa inventar uma nova canção que nos venha trazer / Sol de primavera abre as janelas do meu peito / A lição sabemos de cor / Só nos resta aprender"... (Sol de Primavera - Beto Guedes)

Feliz setembro! A natureza engravida-se de tamanha beleza!

Célia Rangel



quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A Mão de Deus e o Colo de Nossa Senhora


A família do menino de três anos se reencontrou na tarde desta quarta-feira (30) após a criança ter sido resgatada e amparada por um motorista no engavetamento com 36 veículos que deixou dois mortos e 20 feridos na Carvalho Pinto (SP-70) em Jacareí.

Emocionados, os pais agradeceram ao motorista que cuidou da criança enquanto a mãe dela e os avós foram socorridos para o hospital em São José dos Campos.

"Fiquei morrendo de medo porque no começo não sabia com quem ele ia ficar. A esposa dele [motorista] se machucou também e foi na ambulância com a gente. Por isso, ficamos mais tranquilos. Ele foi um anjo nas nossas vidas", relembrou a Amanda Lima Alves, mãe da criança.

A mãe e os avós da criança saíram de São Bernardo do Campo com destino ao Santuário Nacional de Aparecida. Durante o trajeto, eles se envolveram no grave acidente que aconteceu na altura do Km 75 da Carvalho Pinto. Após o resgate, o carro em que eles estavam pegou fogo.

A mãe do Pedro, de três anos, e os pais dela tiveram ferimentos e precisaram ser socorridos para hospitais. Como a criança não teve nenhum ferimento, eles acabaram deixando-a com o chefe de produção Carlos Eduardo Antoneli, que amparou a criança até a chegada de parentes no local.

Thales Tizuco, pai do menino, afirma que se desesperou quando soube do acidente, mas que teve a sensação de um milagre quando descobriu que o filho foi resgatado por um motorista que também seguia para o Santuário Nacional de Aparecida.

"É algo de Deus, foi Deus que colocou ele perto da minha família. Eu ia com a minha família, mas não pude por causa do trabalho. Ontem à noite tive uma sensação de que era melhor eles não virem. Cheguei até pedir para eles adiarem. Minha família nasceu de novo. Eu agradeço muito ao Carlos Eduardo por tudo que ele fez pelo meu filho. Vou ser eternamente grato', disse.

No período da tarde, a mãe teve alta e se encontrou com o pai da criança. Os avós da criança continuam internados, mas a previsão é que tenham alta nesta quinta-feira (31).



segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Castelo Humano Revelador


Desfazendo de máscaras
Que nada mais representam

Há um tempo absorveram

Ideias, pensamentos, ilusões

Sutilmente...

Exposta à realidade

Criam-se raízes tão sóbrias

Que não deixam dúvidas

Da distância imposta

Entre máscaras e realidades

Revelam identidades dicotômicas

Não há mais onde penetrar

Depois que cai a máscara

Reflete-se como em um espelho

O perfil totalitário a quem souber observar

Perceptivelmente...

Célia Rangel


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Além dos meus silêncios...



, na miséria humana acomoda-se um corpo

, simplesmente se anula em muitas coisas

, há sempre uma tristeza que se apossa

, de um ser que derrapa em lembranças

, há uma solidão conflitante

, que ora quer ser ausente

, ora presença marcante

, refúgio da fraqueza invasora

, em coleção de desafetos

, no gráfico das ilusões

, persistem em queda

, os sonhos.



Célia Rangel




terça-feira, 22 de agosto de 2017

Segurança



A elegância no ser e no agir
no anonimato, chega a ser uma defesa
de reações descabidas.

Na seleção, a contemplação do avesso
local de armazenamento
dos contrastes.

Na vivência, a esperança
de que tudo se dilua
e recomece.

Há um cansaço natural
com as repetições
desencantamento com o humano.

E, no final, o descaso
do que era e já não mais existe
na contemplação do amor.



Célia Rangel


sábado, 19 de agosto de 2017

Leitura revigorante para o final de semana!

‘A felicidade depende da forma como olhamos o mundo’ –
Tal Ben-Shahar


“A primeira lição que dou na minha aula é que nós precisamos nos conceder a permissão de sermos seres humanos. Isso significa vivenciar emoções dolorosas, como raiva, tristeza e decepção. Temos dificuldade de aceitar que todo mundo sente essas emoções às vezes. Não aceitar isso leva à frustração e à infelicidade.”
– Tal Ben-Shahar, em entrevista a revista ‘Exame’, 20.11.2014.

Escritor, conferencista e antigo professor de Psicologia Positiva e Psicologia da Liderança, em Harvard, onde se formou em Filosofia, Psicologia e Comportamento Organizacional, Tal Ben-Shahar ficou mundialmente conhecido como o homem que dava «cursos de felicidade» – os mais procurados da prestigiada universidade norte-americana (Universidade Harvard). Não é fã de livros de auto-ajuda, daqueles que prometem a felicidade eterna em dez passos, mas garante que a felicidade não é tão difícil de alcançar como pensamos.

Leia entrevista completa em:
http://www.revistaprosaversoearte.com/felicidade-depende-da-forma-como-olhamos-o-mundo-tal-ben-shahar/

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Era dezesseis...


Hoje eu pensei em você com saudades daquele seu pedido para entrar em minha vida.

Momento único que será sempre lembrado no ontem, no anteontem e no amanhã.

Você se foi, mas deixou recordações tatuadas em mim.

Nossa vida começou em um dezesseis.

E em todos os dezesseis novas propostas se apresentaram,

Mesmo que não as buscássemos.

Seu nome, você é sempre presente... Jamais será passado...

Meu silêncio é povoado por memórias felizes,

Músicas, poemas, cartas, reacendem o nosso existir.

Tudo é muito vivo em nós.

A morte não nos ganhou.

Apenas, foi uma etapa que se concretizou.

Mas a vida amorosa brotou e brotará sempre...

Deus está com você e comigo partilhando amores eternos.

Meu querido que me espera...

Célia Rangel


Talvez... seja essa a explicação...
Nossa Vida foi baseada em amor filosófico
Muito dialogado e vivenciado
Deixou marcas profundas...

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Estradas de um coração...



Errante... Inconstante...
Vadio... Oscilante...
Deixa-se levar pela onda do
pulsar vermelho que ferve nas veias
no amanhecer, entardecer, ou na escuridão da noite.

Um boêmio descompromissado,
passo a passo no compasso, arritmia inútil
que com tantas taquicardias já se esvai...
No desvio do caminho – a esperança
A magia e a ilusão da eterna serenidade!

Quanto fez? Quanto amou?
Amnésia apoderou-se.
Esburacado nas decepções,
Asfaltado nos sonhos,
Interrompido nas desilusões...

Viveu... Amou... Doou-se.
Sem moderação ou arrependimento.
Foi ponte!



Célia Rangel



quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Um PAI – meu PAI

Amada e desejada desde o espermatozoide,
Isso foi fantástico!
Pois, meu embrião foi cravejadinho de muito amor paternal.

Sei que o fiz feliz na retribuição de muito amor,
De pai para filha uma herança benigna,
Que adornou vidas consolidou amores.

Ele viveu alegrias, sofrimentos e dores,
Mas todos celebrados, curados e cicatrizados,
Pelo dom divino do existir.

Tive um PAI que, em outro não encontro igual,
Simples, verdadeiro, companheiro sempre,
Um olhar azul céu transpôs comigo as nuvens do crescimento.

Deu-me força, exemplo e dignidade de vida para ser quem sou hoje,
Uma filha feliz que agradece ao PAI o PAI concedido,
Relações que transcenderam muros celestiais.

E, agora, José...
A festa acabou...
E, você nos deixou...
“Drumondiando” na vida...


Célia Rangel


sábado, 5 de agosto de 2017

Deixando de estar


Há um crescer invisível,
Que somente a alma percebe.
Empacota-se supérfluos e extingue-se,
Acomoda-se bem mais aconchegante
Em certos e únicos valores da vida.
No descarte, nem sempre queremos reaproveitar,
Então, há sustos em certos olhares...
Há abraços sem contatos...
E há beijos sem sabores.
Palavras emudecem-se.
Tudo foi revelado!
Nada mais espanta.
Então,
Seleciona-se o bem estar do corpo e da mente
Pois,
Mente, quem não se importa,
Em incorporar vida plena,
Enquanto houver energia disponível,
Vida surgirá em nova semente!


Célia Rangel




sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Sem Palavras...

A  DESMORALIZAÇÃO  DO  VOTO!


http://www1.folha.uol.com.br/colunas/bernardomellofranco/2017/08/1907046-para-ingles-ver.shtml

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Pensar e Transformar...


TRANSGRESSÃO E CRESCIMENTO

O rabi Nahum, de Chernobyl, declarou: “Temo muito mais as boas ações que me acomodam do que as más ações que me horrorizam!”
A experiência humana é marcada pela alternância de estados despertos e de torpor. Construímo-nos a partir dos acampamentos que fazemos e do levantar dos mesmos. Mas o rabi Nahum quer frisar a importância de se “horrorizar”, que é um dos sinais de percepção dos lugares estreitos. Quem não se horroriza perde a capacidade de detectar a estreiteza. Nossa insensibilidade se beneficia daquilo que não rompe, das ditas “boas ações” que não ferem os códigos da moral animal. Cada vez que fazemos o esperado, reforçamos um padrão humano automático de torpor. Existe em nós uma tendência de querer agradar a nós, aos outros e à moral de nossa cultura.
Com isso vamos gradativamente nos perdendo de nós mesmos. E o despertar é a capacidade de perceber situações horríveis em nossas vidas, tanto no plano particular como no social e cultural. Desse horror surge uma nova forma de ser, uma nova forma de “família”, uma nova forma de “propriedade” e uma nova forma de “tradição”. A imutabilidade do ser e da família, da propriedade e da tradição é a proposta desesperada de negar a natureza humana, que é mutante e requer novas formas de “moral”.
Entre uma moral e outra o ser humano volta a se despir e, desperto, se recorda de sua alma. A esse despertar se referia o maguid de Mezeridz: “Um cavalo que se sabe cavalo não o é. Este é o árduo trabalho do ser humano: aprender que não é um cavalo.”
A alma se faz perceptível no despertar e no horror. Em ambos os casos ela se volta para a reconstrução do passado. Para este, por sua vez, ela é sempre imoral e perigosa.
BONDER, Nilton – A Ama Imoral: traição e tradição através dos tempos - RJ – Rocco, 1998.


quinta-feira, 27 de julho de 2017

Fantasiando a Realidade


“Rubem Alves, em uma de suas sábias crônicas diz que carregamos duas caixas nessa vida: uma cheinha de brinquedos = o lado bom da vida e, outra cheia de ferramentas = o nosso trabalho. E que o homem se esquece de abrir sua caixa de brinquedos. Torna-se árido, frio, sisudo, calculista, racional apenas”.
Essa colocação levou- me a muitas reflexões:
Onde perdi minha caixa de brinquedos? Pelo jeito, joguei fora! Que saudade! Brincar tornava minha vida tão mais leve! Ria. Gargalhava. Cantava. Andava descalça. Corria. Fazia piada de tudo...
Hoje, sinto o peso da caixa de ferramentas! Pouca utilidade tem para mim. O que faço agora? Trouxe-me rugas, feição marcada por um contorno de seriedade nada atraente. Ficou a experiência? A sabedoria de vida? De que adianta, se o prazer de desfrutar isso tudo já não existe mais...
Quero brincar. Vou construir uma nova caixa de brinquedos. Não quero os pré-fabricados. Quero eu mesma fazê-los. Ter a sensação da criatividade. Da engenharia do coração.
E assim, no meu ‘mundo do faz de conta’, tudo será possível... Amor regado com amizade, generosidade, afetividade, respeito à individualidade... Tudo sem débito ou crédito... Apenas, cumplicidade com a vida.

Célia Rangel



quarta-feira, 26 de julho de 2017

Dia dos Avós


Origem do Dia dos Avós

O Dia Mundial dos Avós (também conhecido por Dia da Vovó no Brasil) é celebrado em 26 de julho em homenagem à Santa Ana e São Joaquim, os avós de Jesus Cristo, considerados os padroeiros de todos os avós pela Igreja Católica.
No dia 26 de julho de 1584, o Papa Gregório VIII canonizou os avós de Jesus Cristo, por isso a escolha desta data para a celebração.
******
Sou uma vovó feliz!
Agradeço a cada novo dia a alegria da vida celebrando todos os seus ciclos!
E que os avós curtam essa fase como avós, e jamais... “pais pela segunda vez...” 
Ocupemos nosso lugar e respeitemos as individualidades.
Só assim haverá harmonia no relacionamento.

Vovó Célia.


terça-feira, 25 de julho de 2017

“Dia do Escritor”


O encantamento em ler e escrever é terapia. A audácia, a curiosidade, a pesquisa, a ética  sedimentam o emocional racionalizando porções da vida.

Escrever é uma arte e, como tal, um tesouro que nos enriquece e nos leva à reflexão. Não faço disso uma profissão, mas é o meu relacionar comigo e com o mundo. Não tenho a pretensão de, mas dou meus voos...

Rubem Alves, com suas metáforas deixou-nos um legado: – “Procure aqueles que sabem voar: os poetas. Eles têm asas mágicas, feitas com palavras e se chamam poemas!” (em A volta do Pássaro Encantado).

A paixão de um poeta

Suas asas nem sempre são mágicas,
Autênticas no endeusamento do seu voo,
Atingem corações e perpetuam-se.
Percorrem estradas longínquas,
Que com matizes diversos,
Colorem sublimes ilusões.
Quando tudo parece extinto,
Recorre a sentimentos nobres,
Envolventes, apaixonantes, loucos...
Ressurge nas garras de sua angústia,
Sublimando e inebriando-se com a vida,
Reabastece-se com palavras que transcendem,
Em longo caminho até outras mentes.
Nem sempre compreendido sabe
Que o escrito não lhe pertence...
Sonhador faz das palavras, sua arma
Projetadas em devaneios extasiantes,
Que interceptaram o embrião do paraíso...
Incubador do gene de escritor!


Célia Rangel


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Aprendizado


“Que a gente aprenda a valorizar o abraço antes da ausência.

O sorriso antes da lágrima.

O momento que antecede a despedida.

A luz de dias calmos.

O amor sem nada em troca.

Que a vida nos ensine a tempo o que é precioso cultivar.

A demonstração de afeto antes da partida.

A alegria anterior aos tempos difíceis.

A presença antes da falta.

Que tenhamos sabedoria a tempo para termos tempo de realizar.

É verdade que a vida voa, mas também recomeça a cada dia, nos dando a infinita chance de recomeçar."



Erick Tozzo






domingo, 23 de julho de 2017

Refletindo...


A ARTE DE NÃO ADOECER

Se não quiser adoecer – “Fale de seus sentimentos”.

Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna.
Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados.
O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia.

Se não quiser adoecer – “Tome decisão”.

A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros.
As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

Se não quiser adoecer – “Busque soluções”.

Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão.
Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe.

Se não quiser adoecer – “Não viva de aparências”.

Quem esconde a realidade, finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso… uma estátua de bronze, mas com pés de barro.
Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

Se não quiser adoecer – “Aceite-se”.

A rejeição de si próprio, a ausência de autoestima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores.
Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.

Se não quiser adoecer – “Confie”.

Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras.
Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.

Se não quiser adoecer – “Não viva sempre triste”.

O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive.
“O bom humor nos salva das mãos do doutor”.
Alegria é saúde e terapia.

Dr. Dráuzio Varela


sexta-feira, 21 de julho de 2017

A arte de saber esperar...


Uma generosa dose de boa vontade,
de compreensão, e de sabedoria.
Acreditar e esperar no tempo certo,
que tudo aconteça.
Fugir do pessimismo.
Não abrir a porta a medos interiores,
deixando-te engolir pela escuridão da desilusão.
Ao contrário, faça dias de sol e
noites de luas e estrelas!
Celebre com doçura e carinho a espera.
Tranquilize teu coração com intensa luz,
e espere o que for melhor para ti.
Tem uma existência sagrada.
Portanto,  viva o que te é oferecido.
E assim, com serenidade,
ouvirá no silêncio a voz de tua mente
dialogando com tua alma.
Espere!

Célia Rangel



quinta-feira, 20 de julho de 2017

ENTRE AMIGOS


Para que serve um amigo? Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra. Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.

Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos.

Verdade verdadeira. Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo construído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.

Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.

Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.

Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.

Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.

Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o réveillon.

Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.

Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.

Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém.


Martha Medeiros


quarta-feira, 19 de julho de 2017

O Educador Provocador

Há três anos, em um 19 de julho, perdemos um grande educador e escritor: Rubem Alves. Para ele "educar é ensinar a olhar para dentro e para fora"- educação libertadora, integral e humanista.
Rubem, cristão inquieto era um rebelde. Gostava de provocar. Dizia que "pimentas são frutinhas coloridas que provocam incêndios na boca. Pois há ideias que se assemelham às pimentas: podem provocar incêndios nos pensamentos".
Mestre Rubem criticava o sistema de ensino no Brasil, "máquina de destruir a curiosidade das crianças", impondo mais o "hábito" da leitura do que o "prazer de ler".
Perto de sua morte, disse que as vocações que o comoviam eram escrever, ensinar - principalmente às crianças - e plantar um jardim, que era a forma de cuidar da Terra... (Chico Alencar)



Sentimentos


Somos donos de nossos atos,
Mas não somos donos de
nossos sentimentos;
Somos culpados
pelo que fazemos,
Mas não somos culpados
pelo que sentimos;
Podemos prometer atos,
Não podemos prometer
sentimentos…
Atos são pássaros
engaiolados,
Sentimentos
são pássaros em voo.


Rubem Alves