sábado, 11 de novembro de 2017

Tudo é efêmero


A ternura das horas em que pairo nas nuvens
embalam-me, transformando energia em
liberdade e prazer.

Alegrias e sonhos, saudades ou tristezas
converto em energia amorosa,
que o tempo se incumbe em celebrar.

Prezo todos os momentos da vida
onde construo com sensibilidade,
euforia mental com palavras impublicáveis.

É o meu momento de catarse
em que expurgo o mal e o mau
na seleção do bem para mim.

Emudeço, construindo novos pilares,
que me sustentarão nos conflitos,
com ato inaugural meditativo.

Ainda, sob a censura de alguns olhares,
desvencilho-me das hipocrisias,
e vivo solenemente meu catálogo de escolhas.

Simples é a ‘simplicidade’ da vida
e a transformação deverá ser suave e bem dosada,
sem choques de civilização, apenas, o encontro com minha alma.

Célia Rangel


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Machado de Assis


A uma senhora que me pediu versos

Pensa em ti mesma, acharás
Melhor poesia,
Viveza, graça, alegria,
Doçura e paz.

Se já dei flores um dia,
Quando rapaz,
As que ora dou têm assaz
Melancolia.

Uma só das horas tuas
Valem um mês
Das almas já ressequidas.

Os sóis e as luas
Creio bem que Deus os fez
Para outras vidas.




segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Um sorriso


Um sorriso alegre, contagia!
Um sorriso romântico, energiza!
Um sorriso sarcástico, afasta!
Um sorriso confidencial, aproxima!
Um sorriso cúmplice, acaricia!
Um sorriso cínico, enoja!
Um sorriso angelical, acalma!
Um sorriso desaprovador, anula-nos!
Um sorriso solitário, aconchega-nos!
Um sorriso desejoso, plena conivência...
Um sorriso em um sonho, dá sabor à vida...
Um sorriso, livra-nos de naufragarmos em turvas águas...
Saber o sabor de um sorriso... poucos conseguem...


Célia Rangel 

               

sábado, 4 de novembro de 2017

Livro excelente!


“Mulheres que correm com os lobos”
O isolamento como dádiva (pg.: 234)
(Clarissa Pinkola Estés)
Se você tentou se adaptar a qualquer tipo de forma e não conseguiu, talvez você tenha muita sorte. É verdade que você pode ser um exilado de alguma espécie, mas sua alma está abrigada. Ocorre um estranho fenômeno quando a pessoa tenta se adequar e não consegue. Muito embora a criatura diferente seja rejeitada, ela ao mesmo tempo é empurrada para os braços dos seus verdadeiros companheiros psíquicos, quer se trate de uma linha de estudo, de uma forma de arte, quer de um grupo de pessoas. É pior ficar ali onde não nos sentimos bem do que vaguear perdida por um período em busca da afinidade psíquica e profunda de que precisamos. Nunca é errado ir à procura do que necessitamos. Nunca mesmo.
Há algo de útil em toda essa torção e tensão. Algo no patinho está sendo temperado, está sendo reforçado por esse isolamento. Embora essa situação não seja algo que se deseje a ninguém por nenhum motivo, seu efeito é semelhante ao da produção de diamantes pela pressão aplicada ao carbono puro — ela acaba levando a uma profunda amplidão e clareza na psique.
Existe um aspecto da alquimia no qual a substância bruta do chumbo é golpeada e martelada. Embora o isolamento não seja algo que se deseje por ser divertido, provém dele um ganho inesperado. As dádivas do isolamento são inúmeras. Ele elimina a fraqueza com os golpes. Ele erradica as lamentações, proporciona um insight penetrante, aguça a intuição, assegura o poder incisivo de observação e de visão de perspectiva jamais alcançados pelas pessoas "aceitas".
Apesar de ter seus aspectos negativos, a psique selvagem consegue resistir ao isolamento. Ele faz com que tenhamos um anseio ainda maior no sentido de liberar nossa própria natureza verdadeira, e provoca em nós um desejo intenso por uma cultura que combine com essa natureza. Só esse anseio, esse desejo já faz a pessoa prosseguir. Ele faz com que a mulher continue a procurar. E, se não consegue encontrar a cultura que a estimule, geralmente ela resolve criar, ela mesma, essa cultura. Isso é bom, pois, se ela a criar, outras que vinham procurando há muito tempo chegarão misteriosamente um dia, proclamando com entusiasmo o fato de estarem procurando por ela o tempo todo.



quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Esvaziando sentimentos


Longínquo o olhar...
Lágrimas.
Inocência a provar...

Palavras entrecortadas.
Trêmulas,
Mãos acariciantes...

Respiração ofegante,
Dúvidas,
Crateras no coração.

No abraço,
Denúncia...
Da mansidão do amar.

Plainar na ansiedade,
E, na maturidade,
Aterrissar o voo.

Célia Rangel


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Cecília Meireles, a poeta!


Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Cecília Meireles




quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Cérebro em acústico


Há uma incrível confiança na liberdade em que se adquire para se recolher em uma solidão construída no amor e, pacificada a cada momento.

Nada é tão supremo como esse encontro marcado com Deus e almas, com uma função vital tão marcante, que chega a sufocar pensamentos e amores.

Vive-se e as marcas replicam-se no físico e no espírito. Aceita-se todas pois, fazem parte do existir plenamente e, não apenas, ver o tempo passar...

Tédio? Impossível, quando ainda se sonha e se realiza sem submissão alguma, apenas, preenchendo vazios com atitudes férteis...

Perdoar é necessário e também, ser perdoado, mas sem esquecer causa e efeito submersos nas entranhas. É da sabedoria e vaidade humanas.

Gratidão infinita quando se abraça a graça de mais um tempo de vida a ser amada, vivida, contemplada na beleza do Ser...

Não é vida que segue, mas sim, vida que se celebra!

Célia Rangel, celebrando seus 72.

domingo, 22 de outubro de 2017

Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...


Mário Quintana


sábado, 21 de outubro de 2017

É preciso repensar...


ESCOLA: TEMPO E ESPAÇO DE AMIZADE

Lauro Daros

            Sobre amizade, superficial é criar poemas e canções. O próprio ato da amizade é a melhor arte. É simples observar quantos gestos, pequeníssimos e grandiosos, se praticam no cotidiano. Não é necessário se declarar amigo: basta agir como amigo.  

            A escola é campo fértil para sementes de amigos, onde se reúnem e convivem gerações: crianças, adolescentes, pais, avós, educadores. A escola é período áureo para encontros belos e profundos para toda a vida.

 Se a realidade é deserta, a escola é oásis que se amplia e transpõe fronteiras. As ternas e eternas amizades, em geral, iniciam-se na escola. Não há ninguém que não mantenha guardadas no coração pessoas especiais da época escolar.

O amigo autêntico conhece bem o dom da gratuidade. A amizade pura é nobre e não precisa trazer lucros materiais e afetivos. Essas vantagens podem até acontecer, mas naturalmente, como efeito, não como causa. Eis a maravilha da amizade!

Chantagens emocionais e segundas intenções, por isso, não cabem entre amigos. As chantagens e as segundas intenções escravizam e descartam. Reduzem o sujeito a objeto manipulável, em vez de reconhecê-lo imagem e semelhança de Deus.

Para que a escola seja celeiro de amizades legítimas, há de ir além do horizonte racional. Outras dimensões devem compor a paisagem escolar: ética, espiritualidade, sociabilidade. Esses valores combatem o individualismo e a competição nociva.

Amigos sempre desejam o bem para si e para os demais. Não é o bastante ser bom um para o outro. A bondade dos amigos se amplia e contagia os ambientes dos quais fazem parte: a família, a escola, a igreja, o clube, o trabalho.

A alegria dos amigos também não se represa. Assim como a bondade, a alegria transforma a existência e a vida. Quem é capaz de ser amigo real possui bons amigos e percebe o mundo um cenário feliz. A alegria é magia que toca e converte.

Sinceridade e transparência purificam a amizade e promovem crescimento. O amigo não permite que o outro se afunde em erros; por isso é transparente ao abrir-lhe os olhos e sincero ao mostrar-lhe os perigos de seu jeito de ser.  Isso é magnífico!

Quando se harmonizam, a palavra e o silêncio são ouro. O silêncio é cômodo e a palavra não é incômoda. O amigo não aborrece: sabe quando se afastar e quando se aproximar; sabe quando calar e quando falar.

Se imensa é a tarefa da escola para com o conhecimento, essencial é sua missão para com as relações sociais. A escola sempre será vital para se aprender a amar as diferenças e a fazer amigos.

A escola, ao favorecer múltiplos momentos para que corações se aproximem e estabeleçam experiências amáveis de vida, está cultivando multiplicadores de amizades para além do espaço e do tempo escolar. Está educando bons cidadãos. Eis divina arte!


                                                                                      

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Humildade ao envelhecer


Abra espaço para corpos jovens
Não adianta ter mente jovem se o seu corpo não mais acompanha...
Partilhe a sabedoria e o conhecimento adquiridos
Assuma sua mediocridade,
Submeta-se sempre às novas aprendizagens e tecnologias...
Isso rejuvenesce!
Não comparar com o que você foi... ou fez...
Ou o cansativo chavão: “no meu tempo não era assim...”
Isso envelhece!
O seu tempo agora é outro...
Autenticidade e simplicidade em ser o que você é...
Aprenda a perdoar e a pedir o perdão...
Isso é inteligência!
Abra suas mãos e seu coração...  
Nascemos de mãos fechadas.
Morremos com as mãos espalmadas.
Saiba doar e receber...
Pratique a gratuidade em tudo!
Nossa vida é fugaz... passagem meteórica...
Tudo se esvai!
Fica o amor vivido... sofrido... gozado... amado realmente...
Ficam momentos de felicidade... eternas lembranças
Delicie-se com as boas sementes deixadas!
Amargura, decepções, apague não vale a pena, preze sua pressão arterial...
Mantenha sempre sua mente no azul das emoções!
Sonhe... viaje ao infinito...
Seu pensamento é o único lugar onde você é realmente livre...
Usufrua! Delegue! Esqueça! Viva! Ame! E deixe viver....


Célia Rangel




domingo, 15 de outubro de 2017

Ao Professor/a - Educador/a...


Oração do Professor

Dai-me, Senhor, o dom de ensinar,
Dai-me esta graça que vem do amor.
Mas, antes do ensinar, Senhor,
Dai-me o dom de aprender.
Aprender a ensinar
Aprender o amor de ensinar.
Que o meu ensinar seja simples,
humano e alegre, como o amor.
De aprender sempre.
Que eu persevere mais no aprender do que no ensinar.
Que minha sabedoria ilumine e não apenas brilhe
Que o meu saber não domine ninguém, mas leve à verdade.
Que meus conhecimentos não produzam orgulho,
Mas cresçam e se abasteçam da humildade.
Que minhas palavras não firam e nem sejam dissimuladas,
Mas animem as faces de quem procura a luz.
Que a minha voz nunca assuste,
Mas seja a pregação da esperança.
Que eu aprenda que quem não me entende
Precisa ainda mais de mim,
E que nunca lhe destine a presunção de ser melhor.
Dai-me, Senhor, também a sabedoria do desaprender,
Para que eu possa trazer o novo, a esperança,
E não ser um perpetuador das desilusões.
Dai-me, Senhor, a sabedoria do aprender
Deixai-me ensinar para distribuir a sabedoria do amor.

 Autor: Antonio Pedro Schlindwein




quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Homenagem


   As cores vibrantes, marca do artista plástico pernambucano Romero Britto, deram cor e novos traços à imagem de Nossa Senhora Aparecida. Ele pintou um quadro em homenagem ao jubileu da padroeira e doou a obra para o Santuário Nacional.

Ele fez a pintura a pedido da Rede Vanguarda, que convidou oito artistas brasileiros a retratarem Aparecida nos 300 anos do encontro da imagem no rio Paraíba do Sul.

     Além de Romero Britto, o cartunista Maurício de Sousa e o escultor Gilmar Pina, também participam da exposição 'Olhares'. As telas e esculturas estão desde o último domingo (8) no subsolo da basílica.

    Romero pintou o quadro em seu ateliê, em Orlando, na Flórida (EUA), e no trabalho, usou as cores da bandeira do Brasil. Ele contou que foi a primeira vez que pintou um retrato de Aparecida.

https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/aparecida-300-anos/2017/noticia/romero-britto-pinta-quadro-para-homenagear-300-anos-de-nossa-senhora-aparecida.ghtml

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Sou...


Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também.
Até eu fui obrigada a me respeitar.

Clarice Lispector


terça-feira, 10 de outubro de 2017

Dia Mundial da Saúde Mental

10 de outubro – Dia Mundial da Saúde Mental


Hoje é o Dia Mundial da Saúde Mental. Uma vez que, em algumas pessoas afetadas por uma doença física, uma perturbação mental não só aumenta o grau de sofrimento como as tornam menos capazes de manter um tratamento.

É evidente que, ao tratar uma doença, obteremos melhores resultados considerando o indivíduo como um todo, em vez de cuidarmos apenas de partes desse todo. Este fato requer que os que prestam cuidados de saúde - mental e física - trabalhem conjuntamente, concentrando as suas responsabilidades e pontos fortes individuais numa ação de cooperação.

Neste Dia Internacional de Saúde Mental, assumamos o compromisso de tratar as pessoas e não apenas algumas partes delas.

Leia mais em:
http://www.cepad.ufes.br/conteudo/10-de-outubro-%E2%80%93-dia-mundial-da-sa%C3%BAde-mental

sábado, 7 de outubro de 2017

PONDERAÇÕES


Está difícil ‘poetar’ com todos esses acontecimentos subumanos...

Dia das Crianças?

- matam de todas as formas... 
- queimam...
- estupram... 
- drogam-nas 
- Amor? 
- Sente-se pouco.

Dia do Professor?

- eterno anônimo...
- carrega o nome da empresa...
- é ameaçado pelo sistema social...
- é aviltado pelo sistema econômico...
- e quando é vocacionado, doa sua vida.
- Valorização?
- Inexistente.

Momento de introspecção na busca de soluções sociais que dependem essencialmente de nós, mulheres, que geramos nossas crianças e que, em sua maioria somos educadoras em nosso lar ou em nossas escolas.

Dedico tais ponderações a Janaúba, cidade até então inexpressiva no noticiário em geral, e que marca sua presença em forma de luto; às crianças-mártires e à professora  Helley, heroína, que perde sua vida salvando crianças...

Diz Papa Francisco: "Temos que ver cada criança como um presente a ser acolhido, amado e protegido".


Célia Rangel

Lírio da Paz

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Assim...


Brindo a vida, não importa como...

Uma música, uma dança, uma bebida ou, uma oração,   

uma boa companhia, um olhar, ou mesmo só,

brindo dando um realce ao meu existir

degustando de uma bela taça, a Vida...



O poeta se liberta com palavras.

Libertemo-nos brincando com as mesmas.

Amo a noite. A calma. Não se ouve nada.

Um vazio pleno e fértil.

De repente, ouve-se algum ruído de alguém,

perdido em altas horas embriagando-se com suas tristezas.



Na penumbra do pensamento embalo dedos em um teclado,

dele extraio poemas que fazem dueto com minha alma amante.

Penso que Deus me olha e diz:

- quanta maluquice de vida em um ser somente...

Ainda assim,

Refaço sempre, mais e mais, a loucura de amar em mim, você.


Célia Rangel






sábado, 30 de setembro de 2017

Obra de Arte Divina


Nasci, curiosidade total...
Fui projetando sonhos, ilusões
Com todas as cores do arco-íris
Perdida no mundo da fantasia.

Era uma artista ‘cantora’
Cabo de vassoura o microfone
E na minha caverna emocional
Brotavam prazer e paixão pela vida.

Acarinhando ideais...
A tela não ficou em branco
Muitos planos arquitetados...
Será que me enganei nas cores?

Projetos incríveis:
Realização pessoal,
Príncipe encantado...
Que não virou sapo.

A idealização de um lar,
A concretização.
Os filhos... o filho
Sonhos...

Na bienal da vida
Uma obra de arte...
No álbum das lembranças,
Figuras ternamente condecoradas!



Célia Rangel


terça-feira, 26 de setembro de 2017

AGENDA


Retirei desagradáveis
Restaram os agradáveis
Momentos que não precisam
De agenda
Memórias registradas
Com a lupa do coração
Ah! Que lindo pensamento
Envolvente
Nessa agenda de hoje
Não me enterrarei com desgostos
Quero estar alegre, feliz, envolvente
Com uma perspectiva de paz
Conciliadora
Entre o emocional e a razão
Mediadora
Plural nas ações positivas
Singular sempre
Ao me sentir traída
Único compromisso
Com o amor.


 Célia Rangel



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Interiorizando...


PRIMAVERA E TERNURA

Encontrei uma flor

Na fenda do rochedo.

Desenho vivo em meio às pedras.

Singular.


Pássaros, abelhas, borboletas

afastaram-lhe a solidão.


Se de uma simples fresta

uma cor brotou

e o tédio se dissipou,

quão florido

e quão divertido

seria o mundo

se as rochas em pó se transformassem!


Lauro Daros


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Tempos Bicudos...


ÁRVORES

JOYCE KILMER

Sei que nunca verei
poema mais belo e ardente,
do que uma árvore;
uma árvore que encerra
uma boca faminta
aberta eternamente
ao hálito sutil e flutuante da Terra.

Voltada para Deus todo dia,
ela esquece os braços
a pender de folhas,
numa prece.

(...)

A chuva vive na mais doce
intimidade do tronco,
a se embalar nos galhos seus.



- Fico observando notícias do Planeta, e pensando... quando o homem perceberá que não deve, não pode interferir na Natureza? A resposta está nos furacões, nos terremotos, nas estiagens prolongadas, na poluição causando um ar irrespirável e incêndios por toda parte... Árvores são os pulmões naturais! Não adianta um dia para comemorar - 21 de setembro - se nos demais não nos importamos...

Célia Rangel. 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ES-PE-RAN-ÇA...


Esperança
Mário Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 118.



terça-feira, 12 de setembro de 2017

Extrato poético

* [...] Diz o Tao Te Ching que o segredo do sábio - a razão por que todos olham para ele e o escutam - é que "ele se comporta como uma criança pequena". O sábio é um adulto com olhos de criança. Os olhos, diferentemente do resto do corpo, preservam para sempre a propriedade mágica de rejuvenescimento.

No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
e, no canteiro, uma violeta,
e sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de uma borboleta.

"Um homem, ao nascer, é macio e frágil. Ao morrer, ele é duro e rígido."
O que o sábio chinês disse ao corpo inteiro, o poeta espanhol Antônio Machado disse aos olhos:

Olhos que para a luz se abriram
um dia para, depois,
cegos retornar a terra,
fartos de olhar sem ver!

* Na morada das palavras - Crônicas - Rubem Alves.


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Existir.


É muito mais que viver.
É muito mais que pulsar. 
É muito mais que caminhar.
É muito mais que olhar.
É muito mais que ouvir.

É contaminar com seu amor.
É deixar pegadas nos corações.
É deixar sua marca humana.
É respirar dos bons momentos.
É acalentar o chegar e o partir.

É a sua estrada...
Sua bagagem?
Seu conhecimento
Libertador! 
Existir... é ser você apenas.


Célia Rangel


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Pensando em setembro


Um lindo mês!

Alguns aniversários de pessoas queridas a quem reverencio gratidão; inclusive o da Pátria que despojada está da ética, dos valores morais, do que aprendi na simplicidade da minha infância que brigar, roubar, matar, falar mal dos outros, desrespeitar pai, mãe e professores era muito feio.

E a “Natividade de Nossa Senhora", com certeza para cobrir-nos com suas bênçãos!

Desbancando isso tudo, vem a primavera com seus encantos, talvez seja proposital... Ela revestirá de flores, cores, aromas e amores tanta ‘merdança’ solta pelo meu querido país!

Rui Barbosa antevia este século quando declarou: "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."

Já não consigo assistir a jornal televisado. Prefiro lê-lo para não emporcalhar com comentários tendenciosos, minha audição... A visão reveste-se de esperança de um dia ler justiça, benignidade, honra ao patrimônio pessoal e de toda uma nação! Ser realmente um profissional digno de colocar a cabeça no travesseiro e dormir o sono merecido, em toda e qualquer área de sua atividade.

Sonho com a igualdade entre nós o mais possível próxima à realidade. Não à teorização, aos discursos de palanque, à corrupção desenfreada, aos preconceitos e exclusões sociais.

O ano se finda. Brotarão flores para o desfilar dos próximos e derradeiros meses ornando o belo tapete da natureza - essa também muito maltratada por nós! Incoerentes que somos para com nosso próprio "habitat".

Duas canções, insistentemente, agitam-se em minha trilha sonora mental:

Uma, cantava-se muito no grupo escolar, em festas cívicas... que já não se ouve mais: "Já podeis da Pátria filhos / Ver contente a mãe gentil / Já raiou a liberdade / No horizonte do Brasil / Brava gente brasileira / Longe vá temor servil / Ou ficar a pátria livre / Ou morrer pelo Brasil"... (Evaristo da Veiga & D. Pedro I)

A outra... dispensa comentários: "Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos / Quero ver brotar o perdão onde a gente plantou juntos outra vez / Já sonhamos juntos semeando as canções no vento / Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar / Já choramos muito, muitos se perderam no caminho / Mesmo assim não custa inventar uma nova canção que nos venha trazer / Sol de primavera abre as janelas do meu peito / A lição sabemos de cor / Só nos resta aprender"... (Sol de Primavera - Beto Guedes)

Feliz setembro! A natureza engravida-se de tamanha beleza!

Célia Rangel