segunda-feira, 24 de abril de 2017

Ocaso



Está escuro na janela da alma
Nada se põe com as estrelas
Ou se levanta com o sol
Breu total
Imagem desconexa perde-se
Não se encaixa
Há ignorância

Passos apressados – eterna busca
Há resistência

Passou o tempo dos sonhos
Volta-se à realidade dolorida
A janela emperrou
A alma adormeceu
Há silêncio

Do seu sorriso – esqueceu
Nada ficou de seu no espelho conjugado a dois
Há solidão

A alma tudo embaçou
Exorcizam-se mentes nubladas
Livres ficam pelo presente a caminho do futuro
Enquanto podem...
Há alento.


Célia Rangel


9 comentários:

  1. Boa noite Célia, teu poema tão triste, lembra-me da solidão, solidão da alma, que mesmo rodeada de gente continua sentindo a sua peculiar solidão. Tentamos nos entreter, preencher o tempo com mil tarefas, eu sou mestra nisso, e então o dia passa a noite vem, quando percebemos mais um dia se passou.

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  2. "Está escuro na janela da alma" belo e profundo verso, o qual se encaixa direitinho com o estado de minha alma cheia de angústia, de insegurança, não por mim em si, mas por uma prima que está muito doente. Mas Deus vai interceder e tudo vai dar certo e o alento vai chegar. Abraços!

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  3. Hoje temos um poema da mais profunda solidão e tristeza...
    Porém, há que resistir e há alento... nem tudo está perdido.
    Um poema tocante, perfeito e belo na sua funestação.
    Abraço, Célia.
    ~~~~~~~~~

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  4. Tristes e tão lindos versos...Ao final, o alento que existe e não pode faltar! bjs, chica

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  5. Lindo versos em que o fim de algo tão lindo e de um amor tão grande deixou essa saudade, mas que há a lembrança que alenta a alma, tocastes bem fundo nas almas dos que aqui leem, com certeza!Amei!
    Inspiração sublime amiga Célia!
    Abraços apertados!

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  6. Sempre com um toque de otimismo apesar de tudo. Apesar do tom, do título, da espiral de melancolia, ainda há espaço para a palavra «alento».

    Que nunca lhe falte, Célia!

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  7. Lido. Meditado. Sentido. Abraço grande.

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  8. Que bom que à tua janela
    Se vê do poema ao fim
    Uma luz, mostrando enfim,
    O fim de uma procela.

    De pé! Abra-se a cancela!
    Que entre o amor, assim
    Como augusto Serafim
    Ou Anjo de Luz mui bela!

    Que de a janela, a visão
    Dê a real dimensão
    Do amor. Que a esperança

    Seja eterna a um coração
    Que ama e usa a razão
    Feita a ingênua criança.

    Belíssimo seu poema, mas um pouco triste inicialmente. Disse Emerson, pensador norte americano, que a mente é tudo e a gente se torna aquilo que pensa. Vamos pensar grande e escrever mirando o Altíssimo? Grande abraço! Minha gratidão pela partilha e escusas se me passei, a teu juízo, a margem que me seria colocada. Cordialmente. Laerte Tavares.

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  9. CÉLIA,

    portanto, que haja sempre o alento!

    Um abração carioca.

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