terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Canção na plenitude


Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

"Do livro "Secreta Mirada", Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151.
Lya Luft"



9 comentários:

  1. Adoro a Lya, que escreve divinamente e num modo que nos cativa a leitura1 bjs, chica

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  2. OlÁ CÉLIA, GOSTO DE VIR AQUI DESFRUTAR DA SUA SABEDORIA, E TEXTO BONITO EXPRESSANDO A ACEITAÇÃO PLENA DOS ANOS. É TÃO BMO QDO NOS ACEITAMOS, SOMOS BEM MAIS FELIZES. ADORO LER-TE QUERIDA.

    ABRAÇOS!

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  3. Querida amiga Célia, que linda escolha do poema que nos mostra a beleza da sabedoria, apesar do tempo passando, as energias não nos deixam com facilidade, somos mais experientes, mais tranquilas com as coisas de relacionamento, amor maduro é sempre melhor, mais seguro, enquanto há movimento, sonhos, esperanças na vida, se vive plenamente em todas as fases!
    Amei ler aqui, agradeço sempre o seu carinho lá no meu espaço, nossa amizade é mesmo de se prezar sempre!
    Abraços bem apertados!

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  4. Gostei do excelente poema de Lya Luft.
    Tão verídico e belo, que bem mereceu este seu destaque.
    Abraço, Célia.
    ~~~~~~~~~

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  5. Olá, Célia.

    Uma plenitude que o tempo esculpe na vida, exaltando a beleza da alma.

    Um abraço.

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  6. Ainda bem que a gente amadurece, embora nem sempre queremos envelhecer.

    bjokas e mais uma vez obrigada pelo carinho =)

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  7. Bela ode à maturidade. Grandes verdades! Abraços, Célia.

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  8. A Lya é muito verdadeiro, seus textos são maduros, carregados de experiência. Seus textos sou eu, é você; é o ontem e muito o hoje. Aplaudo Lya de pé!
    Ótima partilha, Célia!
    beijo.

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  9. Ah! Bendita maturidade que nos ensina "a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor", adorei esse verso, repleto de sabedoria. Poesia linda que nos toca a alma.

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Célia Rangel,
Autora responsável pelo blog.
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