terça-feira, 1 de agosto de 2017

Pensar e Transformar...


TRANSGRESSÃO E CRESCIMENTO

O rabi Nahum, de Chernobyl, declarou: “Temo muito mais as boas ações que me acomodam do que as más ações que me horrorizam!”
A experiência humana é marcada pela alternância de estados despertos e de torpor. Construímo-nos a partir dos acampamentos que fazemos e do levantar dos mesmos. Mas o rabi Nahum quer frisar a importância de se “horrorizar”, que é um dos sinais de percepção dos lugares estreitos. Quem não se horroriza perde a capacidade de detectar a estreiteza. Nossa insensibilidade se beneficia daquilo que não rompe, das ditas “boas ações” que não ferem os códigos da moral animal. Cada vez que fazemos o esperado, reforçamos um padrão humano automático de torpor. Existe em nós uma tendência de querer agradar a nós, aos outros e à moral de nossa cultura.
Com isso vamos gradativamente nos perdendo de nós mesmos. E o despertar é a capacidade de perceber situações horríveis em nossas vidas, tanto no plano particular como no social e cultural. Desse horror surge uma nova forma de ser, uma nova forma de “família”, uma nova forma de “propriedade” e uma nova forma de “tradição”. A imutabilidade do ser e da família, da propriedade e da tradição é a proposta desesperada de negar a natureza humana, que é mutante e requer novas formas de “moral”.
Entre uma moral e outra o ser humano volta a se despir e, desperto, se recorda de sua alma. A esse despertar se referia o maguid de Mezeridz: “Um cavalo que se sabe cavalo não o é. Este é o árduo trabalho do ser humano: aprender que não é um cavalo.”
A alma se faz perceptível no despertar e no horror. Em ambos os casos ela se volta para a reconstrução do passado. Para este, por sua vez, ela é sempre imoral e perigosa.
BONDER, Nilton – A Ama Imoral: traição e tradição através dos tempos - RJ – Rocco, 1998.


6 comentários:

  1. Como Raul Seixas, "eu prefiro ser, essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo". Precisamos estar atentos para fugir da acomodação, da ilusão do querer agradar a todos. Esse é o caminho mais curto para o desagrado geral. Precisamos fazer o que nos cabe, o que manda a nossa consciência.

    Um abraço.

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  2. Um excelente texto! Concordo com rabi Nahum. Não devemos acomodar-nos às situações porque perdemos a capacidade de nos indignarmos e até agirmos com o que não está bem.
    Uma boa semana, minha Amiga.
    Um beijo.

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  3. Nunca quero perder a minha capacidade de indignação, de contestação como também a de aplaudir. Gostei do comentário de Antonio Apon sobre o agradar os outros...
    Beijo!

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  4. Excelente reflexão! Agradeço as felicitações e o carinho de empre de você Célia! Grande abraço! :)

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  5. Boa escolha textual. Precisamos de algo que nos vá despertando para a vida e nós tire do torpor, muitas vezes comodista a que tão facilmente nos habituámos. Bj

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  6. Ótimo texto que nos faz mais conscientes de que não devemos, em hipótese alguma, nos acomodar, seja em qualquer situação. Beijos carinhosos, Lúcia.

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