domingo, 23 de abril de 2017

Refúgio






Devaneio de verão - ardente

Não pensei - mergulhei

Sem nenhuma proteção

No veraneio do meu coração

Plantei e abriguei o amor

Na cabana de nosso refúgio – o olhar

Falamos no silêncio do nosso coração

Ainda que venham outonos e invernos

Sempre nos aqueceremos no sol do nosso amor 





Célia Rangel



sexta-feira, 21 de abril de 2017

Meus Ciclos de Vida


Se tudo o que tenho agora
São bens emprestados,
Com prazo de validade,
Por que vivo preocupada
Em ter... Acumular... Suprir?
Fiz pelo trabalho o que tenho.
Deixo tudo e parto.
Que outro faça o mesmo para ter.
Hoje, minha preocupação é
Com o que não me ensinaram: o ser
Isso vem com a sabedoria do tempo.
Observo minha vida e concluo:
A Lua poderá ser Nova... Crescente... Cheia...
Mas nunca, Minguante!
Assim como a Lua, tenho minhas fases.
Indomável, com o Sol, ofusco-o e apareço...
Irradiante. Romântica. Acolhedora. Única.
Rendendo-me no amanhecer à sua luz,
Serena e fértil recolho-me cedendo o meu lugar
E, nos meus sonhos, meu Crepúsculo será,
O suave brilho da minha alma que com alegria
Entregarei, com minhas virtudes, ao meu Criador!
Assim, serei!

Célia Rangel



segunda-feira, 17 de abril de 2017

Elimine


... os pertences inúteis da vida
... as buscas impossíveis das dúvidas
... as certezas desgastadas das possibilidades
... os rancores armazenados dos desafetos
... a deslealdade dos contatos amorosos
... a lamentação das perdas
... a ostentação dos ganhos
... as tristezas inférteis da vida
... a arrogância ostensiva biográfica
... a ignorância descomedida das ações
... o desamparo provocado pelo ostracismo
... a fatalidade que envolve pensamentos
... o ódio que habita a mente
... a malícia que invade o corpo
... as concessões que escravizam o homem
... a hipocrisia arma dos fracos
... a infidelidade traidora dos sentimentos
... os excessos que destroem o bom senso
Perdoe. Busque a autenticidade do ser.


Célia Rangel

domingo, 16 de abril de 2017

Feliz e Santa Páscoa!


PÁSCOA

A civilização da paz se desenha
num cenário remoto.

Mas os sonhos das crianças
conhecem as paisagens suaves,
elas creem na bondade
que aflora das pedras, da água, do solo...

Desconhecem o longe,
são portadoras da alegria.

O mundo é o reino da graça e do encanto.

Não há para elas dias especiais,
sempre é Natal, sempre é Páscoa,
sempre é tempo da Paz,
sempre é dia das Crianças!

Lauro Daros


quarta-feira, 12 de abril de 2017

AQUÉM DA ETERNIDADE



O Planeta é tudo o que agora tenho.
Não sei, mas quando penso na eternidade,
começo a sentir saudades do meu Planeta.
Onde está o meu coração?
Para onde dirijo meu olhar?
Em que invisto minhas energias?
Enfeito as pessoas com a minha beleza?
Morre-se de tanto trabalhar,
de tanto estudar,
de tanto sonhar.
Morre-se de tanta coisa.
Mas alguém sabe morrer de tanto viver?

Ir. Lauro Daros, setembro de 2010 

domingo, 9 de abril de 2017

Domingo de Ramos


RAMOS
... verde de vida que brota
... aceno de vitória
... luz divina
... triunfo humano
... bênçãos de renovação
... ressurreição autêntica
... momento terno e orante
... entrega suprema!

Célia Rangel



sexta-feira, 7 de abril de 2017

"Onde canta o sabiá?"

"Minha terra é a Penha,
o medo mora aqui.
Todo dia chega a notícia
que morreu mais um ali.

Nossas casas perfuradas
pelas balas que atingiu
Corações cheios de medo
do polícia que surgiu.

Se cismar em sair à noite,
já não posso mais.
Pelo risco de morrer
 e não voltar para os meus pais.

Minha terra tem horrores
que não encontro em outro lugar.
A falta de segurança é tão grande,
que mal posso relaxar.

'Não permita Deus que eu morra',
antes de sair deste lugar.
Me leve para um lugar tranquilo,
onde canta o sabiá".

(... escreveram os estudantes.)


Há 170 anos, o poeta Gonçalves Dias escrevia a "Canção do exílio". A poesia atravessou as décadas e foi parafraseada inúmeras vezes. É comum, por exemplo, que na escola professores proponham o exercício aos seus alunos. Nos últimos dias, circula em redes sociais a reprodução de um dos textos elaborado por dois estudantes da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A versão carioca rapidamente comoveu a web: expõe, de modo poético, a triste realidade de quem vive em meio à violência que mata inocentes diariamente – inclusive dentro de colégios, como na morte da menina Maria Eduarda.




quarta-feira, 5 de abril de 2017

Adaptar-se



Maravilhosos momentos requerem tão pouco...
Certo magnetismo... sensibilidade... amor...
Pronto! Ingredientes perfeitos para
encontros eternos...

Memória afetiva que se refaz
Luzes que se acendem eternamente,
Fogo que arde na paixão duradoura
De olhares trocados ternamente.

Vidas que ainda se surpreendem
No eclipse de suas luminosidades
Irradiam amores encontrados
Eclodem no espaço sideral...

O eterno existe e,
aloja-se nas entranhas
de almas possuídas
por uma única aura!



Célia Rangel


terça-feira, 4 de abril de 2017

Amor pleno

O amor verdadeiro não tem fórmula e muito menos receita com seus ingredientes para tudo dar certo.


O verdadeiro amor desperta primeiro em você e por você para depois atingir ao outro. Primeiro, o olhar é uma fonte de permissão para ele chegar. Depois, a expressividade, a inteligência e a fala induzem à admiração. O modo de ser, seus conceitos e sua ética contribui para fechar o esboço amoroso por uma pessoa. Tudo isso requer convivência, troca, encontro, afetividade, muito respeito, cumplicidade e, responsabilidade pela vida que você está encantando e sendo encantado. Se isso tudo acontecer de ambas as partes, sem prazo de validade, sem cobranças, com muita tolerância e perdão – chegamos à plenitude do amor verdadeiro. 

E mais: não é o sexo que envolve e confirma um amor. Esse apenas complementa... E, quando não nos é dado o gozo sexual, completa-se até e muito com um olhar, um carinho, uma palavra afetuosa, um encantamento, uma adoração que faz parte da magia de viver...
A vida é plena de amor! Basta que saibamos encontrá-lo deixando-nos contaminar por ele.
Célia Rangel
(flor do amor perfeito)

sábado, 1 de abril de 2017

Impossível? Jamais!



Você... Eu = Paz... Encantamento...
Relação perfeita: cegos e surdos na convivência.

Contrariamos a máxima de que isto seria impossível...
Existimos sim... Somos reais e únicos! É possível...

Aceitamo-nos com nossas diferenças: qualidades e defeitos
Com arte e união construímos nossa vida nas semelhanças

Conflitos e frustrações aconteceram, mas... solucionamos!
A fórmula exata foi saber expressar e acolher todos os sentimentos.

Nossa proposta era sempre ser e fazer o melhor um pelo outro.
Em um balanço emocional analisávamos nossas ações, gestos e atitudes.

E, com muito carinho e respeito, reinventávamo-nos...
Se há fórmula mágica para conviver, essa foi uma:
Surpreendermo-nos sempre!



Célia Rangel


terça-feira, 28 de março de 2017

Vivamos o hoje



Na quietude do amanhecer
a sinfonia dos pássaros ornamentam a vida.
Mãos postas em prece, agradeço o novo dia,
a nova esperança, a nova chance de renovação...

Lentamente, emoções vêm do seu olhar.
Penetram em mim. Fixam-me. Enrubesço.
E, em seu abraço, aconchego sentimentos únicos.
São meus. São nossos.

Não podemos fugir dessa realidade.
Sempre vou estar aqui falando com você.
Poetando com e para você.
Vivendo para fazê-lo feliz. Eternamente.

Façamo-nos felizes...
a cada despertar entreguemo-nos ao prazer da vida.
Renda-se e veja o quanto temos para dialogar com o afeto. 
Desperte com o aroma da felicidade em um novo dia. Seja você!



Célia Rangel


sábado, 25 de março de 2017

Poemas aos Homens do nosso Tempo


Amada vida, minha morte demora.

Dizer que coisa ao homem,

Propor que viagem? Reis, ministros

E todos vós, políticos,

Que palavra além de ouro e treva

Fica em vossos ouvidos?

Além de vossa RAPACIDADE

O que sabeis

Da alma dos homens?

Ouro, conquista, lucro, logro

E os nossos ossos

E o sangue das gentes

E a vida dos homens

Entre os vossos dentes.



Hilda Hilst




quinta-feira, 23 de março de 2017

Ausência


No vazio amoroso
Surge uma música
Ora envolvente em seus tons azuis
Ora alucinante em seu carmim
Avança e cobre de ternura
Espaços
Devaneios percorrem sentimentos
Gravados em alta fidelidade
Nas mentes ausentes
Deste mundo
Ao poeta cabe o registro
A saudade
E nada mais...

Célia Rangel

quarta-feira, 22 de março de 2017

Água, uma riqueza natural desvalorizada...


Amo o líquido que me gerou na bolsa das águas maternais

Guardo em mim as bênçãos da água do meu batismo

Utilizo a mesma lembrando aqueles que dela são privados

Até quando seremos insensíveis?



Célia Rangel

segunda-feira, 20 de março de 2017

DENTRO




Esse outono encontrou-me traduzida

Em vida com sabor de afetos concretos

Sem suposições ou ilusões

Realidades apenas.

Lapido pérolas, descarto bijuterias...

Aprecio e desfolho existências reais.

Há um prazer imenso nessa sedução vital!

Águas amorosas hidratam corações

Que se apegam depois da secura do céu...

Ainda que o vento frio enregele corpos

Debruçados sobre nosso amor

Aqueceremos com nossa radiação

Momentos, além do presumível,

Perto ou longe estaremos presos

Imagens...  Sons... Cheiros... Sabores...

Grades do amor que na Terra desfrutaremos

Do Barro ao PÓ.



Célia Rangel

sábado, 18 de março de 2017

VIAGEM


Dentro de mim mora um anjo
Que se disfarça no celestial
Na verdade ele é o oposto

E vem me fustigar

Fui escolhida e nele vivo

Nem sempre concordo com suas intenções

Mas ele assim o quer

Pulso, debato, aponto direções

Mas há um plano a ser efetivado

De nada ou pouco adianta

Ferver em considerações

Ele tem o manual da viagem

E o coloca em prática

Eu sozinha então me retiro

E me afundo em pensamentos

Escolho um tempo decantado no amanhã

Destilando novos caminhos em outros projetos



Celia Rangel

quinta-feira, 16 de março de 2017

SEM LIMITES 




Suave foi minha brisa de verão

Onde pude ver seu vulto

Vagando amorosamente

Na chuva de verão

Fugi na tempestade do final da tarde

Para amenizar a dor da minha saudade

Enrolei-me nas águas e me perdi

Agora serei folha caída no outono

Mas nada terá o poder de me angustiar

De arrebatar minhas forças com regras sociais

Com tranquilidade o Universo me leva ao seu encontro

Respiro nosso desejo de conexão

Na maravilhosa definição de sua existência

Sem  fuga nossas vidas escolheram-se

Arrebatando-nos para outra dimensão

Onde não seremos cobrados, analisados, avaliados

Livres, eternamente livres em nosso amor



Célia Rangel


quarta-feira, 15 de março de 2017

Reflexão

Perguntaram a Jalal ad-Din Muhammad Rumi, mestre espiritual persa do século XIII:

O que é veneno?
- Qualquer coisa além do que precisamos é veneno.
Pode ser poder, preguiça, comida, ego, ambição, medo, raiva, ou o que for.

O que é o medo?
- Não aceitação da incerteza.
Se aceitamos a incerteza, ela se torna aventura.

O que é a inveja?
- Não aceitação do bem no outro.
Se aceitamos o bem, se torna inspiração.

O que é raiva?
- Não aceitação do que está além do nosso controle.
Se aceitamos, se torna tolerância.

O que é ódio?
- Não aceitação das pessoas como elas são.
Se aceitamos incondicionalmente, então se torna amor.

O que é maturidade espiritual?

1. É quando você para de tentar mudar os outros e se concentra em mudar a si mesmo.
2. É quando você aceita as pessoas como elas são.
3. É quando você entende que todos estão certos em sua própria perspectiva.
4. É quando você aprende a "deixar ir".
5. É quando você é capaz de não ter "expectativas" em um relacionamento, e se doa pelo bem de se doar.
6. É quando você entende que o que você faz, você faz para a sua própria paz.
7. É quando você para de provar para o mundo, o quão inteligente você é.
8. É quando você não busca aprovação dos outros.
9. É quando você para de se comparar com os outros.
10. É quando você está em paz consigo mesmo.
11. Maturidade espiritual é quando você é capaz de distinguir entre " precisar " e "querer" e é capaz de deixar ir o seu querer.
E por último, mas mais significativo!
12. Você ganha maturidade espiritual quando você para de anexar "felicidade" em coisas materiais!



terça-feira, 14 de março de 2017

Dia Nacional da Poesia



“A poesia é o grau supremo da verdade.”
István Lakatos
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“E eis que, tendo Deus descansado no sétimo dia, os poetas continuaram a obra da criação.”
Mário Quintana
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“A poesia é uma comunicação por intermédio da beleza.”
Rubén Zorrilla
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“A fonte primeira do maravilhoso é a própria vida; e a poesia é expressão desse assombro de viver.” Aldo Pellegrini
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domingo, 12 de março de 2017

Dia do/a Bibliotecário/a


Nas estantes o acervo

há o contato físico.

Nos cadastros informatizados

sem pó algum, a estante digital.

No calor das mãos rolam as páginas,

nova concepção literária e de pesquisas.

Nos ebooks / audiobooks / tablets

novo procedimento no ato de ler.

Nos insights do profissional, o feedback essencial

só ao olhar o “aprendiz” e detectar sua urgência.

Estimulando novos pesquisadores

é o (a) bibliotecário (a) um grande facilitador,

na aquisição e democratização do conhecimento.

Fixa ou ambulante, a biblioteca deve facilitar o voo do livro,

jamais armazenado, mas em mãos e olhares ávidos,

é o passaporte do aprendiz para o aprendizado

programado à uma grande viagem...


Célia Rangel



quinta-feira, 9 de março de 2017

A Revolução da Mulher


Ansiedade enorme
Mas depois tudo passa
E vê-se que de nada adiantou
Tamanha argumentação
Tudo já estava escrito
Analfabetos da vida
Não soubemos ler
Tudo esfriou passou
E depois prioridades mudam
A magia se esvai
A saudade voa para longe
Já não mais marca nada
Nem o tempo amoroso
Nem a saudade do mesmo
Tudo muda
E quando muda é para melhor
Acredite
Corra por esse tempo novo
Não espere o depois
Momento bom é esse agora
Melhores surpresas
Melhores amores
Melhores sentimentos
Anule o antes e curta o depois...



Célia Rangel


quarta-feira, 8 de março de 2017

MULHER


MULHER
Lauro Daros


No mais lindo cenário do paraíso,
No mais feliz dos dias,
Na mais bela das horas,
Deus adormeceu...
Adormeceu e sonhou...
Sonhou e idealizou a arte-prima.

E com carinho
Teceu-a em segredo.

Desenhou-a flor única,
Modelou-a pérola singular,
Criou-a pássaro raro.

E serviu-se de toda a liberdade,
E criatividade,
E amabilidade,
E sensibilidade,
E beleza...
E compôs e adornou
A mais bela,
E sensível,
E amável criatura:
a mulher.

terça-feira, 7 de março de 2017

Recomendo a leitura desse blog!

ORAÇÃO AO SILÊNCIO DA MULHER
ORAÇÃO AO SILÊNCIO DA MULHER

Autoria- Rita de Cássia Zuim Lavoyer

Santa oração, proteja a criança que está para nascer, tomara que, santificado, seja o seu silêncio cada vez que alguém vier repreendê-la, pois se for uma menina-mulher, menos ainda deverá falar para não morrer no ninho.

Agora, contínua oração à criança que nasceu, vá acompanhá-la em sua calada ainda mais porque: “escreveu não leu o pau comeu” é lema da geração em cuja época essa criança veio na contramão.

Já aprendeu a andar, oh, oração! Fique mais fervorosa para, se ela cair, se levantar. Mais ainda, oração bendita, feche a boca dessa menina para ela falar bem pouco, e se vier a contrariar as regras a ela imposta, querendo se fazer absoluta, que venham homens bem nobres e rompam os seus períodos justapondo-a aos loucos para que, com eles, ela se coordene.

Oh, oração poderosa, ela conseguiu chegar a uma idade que sabe a diferença entre ela e o outro, fecha o seu o corpo, oh, correta oração! E se ela descobrir o que traz em si, que se ajoelhe e se flagele para do seu pecado se redimir. Agora que está crescida e, com os pecados do corpo à mostra, é tempo de achar esposo, não importa se gosta ou quer. Com o corpo já feito que está é hora de virar mulher.

Oh, querida oração que foi consumada até agora. Essa mulher com esposo e filhos honrará o título de senhora, pois nos laços da família ela aprendeu a rezar e se as dificuldades chegarem ao seu lar, que ela saiba se recolher, ajoelhar e chorar.

Oh, perfeita oração que acompanha essa senhora com tantos filhos nos braços, dai a ela a fortaleza de saber, em seu silêncio, engolir tanta pobreza. Essa mulher é invencível; no lar, é pau para toda obra. Quanto mais ela se cala, mais ainda a vida lhe cobra.

Em cada oração que ela faz ajoelhada, agradece aos sofrimentos; ela os julga bom remédio purificador da sua alma. Já, com tanta idade  é arrimo de família, pois aquele com quem se casou há muito tempo  a deixou sozinha para cuidar dos filhos, sofrer e orar.

Oh, oração abençoada que sai do silêncio dessa mulher, dê a ela muita força para carregar, além dos netos, tantas doenças que a acometeram. Ela semeou o pão, mas foram os seus filhos, os netos, a vida que o comeram; a ela nada sobrou além da esperança e a fé na oração. Ela acredita que está na privação a salvação da sua vida.

Oh, oração serena que ela faz quando se deita para descansar. Não permita que seu corpo pare nessa altura, seria um contrassenso, ela sabe que a vida ainda quer muitos anos de seu silêncio.

E que ela continue cada vez mais calada, oh, oração fraterna, abençoe essa mobília indispensável em uma casa, com o seu salário de fome sustenta tantos homens...
Oh, oração amiga que sustentou essa mulher no suporte do sigilo; ela que morreu tantas vezes no silencio que a clama, doou-se e ainda doa do resto que lhe sobra, para poder ver livre aqueles que tanto ama.

Oh, oração infinita, à essa mártir tão mulher, renda-lhe as palavras e a eleve em sua glória. A ela não resta mais nada e a sua história aqui se finda. Canonize-a para que ela seja as palavras de abertura, conteúdo das orações de súplicas de tantas mulheres interrompidas numa vida de clausura.

Um momento de silêncio para tantas  mulheres que se vão, deixando aos seus queridos, como legado, a oração.


RITA DE CÁSSIA ZUIM LAVOYER
http://ritalavoyer.blogspot.com.br/2017/03/oracao-ao-silencio-da-mulher.html

Gal Costa - Dom de Iludir Ao vivo




Dom de Iludir

Não me venha falar
Na malícia de toda mulher
Cada um sabe a dor
E a delícia
De ser o que é...

Não me olhe
Como se a polícia
Andasse atrás de mim
Cale a boca
E não cale na boca
Notícia ruim...

Você sabe explicar
Você sabe
Entender tudo bem
Você está
Você é
Você faz
Você quer
Você tem...

Você diz a verdade
A verdade é o seu dom
De iludir
Como pode querer
Que a mulher
Vá viver sem mentir...

Caetano Veloso

sábado, 4 de março de 2017

Às Mulheres...


MULHER

Um arco-íris de energia...
Ao nascer, menina - moça, mulher,
Contraditória... Culta...  Indomável...
Dócil... Enamorada... Dedicada... Lutadora...
Temperamental em seus outonos...
Com sua originalidade, muitas vezes desconcertante,
Arrisca-se a viver exercitando corpo e alma,
Num eterno “decifra-me ou te devoro”.
Chega a ser emoldurada,
Nem sempre se harmoniza com a realidade.
Busca todo amor do mundo, esquecendo-se do grande segredo:
Ele habita em você!
As mais delicadas esperas... A de gestar uma vida!
Acontecem num aprendizado divino e intimo.
A alegria e a responsabilidade por estar viva,
E ser fonte de vida...
Pontuam o coração mesmo que silencioso,
Amando... Amando... e, amando...
Com seu elástico cordão umbilical,
Até que tenha nascido e pulsado por alguém.
Ser complemento e completada,
No espasmo da felicidade do amor e de amar!
Sabe que a vida lhe cobrará
O que fez dela e,
O que deixou que fizessem
Na omissão do desespero
Simplesmente... por ser mulher.



Célia Rangel