sexta-feira, 7 de abril de 2017

"Onde canta o sabiá?"

"Minha terra é a Penha,
o medo mora aqui.
Todo dia chega a notícia
que morreu mais um ali.

Nossas casas perfuradas
pelas balas que atingiu
Corações cheios de medo
do polícia que surgiu.

Se cismar em sair à noite,
já não posso mais.
Pelo risco de morrer
 e não voltar para os meus pais.

Minha terra tem horrores
que não encontro em outro lugar.
A falta de segurança é tão grande,
que mal posso relaxar.

'Não permita Deus que eu morra',
antes de sair deste lugar.
Me leve para um lugar tranquilo,
onde canta o sabiá".

(... escreveram os estudantes.)


Há 170 anos, o poeta Gonçalves Dias escrevia a "Canção do exílio". A poesia atravessou as décadas e foi parafraseada inúmeras vezes. É comum, por exemplo, que na escola professores proponham o exercício aos seus alunos. Nos últimos dias, circula em redes sociais a reprodução de um dos textos elaborado por dois estudantes da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A versão carioca rapidamente comoveu a web: expõe, de modo poético, a triste realidade de quem vive em meio à violência que mata inocentes diariamente – inclusive dentro de colégios, como na morte da menina Maria Eduarda.




10 comentários:

  1. Célia, que legar achar você
    por estas bandas.
    Um beijo, amiga e saudades...


    .

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  2. Bom dia Celia querida!!
    Infelizmente ja hoje convivemos com essa triste realidade.
    Medo,traumas,desemperança, a verdade é que esta dificil viver por aqui.
    Mas vamos em frente com fé, sempre.
    Bjks querida e uma otima tarde

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  3. Uma forma bela de expor uma triste realidade, mas expressa os sentimentos desses dois jovens, os quais representam a angústia de uma juventude, de um povo que vê dia a dia a vida sendo ceifada violentamente. Abraços e um fim de semana abençoado!
    meusertaopoetico.blogspot.com.br

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  4. Finalmente consigo entrar aqui, estava com problemas! Adorei o poema e retrata uma triste realidade. triste paródia,não? bjs, chica

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  5. Há mais de um século que o tema
    Se mantém tão actual!
    É triste ser tão igual,
    Sem que a Sociedade trema.


    Beijo
    SOL

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  6. É tão lamentável, estimada Célia!
    Um país tão bonito...
    Uma partilha triste, mas informativa.
    Abraço
    ~~~

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  7. Boa noite querida Célia.
    É triste inspirar a um jovem um parafraseado tão lamentável cheio de inquietações para um povo bom e pobre, mas que pela violência de todos os lados vive a sonhar com uma paz, que muitas vezes vem num caixão simples. O Estado falhou, a policia falha, os bandidos imperam e a vida tornou-se um inferno vivo.
    Um bom fim de semana amiga e que Deus nos proteja e aos nossos.
    Meu carinhoso abraço

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  8. CÉLIA RANGEL,

    é patética e desumana esta realidade que virou um ponto fira da curva e está absolutamente, sem controle nenhum!

    O pior Célia é que quando esperamos que as soluções venham de cima...de cima só vem dólares roubados da nação brasileira.

    Resta-nos DEUS!

    Por esta razão maior acredito continuo acreditando que sairemos desta.

    Um abração carioca.

    PS:Muito boa ideia dos estudantes e melhor a sua de publicá-la!

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  9. Um poema muito bem elaborado por estes alunos, mostra-nos a situação triste de reclusão que vivem e olha não é só lá na Penha, oxalá pudéssemos voltar ao tempo das Palmeiras onde canta o sábia, bjos

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  10. Triste, muito triste, Célia! Não estou vendo nada a curto prazo, a polícia está recuando e a bandidagem tomando espaço. Cadê os políticos?
    Ora, ora... arrumando suas coisas, fazendo seu pé de meia...
    Meus olhos não verão nada, não viverei o suficiente para ver mudança alguma.
    Beijo, ótima semana.

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Célia Rangel,
Autora responsável pelo blog.
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